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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 28/03/2017

28 de Março de 2017

As consequências do discipulado

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16/10/2015 12:12 - Atualizado em 16/10/2015 12:12

As consequências do discipulado 0

16/10/2015 12:12 - Atualizado em 16/10/2015 12:12

No evangelho de Marcos, Jesus anunciou aos discípulos a sua paixão, por três vezes, durante a jornada para Jerusalém (cf. Mc 8,31-33; 9,30-32; 10,32-34). Com isso, revelava sua identidade e sua missão como “filho do homem” e “servo sofredor”. Esses dois títulos remetem às expectativas da primeira Aliança, presente nos profetas (Dn 7,13; Is 53,10-11). Todavia, seus discípulos tinham-lhe atribuído outra esperança véterotestamentária: a do messias (Mc 8,29). Entre a autoconsciência de Jesus e as projeções de seus discípulos existiam incongruências que precisavam ser corrigidas (cf. Mc 8,33). Embora tenha aceitado o título de “messias”, precisou purificá-lo das concepções puramente político-sociais. Por isso, cada vez que Jesus prediz o seu mistério pascal, retira um ensinamento procurando corrigir as percepções errôneas dos doze apóstolos e levá-los a uma compreensão mais amadurecida da vocação deles.

A primeira consequência que Jesus retirou para os seus discípulos se encontra neste versículo: “Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me” (Mc 8,34). Fica claro pelo texto que o Senhor está dando um critério para identificar o seu discípulo. Tal critério é composto por três ações: negar-se a si mesmo, tomar a sua cruz e seguir o mestre. O seguimento de Cristo, então, se caracteriza por negar os próprios projetos e assumir a vontade de Deus. Essa vontade muitas vezes aparece cercada de dificuldades, exigências e sofrimentos. O próprio Jesus trilhou este caminho: “afasta de mim este cálice; porém, não o que eu quero, mas o que tu queres” (Mc 14,16). Desta forma, o discipulado surge como a obediência à vontade de Deus, mesmo diante das situações de sofrimento e morte.

A segunda consequência do mistério pascal de Cristo para os seus discípulos pode ser lida neste versículo: “se alguém quiser ser o primeiro, seja o último de todos e o servo de todos” (Mc 9,37). O serviço a todos é o segundo critério que caracteriza um discípulo de Jesus, enquanto os doze discutiam sobre quem era o maior, procurando se destacar por qualidades ligadas ao mundo da aparência e da vanglória. O Senhor radica logo a disposição para o serviço como a grande atitude do seu seguidor. Longe de querer criar uma disputa com essas palavras entre os seus, o mestre queria fazê-los perceber o quão distantes estavam de sua visão e incentivá-los a descobrir o serviço desinteressado aos irmãos. O gesto de apresentar uma criança, e com ela se identificar, representa uma tentativa de Jesus mostrar aos seus discípulos que eles devem se voltar para os mais necessitados.

A terceira consequência da morte e da ressurreição de Jesus para seus seguidores está em consonância com a segunda: “aquele que dentre vós quiser ser grande, seja o vosso servidor, e aquele que quiser ser o primeiro dentre vós, seja o servo de todos” (Mc 10,43-44). Diante do pedido de Tiago e de João – sentar um à direita e outro à esquerda no reino de Jesus – e da reação de contrariedade dos outros discípulos, Jesus se sentiu impelido a mostra-lhes a verdade do seu reino. Os doze ainda não tinham compreendido a mensagem de Jesus e continuavam alimentando o desejo por postos e cargos no reino messiânico. O coração dos doze estava perdido em projetos próprios ligados ao desejo de poder. Por causa disso, Jesus os ensina que o poder não vem de cargos nem de postos – sinais de uma autoridade tirana e mundana –, mas da abertura de fazer o bem às pessoas.

A obediência à vontade de Deus, a renúncia de si, o seguimento até a cruz, a abertura ao serviço e a autoridade exercida em favor dos homens são atitudes apontadas no Evangelho para se encarnarem nos discípulos de Jesus. A Igreja proclama às novas gerações de cristãos estas atitudes, esperando que elas realizem uma verdadeira novidade em meio aos homens. Neste sentido, são norteadoras as palavras da homilia do Papa Francisco, em Cuba: “Servir significa, em grande parte, cuidar da fragilidade. Servir significa cuidar dos frágeis das nossas famílias, da nossa sociedade, do nosso povo. São os rostos sofredores, indefesos e angustiados para quem Jesus nos propõe olhar e convida concretamente a amar. (...) Porque ser cristão comporta servir a dignidade dos irmãos, lutar pela dignidade dos irmãos e viver para a dignificação dos irmãos. Por isso, à vista concreta dos mais frágeis, o cristão é sempre convidado a pôr de lado as suas exigências, expectativas, desejos de onipotência”.

