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12 de Dezembro de 2018

Discurso de Dom Leonardo Ulrich no México

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Discurso de Dom Leonardo Ulrich no México

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20/11/2013 15:04
Por: Dom Leonardo

Discurso de Dom Leonardo Ulrich no México 0

Discurso de Dom Leonardo Ulrich no México / Arqrio

ANUNCIAR TRANSBORDANDO DE GRATIDÃO E ALEGRIA

PRINCIPAIS PRIORIDADES E ACENTUAÇÕES DA MISSÃO CONTINENTAL PARA A IGREJA NO BRASIL

“Ide, ... ensinai-lhes a observar tudo o que vos tenho ordenado.”

(Mt 28,19-20).

MÉXICO, 19/11/2013

Irmãs e irmãos, irmãos e irmãs da Vida Consagradas, diáconos, presbíteros, irmãos bispos; ao saudar sua Eminência Cardeal Marc Ouellet e Cardeal Norberto Rivera Carrera saúdo os demais cardeais presentes.

A exposição que farei busca recolher somente as experiências da Conferência Episcopal do Brasil quanto à Missão Continental.

1.      “A Igreja existe para evangelizar” proclamava o Papa Bento XVI na homilia da abertura do Sínodo sobre a Nova Evangelização (Bento XVI, Homilia na Missa de abertura do XIII Sínodo, 2012). A missão da Igreja, do Povo de Deus, é o mandamento que Jesus entregou a seus discípulos: “Ide, pois, fazer discípulos entre todas as nações, e batizai-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Ensinai-lhes a observar tudo o que vos tenho ordenado. Eis que estou convosco todos os dias, até o fim dos tempos” (Mt 28,19-20). A razão de existir da Igreja é evangelizar; a sua existência é a evangelização. Como Igreja todo batizado tem como vocação evangelizar.

2.      Aparecida veio acordar em nós a missão: somos discípulos missionários! Na graça extraordinária do encontro fomos revestidos do discipulado missionário, da missionariedade discipular. O ardor que o encontro suscita leva o discípulo-missionário a responder “à vocação recebida e comunicar em todas as partes, transbordando de gratidão e alegria, o dom do encontro com Jesus Cristo” (DAp, 14). O ardor é que leva o discípulo/a missionário/a a ser instrumento do Espírito na Igreja. O ardor suscita o desejo de que “Jesus Cristo seja encontrado, seguido, amado, adorado, anunciado e comunicado a todos, não obstante todas as dificuldades e resistências” (DAp, 14). A missionariedade que trouxe novo ardor e novo vigor à Igreja é a alegria compartilhada com todos, “com os de perto e os de longe” (Bento XVI, Homilia na Missa de abertura do XIII Sínodo, 2012). “A boa notícia era como ‘uma água fresca para uma alma sedenta’. Pois é verdade que Deus dá seu reino dos céus por um gole de água fresca a um bom coração” (Mestre Eckhart, Sermões alemães, Sermão 87). A boa notícia, o Evangelho, Jesus Cristo Crucificado-ressuscitado é como água fontal, límpida e transparente. Nisso está a missão da Igreja: levar a boa notícia como água de fonte. “É a água do poço que faz florir o deserto” (XIII Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, Mensagem, 14).

3.      Como é importante lembrar o que nos disse o Papa Francisco: “O discipulado missionário é vocação: chamado e convite. Acontece em um ‘hoje’, mas ‘em tensão’. Não existe o discipulado missionário estático. O discípulo missionário não pode possuir-se a si mesmo; a sua imanência está em tensão para a transcendência do discipulado e para a transcendência da missão. Não admite a auto-referencialidade: ou refere-se a Jesus Cristo ou refere-se às pessoas a quem deve levar o anúncio dele. Sujeito que se transcende. Sujeito projetado para o encontro: o encontro com o Mestre (que nos unge discípulos) e o encontro com os homens que esperam o anúncio.” (Papa Francisco, Encontro com os Dirigentes do CELAM, JMJ RIO, 28 de julho de 2013, 5,1).

