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20 de Maio de 2019

Departamento de teologia da PUC-Rio irá promover debate sobre a renúncia do Papa Bento XVI

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Departamento de teologia da PUC-Rio irá promover debate sobre a renúncia do Papa Bento XVI

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19/02/2013 15:18 - Atualizado em 20/02/2013 10:18

Departamento de teologia da PUC-Rio irá promover debate sobre a renúncia do Papa Bento XVI 0

Departamento de teologia da PUC-Rio irá promover debate sobre a renúncia do Papa Bento XVI / Arqrio

Por Cláudia Brito

O Jornal Testemunho de Fé entrevistou o Diretor do Departamento de Teologia da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, padre Leonardo Agostini sobre o debate que será promovido pelo departamento no próximo dia 6 de março cujo foco será a renúncia do Papa Bento XVI.  

1 – Por que o Departamento de Teologia decidiu realizar um debate sobre a renúncia do Papa? 

Padre Leonardo: A renúncia de Bento XVI foi uma surpresa, comoveu e causou um forte impacto dentro e fora da Igreja Católica. Este fato suscitou muitas interrogações, especulações e tem gerado muitas dúvidas. A cobertura massiva da mídia nacional e internacional comprova a importância do ato realizado pelo nosso querido Papa Bento XVI. A sua renúncia atraiu, também, a atenção para a nossa Arquidiocese que se prepara para a Jornada Mundial da Juventude, a se realizar em julho deste ano. Ao lado disto, é preciso lembrar que a PUC-Rio, em parceria com a Fundação Joseph Ratzinger e a nossa Arquidiocese, realizou, em novembro do ano passado, o II Simpósio sobre o Pensamento de Joseph Ratzinger.

Deste, resultou a criação da Cátedra Joseph Ratzinger, que realizou, em dezembro de 2012, o seu primeiro evento no solene lançamento do livro do Papa sobre a Infância de Jesus de Nazaré. Após acompanhar as entrevistas e depoimentos, conversar e ouvir o parecer de alguns professores, inclusive dos que foram entrevistados, decidimos que seria muito oportuno e proveitoso promover e realizar, em forma de debate, a abertura do novo ano acadêmico do Departamento de Teologia, contando, inclusive, com a presença e participação de Dom Orani João Tempesta, O.Cist., Grão Chanceler da PUC-Rio.  

2 – Qual o objetivo principal do debate sobre a renúncia do Papa?  

Padre Leonardo: O debate sobre a renúncia do Papa tratará do que é premente neste momento, e quer oferecer critérios e argumentos sólidos para todo o corpo discente e docente do Departamento de Teologia. A renúncia de Bento XVI será abordada, então, sob a perspectiva do governo da Igreja, do Direito Canônico, da história da Igreja e da fé da Igreja, frente aos seus desafios. Estes quatro eixos serão centrais, porque a declaração da renúncia do Papa não foi uma decisão isolada, mas um ato com grandes implicações coletivas para o Corpo Místico de Cristo, que está vivendo o Ano da Fé. A renúncia foi um ato de fé do Papa e, com ele, se tornou, igualmente, um ato de fé de toda a Igreja Católica. São momentos como este, que se pode perceber, claramente, quem está com a Igreja de Jesus Cristo e quem está contra ela. É só lembrar do que disse Jesus após ter realizado um exorcismo: “Quem não está comigo, está contra mim e quem não ajunta comigo, dispersa” (Mt 12,30; Lc 11,23).

3 – Para quem o evento é direcionado? Como serão feitas as inscrições?  

Padre Leonardo: O público alvo principal é o corpo discente e docente do Departamento de Teologia, mas o debate estará aberto para os discentes e docentes de outros centros acadêmicos da PUC-Rio, bem como para o público interessado. O debate acontecerá no dia 06 de março de 2013, às 09h, no Salão da Pastoral do Campus Gávea da PUC-Rio, que possui capacidade para 300 pessoas. Não se cogitou a necessidade de se realizar inscrições.  

