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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 25/05/2017

25 de Maio de 2017

Morrer em Cristo

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30/10/2015 14:55 - Atualizado em 30/10/2015 14:58

Morrer em Cristo 0

30/10/2015 14:55 - Atualizado em 30/10/2015 14:58

A comemoração de todos os fiéis defuntos é uma data marcada pela memória da vitória pascal de Jesus Cristo sobre a morte e pela celebração do dom da vida eterna ofertado pelo ressuscitado aos seus discípulos: “Vinde, benditos de meu Pai, recebei por herança o reino preparado para vós desde a criação do mundo” (Mt 25,34). Apesar desse tom vitorioso, a nossa cultura continua se posicionando frente à experiência do luto de forma muito confusa. Na verdade, o Dia dos Finados tem se caracterizado por duas atitudes divergentes: por um lado, algumas pessoas têm vivido uma tristeza excessiva, cheia de desesperança e de medo – e, por outro lado, algumas pretendem viver como se a morte não existisse, evitando a todo custo entrar em contato com o dia celebrado e transformando essa data em um dia de diversão e lazer. Nas duas atitudes apresentadas, o homem está perdido para se encontrar diante de uma realidade tão certa e determinante.

O Concílio Vaticano II, na constituição “Gaudium et Spes” nº 18, descreve bem tanto a experiência do homem quanto a novidade do Cristo diante da realidade da morte. O temor radical presente no coração do homem é o da sua aniquilação. Diante da ausência da pessoa, da dor causada pela saudade, da contemplação da dissolução do corpo e de outros sentimentos, a pessoa toca na fragilidade de sua existência, na possibilidade de não mais existir, de desaparecer totalmente. Esse temor o faz lamentar e evitar a qualquer custo a morte. A Igreja se sente chamada a anunciar a Boa Nova para essa cultura necessitada de um apoio para viver a realidade do luto: “Portanto, a fé, que se apresenta à reflexão do homem, apoiada em sólidos argumentos, dá uma resposta à sua ansiedade acerca do seu destino futuro” (GS 18).

A revelação divina ensina que, embora o ser humano tenha sido criado com uma natureza mortal, Deus concedeu a ele o dom da imortalidade (cf. Gn 2,17; Sb 1,13). A morte corporal foi introduzida no mundo, então, em consequência da sua opção deliberada de viver afastado do Criador (cf. Gn 3,19; Tg 1,15) e, em razão disso, toda a humanidade ficou debilitada e sujeita a essa realidade final (cf. Rm 3,23; 5,12). Apesar de tal situação de afastamento e de separação, Deus não o abandonou à corrupção, ao aniquilamento e à morte. O grande acontecimento pascal de Cristo é a fonte de esperança para humanidade: “Se, porém, Cristo está em vós, o corpo está morto pelo pecado, mas o Espírito é vida pela justiça. E se o Espírito daquele que ressuscitou Jesus dentre os mortos habita em vós, aquele que ressuscitou Cristo Jesus dentre os mortos dará vida também aos vossos corpos mortais, mediante o seu Espírito que habita em vós” (Rm 8, 10-11).

O testemunho dos cristãos, ao longo da história da Igreja, é impressionante. Ele acaba por questionar a maneira como a Igreja de hoje anuncia vitória do Senhor sobre a morte e causa um forte impacto nos homens amedrontados diante da experiência do luto. São Paulo escrevia aos filipenses: “O meu desejo é partir e ir estar com Cristo” (Fl 1,23). Santo Inácio de Antioquia exclamava frente ao martírio que enfrentaria: “É vivo que eu vos escrevo, mas com anseio de morrer. Meu desejo terrestre foi crucificado, e não há mais em mim fogo para amar este mundo. Dentro de mim, há uma água viva, que murmura e diz: ‘Vem para o Pai.’ ” (Rm 7,2). Santa Teresinha do Menino Jesus, já bem perto do nosso tempo, atestava a mesma fé: “Não morro, entro na vida!”.

Ao mundo de hoje, a Igreja é chamada a testemunhar a sua fé na vitória de Jesus sobre a morte. É imperativa a missão de iluminar tantos corações feridos e lacerados pela experiência do luto. Na esperança da vida eterna em Cristo temos o fundamento seguro para nos aproximar do termo final de nossa vida. Os homens não podem deixar de se confrontar com tal realidade, se entorpecendo a fim de não se deixarem interrogar pelo seu momento derradeiro. Eles são chamados a viverem sabendo do fim de sua vida neste mundo e convidados a conduzirem-na até a outra, sob o influxo do Espírito Santo, na obediência aos mandamentos do Senhor. Além disso, são chamados na fé, a converterem a desesperança, a angústia e a dor em sentimentos de esperança, de celebração vitoriosa e de alegria por, finalmente, entrarem em comunhão plena com Deus – sentido final da vida humana.