4.      A proximidade, a maternidade, o cuidado, o pastoreio indicam o modo da evangelização. Não bastam os meios de comunicação à nossa disposição; não bastam documentos! A transmissão da fé é sempre relação, é pessoal, pessoa-pessoa, é testemunhal. Ela possibilita o encontro entre pessoas que estabelece uma relação nova que cria novo céu e nova terra. Aparecida, ao insistir na missionariedade que nasce do encontro, indica o método de sair, ir ao encontro, pois esse é o modo do amor, o modo de Deus.

5.      “A posição do discípulo missionário não é uma posição de centro, mas de periferias: vive em tensão para as periferias… incluindo as da eternidade no encontro com Jesus Cristo. No anúncio evangélico, falar de ‘periferias existenciais’ descentraliza e, habitualmente, temos medo de sair do centro. O discípulo-missionário é um descentrado: o centro é Jesus Cristo, que convoca e envia. O discípulo é enviado para as periferias existenciais” (Papa Francisco, Encontro com os Dirigentes do CELAM, JMJ RIO, 28 de julho de 2013, 5,1).

6.      A Igreja Católica no Brasil, acolhendo o apelo da Conferência de Aparecida, lançou na 46ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em 2008, o Projeto Nacional de Evangelização “O Brasil na Missão Continental”. Tinha como objetivo: “abrir-se ao impulso do Espírito Santo e incentivar, nas comunidades e em cada batizado, o processo de conversão pessoal e pastoral ao estado permanente de missão para a vida plena”. Para viabilizar a Missão Continental uma comissão especial, ligada ao Secretariado Geral, foi criada. A Comissão serve em sintonia com a Comissão Episcopal de Pastoral Missionária e a Comissão Especial para a Amazônia.

7.      No período, entre 2008 e 2011, aconteceram iniciativas que contribuíram para avançar na dinamização da missão permanente: a realização de inúmeras semanas missionárias, retiros, encontros de formação missionária com o tema da Missão Continental em várias Dioceses; a contribuição valiosa das Santas Missões Populares, fortalecendo e alargando a consciência missionária em todo o Povo de Deus; a Campanha “Um milhão de Bíblias” juntamente com a tentativa de implantar a “animação bíblica de toda pastoral”; a disseminação da “capelinha missionária” (também conhecida como tríptico) como símbolo da missão permanente nas famílias e comunidades, e o estímulo à oração missionária; vários subsídios traduzidos, elaborados pelas Comissões da CNBB, e publicados e divulgados pelas Edições CNBB; assessorias da Comissão às Dioceses e Regionais da CNBB; a realização de seminários abordando temáticas próprias da Missão Continental: “Igreja, comunidade de comunidades: experiências e avanços” (2008) e a “Semana Brasileira da Missão Continental” (2010).

8.      Na avaliação dessa fase pode-se destacar: por um lado, o dinamismo missionário acontecido em diversas Igrejas Particulares no Brasil e a contribuição original brasileira com as Santas Missões Populares; e por outro, uma resposta tímida e insuficiente de outras Igrejas particulares ao apelo do Documento de Aparecida. A avaliação indicava um longo caminho a ser percorrido com a Missão Continental.

9.      Na 49ª Assembleia Geral, em 2011, a nossa Conferência aprovou as novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil, 2011-2015, (DGAE 2012-2015) e os bispos confirmaram a Comissão especial para continuar levando a frente a proposta da Missão Continental. Assim, a Conferência Episcopal assumia o compromisso de dar continuidade à proposta de Aparecida. As Diretrizes inspiradas no Documento de Aparecida e na Carta pós sinodal Verbum Domini deram novo impulso e direção à Missão Continental. As Diretrizes indicam cinco urgências na evangelização: Igreja em estado permanente de missão, Igreja: casa da iniciação à vida cristã, Igreja: lugar de animação bíblica da vida e da pastoral, Igreja: comunidade de comunidades, Igreja a serviço da vida plena para todos.

10.    Aparecida pede que toda atividade e organização da Igreja estejam imbuídos de um caráter missionário (DGAE 2011-2015, 35). O estudo das Diretrizes para a ação evangelizadora, a integração das Diretrizes nos Planos de Pastoral das Igrejas particulares fez crescer a experiência missionária em nosso país. Percebe-se uma crescente consciência das Igrejas particulares quanto à necessidade de uma renovação de suas estruturas de pastoral para que elas exprimam a “natureza missionária” de toda Igreja (AG, 2), abrindo-se à missão não apenas em seu território, mas também numa abertura para a cooperação missionária e a missão ad gentes (DGAE 2011-015, 84).

