Arquidiocese do Rio de Janeiro

28º 20º

Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 20/08/2018

20 de Agosto de 2018

Enxergar com os olhos da fé

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23/10/2015 15:02 - Atualizado em 23/10/2015 15:03

Enxergar com os olhos da fé 0

23/10/2015 15:02 - Atualizado em 23/10/2015 15:03

A primeira leitura que hoje ouvimos faz parte do assim chamado “Livro da Consolação de Jeremias”, que abrange os capítulos 30-31 da profecia. Deus promete a seu povo, através do profeta Jeremias, a futura libertação.

O Reino do Norte já havia sido exilado pela Assíria. Agora, a ameaça da Babilônia. Mas, o povo não quer saber de arrepender-se, nem de voltar para o Senhor. Seduzidos pelas nações estrangeiras, o povo se desvirtua de Deus e, em consequência disso, perde as delícias da Terra Prometida. Todavia, Deus é fiel à sua Aliança.

A fidelidade de Deus não depende do homem, mas é garantida pela força da sua própria Palavra, por isso Ele não volta atrás. Existe uma promessa de restauração. Entre os que voltarão estarão os cegos, os aleijados, as mulheres grávidas, as parturientes, gente frágil: a assembléia de Adonai. É comovente a forma como o profeta descreve a volta dos exilados. Eles voltarão chorando, entre lágrimas de arrependimento, e Deus os receberá com súplicas.

Qual bom pastor Deus vai conduzir o seu povo às torrentes de água, por um caminho reto, no qual não há tropeço. Que água é essa senão a água que Jesus prometeu à samaritana no capítulo quarto do evangelho de São João? Essa água que Deus promete de maneira figurada na profecia de Jeremias é a água viva do Espírito, que receberão aqueles que crerem, como é a promessa de Jesus em Jo 7,37-39.

Quem beber dessa água não mais terá sede. Que caminho é esse pelo qual o Pai nos conduzirá, senão àquele que se apresentou a nós na loucura da cruz? Afinal, Ele não disse de si mesmo: Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida? Deus é um pai para Israel e um Pai para o novo Israel que somos nós. Assim como ele conduziu Israel pela mão quando ele era menino (Dt 1), assim também Ele nos conduz pela mão, qual Pai que conduz o seu filho. Que maravilha podermos lançar um olhar neotestamentário sobre essa passagem e percebermos como se realiza plenamente em Cristo àquilo o que foi prometido ao povo de Israel.

De fato, a palavra do profeta se cumpriu e o povo voltou do exílio e foi restabelecido em sua terra. Todavia, o retorno do exílio é imagem e figura do retorno do exílio espiritual, no qual todos caímos pelo pecado. E o Pai, nos conduz pelo Caminho, que é o seu próprio Filho, e nos dá a força de uma Água Viva, o Espírito Santo, para possamos ganhar forças e não desistir desse Caminho que nos leva à Terra Prometida, à Jerusalém Celeste, à nossa Casa verdadeira, onde chegaremos entre lágrimas e seremos acolhidos entre súplicas. Naquele dia, nós cantaremos com o salmista: “Quando o Senhor reconduziu nossos cativos, parecíamos sonhar, encheu-se de sorriso nossa boca, nossos lábios de canções. Entre os gentios se dizia: Maravilhas fez com eles o Senhor! Sim, maravilhas fez conosco o Senhor, exultemos de alegria! Mudai a nossa sorte, ó Senhor, como torrentes no deserto. Os que lançam as sementes entre lágrimas, ceifarão com alegria. Chorando de tristeza sairão, espalhando suas sementes; cantando de alegria voltarão, carregando os seus feixes.” Sl 126 (125). Assim como o Senhor mudou repentinamente a sorte de Israel, como torrentes no deserto, assim também ele mudará repentinamente a nossa sorte, e como um invadir de torrentes deserto à dentro seremos arrebatados de volta até à casa do Pai.

Os cegos, os coxos e todos os fragilizados voltaram entre lágrimas. O evangelho de hoje nos fala de um cego, que mendigava na saída de Jericó. Jesus vai a Jericó. Jericó é, na Escritura, como o Egito, cidade-símbolo do pecado, da queda. Aquele homem que em outra passagem do evangelho é atacado por bandidos e fica ferido à beira do caminho, descia de Jerusalém a Jericó, ou seja, saía da cidade da promessa e ia em direção à cidade do pecado. Jesus desce a Jericó. Jesus encontra um cego mendigo. Alguém que vive sem luz.

Marcos nos apresenta nesta passagem o tema do seguimento. Esse cego, que vive na escuridão, que não possui o que precisa para viver e, por isso, mendiga, percebe, talvez pelo barulho da multidão, como indica o paralelo em Lucas, que há um alvoroço. O paralelo de Lucas nos afirma que alguém informou ao cego o que significa aquele agitar-se da multidão: era Jesus de Nazaré que se aproximava. O cego, ao perceber uma possibilidade de cura se levanta e grita, chamando Jesus de Filho de Davi, um importante título messiânico. “Eleison me”! Tem compaixão de mim! É o grito desesperado desse homem que está nas trevas e deseja ver a luz. Repreendido, ele grita ainda mais alto. Também nós dizemos em cada celebração, externando o nosso desejo de sermos iluminados: Senhor, tende piedade de nós! Kyrie, eleison!

Jesus manda chamá-lo e, encorajado por alguns presentes, se apresenta até Jesus que pergunta o que o cego deseja que Ele faça. O cego quer ver, ver novamente! A fé salva o cego, ele é iluminado, pode novamente enxergar. Iluminado ele segue Jesus pelo caminho.

Meus irmãos este é um caminho catecumenal. O homem, caído no pecado é cego e mendigo. Cego, porque não possui a luz. Orígenes afirma que, com a queda, perdemos a visão espiritual. Vemos, mas somos cegos. Vemos a aparência das coisas, mas não conseguimos penetrar o sentido profundo que há nelas. Muitos viam Jesus, mas não entendiam quem ele era. O pecado é treva, e nas trevas não se pode ver. Mas, existe alguém que veio ao encontro do homem. Afinal, o Pai prometera em Jeremias que nos conduziria por um Caminho. Esse alguém é o Filho de Davi, o verdadeiro rei de Israel, o Cristo, o Ungido do Pai. Ele passa no meio dos homens.

O homem, cego pelo pecado, não consegue vê-lo, mas algo lhe aguça os sentidos. Ele pode perceber, de alguma forma, o Cristo que passa. Algo em nós se agita. A nossa alma o deseja e, por isso, pressente a sua presença. Agitado por essa força interior que o movia, que era já o próprio Espírito de Deus que interiormente o tocava ele se levanta e começa a clamar, talvez até sem entender bem o que diz e o que pede. Ele pede a luz natural e recebe a luz pura. Ele pede uma realidade carnal e recebe uma realidade espiritual. Ele pede para ver novamente e Cristo o faz ver novamente, sim novamente, como viam nossos primeiros pais, antes da queda. O cego, de pé, é iluminado por Cristo e o segue “no caminho”. Que caminho é esse? O caminho de Jerusalém, que levará Jesus até a Páscoa.

Somos cegos e mendigos. Não vemos e temos necessidade de pedir às coisas e às pessoas que nos preencham de afeto. Este é o nosso estado no pecado. O mendigo precisa pedir sempre, nunca tem o suficiente. O cego se encontra perdido, se ninguém o guia ele não caminha com segurança. Cristo passa diante de nós. Algo em nosso interior denuncia a sua presença. É o Espírito de Deus, que nos agita interiormente, que nos mostra que o Cristo se aproxima. Sim, o Espírito se agita dentro de nós, porque ele é uma torrente, uma água viva que dentro de nós diz: Vem para o Pai, como afirmava Santo Inácio de Antioquia. E para ir ao Pai precisamos seguir o caminho. O Espírito nos agita interiormente, apontando-nos o Caminho para a casa do Pai. Como o cego levantemos e gritemos: “Eleison me!” “Tem compaixão de mim!”

Se já enxergamos, sejamos aqueles que estimulam o cego, que dizem: Coragem! Levanta-te! Deixemos a nossa capa, o que nos cobre, o que nos pesa sobre os ombros e vamos ao encontro do Cristo que nos chama. Digamos a Ele o que queremos. O que queremos é, na verdade, ver novamente, é enxergar com olhos da fé, é perceber no meio da loucura do tempo presente o sentido para o qual corre a história. Ele nos iluminará pela fé. Nos dará a vista novamente. Poderemos segui-lo no caminho, até a Páscoa. Seguindo por Ele, uma vez que Ele é o caminho, não chegaremos em outro lugar senão na Terra Prometida, na Jerusalém Celeste, onde entraremos em lágrimas e o Pai nos acolherá em súplicas.

Meus irmãos, sigamos cantando, ainda que entre lágrimas. Sabemos que o seguir pelo Caminho é uma tarefa árdua, mas sigamos cantando. Quando se percorre esse Caminho, no início se faz muito esforço, mas com o passar do tempo se é levado pela força da atração. Sigamos cantando, ainda que entre lágrimas. Os que em lágrimas semeiam, ceifarão com alegria. Nossos feixes serão colhidos em abundância no céu, onde entraremos ainda entre lágrimas, mas seremos acolhidos entre súplicas, pelo Pai que nos ama e que estará já de longe nos olhando, como fez o filho da parábola de Lucas 15, pronto a se lançar em nosso pescoço. Ele nos espera e nos deseja. O Pai não precisa de nada, Ele ama por abundância, mas Ele nos deseja. Não é um desejo de necessidade, mas um desejo de puro dom. Deixemos que arda em nós uma santa concupiscência, um santo desejo, para que possamos correr por esse caminho com todas as forças de nossa alma, rumo à pátria definitiva.

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23/10/2015 15:02 - Atualizado em 23/10/2015 15:03

A primeira leitura que hoje ouvimos faz parte do assim chamado “Livro da Consolação de Jeremias”, que abrange os capítulos 30-31 da profecia. Deus promete a seu povo, através do profeta Jeremias, a futura libertação.

O Reino do Norte já havia sido exilado pela Assíria. Agora, a ameaça da Babilônia. Mas, o povo não quer saber de arrepender-se, nem de voltar para o Senhor. Seduzidos pelas nações estrangeiras, o povo se desvirtua de Deus e, em consequência disso, perde as delícias da Terra Prometida. Todavia, Deus é fiel à sua Aliança.

A fidelidade de Deus não depende do homem, mas é garantida pela força da sua própria Palavra, por isso Ele não volta atrás. Existe uma promessa de restauração. Entre os que voltarão estarão os cegos, os aleijados, as mulheres grávidas, as parturientes, gente frágil: a assembléia de Adonai. É comovente a forma como o profeta descreve a volta dos exilados. Eles voltarão chorando, entre lágrimas de arrependimento, e Deus os receberá com súplicas.

Qual bom pastor Deus vai conduzir o seu povo às torrentes de água, por um caminho reto, no qual não há tropeço. Que água é essa senão a água que Jesus prometeu à samaritana no capítulo quarto do evangelho de São João? Essa água que Deus promete de maneira figurada na profecia de Jeremias é a água viva do Espírito, que receberão aqueles que crerem, como é a promessa de Jesus em Jo 7,37-39.

Quem beber dessa água não mais terá sede. Que caminho é esse pelo qual o Pai nos conduzirá, senão àquele que se apresentou a nós na loucura da cruz? Afinal, Ele não disse de si mesmo: Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida? Deus é um pai para Israel e um Pai para o novo Israel que somos nós. Assim como ele conduziu Israel pela mão quando ele era menino (Dt 1), assim também Ele nos conduz pela mão, qual Pai que conduz o seu filho. Que maravilha podermos lançar um olhar neotestamentário sobre essa passagem e percebermos como se realiza plenamente em Cristo àquilo o que foi prometido ao povo de Israel.

De fato, a palavra do profeta se cumpriu e o povo voltou do exílio e foi restabelecido em sua terra. Todavia, o retorno do exílio é imagem e figura do retorno do exílio espiritual, no qual todos caímos pelo pecado. E o Pai, nos conduz pelo Caminho, que é o seu próprio Filho, e nos dá a força de uma Água Viva, o Espírito Santo, para possamos ganhar forças e não desistir desse Caminho que nos leva à Terra Prometida, à Jerusalém Celeste, à nossa Casa verdadeira, onde chegaremos entre lágrimas e seremos acolhidos entre súplicas. Naquele dia, nós cantaremos com o salmista: “Quando o Senhor reconduziu nossos cativos, parecíamos sonhar, encheu-se de sorriso nossa boca, nossos lábios de canções. Entre os gentios se dizia: Maravilhas fez com eles o Senhor! Sim, maravilhas fez conosco o Senhor, exultemos de alegria! Mudai a nossa sorte, ó Senhor, como torrentes no deserto. Os que lançam as sementes entre lágrimas, ceifarão com alegria. Chorando de tristeza sairão, espalhando suas sementes; cantando de alegria voltarão, carregando os seus feixes.” Sl 126 (125). Assim como o Senhor mudou repentinamente a sorte de Israel, como torrentes no deserto, assim também ele mudará repentinamente a nossa sorte, e como um invadir de torrentes deserto à dentro seremos arrebatados de volta até à casa do Pai.

Os cegos, os coxos e todos os fragilizados voltaram entre lágrimas. O evangelho de hoje nos fala de um cego, que mendigava na saída de Jericó. Jesus vai a Jericó. Jericó é, na Escritura, como o Egito, cidade-símbolo do pecado, da queda. Aquele homem que em outra passagem do evangelho é atacado por bandidos e fica ferido à beira do caminho, descia de Jerusalém a Jericó, ou seja, saía da cidade da promessa e ia em direção à cidade do pecado. Jesus desce a Jericó. Jesus encontra um cego mendigo. Alguém que vive sem luz.

Marcos nos apresenta nesta passagem o tema do seguimento. Esse cego, que vive na escuridão, que não possui o que precisa para viver e, por isso, mendiga, percebe, talvez pelo barulho da multidão, como indica o paralelo em Lucas, que há um alvoroço. O paralelo de Lucas nos afirma que alguém informou ao cego o que significa aquele agitar-se da multidão: era Jesus de Nazaré que se aproximava. O cego, ao perceber uma possibilidade de cura se levanta e grita, chamando Jesus de Filho de Davi, um importante título messiânico. “Eleison me”! Tem compaixão de mim! É o grito desesperado desse homem que está nas trevas e deseja ver a luz. Repreendido, ele grita ainda mais alto. Também nós dizemos em cada celebração, externando o nosso desejo de sermos iluminados: Senhor, tende piedade de nós! Kyrie, eleison!

Jesus manda chamá-lo e, encorajado por alguns presentes, se apresenta até Jesus que pergunta o que o cego deseja que Ele faça. O cego quer ver, ver novamente! A fé salva o cego, ele é iluminado, pode novamente enxergar. Iluminado ele segue Jesus pelo caminho.

Meus irmãos este é um caminho catecumenal. O homem, caído no pecado é cego e mendigo. Cego, porque não possui a luz. Orígenes afirma que, com a queda, perdemos a visão espiritual. Vemos, mas somos cegos. Vemos a aparência das coisas, mas não conseguimos penetrar o sentido profundo que há nelas. Muitos viam Jesus, mas não entendiam quem ele era. O pecado é treva, e nas trevas não se pode ver. Mas, existe alguém que veio ao encontro do homem. Afinal, o Pai prometera em Jeremias que nos conduziria por um Caminho. Esse alguém é o Filho de Davi, o verdadeiro rei de Israel, o Cristo, o Ungido do Pai. Ele passa no meio dos homens.

