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12 de Dezembro de 2018

Os desafios da comunicação digital para a Igreja

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Os desafios da comunicação digital para a Igreja

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05/10/2013 10:46
Por: Agência Ecclesia

Os desafios da comunicação digital para a Igreja 0

Os desafios da comunicação digital para a Igreja / Arqrio

Em entrevisa à Agência Ecclesia, o padre jesuíta italiano Antonio Spadaro, autor da primeira entrevista do Papa Franciso, fala sobre as mudanças em curso na reflexão teológica por causa da internet.

Confira:

Como fazer Teologia nesta era digital, qual é o desafio?

Padre Antonio Spadaro (PA) – O desafio é o de sempre, é o de pensar a fé no mundo em que vivemos, no mundo cultural, na história em que vivemos. A internet tem hoje, certamente, um grande impacto no nosso modo de pensar, do pensar em geral. Então, dado que a Teologia é pensar a fé – na definição clássica, ‘intellectus fidei’ –, se a rede tem um impacto na forma de pensar – e a Teologia é pensar a fé -, a rede terá um impacto na forma de pensar a fé? Esta é a pergunta que eu coloco e é o grande desafio da Igreja: a Igreja é chamada a estar onde estão os homens, hoje eles estão também na rede, pelo que a Igreja é chamada a estar também na rede.

Esse conceito de rede significa algo mais… Estamos habituados a pensar na internet e no mundo digital como um meio, mas essa não é, neste momento, a abordagem mais adequada.

PA – Não, não é a abordagem mais adequada, e de resto a Igreja está a mover-se neste sentido, está a dar passos. As mensagens de Bento XVI para os Dias Mundiais das Comunicações Sociais, especialmente nos últimos anos, foram muito claras: fala-se claramente do mundo digital como um ambiente, não como instrumento, e é um ambiente comum, como diz mesmo Bento XVI na sua última mensagem para o Dia Mundial das Comunicações Sociais, é onde as pessoas vivem, se exprimem, pensam, criam relações. A Igreja é, por isso, chamada não a usar a rede, mas a viver neste ambiente.

O que é que significa também para a Igreja esta mutação, por assim dizer, para que esta rede seja verdadeiramente um ambiente de vida?

PA – Isso significa simplesmente estar lá e estar significa viver, viver dentro. Não se pode perceber estando fora, fazendo análises. Portanto, significa compreender como as questões religiosas, por exemplo – as perguntas de fé, também as dúvidas, as tensões, hoje também se exprimem na rede. Sabemos disso, em particular os mais jovens, no Facebook, no Twitter, com as imagens no Instagram e por aí fora. Tudo isto se exprime aquilo que é o grande desejo do homem de viver relações mais fortes, mais autênticas. O bem, o mal, no fundo, encontram-se na rede como se encontram na vida física. Por isso, para a Igreja estar na rede significa, em primeiro lugar, escutar, ouvir o que dizem os homens, como vivem neste ambiente, quais são as tensões profundas da humanidade que emergem, sem se deixar amedrontar pelo mal, procurando também perceber o bem, procurando ter uma visão evangélica do modo como o homem se exprime hoje, inclusive no ambiente digital.

Daquilo que é possível perceber neste mundo que está sempre em mutação, também o mundo digital tem necessidade de Deus, de rezar, de celebrar, pode dizer-se… Como compreender isto?

PA – É curioso, porque de fato aquilo que impressiona, que me impressionou desde o início e me levou a estudar este fenómeno, foi ver como também a necessidade espiritual do homem, mesmo a necessidade de rezar, emergia na rede. Em realidades aparentemente estranhas, como o “Second Life”, que era um mundo paralelo, havia igrejas, inclusive casas de exercícios espirituais, onde os avatares se reuniam para rezar. Podemos dizer muitas coisas sobre isso, mas apercebi-me como a necessidade de Deus emerge também na rede. A Igreja não pode ficar surda diante disto, deve perceber o que isto significa.

Por vezes há confusão, também nos media, quando se diz que alguém pode se confessar no Twitter. Para esta reflexão específica sobre os sacramentos, esta mutação, este modo de ser traz efetivamente desafios próprios?

PA – Temos de entender-nos: o ambiente digital não substitui o ambiente físico. Este é um ponto: não há substituição, há uma integração. A questão é não viver a esquizofrenia, por causa da qual se escolhe ou o ambiente físico ou o ambiente digital. Há coisas que apenas podem ser feitas no mundo físico: imaginemos os cheiros, os sabores. Ou seja, a nossa vida sensível exprime-se no ambiente físico. O ambiente digital, por outro lado, ajuda-nos na nossa comunicação, isto é, ainda que vivamos de um modo diferente, conseguimos comunicar, sem as barreiras do espaço e do tempo, graças à internet.

Já disse várias vezes, em conferências, que o próximo neste tempo é quem está conectado e esta ideia de ligação é um conceito central, também para o Cristianismo. Há, digamos, uma abordagem que se pode fazer a esta linguagem do mundo digital e também à linguagem católica, para que se encontrem nesta ideia de conexão?

PA – A Igreja tem dois mil anos de sabedoria ligada à comunicação, à comunicação de uma mensagem, e à relação. No fundo, poderia dizer isto: a Igreja e a rede estiveram sempre destinados a encontrar-se, porque aquilo que funda a rede são as relações – pensemos nas amizades, nas relações entre pessoas –, e a comunicação de uma mensagem. E aquilo que funda a Igreja são as relações de comunhão e a comunicação da mensagem evangélica. Portanto, a rede e Igreja são chamadas desde sempre, de alguma forma, a encontrar-se. É certo, no entanto, que para a Igreja não basta a conexão, a comunhão é muito mais e não é o fruto dos esforços humanos, é um dom que se recebe do Alto. Diria que a Igreja não pode reduzir as relações eclesiais às meras conexões, a Igreja tem consciência de que a experiência de comunhão que vive é um dom do Espírito.

Leia a entrevista completa aqui


Foto: Província Italiana da Campanhia de Jesus

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