Arquidiocese do Rio de Janeiro

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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 25/04/2017

25 de Abril de 2017

A leitura orante

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18/09/2015 14:21 - Atualizado em 18/09/2015 14:21

A leitura orante 0

18/09/2015 14:21 - Atualizado em 18/09/2015 14:21

Durante o mês de setembro, a Igreja incentiva seus membros à leitura e ao conhecimento do Texto Sagrado. Todavia, sabe que uma leitura e um conhecimento puramente técnico e científico dele não produzem as consequências esperadas na vida de seus fiéis. Urge recuperar aquela experiência testemunhada por São Paulo: “Por esta razão é que sem cessar agradecemos a Deus por terdes acolhido sua Palavra, que vos pregamos não como palavra humana, mas como na verdade é, a Palavra de Deus que produz efeito em vós, os fiéis” (ITs 2,13). Este acolhimento da Palavra é a atitude fundamental que a Igreja espera incutir no coração de seus filhos. Para isso, ela apresenta a leitura orante – lectio divina – como caminho para se aproximar das Sagradas Escrituras, a fim de acolhê-las como Palavra de Deus.

O magistério da Igreja nos últimos 50 anos vem insistindo não apenas no estudo científico do texto bíblico, mas, sobretudo, na oração com ele. Já o Concílio Vaticano II escrevia: “lembrem-se, porém, que a leitura da Sagrada Escritura deve ser acompanhada da oração para que seja possível o diálogo entre Deus e o homem” (DV 25). O Papa São João Paulo II advertia: “Não há dúvidas que este primado da santidade e da oração só é concebível a partir de uma renovada escuta da Palavra de Deus. (...) De modo particular é necessário que a escuta da Palavra se torne um encontro vital, segundo antiga e sempre válida tradição da leitura orante: esta permite ler o texto bíblico como palavra viva que interpela, orienta, plasma a existência” (NMI 39). Em consonância, o Papa Bento XVI, fazendo eco da experiência sinodal, afirmou: “o sínodo insistiu repetidamente sobre a exigência de uma abordagem orante do Texto Sagrado como elemento fundamental da vida espiritual de todo fiel nos diversos ministérios e estados de vida, com particular referência à leitura orante” (VD 86). O Papa Francisco, recentemente, escreveu: “Há uma modalidade concreta para escutarmos aquilo que o Senhor nos quer dizer na sua Palavra e nos deixarmos transformar pelo Espírito: designamo-la por leitura orante. Consiste na leitura da Palavra de Deus num tempo de oração, para lhe permitir que nos ilumine e renove” (EG 152).

No nº 87 da “Verbum Domini”, encontram-se os quatro momentos da lectio divina. O primeiro é o da leitura do texto bíblico, no qual se procura compreender o que o texto diz em si. Depois, segue-se a meditação: neste segundo momento, pergunta-se o que Deus, através do texto escriturístico, diz ao orante. O terceiro momento é o da oração, no qual se caracteriza pela resposta diante daquilo que o Senhor disse. O último momento é o da contemplação silenciosa, na qual se acolhe o efeito da Palavra ouvida, internalizada e respondida. Este efeito, por sua vez, se realiza plenamente na conversão de vida e na consequente vivência da Palavra de Deus. Assim, a leitura orante pode ser resumida nas seguintes perguntas: O que o texto diz em si? O que Deus diz para mim através d’Ele? Como posso responder a Deus? Qual a obra divina sendo realizada na minha vida e por meio dela?

Ademais, a lectio divina está em profunda sintonia com a celebração litúrgica. Na verdade, em cada celebração dos sacramentos se tem uma liturgia da Palavra estruturada como uma grande leitura orante do Povo de Deus. A proclamação das leituras bíblicas corresponderia ao primeiro passo: a leitura. A homilia se apresentaria como o segundo passo: a meditação. A oração universal ou preces da comunidade seria o terceiro passo: a oração. E, por fim, a liturgia sacramental consistiria no quarto passo: a contemplação da ação de Deus na vida da Igreja. Isto tudo de tal forma que a leitura orante da Escritura, tanto individual quanto em grupo, seria um prolongamento da oração da assembleia litúrgica.

De ressonância bíblica, gestada na vivência litúrgico-espiritual da Igreja Patrística, enraizada na escola espiritual dos monges, a leitura orante da Palavra é um patrimônio de toda a Igreja. Ela faz o fiel experimentar o Deus vivo e verdadeiro que fala no “hoje”, vocacionando-o a seguir seus mandamentos. Orígenes, um dos maiores mestres da lectio divina, aconselha: “Dedica-te a leitura orante das divinas Escrituras; aplica-te a isto com perseverança. Empenha-te na leitura com a intenção de crer e agradar a Deus”.