4 – Quais os principais erros de informação noticiados pela imprensa secular que precisam ser esclarecidos?

Padre Leonardo: Não é novidade, para uma pessoa crítica e sensata, que “notícia quente” rende audiência e que os meios de comunicação faturam com a audiência. Do dia do anúncio da renúncia, manhã de 11 de fevereiro de 2013, até o presente momento, as notícias se multiplicaram e os “disparos” foram e ainda são feitos para todos os lados. Não obstante tudo o que vem sendo comunicado pelo porta-voz do Vaticano, Pe. Federico Lombardi, SJ, e pelos diversos prelados da Igreja Católica, que se pronunciaram ou foram entrevistados, a mídia, de um modo geral, continua buscando especular, espezinhar o mais possível, a fim de que a notícia continue “quente”, criando e rendendo polêmicas.

Não é de hoje que a Igreja Católica, em particular o Papa Bento XVI, está na mídia e, continuamente, é alvo de notícias polêmicas ou de chacotas, mas, desta vez, foi o próprio Papa que, durante um Consistório sobre a canonização de três novos santos, atraiu a atenção da mídia com a declaração da sua renúncia, prevista para o próximo dia 28 de fevereiro. Pode-se pensar que esta declaração produziu diferentes efeitos, de acordo com a postura e a índole das pessoas em relação à pessoa do Papa e à Igreja Católica. Tradicionalistas, progressistas, equilibrados, zelosos, céticos, ou indiferentes, cada um tem se pronunciado de um jeito, sensato ou não, sobre esta declaração. Nota-se, em diversos depoimentos, sentimentos de gratidão ao Papa, de respeito pela sua decisão, mas, também, de ânimos exaltados e inflamados.

Se, por um lado, o Santo Padre afirmou os motivos que o levaram a tomar tão difícil decisão, por outro lado, parece que a mídia não se contentou com tais motivos, e precisa “cavucar”, a fim de oferecer as suas diferentes versões do fato. De uma hora para outra, muitos se tornaram especialistas no que diz respeito à pessoa do Papa e ao futuro da Igreja Católica. É curioso, mas quando o Papa ou um bispo se pronunciam sobre questões de fé e de moral, muitos cerram os ouvidos. Neste momento, porém, muitos querem dar palpites sobre o Papa e a Igreja Católica. Não é isto que se assiste, avaliando a natureza das perguntas feitas aos diferentes entrevistados e os diversos comentários que estão surgindo? Lamentavelmente, o ato da renúncia, em si, quase não aparece avaliado de acordo com o bem, a justiça e a verdade, dentro e fora da Igreja Católica, e que exigem uma séria reflexão no âmbito da política interna e externa aos muros do Vaticano.

A meu ver, o impacto gerado pela declaração da renúncia do Papa Bento XVI, permite-nos viver, fortemente, a experiência das três tentações pelas quais passou Jesus Cristo. Ele saiu vitorioso, porque combateu o Tentador com a Palavra de Deus e estava sendo conduzido pelo Espírito Santo. O mesmo acontecerá com o Papa Bento XVI e com a Igreja Católica!  

 5 – Qual a sua análise sobre toda a repercussão causada pela renúncia do Papa Bento XVI? 

Padre Leonardo: Como afirmei no artigo publicado na última edição do Jornal Testemunho de Fé (de 17 de fevereiro de 2013): “Quem imaginaria que um Papa, principalmente como Bento XVI, fosse capaz renunciar ao encargo que, para muitos, era considerado vitalício? O mundo católico já estava acostumado com a ideia de que teria que esperar a morte de Bento XVI para que um novo Pontífice fosse eleito. Afinal, não tem sido assim há séculos? A imagem que ficou do seu predecessor, o saudoso Papa João Paulo II, não foi a de quem aguentou a enfermidade e as dores até os extremos? Todavia, Bento XVI não só foi capaz de renunciar, como renunciou e surpreendeu o mundo com a sua decisão.

