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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 29/03/2017

29 de Março de 2017

A Palavra de Deus na Bíblia (13): Interpretação e tradução da Bíblia

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29 de Março de 2017

A Palavra de Deus na Bíblia (13): Interpretação e tradução da Bíblia

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11/09/2015 16:32 - Atualizado em 11/09/2015 16:32

A Palavra de Deus na Bíblia (13): Interpretação e tradução da Bíblia 0

11/09/2015 16:32 - Atualizado em 11/09/2015 16:32

15. A obra exegética de Santo Agostinho

Santo Agostinho (354-430) foi um filósofo, escritor, bispo e teólogo cristão africano, responsável pela elaboração do pensamento cristão. Deixou uma obra literária gigantesca: 113 trabalhos, 224 cartas e mais 500 sermões.

Aurélio Agostinho destaca-se entre os padres como Tomás de Aquino se destaca entre os escolásticos. E como Tomás de Aquino se inspira na filosofia de Aristóteles, e será o maior vulto da filosofia metafísica cristã, Agostinho inspira-se em Platão, ou melhor, no neoplatonismo. Agostinho, pela profundidade do seu sentir e pelo seu gênio compreensivo, fundiu em si mesmo o caráter especulativo da patrística grega com o caráter prático da patrística latina, ainda que os problemas que fundamentalmente o preocupam sejam sempre os problemas práticos e morais: o mal, a liberdade, a graça, a predestinação .

15.1. Biografia

Santo Agostinho nasceu em Tagate, pequena cidade da Numídia, atual Argélia, na África. Foi educado em Cartago, grande centro de paganismo e a maior cidade do Ocidente latino, depois de Roma. De volta à cidade natal abre uma escola particular, onde ensinou gramática e retórica durante 13 anos.

De espírito crítico e inquieto, abandonou o cristianismo e adotou o maniqueísmo, pretendendo seguir a força única da razão. Durante 12 anos foi seguidor de Mani, profeta persa que pregava uma doutrina na qual se misturava Evangelho, ocultismo e astrologia.

Em 386, sob a influência de Ambrósio, bispo de Milão, Agostinho é convertido ao cristianismo. O resultado de sua conversão é o livro “Confissões”, onde revela os recantos de sua alma e os caminhos da fé em meio às angústias do mundo. Outra obra de grande destaque é “Cidade de Deus”, onde discute a questão da metafísica do pecado original contido na Bíblia.

Durante 40 anos, desde que reencontrou a fé, Agostinho teve sua vida sobrecarregada. Primeiro constrói seu mosteiro. Torna-se depois sacerdote e bispo, encarregado inclusive de distribuir justiça em nome do império. É dele a frase: “Compreender para crer, crer para compreender”.

Santo Agostinho faleceu em Hipona, província romana na África, no dia 28 de agosto de 430. Foi canonizado por aclamação popular e reconhecido como Doutor da Igreja, em 1292, pelo papa Bonifácio VIII.

Agostinho foi profundamente impressionado pelo problema do mal – de que dá uma vasta e viva fenomenologia. Foi também longamente desviado pela solução dualista dos maniqueus, que lhe impediu o conhecimento do justo conceito de Deus e da possibilidade da vida moral. A solução deste problema por ele achada foi a sua libertação e a sua grande descoberta filosófico-teológica, e marca uma diferença fundamental entre o pensamento grego e o pensamento cristão.

Antes de tudo, nega a realidade metafísica do mal. O mal não é ser, mas privação de ser, como a obscuridade é ausência de luz. Tal privação é imprescindível em todo ser que não seja Deus, enquanto criado, limitado. Destarte é explicado o assim chamado mal metafísico, que não é verdadeiro mal, porquanto não tira aos seres o lhes é devido por natureza. Quanto ao mal físico, que atinge também a perfeição natural dos seres, Agostinho procura justificá-lo mediante um velho argumento, digamos, assim, estético: o contraste dos seres contribuiria para a harmonia do conjunto. Mas é esta a parte menos afortunada da doutrina agostiniana do mal.