11.    Com as Diretrizes para a Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil a Comissão Episcopal para a Missão Continental tem dinamizado a ajuda às Igrejas particulares, sobretudo às coordenações Diocesanas de Pastoral. Podemos destacar o incentivo à missão popular, à pastoral da visitação, ao planejamento pastoral. Uma atenção especial vem sendo dada à realidade urbana, à pastoral ambiental, e principalmente o tema da “paróquia missionária”. A preocupação de como dinamizar a prática pastoral em nível local, de forma a impulsionar a missão permanente, está expressa nas próprias perspectivas de ação das Diretrizes Gerais (DGAE, 78). De forma concreta aponta para a necessidade de um conhecimento da realidade dos grupos a serem evangelizados de forma prioritária, principalmente os mais “afastados”, de se fazer presente nos seus ambientes, por meio do dinamismo das “missões populares” e de uma “pastoral da visitação” organizada, sistemática e orgânica. O que se acentua é que todas as organizações e estruturas, com leigos e agentes de pastoral, possam expressar a vocação missionária e se coloquem em missão.

12.    Nesse sentido a nossa Conferência vem refletindo e discutindo a vida da paróquia. Comunidade de comunidades: uma nova paróquia busca rediscutir e aprofundar a vida concreta de nossas comunidades para que possam realizar a sua vocação primeira que é anunciar o Reino de Deus realizado em Jesus Cristo Crucificado-ressuscitado. Iniciamos também um itinerário de discussão e reflexão sobre o leigo na Igreja. Toda pessoa batizada recebeu o dom de viver, anunciar e testemunhar o Enviado do Pai. A Missão Continental provoca e pede a conversão: todos são Igreja e tem como vocação a evangelização e as estruturas são úteis enquanto servem à evangelização. Para isso, refletir a Igreja como Comunidade e a participação do leigo na Igreja são fundamentais para a nossa Missão Continental.

13.    A Comissão dinamiza, especialmente, o projeto: “missão popular e missão permanente”. Ele visa subsidiar os Regionais da Conferência, e na medida do possível, também as Igrejas particulares, sobre temas ligados à missão permanente. Com o apoio da Comissão Episcopal para a Ação Missionária, o serviço de assessoria tem se desdobrado, entre 2011 e 2013, no trabalho de formação em várias Igrejas em várias regiões de nosso país. Destaca-se a implantação de um trabalho de formação sobre a missão permanente junto aos coordenadores diocesanos de pastoral. No Centro Cultural Missionário (CCM) da CNBB realizaram-se dois encontros de formação em 2013, com o tema “Missão Permanente e Igreja Local”. Esses dois encontros atingiram as coordenações diocesanas de pastoral. Houve um aprofundamento do serviço do coordenador de pastoral na articulação da missão em nível local, focalizando o papel do planejamento diocesano como instrumento para a conversão pastoral das estruturas eclesiais das paróquias e dioceses. Apesar do número relativamente reduzido de participantes, frente à imensidão do país e as enormes diversidades regionais, pode ser considerado um avanço, pois foi possível constatar a grande demanda por formação missionária nas Igrejas particulares.

14.    Um segundo projeto, em consonância com o primeiro, coloca como prioridade a realização dos Encontros Nacionais da Missão Continental. Após a bem sucedida realização da Semana Brasileira da Missão Continental, em 2010, todos os anos a Comissão passou a organizar no Centro Cultural Missionário um Encontro Nacional. Seu objetivo é ser formativo, mas também de articulação e partilha, em nível da Conferência, das iniciativas da Missão Continental, visando sua animação e consolidação, em conformidade com as DGAE 2011-2015 e o documento de Aparecida. Nesses três anos de realização, os temas tratados foram: "A Missão Profética da Igreja no Brasil a partir das Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora (DGAE) da Igreja no Brasil 2011 - 2015" (novembro 2011); “Paróquia missionária: Por uma paróquia em estado permanente de missão: reestruturação e dinamização dos serviços paróquias, a continuidade da missão popular e a sua vocação para a missão além-fronteiras” (novembro, 2012); “Nova Evangelização e missão na cidade” (outubro, 2013). Contando com participantes representando Regionais e Dioceses de todo o Brasil envolveu membros de Comissões Missionárias Regionais e Coordenadores de Pastoral. A riqueza do conteúdo e da participação nesses encontros tem permitido aprofundar e amadurecer a proposta da Missão Continental na caminhada da Igreja no Brasil, e na América Latina.

