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17 de Agosto de 2017

A experiência da Suécia

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A experiência da Suécia

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02/12/2016 15:49 - Atualizado em 02/12/2016 15:50
Por: Claudia Moreira Paula Lima (Pediatra e Neonatologista)

A experiência da Suécia 0

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Não seria a Suécia um país de sonhos, onde a democracia alcançou um bem estar, enfim, igual para todos?

Bom, se é a visão que se tem em mente, muitos ajustes deverão ser feitos para que nos aproximemos da dura realidade. O conhecimento do preço pago e de como isso foi alcançado será fundamental para concluirmos se esse foi ou não um bom negócio, e se o processo foi de fato democrático.

A Suécia se tornou um balão de ensaio a partir dos anos 30, no qual os processos de uma nova sociologia, implementados pelas grandes fundações americanas, verdadeira engenharia social, foram pela primeira vez colocados em prática. Uma nova técnica para controlar, manipular, alterar, estimular, modelar e utilizar os indivíduos, suas diversas relações e instituições sociais. Uma técnica capaz de retirar os pontos de apoio fundamentais à manutenção do tecido social e à integridade da família e da pessoa humana.

Numa mesma época em que a estratégia marxista estava sofrendo uma reviravolta em sua práxis, os níveis de fertilidade da Suécia começaram a decrescer acentuadamente. Em 1933, a taxa de natalidade sueca era a mais baixa entre as nações modernas em tempos de paz. As ideias dessa nova práxis, que defendiam a desmontagem do sistema dando ênfase à demolição da família, alcançaram a Suécia de maneira peculiar.

Como tudo isso foi posto em prática? Os protagonistas foram um brilhante casal, o primeiro a ganhar prêmios Nobel em categorias diferentes, Alva e Gunnar Myrdal. Ele era um advogado que passou a dedicar seus estudos à economia. Desde pequeno Gunnar havia sofrido forte influência do pensamento iluminista. Alva era filha de um pai socialista, influente no Partido Social Democrata, que fez questão de proporcionar à sua filha uma educação esmerada, o que não era comum naquela época. O encontro de ambos iniciou não apenas um forte vínculo afetivo, mas uma complementaridade intelectual que iria perdurar por toda a vida do casal.

Visando a recuperação da natalidade, as políticas populacionais que mais tarde seriam advogadas por Alva e Gunnar iriam oferecer ao partido Social Democrata uma resposta amplamente popular, politicamente convincente, cientificamente justificada e atraente para todos, políticas públicas que iriam remodelar a nação.

A tese acadêmica de Gunnar de como as mudanças de preço acontecem ao longo do tempo dentro de uma estrutura dinâmica tinha um ponto de vista original. O suporte financeiro deste trabalho inicial veio da Laura Spelman Rockefeller Foundation, a primeira de muitas subvenções que o casal receberia desta fonte.

Segundo os estudos de Gunnar, as pessoas também se interessam por objetivos sociais. Ele concluiu que uma nova tecnologia da economia não deveria ser construída apenas sobre interesses econômicos, mas em atitudes sociais. Alva, por sua vez, começava a desenvolver seus estudos na área de psicologia social, linguagem e educação.

A Fundação Rockefeller, que estava em busca de pessoas proeminentes em todo o mundo para desenvolver seus trabalhos na área das ciências sociais, convidou o casal para uma temporada de um ano nos EUA, entre os anos de 1929 e 1930, colocando-os em contato com as maiores sumidades em suas respectivas áreas de interesse acadêmico.

Uma vez nos EUA, Gunnar passou a se dedicar principalmente a assuntos populacionais. Alva logo abriu os olhos para as questões educacionais relacionadas às ciências sociais. Ela já citava a escola como substituta da família. Via a importância da educação para conseguir mudanças específicas de comportamento social. Alva visita várias escolas experimentais patrocinadas pelas grandes fundações. Conhece o Dr. Willian Ogburn, um sociólogo que a impressiona por seu posicionamento acerca das “recentes mudanças na estrutura da família”, que segundo ele sofre uma perda de função. Alva interessa-se também pela arquitetura direcionada à mudança social.

