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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 28/03/2017

28 de Março de 2017

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23/10/2015 14:06 - Atualizado em 23/10/2015 14:06

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23/10/2015 14:06 - Atualizado em 23/10/2015 14:06

O Evangelho de São Marcos narra o caminho de Jesus desde os povoados da Galileia até alcançar a cidade de Jerusalém. Durante esse trajeto, uma série de eventos é apresentada para revelar a identidade do Senhor, como servo de Deus. Já próximo do seu destino, na saída da cidade de Jericó, o Cristo encontra um mendigo cego chamado Bartimeu e, após um diálogo entre eles, realiza sua cura (cf. Mc 10, 46-52). No colóquio entre os dois, o pedinte, por duas vezes, exclama: “Filho de Davi, tem piedade de mim!” (cf. Mc 10, 47.48).

A exclamação de Bartimeu possui dois núcleos teológicos importantes. O primeiro é o título messiânico “Filho de Davi” e o segundo a súplica “tem piedade de mim”. O cego mendigo reconhece em Jesus o messias prometido para Israel. A esperança da realização das promessas de Deus está para se cumprir através daquele homem vindo da Galileia. Por isso, prontamente, Bartimeu dirige sua petição, seu pedido de ajuda, ao Cristo a fim de experimentar a ação divina em sua vida. A súplica “tem piedade de mim” é encontrada, também, na boca de outros personagens presentes na Sagrada Escritura (cf. Sl 50; Lc 17,13; 18,13). Ela, no fundo, é uma declaração da fraqueza humana sempre necessitada da misericórdia, do perdão e do auxílio divino.

O cego Bartimeu pede a Jesus: “que eu veja!” (Mc 10,51). A cegueira é compreendida em dois níveis: a física e a espiritual. O pedinte era realmente deficiente visual e, assim, ansiava por ver. Todavia, na compreensão de Israel, a cegueira era consequência do pecado e, por isso, ela reclamava pelo perdão divino e pela sua cura. A cegueira espiritual é uma situação pior do que a física. Pois quem não enxerga com a luz da fé não pode ter um olhar reto sobre as coisas. Era urgente naquela situação que Jesus curasse a cegueira espiritual de Bartimeu para que, ao se lhe abrirem os olhos físicos, pudesse enxergar a partir de Deus todas as coisas.

O milagre da cura do cego mendigo na saída de Jericó é, segundo o Evangelho de Marcos, o último milagre de Jesus antes de adentrar a Cidade Santa para sofrer a paixão e ressuscitar dos mortos. Tal acontecimento portentoso, de certa maneira, sintetiza a obra salvífíca do Senhor: abrir os olhos aos cegos – entendendo por cegueira aquela situação radical de todos os homens de serem, sem a assistência divina, incapazes de enxergar as pessoas e a natureza a partir do plano criador e santificador de Deus.

O encontro de Jesus com o cego mendigo se torna um paradigma para entendermos a ação do Senhor na Igreja e, por meio dela, no mundo. A cura da cegueira se atualiza nos cristãos desejosos de enxergarem a si, o próximo e as coisas com os olhos amorosos e misericordiosos do Cristo. Na celebração da Eucaristia, se repete a súplica feita por Bartimeu: “Senhor, tende piedade nós!”. Após o ato penitencial da missa, somos levados como assembleia a invocar a piedade e a misericórdia divina sobre nós, a fim de experimentarmos a sua força salvífica no hoje celebrativo. Tal força irrompe sobre os participantes do culto, perdoando os seus pecados e os tornando capazes de ver. Impactados pela experiência da misericórdia, do perdão e do auxílio divino, os cristãos passam a enxergar a vida a partir do projeto amoroso de Deus e a comunicar a novidade de Cristo no mundo.

Diante de tantas situações de cegueira espiritual presentes na história, a Igreja se percebe com a missão de comunicar a luz de Cristo aos homens, possibilitando que as realidades mais obscurecidas pelo pecado sejam iluminadas pela força da Páscoa. A fé em Jesus é a grande luz oferecida por Deus aos homens. É neste sentido que o Papa Francisco se expressou na “Lumen Fidei” nº 4: “a luz da fé possui um caráter singular, sendo capaz de iluminar toda a existência do homem. (...) A fé nasce no encontro com o Deus vivo, que nos chama e revela o seu amor: um amor que nos precede e sobre o qual podemos apoiar-nos para construir solidamente a vida. Transformados por este amor, recebemos olhos novos e experimentamos que há nele uma grande promessa de plenitude e se nos abre a visão do futuro. A fé, que recebemos de Deus como dom sobrenatural, aparece-nos como luz para a estrada, orientando os nossos passos no tempo”.

