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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 15/11/2019

15 de Novembro de 2019

Sínodo sobre a Família

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15 de Novembro de 2019

Sínodo sobre a Família

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20/10/2015 00:00 - Atualizado em 22/10/2015 17:46

Sínodo sobre a Família 0

20/10/2015 00:00 - Atualizado em 22/10/2015 17:46

Estamos na última semana da XVI Assembleia Ordinária do Sínodo dos Bispos, que está ocorrendo entre os dias 4 e 25 de outubro de 2015, com o tema: "A vocação e a missão da família na igreja e no mundo contemporâneo".

A inauguração foi feita pelo Papa Francisco no domingo, dia 4, com uma missa solene na Basílica de São Pedro, e nessa homilia ele refletiu a respeito de três aspectos: o drama da solidão, o amor entre homem-mulher e a família.

Segundo o Papa: “a solidão, o drama que ainda hoje aflige muitos homens e mulheres. Penso nos idosos abandonados até pelos seus entes queridos e pelos próprios filhos; nos viúvos e nas viúvas; em tantos homens e mulheres deixados pela sua esposa ou pelo seu marido; em muitas pessoas que se sentem realmente sozinhas, não compreendidas nem escutadas; nos migrantes e prófugos que escapam de guerras e perseguições, e em tantos jovens vítimas da cultura do consumismo, do “usa e joga fora”, e da cultura do descarte. “Hoje vive-se o paradoxo dum mundo globalizado, onde vemos tantas habitações de luxo e arranha-céus, mas o calor da casa e da família é cada vez menor; muitos projetos ambiciosos, mas pouco tempo para viver aquilo que foi realizado; muitos meios sofisticados de diversão, mas há um vazio cada vez mais profundo no coração; tantos prazeres, mas pouco amor; tanta liberdade, mas pouca autonomia... Aumenta cada vez mais o número das pessoas que se sentem sozinhas, e também daquelas que se fecham no egoísmo, na melancolia, na violência destrutiva e na escravidão do prazer e do deus-dinheiro”.   

O amor entre homem e mulher - “Não é conveniente que o homem esteja só; vou dar-lhe uma auxiliar semelhante a ele” (Gn 2, 18). Estas palavras demonstram que nada torna tão feliz o coração do homem como um coração que lhe seja semelhante, lhe corresponda, o ame e o tire da solidão e de sentir-se só. Demonstram também que Deus não criou o ser humano para viver na tristeza ou para estar sozinho, mas para a felicidade, para partilhar o seu caminho com outra pessoa que lhe seja complementar; para viver a experiência maravilhosa do amor, isto é, amar e ser amado; e para ver o seu amor fecundo nos filhos, como diz o salmo que foi proclamado hoje (cf. Sl 128).

A família - “Pois bem. O que Deus uniu não o separe o homem” (Mc 10, 9). É uma exortação aos crentes para superar toda a forma de individualismo e de legalismo, que se esconde num egoísmo mesquinho e no medo de aderir ao significado autêntico do casal e da sexualidade humana no projeto de Deus. “Neste contexto social e matrimonial bastante difícil, a Igreja é chamada a viver a sua missão na fidelidade, na verdade e na caridade. A Igreja é chamada a viver a sua missão na fidelidade ao seu Mestre como voz que grita no deserto, para defender o amor fiel e encorajar as inúmeras famílias que vivem o seu matrimônio como um espaço onde se manifesta o amor divino; para defender a sacralidade da vida, de toda a vida; para defender a unidade e a indissolubilidade do vínculo conjugal como sinal da graça de Deus e da capacidade que o homem tem de amar seriamente”.

No dia 6 de outubro, o Padre Federico Lombardi, Diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, num encontro com os jornalistas informou que o Papa Francisco interveio brevemente na Assembleia Sinodal na sessão matinal daquela terça-feira, para afirmar que este Sínodo é uma continuidade em relação àquele que decorreu em 2014, durante o qual a doutrina católica sobre o matrimônio não foi modificada.

O Santo Padre evidenciou também os três documentos oficiais: a Relatio Synodi e os dois discursos pontifícios de abertura e de encerramento dos trabalhos. Um convite do Papa aos padres sinodais para não se deixarem confundir por comentários externos ao Sínodo. Vamos refletir um excerto das declarações do Padre Lombardi:

“Não nos devemos deixar condicionar e reduzir o nosso horizonte de trabalho neste Sínodo, como se o único problema fosse aquele da comunhão aos divorciados e recasados ou não. Portanto, ter presente a amplitude dos problemas e as questões que são propostas à Assembleia Sinodal, da qual o Instrumentum Laboris dá uma ampla perspectiva”.

Depois desses momentos iniciais, os temas foram livremente debatidos e o Papa salientou a importância da consulta do povo de Deus, porém o Sínodo é sempre com Pedro e sob Pedro, deixando assim claro toda a questão sobre a doutrina da Igreja sobre o matrimônio.

Agora que o Sínodo chega ao seu final com várias propostas, uma das quais é de delegar a uma comissão especializada as questões mais complexas, e entregando ao Papa as proposições que ajudarão a compor um documento pós-sinodal, somos chamados a olhar para frente e para a nossa responsabilidade. O sínodo suscitou muitas questões com relação à vida matrimonial, tanto na preocupação de uma séria preparação como também para ir ao encontro de tantos ferimentos que a família passa e que supõe uma presença da Igreja para acompanhar. A certeza de que a Igreja não esquece nenhum de seus filhos e procura, ao mesmo tempo, ser fiel ao Evangelho e também preocupada em ir ao encontro das famílias em todas as circunstâncias ficou muito clara durante estas três semanas do Sínodo.

Por isso, com esse sínodo queremos estar unidos com toda a Igreja que caminha no mundo inteiro. Rezemos pelos resultados para que as proposições votadas possam iluminar ainda mais esse belo projeto de Deus na história da humanidade, que é a família, pois, rezamos pelas famílias e rezamos em família.

Aproveitando este mês do Rosário, que está chegando ao seu final, quando somos convidados a revitalizar a oração do mesmo, recordemos essa famosa frase: “a família que reza unida, permanece unida”. 


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Sínodo sobre a Família

20/10/2015 00:00 - Atualizado em 22/10/2015 17:46

Estamos na última semana da XVI Assembleia Ordinária do Sínodo dos Bispos, que está ocorrendo entre os dias 4 e 25 de outubro de 2015, com o tema: "A vocação e a missão da família na igreja e no mundo contemporâneo".

A inauguração foi feita pelo Papa Francisco no domingo, dia 4, com uma missa solene na Basílica de São Pedro, e nessa homilia ele refletiu a respeito de três aspectos: o drama da solidão, o amor entre homem-mulher e a família.

Segundo o Papa: “a solidão, o drama que ainda hoje aflige muitos homens e mulheres. Penso nos idosos abandonados até pelos seus entes queridos e pelos próprios filhos; nos viúvos e nas viúvas; em tantos homens e mulheres deixados pela sua esposa ou pelo seu marido; em muitas pessoas que se sentem realmente sozinhas, não compreendidas nem escutadas; nos migrantes e prófugos que escapam de guerras e perseguições, e em tantos jovens vítimas da cultura do consumismo, do “usa e joga fora”, e da cultura do descarte. “Hoje vive-se o paradoxo dum mundo globalizado, onde vemos tantas habitações de luxo e arranha-céus, mas o calor da casa e da família é cada vez menor; muitos projetos ambiciosos, mas pouco tempo para viver aquilo que foi realizado; muitos meios sofisticados de diversão, mas há um vazio cada vez mais profundo no coração; tantos prazeres, mas pouco amor; tanta liberdade, mas pouca autonomia... Aumenta cada vez mais o número das pessoas que se sentem sozinhas, e também daquelas que se fecham no egoísmo, na melancolia, na violência destrutiva e na escravidão do prazer e do deus-dinheiro”.   