O intenso programa de ambos nos EUA teve um profundo impacto em suas carreiras: poderíamos dizer que saíram da Suécia como teóricos e voltaram como ativistas.

Como aplicar as ciências sociais para induzir mudanças no comportamento humano e assim alterar o tecido social? Eles criaram a técnica para fazer isso.

De volta à Suécia, Gunnar passa a fazer parte de uma comissão populacional, a Royal Population Commission, e de várias outras comissões ligadas ao parlamento, atuando no campo político de forma extremamente hábil, incansável e influente. Nessa época, qualquer relatório que parecesse ter um teor científico tinha um impacto quase que imperativo nas decisões políticas. Em 1934, o casal escreve um ‘livro bomba’: “Crise na questão populacional”, promovendo o aquecimento do problema populacional para tornar uma urgência a aceitação das soluções propostas por eles. Um verdadeiro exercício de controle ideológico.

Alva dedicou-se cada vez mais à educação institucional da primeira infância, que incluía a igualdade de gênero nos brinquedos e nas vestimentas, buscando a não diferenciação sexual de meninos e meninas, (meninos que não podem ser meninos e meninas que não podem ser meninas). Defendeu mudanças arquitetônicas das casas, visando alterações na fertilidade da família. Investiu na “educação” dos pais e na socialização do ambiente doméstico, tornando-o cada vez menos privado e mais coletivista. Envolveu-se de forma progressiva com o movimento feminista.

Gunnar promovia a intervenção estatal na capilaridade da vida familiar, orquestrando políticas públicas que chegavam a determinar a alimentação nas famílias e nas escolas, a escolha do vestuário, o tamanho das casas, a educação sexual obrigatória para as crianças, a acentuada diminuição do tempo de convivência das crianças com seus pais. Contracepção e aborto foram implantados, e por incrível que pareça o motivo alegado era pró-natalista. Definiam o membro da família que deveria receber os subsídios estatais, não o pai, mas a mãe, a quem queriam agora emancipar. As crianças deviam estar ao encargo do estado, em creches de tempo integral por conta de profissionais, estes, sim, devidamente treinados. Todas as mulheres deveriam ser encorajadas a trabalhar fora o mais possível. Gunnar alegava que era lícito escolher pelas pessoas, já que elas não pareciam ser capazes de fazer escolhas racionais. Uma visão “arrojada” que fazia das pessoas objetos manipuláveis, alegando a necessidade de produzir “pessoas de alta qualidade”. Políticas públicas para modelar o “material” humano.

Em curto prazo os Myrdal conseguiram através da aplicação de políticas públicas transformar a natureza do estado sueco. Interferindo na instituição primária que é a família, criaram um ‘botão de controle’ para daí controlar as demais superestruturas.

Mesmo que o que normalmente nos seja apresentado pela mídia seja um “país das maravilhas”, com bem estar e igualdade para todos, olhando de perto temos uma enorme e preocupante decepção: vemos pessoas isoladas, atomizadas e vulneráveis, para as quais o bem-estar está longe de ser um verdadeiro bem, livremente escolhido. Alguns dados atuais são particularmente alarmantes.

Não se trata de um socialismo apenas econômico, mas de um socialismo de famílias.

Poucos países testemunharam um declínio tão rápido da instituição do casamento ou tão rápido aumento do número de abortos.

O Estado sueco é considerado hoje o povo menos religioso do mundo com o maior número de ateus.

A educação sexual é gráfica e compulsória, independentemente da opinião dos pais. Às crianças é ensinado que qualquer coisa que gere uma sensação sexual está OK.

Para eles todo mundo é bissexual, é apenas uma questão de escolha.

A lei sueca não reconhece de forma nenhuma o direito à objeção de consciência para trabalhadores da área da saúde.

Hoje é o país com o maior número de estupros da Europa, com o segundo maior número de estupros do mundo.

Referência:

n Do livro “The Swedish Experiments in Family Politics - The Myrdals and the Interwar Population Crisis”; Allan Carlson

Ver também:

n https://beinbetter.wordpress.com/2013/04/08/o-secularismo-na-suecia/

n https://pt.gatestoneinstitute.org/5336/suecia-estupros

n http://biopolitica.com.br/index.php/artigos/26-o-secularismo-na-suecia

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