15.    A Comissão recolheu as experiências das atividades e serviços realizados com a finalidade de fornecer às diversas Igrejas particulares iniciativas inovadoras no campo da missionariedade, como pede a Missão Continental. A coleta da informação e o relato dessas experiências têm sido feito por ocasião das assessorias da Comissão, sobretudo durante o 3º Congresso Missionário Nacional celebrado em Palmas, nos encontros com coordenadores diocesanos de pastoral e nas visitas às Igrejas particulares e Regionais.

16.    A Missão Continental tem despertado nossas Igrejas particulares para a missão. Esse despertar onde os leigos sempre mais assumem a vida recebida no batismo de serem discípulos missionários. Há necessidade de perseverar no caminho. A exigência da Missão Continental lembrava Papa Francisco está projetado em duas dimensões: “programática e paradigmática”. A missão programática, como o próprio nome indica, consiste na realização de atos de índole missionária. A missão paradigmática, por sua vez, implica colocar em chave missionária a atividade habitual das Igrejas Particulares. Em consequência disso, evidentemente, verifica-se toda uma dinâmica de reforma das estruturas eclesiais. A mudança de estruturas (...) é consequência da dinâmica da missão.” (Papa Francisco, aos Bispos do CELAM, Rio de Janeiro, 28 de julho de 2013, nº 3). Deixar-se guiar pela missão da Igreja que é evangelizar é urgente no tempo que vivemos: toda a vida das nossas Igrejas Particulares ser dinamizada pela missão.

17.    A Missão Continental tem nos ajudado ser uma Igreja voltada para a missão e não autorreferencial. Como nos diz o Papa Francisco: “A Igreja é instituição, mas, quando se erige em ‘centro’ se funcionaliza e, pouco a pouco, se transforma em uma ONG. Então, a Igreja pretende ter luz própria e deixa de ser aquele mysterium lunae de que nos falavam os Santos Padres. Torna-se cada vez mais autorreferencial, e se enfraquece a sua necessidade de ser missionária. De ‘Instituição’ se transforma em ‘Obra’. Deixa de ser Esposa para acabar sendo administradora; de Servidora se transforma em ‘Controladora’. Aparecida que uma Igreja Esposa, Mãe, Servidora mais facilitadora da fé que controladora da fé.” (Papa Francisco, aos Bispos do CELAM, Rio de Janeiro, 28 de julho de 2013, nº 5,2).

18.    Essa preciosa indicação do Santo Padre tem despertado alguns de nossos irmãos bispos para realizarem a Visita pastoral como uma visita missionária. Enquanto leigos, presbíteros, religiosas e religiosos fazem a visita às famílias, o bispo visita os mais necessitados como os doentes.

19.    Termino lembrando que o Beato Papa João XXIII insistiu com bispos brasileiros para que preparassem seu primeiro plano pastoral. Assim, nasceu o Plano de Emergência que passou a ser o Plano de Evangelização e hoje são as Diretrizes Gerais para a Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil que constitui uma verdadeira tradição pastoral para a Igreja no Brasil (cf. Papa Francisco, aos Bispos do Brasil, Rio de Janeiro, 27 de julho de 2013, nº 2). As Diretrizes para Evangelização buscam expressar a Missão Continental que ajuda no processo de amadurecimento da Igreja no seu caminhar para um “estado permanente de missão” em todo o Brasil.

20.    Uma Igreja discípula missionária estará sempre a caminho, sempre na busca, em movimento para dar conhecimento da “força escondida na fragilidade do amor, do bem, da verdade, da beleza” (Papa Francisco, aos Bispos do Brasil, Rio de Janeiro, 27 de julho de 2013, nº 3) que é Jesus Cristo crucificado ressuscitado. N’Ele nossa vida e esperança, com Ele nosso Caminho, a Ele toda a gloria para sempre. Muito obrigado!

Dom Leonardo Ulrich Steiner

Bispo Auxiliar de Brasília

Secretário Geral da CNBB

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