A mais alta cúpula da Igreja parece que desconhecia o momento; não, talvez, a sua intenção.” Então, é preciso responder à pergunta em duas vertentes: interna e externa à Igreja Católica. No que diz respeito ao interno da Igreja Católica, a surpresa da notícia foi acompanhada, imediatamente, de numerosos gestos de apoio à decisão do Pontífice. Quem acompanhou o Angelus deste domingo (17/02/2013), percebeu que a Praça São Pedro estava lotada de fiéis que vieram manifestar o seu apoio e carinho ao Papa Bento XVI.

Pelo que pude observar e constatar, não houve quem no mundo eclesiástico não reconhecesse, imediatamente, que a renúncia não foi só um ato de coragem, mas foi um ato ungido de governo eclesial, carregado de sentido espiritual, capaz de provocar a reflexão sobre o que, apesar do sopro renovador do Concílio do Vaticano II, ainda está clamando por renovação na Igreja Católica, clamando para que se redefinam, com empenho, as prioridades na hierarquia eclesial. Não me refiro, aqui, somente aos temas polêmicos e que sempre retornam na mídia: liberação do celibato dos clérigos, ordenação de mulheres, casamento de divorciados e de homossexuais, uso da camisinha, etc. Refiro-me, acima de tudo, à Identidade e à Missão da Igreja e, nela, de cada um que se confessa, de fato, cristão católico. Enquanto cada um, dentro da Igreja Católica, não souber dizer, para si mesmo, o que significa “ser cristão”, não saberá testemunhar, para o mundo, “as razões de ser cristão”.

A crise da missão, em muitos setores da Igreja Católica, é, no fundo, uma crise de identidade, que clama pela concretização do que o Apóstolo Paulo disse, sobre si mesmo, aos Gálatas: “Já não sou eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim. Minha vida na carne, eu a vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e se entregou a si mesmo por mim. Não invalido a graça de Deus; porque, se é pela Lei que vem a justiça, então Cristo morreu em vão” (Gl 2,20-21). No que diz respeito ao externo da Igreja Católica, limito-me, apenas, ao âmbito da política internacional e repito o mesmo que afirmei no artigo: “Bento XVI dá ao mundo um exemplo e um enorme testemunho no sentido político internacional: é preciso saber se desapegar do poder e dos cargos de liderança! Enquanto que, nos últimos anos, se assiste, em várias partes do mundo, a luta, a revolta e as manifestações dos cidadãos pedindo ou exigindo, até com atos violentos, a renúncia de seus líderes totalitaristas; Bento XVI, humildemente, reafirma que o verdadeiro poder e autoridade de um líder, seja ele religioso ou não, reside no serviço ao próximo na prática do bem, da justiça e da verdade.”

Neste sentido, ecoou, mais do que palavras, um gesto profético do Papa Bento XVI para o mundo, civil e eclesial, marcado por uma profunda crise de valores e de apegos ao poder e aos cargos. Estou consciente de que o que afirmo não encontrará tantos adeptos. Talvez fosse mais interessante, para alguns, ouvir e refletir sobre os temas polêmicos e as perspectivas que a renúncia abre e apela no que diz respeito às relações da Igreja Católica com outras religiões cristãs, pelo diálogo ecumênico, ou com outras religiões monoteístas, pelo diálogo inter-religioso, demonstrando que, no fundo, o real problema externo, que a renúncia causou, mostra uma crise interna e hierárquica da Igreja Católica. No entanto, parece-me que Bento XVI não está se livrando de um peso ou abandonando a Igreja. Ele não está passando, simplesmente, para o seu sucessor a responsabilidade por essas questões tão pertinentes e que clamam por solução. A meu ver, Bento XVI está reafirmado o que Pedro respondeu a Jesus, em nome de todos os demais apóstolos, diante, talvez, do maior momento de crise vivido pelos que seguiam o Mestre de Nazaré: “Senhor, a quem iremos? Tens palavras de vida eterna e nós cremos e reconhecemos que tu és o Santo de Deus” (Jo 6,68-69).     

6 – Qual a importância de uma reflexão profunda sobre esse momento único vivido pela Igreja Católica?   

Padre Leonardo: Santo Agostinho afirmou que temia perder a graça de Deus que passava e ele não a percebia. Esse momento único, como está na pergunta, deve ser visto como um momento da graça de Deus sendo derramada e passando por cada clérigo, religioso, religiosa, e por cada cristão católico. É um momento histórico da Igreja Católica! É um momento que clama por uma profunda comunhão eclesial, mais do que pelos apelos de renovação eclesial! Assim como Bento XVI marcou o início do seu pontificado dizendo: “os senhores Cardeais escolheram a mim, um simples e humilde trabalhador da vinha do Senhor.

Consola-me o fato de que o Senhor saiba trabalhar e agir também com instrumentos insuficientes e, sobretudo, confio-me às vossas orações” (19 de abril de 2005, às 18h50m); agora marca o final do seu pontificado com um gesto ainda mais nobre e humilde, um gesto de quem tem uma fé inteligente e inabalável na Divina Providência: “Depois de ter examinado repetidamente a minha consciência diante de Deus, cheguei à certeza de que as minhas forças, devido à idade avançada, já não são idôneas para exercer adequadamente o ministério petrino” (10 de fevereiro de 2013). As profundas implicações desse seu gesto exigirão que a reflexão não seja feita somente no calor da declaração e das especulações midiáticas, mas será preciso acompanhar, sem temor e com renovada confiança, os fatos que se sucederão, isto é, continuar a acompanhar o sopro restaurador do Espírito Santo.

Acredito que, no mundo todo, os católicos estão sendo chamados a uma revisão de vida no que diz respeito à sua identidade cristã católica e missão evangelizadora no mundo, que vive uma profunda mudança de época. Enquanto a Boa Nova de Jesus não for, de fato, a regra da vida cristã católica, continuaremos a expor a Igreja, Corpo Místico de Cristo, ao escândalo e ao vitupério de oportunistas dentro e fora dela. Encerro esta entrevista, com uma certeza que emana do anúncio que Jesus fez aos seus apóstolos no momento da última ceia, sua maior intimidade com eles: “Nisto reconhecerão todos que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns pelos outros” (Jo 13,35) e, “No mundo tereis tribulações, mas tende coragem, eu venci o mundo!” (Jo 16,33). Esse momento exige de nós católicos uma prova de amor ao Papa e à Igreja, certos de que a última palavra sobre a renúncia não terá ninguém, nem dentro nem fora da Igreja, mas tem Jesus Cristo, que chamou e tem conduzido a vida de Bento XVI e, certamente, chamará e conduzirá a vida do seu sucessor. Consola-nos, enfim, outra certeza: “... tu és Pedro, e sobre está pedra edificarei a minha Igreja, e as portas do inferno não prevalecerão sobre ela” (Mt 16,18).

A Renúncia do Papa e a Igreja Dep. de Teologia da PUC-Rio e Cátedra Joseph Ratzinger Abertura do Ano Acadêmico da Teologia 06 de março de 2013  

8h30min: Acolhida
9h Abertura
9h10min: A Renúncia do Papa e o Governo da Igreja (Dom Orani João Tempesta, O.Cist)
9h30min:  A Renúncia do Papa e o Direito Canônico (Prof. Pe. Jesus Hortal Sánchez, S.J.)
9h50min: 1º ciclo de perguntas
10h10min:  intervalo
10h30min:  A Renúncia do Papa e a História da Igreja (Prof. Pe. Luís Corrêa Lima, S.J.)
10h50min: A Renúncia do Papa e a Fé da Igreja (Prof. Pe. Mário de França Miranda, S.J.)
11h10min: 2º ciclo de perguntas
11h30min:  Encerramento  

* Fonte: Jornal Testemunho de Fé

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