Arquidiocese do Rio de Janeiro

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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 18/12/2017

18 de Dezembro de 2017

O bem de todos

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27/11/2015 14:50 - Atualizado em 27/11/2015 14:50

O bem de todos 0

27/11/2015 14:50 - Atualizado em 27/11/2015 14:50

Passado um ano das últimas eleições, de outubro de 2014, percebemos que a situação do Brasil piorou sensivelmente. Verificam-se problemas graves nas áreas da saúde, da educação, da segurança pública, da economia, de infraestrutura etc.  Após vivermos aquele momento de discussões, propostas, aprimoramento de ideias, que deveria nos trazer esperança de um país melhor, presenciamos estagnação e, pior, retrocesso. Somam-se a essa realidade os desvios de conduta de pessoas públicas, a corrupção, a implantação forçada - contrária à constituição e outras leis - de ideologias contra a vida e contra a família etc. E o que cada um de nós tem feito perante estas realidades? Repetimos o discurso covarde e preguiçoso de que “essa situação não tem mais jeito”? Este comportamento medíocre deveria, no mínimo, nos levar a pensar se é este o verdadeiro cristianismo a ser vivido.

Na Grécia antiga, havia uma expressão chamada “idiótes” que significa aquele que vivia apenas a vida privada no âmbito pessoal. Quem não se interessava pela vida pública, pela política era, então, “idiótes”. Esse termo deu origem ao adjetivo “idiota”, porém com alteração semântica, já que seu significado atual diz respeito àquele que tem pouca inteligência, é tolo ou estúpido. Mas, com tudo isso, como tem sido o nosso comportamento frente à realidade pública e política da nossa sociedade? Também estamos agindo como “idiótes”? Muitas pessoas dizem que não participam da vida política por causa da corrupção que tomou conta dos políticos e de todos os sistemas governamentais. Talvez o que esteja realmente acontecendo seja, simplesmente, não o aumento da corrupção, mas a sua maior visibilidade. E, outra questão a ser esclarecida é que participação política não significa necessariamente atuação partidária. Torna-se um ser político e faz a boa política quem se interessa pelas decisões governamentais, quem acompanha e cobra dos políticos em que votou, que se interessa pelas questões econômicas, quem cobra promessas de campanha, quem denuncia irregularidades, quem não dá um “dinheirinho” para o policial, quem paga seus tributos, quem não joga lixo no chão, quem não fura fila etc etc.

Aristóteles (384-322 a. C.) ensinava que o homem é por natureza um “animal político”, e que a participação dos cidadãos no governo era essencial para uma sociedade saudável. Ele também definiu a política como extensão da ética. Logo, a ética é pressuposto do agente político em todas as suas dimensões, e não apenas o mandatário de um cargo eletivo ou nomeado.

O Compêndio da Doutrina Social da Igreja (nº 6) nos ensina que o amor cristão nos move à denúncia, à proposta e ao compromisso de elaboração de projetos em campo cultural e social, a uma operosidade concreta e ativa, que impulsione a todos os que tomam sinceramente a peito a sorte do homem e oferecem o próprio contributo. Assim, somos convocados a assumir nossas responsabilidades para a realização de um humanismo integral e solidário, que é construído na dimensão espiritual, mas também na realidade social em que vivemos.

Para mudarmos estas realidades precisamos assumir nosso papel de protagonistas, não meros (tel)espectadores. Se a saúde vai mal, é preciso cobrar por uma saúde pública decente, é preciso denunciar as empresas privadas que não cumprem seu papel. Se a educação vai mal, é urgente exigir a contratação e a boa formação e remuneração de professores, a construção e a reforma de escolas. Se os atuais políticos são corruptos, eles não devem ser reeleitos nas próximas eleições, mas devemos votar naqueles que lutam a favor das causas justas. Inclusive como forma de se acabar com verdadeiros “reinados” de políticos que se eternizam nos cargos eletivos. 

Cada um de nós é chamado a contribuir para a vida cultural, econômica, política e social da comunidade civil a que pertencemos. A participação é um dever a ser conscientemente exercitado de modo responsável, e em vista do bem comum (cf. Compêndio da Doutrina Social da Igreja, nº 189). O bem de todos começa quando cada um é capaz de pensar não só no seu próprio bem.

