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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 25/06/2017

25 de Junho de 2017

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13/10/2015 10:14 - Atualizado em 13/10/2015 10:14

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13/10/2015 10:14 - Atualizado em 13/10/2015 10:14

Nas páginas dos Evangelhos encontramos o relato do jovem rico. Esse personagem bíblico pode representar todos os homens que se questionam de forma profunda sobre o sentido e a maneira de conduzir a vida. A sua pergunta feita a Jesus – “Bom mestre, que devo fazer de bom para ganhar a vida eterna?” (Mc 10,17) – é paradigmática. Ela representa a busca na religião cristã das respostas fundamentais para o significado e para a meta do viver. São João Paulo II, na “Veritatis Splendor 8”, comenta a indagação do jovem rico nestes termos: “Do fundo do coração surge a pergunta que o jovem rico dirige a Jesus de Nazaré, uma pergunta essencial e irresistível na vida de cada homem: refere-se, de fato, ao bem moral a praticar e à vida eterna”. A posição de Jesus diante daquele jovem continua sendo a mesma diante dos homens que se aproximam para perguntar-lhe pelo caminho e pela meta das suas vidas. Vejamos o alcance das palavras do Senhor.

A resposta de Jesus sobre a maneira de ganhar a vida eterna se impõe de forma muito concreta. Em primeiro lugar, Jesus disse: “Tu conheces os mandamentos” (Mc 10,19). O caminho da vida passa necessária e urgentemente pelo amor ao próximo. Não matar, não cometer adultério, não roubar, não levantar falso testemunho, não prejudicar ninguém e honrar teu pai e tua mãe são atitudes em conformidade com a vontade de Deus manifestada na primeira Aliança e legitimada por Jesus. Este termina com as ilusões de felicidade e de plenitude desvinculadas de um compromisso em relação ao outro. Valores como a vida, o respeito, a dignidade, a verdade e a família não podem ser negligenciados. A Igreja, por isso, entende o decálogo como um ensinamento sobre “a verdadeira humanidade do homem” (CIC 2070).

Jesus, ainda, é capaz de fazer o homem ir além das “dez palavras”. Por isso, a sua resposta ao jovem rico possui uma proposta mais profunda e radical: “Vai, vende tudo o que tens e dá aos pobres e terás um tesouro no céu. Depois vem e segue-me” (Mc 10,21). Duas atitudes importantes e uma consequência fundamental: “dar aos pobres” e “seguir Jesus” para “ter um tesouro no céu”. A primeira atitude liberta o coração humano para viver uma ética do amor. O agir cristão não é limitado por um código moral, mas por uma ação do Espírito Santo no coração do fiel. O Espírito move o homem a ultrapassar as medidas da justiça e adentrar nas esferas da misericórdia. A segunda atitude coloca o coração humano em comunhão com a fonte do bem – Jesus Cristo. O seguimento decidido como discípulo de Jesus é indispensável para uma vida de cumprimento da vontade de Deus. A vida do cristão não se caracteriza por atos isolados e estanques, mas por uma conduta constante e perseverante em conformidade com a vida do Senhor: uma vida de entrega amorosa pelos irmãos.

Estes dois convites acima – “dar aos pobres” e “seguir-me” – são dirigidos, hoje, a todos aqueles que se aproximam de Jesus para perguntar-lhe o que se deve fazer para ganhar a vida eterna. A esse respeito São João Paulo II afirma: “esta vocação ao amor perfeito não está reservada só para um círculo de pessoas. O convite ‘vai, vende tudo o que tens e dá aos pobres’ com a promessa ‘terás um tesouro no céu’ dirige-se a todos” (VS 18). A reação do jovem rico à proposta de Jesus foi o sentimento de tristeza e a recusa em se abrir para o amor perfeito. A Igreja é constantemente interpelada por esse episódio bíblico. Ela é chamada a renovar a sua alegria e a sua resposta em viver os mandamentos divinos e os conselhos evangélicos. Ela é enviada a oferecer a resposta de seu Senhor a todos os homens que se aproximam para perguntar sobre o sentido e a meta da vida humana. A vocação e a missão da Igreja se encontram na alegria do “sim” dado ao projeto de amor do Pai, revelado em Cristo.

