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21 de Agosto de 2018

Cardeal Hummes entrega documento à COP21 em Paris

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21 de Agosto de 2018

Cardeal Hummes entrega documento à COP21 em Paris

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30/11/2015 11:19 - Atualizado em 30/11/2015 11:20
Por: Rádio Vaticano

Cardeal Hummes entrega documento à COP21 em Paris 0

Cardeal Hummes entrega documento à COP21 em Paris / Arqrio

O Cardeal Claudio Hummes entregou no sábado, dia 28 de novembro, aos responsáveis pela organização da COP 21 de Paris uma petição assinada por quase 1,8 milhão de pessoas, dentre as quais cerca de 800 mil católicos. No texto, escrito em forma de apelo às partes envolvidas nas negociações da COP21 sobre o clima, em curso em Paris, se pede um corte enfático nas emissões de gás carbônico para frear o fenômeno do aquecimento global.

Na petição, pede-se ainda que seja fixada uma data para o total abandono dos combustíveis fósseis e que seja fixada para 2050 uma completa "descarbonização". Pede-se, por fim, que os países mais ricos ajudem aqueles mais pobres na administração das mudanças globais com instrumentos adequados e ajuda financeira.

Ainda na capital francesa, após a marcha que seria realizada contra o aquecimento global ter sido cancelada, uma instalação foi feita na cidade com milhares de sapatos que representam todas as pessoas que lutam pela preservação do planeta. Um par de sapatos do Papa Francisco também faz parte da manifestação.

"O Papa quis estar presente neste evento e enviou simbolicamente seus sapatos", declarou o Cardeal Hummes.

Abaixo, publicamos a íntegra do artigo do Cardeal Hummes por ocasião da COP21

São Francisco, papa Francisco e a Cúpula do Clima da França

Por Cardeal Cláudio Hummes, O.F.M.

“Senhor, fazei de mim um instrumento de vossa paz”.

Estas palavras da oração popular, atribuída a São Francisco me vêm à mente quando os negociadores internacionais e as religiões do mundo reúnem-se em Paris buscando enfrentar a mudança climática.

Como o Papa Francisco recordou em sua encíclica Laudato Si’, a paz e a proteção da criação são objetivos unidos. Seus antecessores, e muitos outros líderes de outras religiões, têm ensinado o mesmo. Na preparação para as negociações sobre o clima da COP21, um número inspirador de católicos ouviu este ensinamento e se mobilizou em todo o mundo. Muitos estão agora em Paris, uma cidade que tem mostrado ao mundo o significado da esperança, para levar a voz da fé a estas negociações.

Aqui e em todo o mundo, em eventos inter-religiosos e seculares, incluindo as maciças Marchas Climáticas Globais, ativistas católicos do clima estão de mãos dadas com seus irmãos e irmãs de diversas comunidades de fé - incluindo outras denominações cristãs, judeus, muçulmanos, budistas, hindus, e tantos outros. De São Paulo a Berlim, de Londres a Manila, juntos eles clamam pelo planeta, pelos pobres e os indígenas, e pelas gerações futuras, para que o mundo possa conhecer a paz.

Ontem - como os cristãos preparados para entrar no Advento, o tempo da preparação para o nascimento de Jesus Cristo - eu me juntei a representantes de outras religiões para entregar às autoridades das Nações Unidas e do governo francês (o qual preside a COP21) as assinaturas de [número total de assinaturas ainda a ser confirmado] de pessoas de todo o mundo que assinaram uma petição que clama aos nossos líderes para que ajam de forma decisiva, antes que seja tarde demais.

Foi uma honra profunda representar os [número a ser confirmado] de católicos - crianças, homens e mulheres unidos em todos os continentes, culturas e línguas - que se fizeram instrumentos da paz de Deus assinando a petição do Movimento Católico Global pelo Clima (MCGC).

Formado há apenas dez meses, o MCGC tornou-se uma voz firme, fiel e crescente. Juntou seus braços aos movimentos de base e da caridade da Igreja - e a muitos outros - para clamar por justiça climática, bem como pelas virtudes irmãs da justiça, a prudência, a temperança e a fortaleza, para que possamos agir corretamente e rapidamente.

“Inspirado pelo Papa Francisco e pela encíclica Laudato Si’ ”, afirma a petição do MCGC, “apelamos a vocês para reduzir drasticamente as emissões de carbono de modo a manter o aumento da temperatura global abaixo do limite perigoso de 1,5°C, e para ajudar o mundo mais pobre a lidar com impactos das mudanças climáticas”.

Nós que assinamos esta petição - pois na verdade eu tenho, também, assim como têm muitos outros cardeais e bispos - conhecemos desses impactos. Porque os combustíveis fósseis aumentaram a cobertura natural do dióxido de carbono que rodeia o nosso planeta, nossa atmosfera agora retém mais e mais da energia do sol. Essa realidade se agrava, é claro, com a devastação das florestas do nosso planeta, como nas bacias do rio Amazonas e do rio Congo - como eu conheci intimamente por meio do meu trabalho com a Rede Eclesiástica Pan-Amazônia. Com a perda de tanta área maravilhosa de floresta pela atividade humana, o nosso planeta perde capacidade de absorver o dióxido de carbono.

Hoje muitas comunidades, especialmente as mais vulneráveis, sentem os resultados: o aguilhão da seca; a devastação das inundações súbitas e maciças; a mudança de espécies nas águas que as famílias pescaram durante séculos.

A lista continua e é esperado que cresça - se não mudarmos os nossos caminhos. O que, naturalmente, nós podemos.

“Em caso de dúvida, [semeie eu] a fé”, a oração de São Francisco continua. “Onde houver desespero, esperança; Onde houver trevas, luz; E onde houver tristeza, alegria.”

Esta oração não é passiva. Ela pede-nos a viver os caminhos de Deus e a semear Sua presença dentro da história humana. Ela pede a coragem de viver com amor sacrificial para todas as coisas e toda a vida que Deus criou.

Em Laudato Si' o Papa Francisco ensina que se nós, como São Francisco, “sentirmo-nos intimamente unidos a tudo o que existe, então, a sobriedade e o cuidado surgirão espontaneamente. A pobreza e a austeridade de São Francisco não eram mera aparência de ascetismo, mas algo muito mais radical: a recusa em transformar a realidade em um objeto a ser simplesmente usado e controlado”.

Se esse objeto é uma pessoa ou o nosso planeta, você e eu somos chamados a amar e a cuidar de tudo o que Deus criou, não a abusar dele. Nem podemos ficar parados enquanto outros o fazem.

É por isso que eu me juntei com alegria ao [número] de minhas irmãs e irmãos católicos na exortação aos negociadores da COP21 para que desenvolvam as estruturas internacionais necessárias para a justiça climática e, também, para a temperança, a prudência e a firmeza que, com a graça de Deus, protegerão a criação e ajudarão a trazer a paz a todo o mundo.

Foto: AP

 

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