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18 de Novembro de 2018

Nhá Chica sobe aos altares

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Nhá Chica sobe aos altares

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03/05/2013 16:39 - Atualizado em 03/05/2013 16:40
Por: Raphael Freire

Nhá Chica sobe aos altares 0

Nhá Chica sobe aos altares / Arqrio

No próximo sábado, dia 4 de maio, às 15 horas, o Prefeito da Congregação para a Causa dos Santos e Delegado do Papa Francisco, Cardeal Ângelo Amato, presidirá a Missa de Beatificação de Nhá Chica, no Santuário Nossa Senhora da Conceição, em Baependi, Minas Gerais.

A diocese de Campanha (MG), que compreende a cidade de Baependi, já definiu o local para a cerimônia. A celebração será no Centro de Eventos EMIL, no centro da cidade. Além disso, uma equipe cuida dos detalhes da organização do evento religioso e a cerimônia seguirá o novo rito aprovado pelo Papa Emérito Bento XVI.

Antes da Santa Missa, de acordo com o rito, a Diocese faz a acolhida do representante de Roma para a beatificação, logo em seguida este representante agradece o convite para a cerimônia e dá início à celebração. Há então a apresentação do candidato à beatificação com a leitura de um breve histórico de vida em que são apresentadas as virtudes, há a apresentação das relíquias do candidato à beatificação, dos restos mortais e demais pertences, entre os quais estará a imagem de Nossa Senhora da Conceição trazida por Nhá Chica de São João Del Rei no início do século XIX. Por fim, acontece a leitura do decreto da beatificação e, em seguida, a Santa Missa. 

Estarão presentes à cerimônia Ana Lúcia Meirelles, que recebeu o milagre por intercessão de Nhá Chica, Bispos de várias dioceses do país e diversos padres, religiosos e religiosas, autoridades civis, como o Governador de Minas Gerais, Antônio Anastasia, e a Presidente Dilma Roussef.

Processo de Beatificação e Canonização

No dia 28 de junho de 2012, o postulador da causa de beatificação da Venerável Nhá Chica, Paolo Villotta, informou que o então Papa, Bento XVI, havia autorizado a promulgação do decreto que reconhece o milagre recebido por Ana Lúcia Meirelles, por intercessão de Nhá Chica, e a certeza de que a mineira de São João del Rei em breve seria proclamada Beata.

O postulador considera a historicidade um ponto importante no processo que a levou à beatificação. Ele explica que os estudiosos que analisaram a vida de Nhá Chica destacam a tradição oral, ou seja, a maneira como uma pessoa passava para a outra a história e o testemunho da futura beata. Para Villotta, duas atitudes a tornaram santa: a dedicação da sua vida ao amor a Deus e ao próximo e sua humildade.

 — Essa tradição era a fama de santidade, que foi transmitida da morte até hoje. Todo mundo sempre falava sobre a história de Nhá Chica. (...) Uma mulher negra que fez um voto interior, não um voto religioso. Dedicou toda a vida para o amor de Deus, e seu amor a Deus foi transmitido para os outros. Depois, na sua simplicidade e humildade, ela foi heróica, extraordinária, pode dar um contributo de esperança de ensinamento para todo mundo, do maior ao menor.

O Milagre

 Desde 2007, a causa de canonização de Nhá Chica está aguardando o anúncio de sua beatificação. A cura aceita pela Comissão de Médicos do Vaticano refere-se a uma professora aposentada de Caxambu (MG), que, em 1995, pediu a intercessão da leiga e teve resolvido – sem necessitar de cirurgia – um problema congênito muito grave no coração. Após análise de vários peritos, a graça foi aceita pelo Vaticano.

 — Eu estava péssima, com hipertensão pulmonar. Tive uma isquemia na vista, que me impossibilitou enxergar por alguns momentos. Uma isquemia transitória. Era um defeito congênito no coração, que eu teria que operar por causa da hipertensão pulmonar e por causa do sangue que passava errado pelo coração. Então, a cirurgia foi marcada, mas três dias antes eu tive febre e acabei não fazendo. Isso tudo sob a proteção de Nhá Chica. Passados sete dias, eu notei que eu só melhorava. Seis meses depois, por pressão dos médicos, eu voltei a fazer os exames pré-operatórios. E qual não foi minha alegria ao constatarem, por um exame transesofágico, que eu estava curada, sem hipertensão pulmonar, e que já não havia mais aquela passagem de sangue que causava a hipertensão. Estou aqui há 17 anos, completamente curada, sem problema nenhum. Tudo isso sob a benção da minha santa Nhá Chica, testemunhou Ana Lúcia Meirelles.