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A leitura orante

18/09/2015 14:21 - Atualizado em 18/09/2015 14:21

Durante o mês de setembro, a Igreja incentiva seus membros à leitura e ao conhecimento do Texto Sagrado. Todavia, sabe que uma leitura e um conhecimento puramente técnico e científico dele não produzem as consequências esperadas na vida de seus fiéis. Urge recuperar aquela experiência testemunhada por São Paulo: “Por esta razão é que sem cessar agradecemos a Deus por terdes acolhido sua Palavra, que vos pregamos não como palavra humana, mas como na verdade é, a Palavra de Deus que produz efeito em vós, os fiéis” (ITs 2,13). Este acolhimento da Palavra é a atitude fundamental que a Igreja espera incutir no coração de seus filhos. Para isso, ela apresenta a leitura orante – lectio divina – como caminho para se aproximar das Sagradas Escrituras, a fim de acolhê-las como Palavra de Deus.

O magistério da Igreja nos últimos 50 anos vem insistindo não apenas no estudo científico do texto bíblico, mas, sobretudo, na oração com ele. Já o Concílio Vaticano II escrevia: “lembrem-se, porém, que a leitura da Sagrada Escritura deve ser acompanhada da oração para que seja possível o diálogo entre Deus e o homem” (DV 25). O Papa São João Paulo II advertia: “Não há dúvidas que este primado da santidade e da oração só é concebível a partir de uma renovada escuta da Palavra de Deus. (...) De modo particular é necessário que a escuta da Palavra se torne um encontro vital, segundo antiga e sempre válida tradição da leitura orante: esta permite ler o texto bíblico como palavra viva que interpela, orienta, plasma a existência” (NMI 39). Em consonância, o Papa Bento XVI, fazendo eco da experiência sinodal, afirmou: “o sínodo insistiu repetidamente sobre a exigência de uma abordagem orante do Texto Sagrado como elemento fundamental da vida espiritual de todo fiel nos diversos ministérios e estados de vida, com particular referência à leitura orante” (VD 86). O Papa Francisco, recentemente, escreveu: “Há uma modalidade concreta para escutarmos aquilo que o Senhor nos quer dizer na sua Palavra e nos deixarmos transformar pelo Espírito: designamo-la por leitura orante. Consiste na leitura da Palavra de Deus num tempo de oração, para lhe permitir que nos ilumine e renove” (EG 152).

No nº 87 da “Verbum Domini”, encontram-se os quatro momentos da lectio divina. O primeiro é o da leitura do texto bíblico, no qual se procura compreender o que o texto diz em si. Depois, segue-se a meditação: neste segundo momento, pergunta-se o que Deus, através do texto escriturístico, diz ao orante. O terceiro momento é o da oração, no qual se caracteriza pela resposta diante daquilo que o Senhor disse. O último momento é o da contemplação silenciosa, na qual se acolhe o efeito da Palavra ouvida, internalizada e respondida. Este efeito, por sua vez, se realiza plenamente na conversão de vida e na consequente vivência da Palavra de Deus. Assim, a leitura orante pode ser resumida nas seguintes perguntas: O que o texto diz em si? O que Deus diz para mim através d’Ele? Como posso responder a Deus? Qual a obra divina sendo realizada na minha vida e por meio dela?

Ademais, a lectio divina está em profunda sintonia com a celebração litúrgica. Na verdade, em cada celebração dos sacramentos se tem uma liturgia da Palavra estruturada como uma grande leitura orante do Povo de Deus. A proclamação das leituras bíblicas corresponderia ao primeiro passo: a leitura. A homilia se apresentaria como o segundo passo: a meditação. A oração universal ou preces da comunidade seria o terceiro passo: a oração. E, por fim, a liturgia sacramental consistiria no quarto passo: a contemplação da ação de Deus na vida da Igreja. Isto tudo de tal forma que a leitura orante da Escritura, tanto individual quanto em grupo, seria um prolongamento da oração da assembleia litúrgica.

De ressonância bíblica, gestada na vivência litúrgico-espiritual da Igreja Patrística, enraizada na escola espiritual dos monges, a leitura orante da Palavra é um patrimônio de toda a Igreja. Ela faz o fiel experimentar o Deus vivo e verdadeiro que fala no “hoje”, vocacionando-o a seguir seus mandamentos. Orígenes, um dos maiores mestres da lectio divina, aconselha: “Dedica-te a leitura orante das divinas Escrituras; aplica-te a isto com perseverança. Empenha-te na leitura com a intenção de crer e agradar a Deus”.

Padre Vitor Gino Finelon
Autor

Padre Vitor Gino Finelon

Professor das Escolas de Fé e Catequese Mater Ecclesiae e Luz e Vida