O amor entre homem e mulher - “Não é conveniente que o homem esteja só; vou dar-lhe uma auxiliar semelhante a ele” (Gn 2, 18). Estas palavras demonstram que nada torna tão feliz o coração do homem como um coração que lhe seja semelhante, lhe corresponda, o ame e o tire da solidão e de sentir-se só. Demonstram também que Deus não criou o ser humano para viver na tristeza ou para estar sozinho, mas para a felicidade, para partilhar o seu caminho com outra pessoa que lhe seja complementar; para viver a experiência maravilhosa do amor, isto é, amar e ser amado; e para ver o seu amor fecundo nos filhos, como diz o salmo que foi proclamado hoje (cf. Sl 128).

A família - “Pois bem. O que Deus uniu não o separe o homem” (Mc 10, 9). É uma exortação aos crentes para superar toda a forma de individualismo e de legalismo, que se esconde num egoísmo mesquinho e no medo de aderir ao significado autêntico do casal e da sexualidade humana no projeto de Deus. “Neste contexto social e matrimonial bastante difícil, a Igreja é chamada a viver a sua missão na fidelidade, na verdade e na caridade. A Igreja é chamada a viver a sua missão na fidelidade ao seu Mestre como voz que grita no deserto, para defender o amor fiel e encorajar as inúmeras famílias que vivem o seu matrimônio como um espaço onde se manifesta o amor divino; para defender a sacralidade da vida, de toda a vida; para defender a unidade e a indissolubilidade do vínculo conjugal como sinal da graça de Deus e da capacidade que o homem tem de amar seriamente”.

No dia 6 de outubro, o Padre Federico Lombardi, Diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, num encontro com os jornalistas informou que o Papa Francisco interveio brevemente na Assembleia Sinodal na sessão matinal daquela terça-feira, para afirmar que este Sínodo é uma continuidade em relação àquele que decorreu em 2014, durante o qual a doutrina católica sobre o matrimônio não foi modificada.

O Santo Padre evidenciou também os três documentos oficiais: a Relatio Synodi e os dois discursos pontifícios de abertura e de encerramento dos trabalhos. Um convite do Papa aos padres sinodais para não se deixarem confundir por comentários externos ao Sínodo. Vamos refletir um excerto das declarações do Padre Lombardi:

“Não nos devemos deixar condicionar e reduzir o nosso horizonte de trabalho neste Sínodo, como se o único problema fosse aquele da comunhão aos divorciados e recasados ou não. Portanto, ter presente a amplitude dos problemas e as questões que são propostas à Assembleia Sinodal, da qual o Instrumentum Laboris dá uma ampla perspectiva”.

Depois desses momentos iniciais, os temas foram livremente debatidos e o Papa salientou a importância da consulta do povo de Deus, porém o Sínodo é sempre com Pedro e sob Pedro, deixando assim claro toda a questão sobre a doutrina da Igreja sobre o matrimônio.

Agora que o Sínodo chega ao seu final com várias propostas, uma das quais é de delegar a uma comissão especializada as questões mais complexas, e entregando ao Papa as proposições que ajudarão a compor um documento pós-sinodal, somos chamados a olhar para frente e para a nossa responsabilidade. O sínodo suscitou muitas questões com relação à vida matrimonial, tanto na preocupação de uma séria preparação como também para ir ao encontro de tantos ferimentos que a família passa e que supõe uma presença da Igreja para acompanhar. A certeza de que a Igreja não esquece nenhum de seus filhos e procura, ao mesmo tempo, ser fiel ao Evangelho e também preocupada em ir ao encontro das famílias em todas as circunstâncias ficou muito clara durante estas três semanas do Sínodo.

Por isso, com esse sínodo queremos estar unidos com toda a Igreja que caminha no mundo inteiro. Rezemos pelos resultados para que as proposições votadas possam iluminar ainda mais esse belo projeto de Deus na história da humanidade, que é a família, pois, rezamos pelas famílias e rezamos em família.

Aproveitando este mês do Rosário, que está chegando ao seu final, quando somos convidados a revitalizar a oração do mesmo, recordemos essa famosa frase: “a família que reza unida, permanece unida”. 


Cardeal Orani João Tempesta
Autor

Cardeal Orani João Tempesta

Arcebispo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro