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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 27/02/2017

27 de Fevereiro de 2017

Francisco, enfim, na pátria de São João Paulo II

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Francisco, enfim, na pátria de São João Paulo II

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27/07/2016 00:00 - Atualizado em 28/07/2016 12:44
Por: Flávia Auxiliadora Alves Muniz

Francisco, enfim, na pátria de São João Paulo II 0

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Na manhã desta quarta-feira, 27 de julho, tocava o solo de Cracóvia, no Aeroporto João Paulo II, o avião que trazia o Papa Francisco, ao encontro dos milhares de jovens peregrinos, vindos de todas as partes do mundo, para a 31ª edição da Jornada Mundial da Juventude, desta vez, na terra de São João Paulo II e Santa Faustina Kowalska, os Apóstolos da Divina Misericórdia.

Na chegada a Cracóvia, após uma coletiva de imprensa ainda a bordo do avião, o Papa demonstrava um ar tenso e ligeiramente triste. Durante a viagem, respondendo aos jornalistas, Francisco manifestou mais uma vez seu pesar pela morte do padre francês, Jacques Hamel (84 anos), ocorrida nessa semana em mais uma ação terrorista promovida por dois membros do Estado Islâmico; episódio que, para Francisco, evidencia que “esta é a guerra! Não tenhamos medo de dizer esta verdade: o mundo está em guerra, porque perdeu a paz”, declarou o Pontífice durante a entrevista.

Assim que tocou o solo polonês, Francisco foi recebido com honras de Chefe de Estado pelo Presidente Andrzej Duda, acompanhado da Primeira Dama - Agata Kornhauser-Duda. Para dar boas vindas a Francisco, estavam também o Cardeal Stanislaw Dziwisz, Arcebispo de Cracóvia e duas crianças. Na delegação que recepcionava o Papa havia ainda a presença de diversas autoridades do Estado e também eclesiásticas como: Dom Stanislaw Gadecki, Arcebispo de Poznán e Presidente da Conferência Episcopal polonesa; o Cardeal Stanislaw Rilko, Presidente do Pontifício Conselho para os Leigos; Cardeal Kazimierz Nycz, Arcebispo de Varsóvia; Dom Josef Clemens, Secretário do Pontifício Conselho para os Leigos; os Monsenhores Artur Gregorz Mizinski e Damian Andrzej Muskus, coordenadores, respectivamente, da Viagem à Polônia e dessa edição da JMJ; havia também um grupo de fieis.

Não houve discursos na chegada ao aeroporto, apenas uma recepção oficial de boas vindas, quase se poderia dizer, informal. Ainda assim, Francisco teve recepção protocolar: foi executada a Marcha Pontifícia, seguida da execução do Hino Nacional polonês. Por ser Chefe de Estado – o Vaticano – o Papa foi recebido, também, com as devidas honras militares.

Após essa primeira recepção, ambas as delegações seguiram para o Pátio de Honra, no Castelo de Wawel, onde ocorreriam as cerimônias formais e quando, então, seriam proferidos os discursos oficiais. Na saída do aeroporto, porém, Francisco – assim como fez no Rio de Janeiro, em 2013, ao passar pela avenida Presidente Vargas – beijou crianças e, ao entrar no carro, abriu também as janelas para saudar o povo polonês por onde passasse, externando a peculiar espontaneidade, traduzida em sua típica quebra de protocolo. Durante o percurso, o Santo Padre, já a bordo do Papamóvel, era saudado pelos fieis que, entusiasmados, ladeavam as ruas de Cracóvia agitando bandeirinhas e acenando para o Papa, que, mesmo de luto pelo sacerdote francês, correspondia, ternamente, sorrindo e abençoando.

No Castelo de Wawel, o Santo Padre encontrou-se com autoridades civis e religiosas, além do Corpo Diplomático. Cerca de 800 pessoas estavam presentes e puderam ouvir as primeiras palavras de Francisco em terras polonesas:

“É a primeira vez que visito a Europa Centro-Oriental e fico feliz por começar da Polônia, que, entre os seus filhos, nos deu o inesquecível São João Paulo II, idealizador e promotor das Jornadas Mundiais da Juventude. Ele gostava de falar da Europa que ‘respira com seus dois pulmões’.”