O homem, cego pelo pecado, não consegue vê-lo, mas algo lhe aguça os sentidos. Ele pode perceber, de alguma forma, o Cristo que passa. Algo em nós se agita. A nossa alma o deseja e, por isso, pressente a sua presença. Agitado por essa força interior que o movia, que era já o próprio Espírito de Deus que interiormente o tocava ele se levanta e começa a clamar, talvez até sem entender bem o que diz e o que pede. Ele pede a luz natural e recebe a luz pura. Ele pede uma realidade carnal e recebe uma realidade espiritual. Ele pede para ver novamente e Cristo o faz ver novamente, sim novamente, como viam nossos primeiros pais, antes da queda. O cego, de pé, é iluminado por Cristo e o segue “no caminho”. Que caminho é esse? O caminho de Jerusalém, que levará Jesus até a Páscoa.

Somos cegos e mendigos. Não vemos e temos necessidade de pedir às coisas e às pessoas que nos preencham de afeto. Este é o nosso estado no pecado. O mendigo precisa pedir sempre, nunca tem o suficiente. O cego se encontra perdido, se ninguém o guia ele não caminha com segurança. Cristo passa diante de nós. Algo em nosso interior denuncia a sua presença. É o Espírito de Deus, que nos agita interiormente, que nos mostra que o Cristo se aproxima. Sim, o Espírito se agita dentro de nós, porque ele é uma torrente, uma água viva que dentro de nós diz: Vem para o Pai, como afirmava Santo Inácio de Antioquia. E para ir ao Pai precisamos seguir o caminho. O Espírito nos agita interiormente, apontando-nos o Caminho para a casa do Pai. Como o cego levantemos e gritemos: “Eleison me!” “Tem compaixão de mim!”

Se já enxergamos, sejamos aqueles que estimulam o cego, que dizem: Coragem! Levanta-te! Deixemos a nossa capa, o que nos cobre, o que nos pesa sobre os ombros e vamos ao encontro do Cristo que nos chama. Digamos a Ele o que queremos. O que queremos é, na verdade, ver novamente, é enxergar com olhos da fé, é perceber no meio da loucura do tempo presente o sentido para o qual corre a história. Ele nos iluminará pela fé. Nos dará a vista novamente. Poderemos segui-lo no caminho, até a Páscoa. Seguindo por Ele, uma vez que Ele é o caminho, não chegaremos em outro lugar senão na Terra Prometida, na Jerusalém Celeste, onde entraremos em lágrimas e o Pai nos acolherá em súplicas.

Meus irmãos, sigamos cantando, ainda que entre lágrimas. Sabemos que o seguir pelo Caminho é uma tarefa árdua, mas sigamos cantando. Quando se percorre esse Caminho, no início se faz muito esforço, mas com o passar do tempo se é levado pela força da atração. Sigamos cantando, ainda que entre lágrimas. Os que em lágrimas semeiam, ceifarão com alegria. Nossos feixes serão colhidos em abundância no céu, onde entraremos ainda entre lágrimas, mas seremos acolhidos entre súplicas, pelo Pai que nos ama e que estará já de longe nos olhando, como fez o filho da parábola de Lucas 15, pronto a se lançar em nosso pescoço. Ele nos espera e nos deseja. O Pai não precisa de nada, Ele ama por abundância, mas Ele nos deseja. Não é um desejo de necessidade, mas um desejo de puro dom. Deixemos que arda em nós uma santa concupiscência, um santo desejo, para que possamos correr por esse caminho com todas as forças de nossa alma, rumo à pátria definitiva.

Padre Fábio Siqueira
Autor

Padre Fábio Siqueira

Vice-diretor das Escolas de Fé e Catequese Mater Ecclesiae e Luz e Vida