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27/11/2015 14:50 - Atualizado em 27/11/2015 14:50

Passado um ano das últimas eleições, de outubro de 2014, percebemos que a situação do Brasil piorou sensivelmente. Verificam-se problemas graves nas áreas da saúde, da educação, da segurança pública, da economia, de infraestrutura etc.  Após vivermos aquele momento de discussões, propostas, aprimoramento de ideias, que deveria nos trazer esperança de um país melhor, presenciamos estagnação e, pior, retrocesso. Somam-se a essa realidade os desvios de conduta de pessoas públicas, a corrupção, a implantação forçada - contrária à constituição e outras leis - de ideologias contra a vida e contra a família etc. E o que cada um de nós tem feito perante estas realidades? Repetimos o discurso covarde e preguiçoso de que “essa situação não tem mais jeito”? Este comportamento medíocre deveria, no mínimo, nos levar a pensar se é este o verdadeiro cristianismo a ser vivido.

Na Grécia antiga, havia uma expressão chamada “idiótes” que significa aquele que vivia apenas a vida privada no âmbito pessoal. Quem não se interessava pela vida pública, pela política era, então, “idiótes”. Esse termo deu origem ao adjetivo “idiota”, porém com alteração semântica, já que seu significado atual diz respeito àquele que tem pouca inteligência, é tolo ou estúpido. Mas, com tudo isso, como tem sido o nosso comportamento frente à realidade pública e política da nossa sociedade? Também estamos agindo como “idiótes”? Muitas pessoas dizem que não participam da vida política por causa da corrupção que tomou conta dos políticos e de todos os sistemas governamentais. Talvez o que esteja realmente acontecendo seja, simplesmente, não o aumento da corrupção, mas a sua maior visibilidade. E, outra questão a ser esclarecida é que participação política não significa necessariamente atuação partidária. Torna-se um ser político e faz a boa política quem se interessa pelas decisões governamentais, quem acompanha e cobra dos políticos em que votou, que se interessa pelas questões econômicas, quem cobra promessas de campanha, quem denuncia irregularidades, quem não dá um “dinheirinho” para o policial, quem paga seus tributos, quem não joga lixo no chão, quem não fura fila etc etc.

Aristóteles (384-322 a. C.) ensinava que o homem é por natureza um “animal político”, e que a participação dos cidadãos no governo era essencial para uma sociedade saudável. Ele também definiu a política como extensão da ética. Logo, a ética é pressuposto do agente político em todas as suas dimensões, e não apenas o mandatário de um cargo eletivo ou nomeado.

O Compêndio da Doutrina Social da Igreja (nº 6) nos ensina que o amor cristão nos move à denúncia, à proposta e ao compromisso de elaboração de projetos em campo cultural e social, a uma operosidade concreta e ativa, que impulsione a todos os que tomam sinceramente a peito a sorte do homem e oferecem o próprio contributo. Assim, somos convocados a assumir nossas responsabilidades para a realização de um humanismo integral e solidário, que é construído na dimensão espiritual, mas também na realidade social em que vivemos.

Para mudarmos estas realidades precisamos assumir nosso papel de protagonistas, não meros (tel)espectadores. Se a saúde vai mal, é preciso cobrar por uma saúde pública decente, é preciso denunciar as empresas privadas que não cumprem seu papel. Se a educação vai mal, é urgente exigir a contratação e a boa formação e remuneração de professores, a construção e a reforma de escolas. Se os atuais políticos são corruptos, eles não devem ser reeleitos nas próximas eleições, mas devemos votar naqueles que lutam a favor das causas justas. Inclusive como forma de se acabar com verdadeiros “reinados” de políticos que se eternizam nos cargos eletivos. 

Cada um de nós é chamado a contribuir para a vida cultural, econômica, política e social da comunidade civil a que pertencemos. A participação é um dever a ser conscientemente exercitado de modo responsável, e em vista do bem comum (cf. Compêndio da Doutrina Social da Igreja, nº 189). O bem de todos começa quando cada um é capaz de pensar não só no seu próprio bem.

Tatiana e Ronaldo de Melo
Autor

Tatiana e Ronaldo de Melo

Núcleo de Formação e Espiritualidade da Pastoral Familiar da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro