Arquidiocese do Rio de Janeiro

33º 17º

Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 22/09/2017

22 de Setembro de 2017

A Palavra de Deus na Bíblia (15): Interpretação e tradução da Bíblia

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22 de Setembro de 2017

A Palavra de Deus na Bíblia (15): Interpretação e tradução da Bíblia

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02/10/2015 00:00 - Atualizado em 16/10/2015 14:53

A Palavra de Deus na Bíblia (15): Interpretação e tradução da Bíblia 0

02/10/2015 00:00 - Atualizado em 16/10/2015 14:53

A vastidão da obra de exegese bíblica de Santo Agostinho exige que estendamos por mais artigos a exposição de sua doutrina sobre a interpretação bíblica.

16. Contexto da exegese bíblica agostiniana

Para sermos mais precisos, teríamos necessidade de ainda clarear a influência de Santo Ambrósio (339-397 d.C.), bispo de Milão, um ‘exegeta pastoral’, sobre a obra de Santo Agostinho.

No entanto, é bem verdade que não se pode dizer o mesmo de Santo Agostinho, pois Santo Ambrósio não desenvolveu propriamente uma teoria hermenêutica, uma exegese teórica, mas lia e interpretava as Escrituras em função de sua práxis pastoral, como fundamento de sua homilética e catequese, e nela encontrava uma explicitação e fontes seguras: “Para Agostinho a exegese não é um fim em si mesma, bem que o fundamento da sua atividade pastoral de pregador, de pastor e catequista”1.

Da complexa e vasta análise que encontramos em uma obra como esta, que não foi escrita sem a influência do neoplatonismo e, por isso, predominantemente ‘alegorizante’ e, ao mesmo tempo, em períodos diversos da maturidade do bispo e das dificuldades externas e pastorais que encontrava, podemos resumir a hermenêutica de toda a obra agostiniana de Escritura baseada no mais simples princípio: “A Atitude de Agostinho diante da Bíblia concretiza-se por uma profunda veneração e por uma admiração entusiasta (...) Primeira exigência para compreender este livro é viver bem, para entender é necessário crer”

Este aspecto de unidade entre a fé e a razão irá caracterizar a sadia exegese cristã em todos os tempos. Não se elucida as Escrituras somente com a razão; faltariam elementos fundamentais para posicionar o leitor adequado, de outra parte, a fé isolada, a simples crença pode aprisionar o sentido das Escrituras em visões fundamentalistas.

Exegese joanina em Agostinho: os Sermões e comentários

Segundo as palavras de um grande especialista que ressoam do ano de 1987, a situação da edição crítica da obra exegética de Agostinho ainda se encontra em ‘canteiros de obras’. Isso nos mostra a fragilidade de afirmarmos com segurança ‘crítica’ aquilo que Santo Agostinho ‘de fato’ nos legou e o acesso que temos às suas palavras, através de classificações e traduções de sua imensa obra, ainda em andamento.

No que diz respeito ao “Tractatus”, a primeira edição integral é aquela de Rembolt (Paris, 1490), depois em Louvain (1576-77) e a dos beneditinos de São Mauro, em Paris (Muguet – 1679).

O ‘texto crítico’ sobre o Evangelho e a Primeira Carta: I Tractatus in Joannis Evangelium e Prima Ioannis, que utilizamos, remete-nos ao fim dos anos 60.

Por isso, além do que foi definido, como uma situação ‘en chantier. Temos ainda os limites de um artigo introdutório que nos impõe a indicar somente alguns princípios gerais.

Quanto à ratio exegética, tem sua adesão inicial nos traços de Santo Ambrósio. Agostinho tende a alegorizar (“Genesi ad literam”), mas na pregação, sejam os sermões isolados, sejam os cíclicos ou aqueles menos orgânicos (sobre os salmos e as 124 homilias sobre São João), ele permanece sempre muito aberto à interpretação espiritual.

Tanto as indicações dadas por A. Vita (org.), Sant’Agostino, Commento al Vangelo e alla Prima Epistola, Città Nuova, Roma, 19852, como aquelas mais amplas das edições críticas por P.-P. Verbraken, Jalons pour une édition critique des sermons de Saint Augustin sur le Nouveau Testament, in Congresso Internazionale su Santo. Agostino nel XVI centenário della conversione, Patristicum, Vol. I, Roma, 1986, 127-134, podem ser de grande valor para situarmos bem o uso da exegese joanina de Agostinho dentro do gênero literário ‘sermão’ ou ‘homilia’ e ‘Comentário’.

Nós as analisaremos, somente, como De Principiis, sem podermos, à causa de escasso espaço de um artigo, alongar-nos em textos específicos. Portanto, debruçar-nos-emos sobre os elementos mais característicos, sobre alguns dados da historiografia crítica dessas 124 homilias.

Podemos concluir a perspectiva central das ‘homilias de São João’, que exprimem um modo ‘adequado’ de tratar a Theologia enquanto Palavra Revelada: a categoria ‘amor’ se distingue de uma mística exotérica ou de um simples agir correto ou mesmo generoso diante dos outros.

Ele dizia: Hom.34,9 e 123,6: “Se amas, siga-O... assim a ascese do amor é a ascese de purificação, porque o amor nos faz viver na temperança, na justiça e na piedade,e nos dá segurança nas provas e por fim...conseguir a vida eterna”

1   Cfr. H.G. Reventlow, Un Esegeta col Pastorale: Ambroggio da Milano, in Storia dell’interpretazione biblica, 101.

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A Palavra de Deus na Bíblia (15): Interpretação e tradução da Bíblia

02/10/2015 00:00 - Atualizado em 16/10/2015 14:53

A vastidão da obra de exegese bíblica de Santo Agostinho exige que estendamos por mais artigos a exposição de sua doutrina sobre a interpretação bíblica.

16. Contexto da exegese bíblica agostiniana

Para sermos mais precisos, teríamos necessidade de ainda clarear a influência de Santo Ambrósio (339-397 d.C.), bispo de Milão, um ‘exegeta pastoral’, sobre a obra de Santo Agostinho.

No entanto, é bem verdade que não se pode dizer o mesmo de Santo Agostinho, pois Santo Ambrósio não desenvolveu propriamente uma teoria hermenêutica, uma exegese teórica, mas lia e interpretava as Escrituras em função de sua práxis pastoral, como fundamento de sua homilética e catequese, e nela encontrava uma explicitação e fontes seguras: “Para Agostinho a exegese não é um fim em si mesma, bem que o fundamento da sua atividade pastoral de pregador, de pastor e catequista”1.

Da complexa e vasta análise que encontramos em uma obra como esta, que não foi escrita sem a influência do neoplatonismo e, por isso, predominantemente ‘alegorizante’ e, ao mesmo tempo, em períodos diversos da maturidade do bispo e das dificuldades externas e pastorais que encontrava, podemos resumir a hermenêutica de toda a obra agostiniana de Escritura baseada no mais simples princípio: “A Atitude de Agostinho diante da Bíblia concretiza-se por uma profunda veneração e por uma admiração entusiasta (...) Primeira exigência para compreender este livro é viver bem, para entender é necessário crer”

Este aspecto de unidade entre a fé e a razão irá caracterizar a sadia exegese cristã em todos os tempos. Não se elucida as Escrituras somente com a razão; faltariam elementos fundamentais para posicionar o leitor adequado, de outra parte, a fé isolada, a simples crença pode aprisionar o sentido das Escrituras em visões fundamentalistas.

Exegese joanina em Agostinho: os Sermões e comentários

Segundo as palavras de um grande especialista que ressoam do ano de 1987, a situação da edição crítica da obra exegética de Agostinho ainda se encontra em ‘canteiros de obras’. Isso nos mostra a fragilidade de afirmarmos com segurança ‘crítica’ aquilo que Santo Agostinho ‘de fato’ nos legou e o acesso que temos às suas palavras, através de classificações e traduções de sua imensa obra, ainda em andamento.

No que diz respeito ao “Tractatus”, a primeira edição integral é aquela de Rembolt (Paris, 1490), depois em Louvain (1576-77) e a dos beneditinos de São Mauro, em Paris (Muguet – 1679).

O ‘texto crítico’ sobre o Evangelho e a Primeira Carta: I Tractatus in Joannis Evangelium e Prima Ioannis, que utilizamos, remete-nos ao fim dos anos 60.

Por isso, além do que foi definido, como uma situação ‘en chantier. Temos ainda os limites de um artigo introdutório que nos impõe a indicar somente alguns princípios gerais.

Quanto à ratio exegética, tem sua adesão inicial nos traços de Santo Ambrósio. Agostinho tende a alegorizar (“Genesi ad literam”), mas na pregação, sejam os sermões isolados, sejam os cíclicos ou aqueles menos orgânicos (sobre os salmos e as 124 homilias sobre São João), ele permanece sempre muito aberto à interpretação espiritual.

Tanto as indicações dadas por A. Vita (org.), Sant’Agostino, Commento al Vangelo e alla Prima Epistola, Città Nuova, Roma, 19852, como aquelas mais amplas das edições críticas por P.-P. Verbraken, Jalons pour une édition critique des sermons de Saint Augustin sur le Nouveau Testament, in Congresso Internazionale su Santo. Agostino nel XVI centenário della conversione, Patristicum, Vol. I, Roma, 1986, 127-134, podem ser de grande valor para situarmos bem o uso da exegese joanina de Agostinho dentro do gênero literário ‘sermão’ ou ‘homilia’ e ‘Comentário’.

Nós as analisaremos, somente, como De Principiis, sem podermos, à causa de escasso espaço de um artigo, alongar-nos em textos específicos. Portanto, debruçar-nos-emos sobre os elementos mais característicos, sobre alguns dados da historiografia crítica dessas 124 homilias.

Podemos concluir a perspectiva central das ‘homilias de São João’, que exprimem um modo ‘adequado’ de tratar a Theologia enquanto Palavra Revelada: a categoria ‘amor’ se distingue de uma mística exotérica ou de um simples agir correto ou mesmo generoso diante dos outros.

Ele dizia: Hom.34,9 e 123,6: “Se amas, siga-O... assim a ascese do amor é a ascese de purificação, porque o amor nos faz viver na temperança, na justiça e na piedade,e nos dá segurança nas provas e por fim...conseguir a vida eterna”

1   Cfr. H.G. Reventlow, Un Esegeta col Pastorale: Ambroggio da Milano, in Storia dell’interpretazione biblica, 101.

Padre Pedro Paulo Alves dos Santos
Autor

Padre Pedro Paulo Alves dos Santos

Doutor em Teologia Bíblica