 

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16/10/2015 12:12 - Atualizado em 16/10/2015 12:12

No evangelho de Marcos, Jesus anunciou aos discípulos a sua paixão, por três vezes, durante a jornada para Jerusalém (cf. Mc 8,31-33; 9,30-32; 10,32-34). Com isso, revelava sua identidade e sua missão como “filho do homem” e “servo sofredor”. Esses dois títulos remetem às expectativas da primeira Aliança, presente nos profetas (Dn 7,13; Is 53,10-11). Todavia, seus discípulos tinham-lhe atribuído outra esperança véterotestamentária: a do messias (Mc 8,29). Entre a autoconsciência de Jesus e as projeções de seus discípulos existiam incongruências que precisavam ser corrigidas (cf. Mc 8,33). Embora tenha aceitado o título de “messias”, precisou purificá-lo das concepções puramente político-sociais. Por isso, cada vez que Jesus prediz o seu mistério pascal, retira um ensinamento procurando corrigir as percepções errôneas dos doze apóstolos e levá-los a uma compreensão mais amadurecida da vocação deles.

A primeira consequência que Jesus retirou para os seus discípulos se encontra neste versículo: “Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me” (Mc 8,34). Fica claro pelo texto que o Senhor está dando um critério para identificar o seu discípulo. Tal critério é composto por três ações: negar-se a si mesmo, tomar a sua cruz e seguir o mestre. O seguimento de Cristo, então, se caracteriza por negar os próprios projetos e assumir a vontade de Deus. Essa vontade muitas vezes aparece cercada de dificuldades, exigências e sofrimentos. O próprio Jesus trilhou este caminho: “afasta de mim este cálice; porém, não o que eu quero, mas o que tu queres” (Mc 14,16). Desta forma, o discipulado surge como a obediência à vontade de Deus, mesmo diante das situações de sofrimento e morte.

A segunda consequência do mistério pascal de Cristo para os seus discípulos pode ser lida neste versículo: “se alguém quiser ser o primeiro, seja o último de todos e o servo de todos” (Mc 9,37). O serviço a todos é o segundo critério que caracteriza um discípulo de Jesus, enquanto os doze discutiam sobre quem era o maior, procurando se destacar por qualidades ligadas ao mundo da aparência e da vanglória. O Senhor radica logo a disposição para o serviço como a grande atitude do seu seguidor. Longe de querer criar uma disputa com essas palavras entre os seus, o mestre queria fazê-los perceber o quão distantes estavam de sua visão e incentivá-los a descobrir o serviço desinteressado aos irmãos. O gesto de apresentar uma criança, e com ela se identificar, representa uma tentativa de Jesus mostrar aos seus discípulos que eles devem se voltar para os mais necessitados.

A terceira consequência da morte e da ressurreição de Jesus para seus seguidores está em consonância com a segunda: “aquele que dentre vós quiser ser grande, seja o vosso servidor, e aquele que quiser ser o primeiro dentre vós, seja o servo de todos” (Mc 10,43-44). Diante do pedido de Tiago e de João – sentar um à direita e outro à esquerda no reino de Jesus – e da reação de contrariedade dos outros discípulos, Jesus se sentiu impelido a mostra-lhes a verdade do seu reino. Os doze ainda não tinham compreendido a mensagem de Jesus e continuavam alimentando o desejo por postos e cargos no reino messiânico. O coração dos doze estava perdido em projetos próprios ligados ao desejo de poder. Por causa disso, Jesus os ensina que o poder não vem de cargos nem de postos – sinais de uma autoridade tirana e mundana –, mas da abertura de fazer o bem às pessoas.

A obediência à vontade de Deus, a renúncia de si, o seguimento até a cruz, a abertura ao serviço e a autoridade exercida em favor dos homens são atitudes apontadas no Evangelho para se encarnarem nos discípulos de Jesus. A Igreja proclama às novas gerações de cristãos estas atitudes, esperando que elas realizem uma verdadeira novidade em meio aos homens. Neste sentido, são norteadoras as palavras da homilia do Papa Francisco, em Cuba: “Servir significa, em grande parte, cuidar da fragilidade. Servir significa cuidar dos frágeis das nossas famílias, da nossa sociedade, do nosso povo. São os rostos sofredores, indefesos e angustiados para quem Jesus nos propõe olhar e convida concretamente a amar. (...) Porque ser cristão comporta servir a dignidade dos irmãos, lutar pela dignidade dos irmãos e viver para a dignificação dos irmãos. Por isso, à vista concreta dos mais frágeis, o cristão é sempre convidado a pôr de lado as suas exigências, expectativas, desejos de onipotência”.

 

Padre Vitor Gino Finelon
Autor

Padre Vitor Gino Finelon

Professor das Escolas de Fé e Catequese Mater Ecclesiae e Luz e Vida