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13/10/2015 10:14 - Atualizado em 13/10/2015 10:14

Nas páginas dos Evangelhos encontramos o relato do jovem rico. Esse personagem bíblico pode representar todos os homens que se questionam de forma profunda sobre o sentido e a maneira de conduzir a vida. A sua pergunta feita a Jesus – “Bom mestre, que devo fazer de bom para ganhar a vida eterna?” (Mc 10,17) – é paradigmática. Ela representa a busca na religião cristã das respostas fundamentais para o significado e para a meta do viver. São João Paulo II, na “Veritatis Splendor 8”, comenta a indagação do jovem rico nestes termos: “Do fundo do coração surge a pergunta que o jovem rico dirige a Jesus de Nazaré, uma pergunta essencial e irresistível na vida de cada homem: refere-se, de fato, ao bem moral a praticar e à vida eterna”. A posição de Jesus diante daquele jovem continua sendo a mesma diante dos homens que se aproximam para perguntar-lhe pelo caminho e pela meta das suas vidas. Vejamos o alcance das palavras do Senhor.

A resposta de Jesus sobre a maneira de ganhar a vida eterna se impõe de forma muito concreta. Em primeiro lugar, Jesus disse: “Tu conheces os mandamentos” (Mc 10,19). O caminho da vida passa necessária e urgentemente pelo amor ao próximo. Não matar, não cometer adultério, não roubar, não levantar falso testemunho, não prejudicar ninguém e honrar teu pai e tua mãe são atitudes em conformidade com a vontade de Deus manifestada na primeira Aliança e legitimada por Jesus. Este termina com as ilusões de felicidade e de plenitude desvinculadas de um compromisso em relação ao outro. Valores como a vida, o respeito, a dignidade, a verdade e a família não podem ser negligenciados. A Igreja, por isso, entende o decálogo como um ensinamento sobre “a verdadeira humanidade do homem” (CIC 2070).

Jesus, ainda, é capaz de fazer o homem ir além das “dez palavras”. Por isso, a sua resposta ao jovem rico possui uma proposta mais profunda e radical: “Vai, vende tudo o que tens e dá aos pobres e terás um tesouro no céu. Depois vem e segue-me” (Mc 10,21). Duas atitudes importantes e uma consequência fundamental: “dar aos pobres” e “seguir Jesus” para “ter um tesouro no céu”. A primeira atitude liberta o coração humano para viver uma ética do amor. O agir cristão não é limitado por um código moral, mas por uma ação do Espírito Santo no coração do fiel. O Espírito move o homem a ultrapassar as medidas da justiça e adentrar nas esferas da misericórdia. A segunda atitude coloca o coração humano em comunhão com a fonte do bem – Jesus Cristo. O seguimento decidido como discípulo de Jesus é indispensável para uma vida de cumprimento da vontade de Deus. A vida do cristão não se caracteriza por atos isolados e estanques, mas por uma conduta constante e perseverante em conformidade com a vida do Senhor: uma vida de entrega amorosa pelos irmãos.

Estes dois convites acima – “dar aos pobres” e “seguir-me” – são dirigidos, hoje, a todos aqueles que se aproximam de Jesus para perguntar-lhe o que se deve fazer para ganhar a vida eterna. A esse respeito São João Paulo II afirma: “esta vocação ao amor perfeito não está reservada só para um círculo de pessoas. O convite ‘vai, vende tudo o que tens e dá aos pobres’ com a promessa ‘terás um tesouro no céu’ dirige-se a todos” (VS 18). A reação do jovem rico à proposta de Jesus foi o sentimento de tristeza e a recusa em se abrir para o amor perfeito. A Igreja é constantemente interpelada por esse episódio bíblico. Ela é chamada a renovar a sua alegria e a sua resposta em viver os mandamentos divinos e os conselhos evangélicos. Ela é enviada a oferecer a resposta de seu Senhor a todos os homens que se aproximam para perguntar sobre o sentido e a meta da vida humana. A vocação e a missão da Igreja se encontram na alegria do “sim” dado ao projeto de amor do Pai, revelado em Cristo.

Padre Vitor Gino Finelon
Autor

Padre Vitor Gino Finelon

Professor das Escolas de Fé e Catequese Mater Ecclesiae e Luz e Vida