 

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Morrer em Cristo

30/10/2015 14:55 - Atualizado em 30/10/2015 14:58

A comemoração de todos os fiéis defuntos é uma data marcada pela memória da vitória pascal de Jesus Cristo sobre a morte e pela celebração do dom da vida eterna ofertado pelo ressuscitado aos seus discípulos: “Vinde, benditos de meu Pai, recebei por herança o reino preparado para vós desde a criação do mundo” (Mt 25,34). Apesar desse tom vitorioso, a nossa cultura continua se posicionando frente à experiência do luto de forma muito confusa. Na verdade, o Dia dos Finados tem se caracterizado por duas atitudes divergentes: por um lado, algumas pessoas têm vivido uma tristeza excessiva, cheia de desesperança e de medo – e, por outro lado, algumas pretendem viver como se a morte não existisse, evitando a todo custo entrar em contato com o dia celebrado e transformando essa data em um dia de diversão e lazer. Nas duas atitudes apresentadas, o homem está perdido para se encontrar diante de uma realidade tão certa e determinante.

O Concílio Vaticano II, na constituição “Gaudium et Spes” nº 18, descreve bem tanto a experiência do homem quanto a novidade do Cristo diante da realidade da morte. O temor radical presente no coração do homem é o da sua aniquilação. Diante da ausência da pessoa, da dor causada pela saudade, da contemplação da dissolução do corpo e de outros sentimentos, a pessoa toca na fragilidade de sua existência, na possibilidade de não mais existir, de desaparecer totalmente. Esse temor o faz lamentar e evitar a qualquer custo a morte. A Igreja se sente chamada a anunciar a Boa Nova para essa cultura necessitada de um apoio para viver a realidade do luto: “Portanto, a fé, que se apresenta à reflexão do homem, apoiada em sólidos argumentos, dá uma resposta à sua ansiedade acerca do seu destino futuro” (GS 18).

A revelação divina ensina que, embora o ser humano tenha sido criado com uma natureza mortal, Deus concedeu a ele o dom da imortalidade (cf. Gn 2,17; Sb 1,13). A morte corporal foi introduzida no mundo, então, em consequência da sua opção deliberada de viver afastado do Criador (cf. Gn 3,19; Tg 1,15) e, em razão disso, toda a humanidade ficou debilitada e sujeita a essa realidade final (cf. Rm 3,23; 5,12). Apesar de tal situação de afastamento e de separação, Deus não o abandonou à corrupção, ao aniquilamento e à morte. O grande acontecimento pascal de Cristo é a fonte de esperança para humanidade: “Se, porém, Cristo está em vós, o corpo está morto pelo pecado, mas o Espírito é vida pela justiça. E se o Espírito daquele que ressuscitou Jesus dentre os mortos habita em vós, aquele que ressuscitou Cristo Jesus dentre os mortos dará vida também aos vossos corpos mortais, mediante o seu Espírito que habita em vós” (Rm 8, 10-11).

O testemunho dos cristãos, ao longo da história da Igreja, é impressionante. Ele acaba por questionar a maneira como a Igreja de hoje anuncia vitória do Senhor sobre a morte e causa um forte impacto nos homens amedrontados diante da experiência do luto. São Paulo escrevia aos filipenses: “O meu desejo é partir e ir estar com Cristo” (Fl 1,23). Santo Inácio de Antioquia exclamava frente ao martírio que enfrentaria: “É vivo que eu vos escrevo, mas com anseio de morrer. Meu desejo terrestre foi crucificado, e não há mais em mim fogo para amar este mundo. Dentro de mim, há uma água viva, que murmura e diz: ‘Vem para o Pai.’ ” (Rm 7,2). Santa Teresinha do Menino Jesus, já bem perto do nosso tempo, atestava a mesma fé: “Não morro, entro na vida!”.

Ao mundo de hoje, a Igreja é chamada a testemunhar a sua fé na vitória de Jesus sobre a morte. É imperativa a missão de iluminar tantos corações feridos e lacerados pela experiência do luto. Na esperança da vida eterna em Cristo temos o fundamento seguro para nos aproximar do termo final de nossa vida. Os homens não podem deixar de se confrontar com tal realidade, se entorpecendo a fim de não se deixarem interrogar pelo seu momento derradeiro. Eles são chamados a viverem sabendo do fim de sua vida neste mundo e convidados a conduzirem-na até a outra, sob o influxo do Espírito Santo, na obediência aos mandamentos do Senhor. Além disso, são chamados na fé, a converterem a desesperança, a angústia e a dor em sentimentos de esperança, de celebração vitoriosa e de alegria por, finalmente, entrarem em comunhão plena com Deus – sentido final da vida humana.

 

Padre Vitor Gino Finelon
Autor

Padre Vitor Gino Finelon

Professor das Escolas de Fé e Catequese Mater Ecclesiae e Luz e Vida