Com essas palavras, o Santo Padre abriu o seu discurso, emocionando os ouvintes ao recordar o mais ilustre filho da nação, São João Paulo II. Francisco exaltou a sensibilidade do Papa polonês que, ao falar dos povos, partia sempre da sua própria história. Para Francisco, a memória é o que caracteriza o povo polonês, dotando-o de “consciência da identidade, livre do sentimento de superioridade”.

Francisco destacou ainda que “na vida de cada dia dos indivíduos e da sociedade, há dois tipos de memória: a ‘boa e a má’, a ‘positiva e a negativa’. A ‘memória boa’ é mostrada pela Bíblia no Magnificat, o Cântico de Maria, que louva o Senhor e a sua obra de salvação. Mas, a ‘memória negativa’ é a que fixa, com obsessão, o olhar da mente e do coração no mal cometido pelos outros”. Nesse sentido, o Papa exaltou a capacidade do povo polonês de escolher manter a “memória boa”, como ficou demonstrado na celebração dos cinquenta anos do perdão mútuo, dado pelos episcopados da Alemanha e Polônia, após a II Guerra Mundial.

“... a nobre nação polonesa mostra como se pode desenvolver a ‘memória boa’ e rejeitar a ‘má’. Por isso, são necessárias uma esperança e uma confiança firmes em quem guia o destino dos povos, abre as portas fechadas, transforma as dificuldades em oportunidades e cria novos cenários até mesmo impossíveis”.

Em seu discurso, exaltando a importância histórica da cidade de Cracóvia, o Santo Padre recordou ainda os 1050 anos do Batismo da Polônia e fez exortações pontuais sobre políticas sociais para a família, sobretudo as mais frágeis e pobres, e no que respeita à defesa da vida, que deve ser acolhida e protegida. Francisco também abordou temas ligados à imigração, pedindo acolhida para quem foge da fome e da guerra.

Francisco ressaltou, também, que “a nação polaca pode contar com a colaboração da Igreja Católica, para que, à luz dos princípios cristãos que a inspiram e que forjaram a história e a identidade da Polônia, saiba nas novas condições históricas avançar no seu caminho, fiel às suas melhores tradições e repleta de confiança e esperança, mesmo nos momentos difíceis”. E concluiu pedindo a especial proteção da Padroeira da Polônia: “Que Nossa Senhora de Częstochowa abençoe e proteja a Polônia!”

Saudades da JMJ Rio2013, saudades de Francisco

Acompanhando dos estúdios da Rádio Catedral, no Rio de Janeiro, a chegada do Papa Francisco à Polônia, era esse o sentimento que se respirava, vendo as imagens e recordando que há três anos, em 2013, o Rio de Janeiro o recepcionava, em meio à contagiante alegria da Jornada Mundial da Juventude.

“Saudade da presença dos jovens peregrinos e de toda a alegria que se respirava pela cidade”, afirmou o padre Antônio Augusto, comentarista ao lado do jornalista Raphael Freire, durante as transmissões. Para o padre Antônio Augusto, a juventude católica demonstrou sua capacidade de viver a cidadania, e isso impressionou muito naqueles dias, pois foi um testemunho de que o cristão “não é um alienado”, já que a reunião festiva esteve a todo momento associada ao pleno exercício da cidadania. Padre Antônio lembrou o espírito fraterno, a educação, a gentileza, o cuidado com o recolhimento do lixo pelos próprios peregrinos, que tiveram zelo pelos espaços públicos. Bem diferente do que ocorre em grandes eventos seculares.

Padre Antônio e Raphael recordaram, ainda, a familiaridade com que o Papa Francisco se apresentou aos brasileiros, sugerindo que se poderia “botar mais água no feijão” e que ele – Francisco - desejaria entrar em cada casa e “tomar um cafezinho”.

Em um dos intervalos das transmissões, os ouvintes puderam ouvir, de novo, o discurso da chegada do Papa ao Brasil em 2013 e o hino oficial da JMJ-Rio2013, para se sentirem um pouco mais próximos do clima de JMJ em Cracóvia que, hoje, reacendeu, também, no coração de toda a arquidiocese e dos brasileiros, as saudades de Francisco.

Foto: AP


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