O mal moral entrou no mundo humano pelo pecado original e atual; por isso, a humanidade foi punida com o sofrimento, físico e moral, além de o ter sido com a perda dos dons gratuitos de Deus. Como se vê, o mal físico tem, deste modo, uma outra explicação mais profunda. Remediou este mal moral a redenção de Cristo, Homem-Deus, que restituiu à humanidade os dons sobrenaturais e a possibilidade do bem moral; mas deixou permanecer o sofrimento, consequência do pecado, como meio de purificação e expiação.

Resumindo a doutrina agostiniana a respeito do mal, diremos: o mal é, fundamentalmente, privação de bem (de ser); este bem pode ser não devido (mal metafísico) ou devido (mal físico e moral) a uma determinada natureza; se o bem é devido nasce o verdadeiro problema do mal; a solução deste problema é estética para o mal físico, moral (pecado original e Redenção) para o mal moral (e físico).

15.2. A história

Como é notório, Agostinho trata do problema da história na Cidade de Deus, e resolve-o ainda com os conceitos de criação, de pecado original e de redenção. A Cidade de Deus representa, talvez, o maior monumento da antiguidade cristã e, certamente, a obra prima de Agostinho. Agostinho distingue em três grandes seções a história antes de Cristo.

A primeira concerne à história das duas cidades, após o pecado original, até que ficaram confundidas em um único caos humano, e chega até a Abraão, época em que começou a separação.

Na segunda descreve Agostinho a história da Cidade de Deus, recolhida e configurada em Israel, de Abraão até Cristo.

A terceira retoma, em separado, a narrativa do ponto em que começa a história da Cidade de Deus separada, isto é, desde Abraão, para tratar paralela e separadamente da Cidade do Mundo, que culmina no império romano. Esta história, pois, fragmentária e dividida, onde parece que Satanás e o mal têm o seu reino, representa, no fundo, uma unidade e um progresso.

Depois de Cristo cessa a divisão política entre as duas cidades; elas se confundem como nos primeiros tempos da humanidade, com a diferença, porém, de que já não é mais união caótica, mas configurada na unidade da Igreja. Esta não é limitada por nenhuma divisão política, mas supera todas as sociedades políticas na universal unidade dos homens e na unidade dos homens com Deus.

1   Leia mais: http://www.mundodosfilosofos.com.br/agostinho.htm#ixzz3jBNrAm5e


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A Palavra de Deus na Bíblia (13): Interpretação e tradução da Bíblia

11/09/2015 16:32 - Atualizado em 11/09/2015 16:32

15. A obra exegética de Santo Agostinho

Santo Agostinho (354-430) foi um filósofo, escritor, bispo e teólogo cristão africano, responsável pela elaboração do pensamento cristão. Deixou uma obra literária gigantesca: 113 trabalhos, 224 cartas e mais 500 sermões.

Aurélio Agostinho destaca-se entre os padres como Tomás de Aquino se destaca entre os escolásticos. E como Tomás de Aquino se inspira na filosofia de Aristóteles, e será o maior vulto da filosofia metafísica cristã, Agostinho inspira-se em Platão, ou melhor, no neoplatonismo. Agostinho, pela profundidade do seu sentir e pelo seu gênio compreensivo, fundiu em si mesmo o caráter especulativo da patrística grega com o caráter prático da patrística latina, ainda que os problemas que fundamentalmente o preocupam sejam sempre os problemas práticos e morais: o mal, a liberdade, a graça, a predestinação .

15.1. Biografia

Santo Agostinho nasceu em Tagate, pequena cidade da Numídia, atual Argélia, na África. Foi educado em Cartago, grande centro de paganismo e a maior cidade do Ocidente latino, depois de Roma. De volta à cidade natal abre uma escola particular, onde ensinou gramática e retórica durante 13 anos.

De espírito crítico e inquieto, abandonou o cristianismo e adotou o maniqueísmo, pretendendo seguir a força única da razão. Durante 12 anos foi seguidor de Mani, profeta persa que pregava uma doutrina na qual se misturava Evangelho, ocultismo e astrologia.

Em 386, sob a influência de Ambrósio, bispo de Milão, Agostinho é convertido ao cristianismo. O resultado de sua conversão é o livro “Confissões”, onde revela os recantos de sua alma e os caminhos da fé em meio às angústias do mundo. Outra obra de grande destaque é “Cidade de Deus”, onde discute a questão da metafísica do pecado original contido na Bíblia.