História 

Ainda pequena, Francisca de Paula de Jesus, que nasceu no Distrito de Santo Antônio do Rio das Mortes em São João Del Rey -MG chegou em Baependi, MG. Estava acompanhada por sua mãe, uma ex- escrava e por seu irmão Teotônio. Com eles, poucos pertences e uma imagem de Nossa Senhora da Conceição.

 Em 1818, com apenas 10 anos de idade, a mãe de Nhá Chica faleceu deixando aos cuidados de Deus e da Virgem Maria as duas crianças, Francisca Paula de Jesus e seu irmão, então com 12 anos. Órfãos de mãe, sozinhos no mundo, Francisca Paula e Teotônio, cresceram sob os cuidados e a proteção de Nossa Senhora, que pouco a pouco foi conquistando o coração de Nhá Chica. Esta a chamava carinhosamente de "Minha Sinhá", que quer dizer: "Minha Senhora", e nada fazia sem primeiro consultá-la.

Nhá Chica soube administrar muito bem e fazer prosperar a herança espiritual que recebera da mãe. Nunca se casou. Rejeitou com liberdade a todas as propostas de casamento que lhe apareceram. Foi toda do Senhor. Se dava bem com os pobres, ricos e com os mais necessitados. Atendia a todos os que a procuravam, sem discriminar ninguém e, para todos, tinha uma palavra de conforto, um conselho ou uma promessa de oração. Ainda muito jovem, era procurada para dar conselhos, fazer orações e dar sugestões para pessoas que lidavam com negócio. Muitos não tomavam decisões sem primeiro consultá-la, e, para tantas pessoas, ela era considerada uma "santa"; todavia, em resposta para quem quis saber quem ela realmente era, respondeu com tranquilidade: "... É porque eu rezo com fé".

Sua fama de santidade foi se espalhando de tal modo que pessoas de muito longe começaram a visitar Baependi para conhecê-la, conversar com ela, falar-lhe de suas dores e necessidades e, sobretudo, para pedir-lhe orações. A todos, atendia com a mesma paciência e dedicação, mas nas sextas feiras não atendia a ninguém. Era o dia em que lavava as próprias roupas e se dedicava mais à oração e à penitência. Isso porque sexta-feira é o dia que se recorda a Paixão e a Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo para a salvação de todos nós. Às Três horas da tarde, intensificava suas orações e mantinha uma particular veneração à Virgem da Conceição, com a qual tratava familiarmente como a uma amiga.

 Nhá Chica era analfabeta, pois não aprendeu a ler nem escrever, desejava somente ler as Escrituras Sagradas, mas alguém as lia para ela, e a fazia feliz. Compôs uma Novena à Nossa Senhora da Conceição e em Sua honra, construiu, ao lado de sua casa, uma Igrejinha, onde venerava uma pequena Imagem de Nossa Senhora da Conceição, que era de sua mãe, e diante da qual rezava piedosamente para todos aqueles que a ela se recomendavam. Essa Imagem, ainda hoje, se encontra na sala da casinha onde ela viveu, sobre o Altar da antiga Capela.

Em 1954, a Igreja de Nhá Chica foi confiada à Congregação das Irmãs Franciscanas do Senhor. Desde então, teve início, bem ao lado da Igreja, uma obra de assistência social para crianças necessitadas, que vem sendo mantida por benfeitores devotos de Nhá Chica. Hoje, a "Associação Beneficente Nhá Chica" (ABNC) acolhe mais de 160 crianças entre meninas e meninos.

Ao longo dos anos, a "Igrejinha de Nhá Chica", depois de ter passado por algumas reformas, passou a ser hoje o "Santuário Nossa Senhora da Conceição", que acolhe Peregrinos de todo o Brasil e de diversas partes do mundo. Muitos fiéis que visitam o lugar pedem graças e oram com fé. Tantos voltam para agradecer e registram suas graças recebidas. Atualmente, no "Registro de graças do Santuário", podem-se ler aproximadamente 20.000 graças alcançadas por intermédio de Nhá Chica.

A Venerável morreu no dia 14 de junho de 1895, estando com 87 anos de idade, mas foi sepultada somente no dia 18, no interior da Capela por ela construída. As pessoas que ali estiveram sentiram exalar-se de seu corpo um misterioso perfume de rosas durante os quatro dias de seu velório. Tal perfume foi novamente sentido no dia 18 de junho de 1998, 103 anos depois, por Autoridades Eclesiásticas e por membros do Tribunal Eclesiástico pela Causa de Beatificação de Nhá Chica e, também, pelos pedreiros, por ocasião da exumação do seu corpo. Os restos Mortais da Venerável se encontram hoje no mesmo lugar, no interior do Santuário Nossa Senhora da Conceição em Baependi, protegidos por uma Urna de acrílico colocada no interior de uma outra de granito, onde são venerados pelos fiéis.

* Fontes: CNBB, Canção Nova, A12 e www.nhachica.org.br  

 

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