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23/10/2015 14:06 - Atualizado em 23/10/2015 14:06

O Evangelho de São Marcos narra o caminho de Jesus desde os povoados da Galileia até alcançar a cidade de Jerusalém. Durante esse trajeto, uma série de eventos é apresentada para revelar a identidade do Senhor, como servo de Deus. Já próximo do seu destino, na saída da cidade de Jericó, o Cristo encontra um mendigo cego chamado Bartimeu e, após um diálogo entre eles, realiza sua cura (cf. Mc 10, 46-52). No colóquio entre os dois, o pedinte, por duas vezes, exclama: “Filho de Davi, tem piedade de mim!” (cf. Mc 10, 47.48).

A exclamação de Bartimeu possui dois núcleos teológicos importantes. O primeiro é o título messiânico “Filho de Davi” e o segundo a súplica “tem piedade de mim”. O cego mendigo reconhece em Jesus o messias prometido para Israel. A esperança da realização das promessas de Deus está para se cumprir através daquele homem vindo da Galileia. Por isso, prontamente, Bartimeu dirige sua petição, seu pedido de ajuda, ao Cristo a fim de experimentar a ação divina em sua vida. A súplica “tem piedade de mim” é encontrada, também, na boca de outros personagens presentes na Sagrada Escritura (cf. Sl 50; Lc 17,13; 18,13). Ela, no fundo, é uma declaração da fraqueza humana sempre necessitada da misericórdia, do perdão e do auxílio divino.

O cego Bartimeu pede a Jesus: “que eu veja!” (Mc 10,51). A cegueira é compreendida em dois níveis: a física e a espiritual. O pedinte era realmente deficiente visual e, assim, ansiava por ver. Todavia, na compreensão de Israel, a cegueira era consequência do pecado e, por isso, ela reclamava pelo perdão divino e pela sua cura. A cegueira espiritual é uma situação pior do que a física. Pois quem não enxerga com a luz da fé não pode ter um olhar reto sobre as coisas. Era urgente naquela situação que Jesus curasse a cegueira espiritual de Bartimeu para que, ao se lhe abrirem os olhos físicos, pudesse enxergar a partir de Deus todas as coisas.

O milagre da cura do cego mendigo na saída de Jericó é, segundo o Evangelho de Marcos, o último milagre de Jesus antes de adentrar a Cidade Santa para sofrer a paixão e ressuscitar dos mortos. Tal acontecimento portentoso, de certa maneira, sintetiza a obra salvífíca do Senhor: abrir os olhos aos cegos – entendendo por cegueira aquela situação radical de todos os homens de serem, sem a assistência divina, incapazes de enxergar as pessoas e a natureza a partir do plano criador e santificador de Deus.

O encontro de Jesus com o cego mendigo se torna um paradigma para entendermos a ação do Senhor na Igreja e, por meio dela, no mundo. A cura da cegueira se atualiza nos cristãos desejosos de enxergarem a si, o próximo e as coisas com os olhos amorosos e misericordiosos do Cristo. Na celebração da Eucaristia, se repete a súplica feita por Bartimeu: “Senhor, tende piedade nós!”. Após o ato penitencial da missa, somos levados como assembleia a invocar a piedade e a misericórdia divina sobre nós, a fim de experimentarmos a sua força salvífica no hoje celebrativo. Tal força irrompe sobre os participantes do culto, perdoando os seus pecados e os tornando capazes de ver. Impactados pela experiência da misericórdia, do perdão e do auxílio divino, os cristãos passam a enxergar a vida a partir do projeto amoroso de Deus e a comunicar a novidade de Cristo no mundo.

Diante de tantas situações de cegueira espiritual presentes na história, a Igreja se percebe com a missão de comunicar a luz de Cristo aos homens, possibilitando que as realidades mais obscurecidas pelo pecado sejam iluminadas pela força da Páscoa. A fé em Jesus é a grande luz oferecida por Deus aos homens. É neste sentido que o Papa Francisco se expressou na “Lumen Fidei” nº 4: “a luz da fé possui um caráter singular, sendo capaz de iluminar toda a existência do homem. (...) A fé nasce no encontro com o Deus vivo, que nos chama e revela o seu amor: um amor que nos precede e sobre o qual podemos apoiar-nos para construir solidamente a vida. Transformados por este amor, recebemos olhos novos e experimentamos que há nele uma grande promessa de plenitude e se nos abre a visão do futuro. A fé, que recebemos de Deus como dom sobrenatural, aparece-nos como luz para a estrada, orientando os nossos passos no tempo”.

Padre Vitor Gino Finelon
Autor

Padre Vitor Gino Finelon

Professor das Escolas de Fé e Catequese Mater Ecclesiae e Luz e Vida