Durante 40 anos, desde que reencontrou a fé, Agostinho teve sua vida sobrecarregada. Primeiro constrói seu mosteiro. Torna-se depois sacerdote e bispo, encarregado inclusive de distribuir justiça em nome do império. É dele a frase: “Compreender para crer, crer para compreender”.

Santo Agostinho faleceu em Hipona, província romana na África, no dia 28 de agosto de 430. Foi canonizado por aclamação popular e reconhecido como Doutor da Igreja, em 1292, pelo papa Bonifácio VIII.

Agostinho foi profundamente impressionado pelo problema do mal – de que dá uma vasta e viva fenomenologia. Foi também longamente desviado pela solução dualista dos maniqueus, que lhe impediu o conhecimento do justo conceito de Deus e da possibilidade da vida moral. A solução deste problema por ele achada foi a sua libertação e a sua grande descoberta filosófico-teológica, e marca uma diferença fundamental entre o pensamento grego e o pensamento cristão.

Antes de tudo, nega a realidade metafísica do mal. O mal não é ser, mas privação de ser, como a obscuridade é ausência de luz. Tal privação é imprescindível em todo ser que não seja Deus, enquanto criado, limitado. Destarte é explicado o assim chamado mal metafísico, que não é verdadeiro mal, porquanto não tira aos seres o lhes é devido por natureza. Quanto ao mal físico, que atinge também a perfeição natural dos seres, Agostinho procura justificá-lo mediante um velho argumento, digamos, assim, estético: o contraste dos seres contribuiria para a harmonia do conjunto. Mas é esta a parte menos afortunada da doutrina agostiniana do mal.

O mal moral entrou no mundo humano pelo pecado original e atual; por isso, a humanidade foi punida com o sofrimento, físico e moral, além de o ter sido com a perda dos dons gratuitos de Deus. Como se vê, o mal físico tem, deste modo, uma outra explicação mais profunda. Remediou este mal moral a redenção de Cristo, Homem-Deus, que restituiu à humanidade os dons sobrenaturais e a possibilidade do bem moral; mas deixou permanecer o sofrimento, consequência do pecado, como meio de purificação e expiação.

Resumindo a doutrina agostiniana a respeito do mal, diremos: o mal é, fundamentalmente, privação de bem (de ser); este bem pode ser não devido (mal metafísico) ou devido (mal físico e moral) a uma determinada natureza; se o bem é devido nasce o verdadeiro problema do mal; a solução deste problema é estética para o mal físico, moral (pecado original e Redenção) para o mal moral (e físico).

15.2. A história

Como é notório, Agostinho trata do problema da história na Cidade de Deus, e resolve-o ainda com os conceitos de criação, de pecado original e de redenção. A Cidade de Deus representa, talvez, o maior monumento da antiguidade cristã e, certamente, a obra prima de Agostinho. Agostinho distingue em três grandes seções a história antes de Cristo.

A primeira concerne à história das duas cidades, após o pecado original, até que ficaram confundidas em um único caos humano, e chega até a Abraão, época em que começou a separação.

Na segunda descreve Agostinho a história da Cidade de Deus, recolhida e configurada em Israel, de Abraão até Cristo.

A terceira retoma, em separado, a narrativa do ponto em que começa a história da Cidade de Deus separada, isto é, desde Abraão, para tratar paralela e separadamente da Cidade do Mundo, que culmina no império romano. Esta história, pois, fragmentária e dividida, onde parece que Satanás e o mal têm o seu reino, representa, no fundo, uma unidade e um progresso.

Depois de Cristo cessa a divisão política entre as duas cidades; elas se confundem como nos primeiros tempos da humanidade, com a diferença, porém, de que já não é mais união caótica, mas configurada na unidade da Igreja. Esta não é limitada por nenhuma divisão política, mas supera todas as sociedades políticas na universal unidade dos homens e na unidade dos homens com Deus.

1   Leia mais: http://www.mundodosfilosofos.com.br/agostinho.htm#ixzz3jBNrAm5e


Padre Pedro Paulo Alves dos Santos
Autor

Padre Pedro Paulo Alves dos Santos

Doutor em Teologia Bíblica