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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 29/03/2017

29 de Março de 2017

A Palavra de Deus na Bíblia (12): Interpretação e tradução da Bíblia

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29 de Março de 2017

A Palavra de Deus na Bíblia (12): Interpretação e tradução da Bíblia

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07/09/2015 12:16 - Atualizado em 07/09/2015 12:16

A Palavra de Deus na Bíblia (12): Interpretação e tradução da Bíblia 0

07/09/2015 12:16 - Atualizado em 07/09/2015 12:16

13. Jerônimo, tradutor da Bíblia: A Vulgata Latina

Para a história da exegese do NT, a chamada “Vulgata” (assim denominada desde o século 16), realizada por São Jerônimo no século 4, e que a partir da época Carolíngea tornou-se a versão ‘divulgada’e oficial da Igreja Latina, ocupa um lugar de destaque.

Sua natureza não só responde à já citada insatisfação pela vitiosissima varietas criada pelas inumeráveis versões e fontes da Vetus Latina, mas, sobretudo, por aquilo que todos os estudiosos classificam como hebraica veritas, unida ao crescente apreço ao texto grego alexandrino e aos manuscritos uniciais gregos do século 4.

No entanto, o cristão São Jerônimo, enquanto exegeta do NT, toma a sério a revisão dos evangelhos, garantindo, a partir das mais atendíveis versões latinas e graças à escolha dos melhores manuscritos e versões, tanto gregas como siríacas, a ‘tradução’ latina dos evangelhos que respeitasse o espírito dos hagiógrafos como também fosse conforme a longa tradição da Igreja Oriental.

14. Jerônimo e Agostinho

Houve um princípio de polêmica entre os dois grandes doutores da Igreja, Santo Agostinho e São Jerônimo.

Tudo, porém, foi explicado: tratava-se de um mal-entendido entre esses dois luminares do cristianismo. Tudo foi explicado, as coisas se puseram em seu devido lugar e uma amizade que nunca havia se rompido continuou cheia de respeito. Eles continuaram unidos até a morte, melhor seria dizer até no céu.

São Jerônimo dizia que Santo Agostinho era “seu filho em idade, e seu pai em dignidade”, uma vez que era bispo. Por seu lado, o bispo de Hipona escreveu-lhe: “Li dois escritos vossos que me caíram nas mãos, e achei-os tão ricos e plenos que não quereria, para aproveitar em meus estudos, senão poder estar sempre a vosso lado”. (7 - Edelvives, El Santo de Cada Día, Editorial Luis Vives, S.A., Saragoça, 1955, tomo V, p. 307.)

Em sua obra, M. Simonetti apresenta esses dois mestres da latinidade exegética como simultaneamente coincidentes e discordantes: (...) Mesmo sendo quase contemporâneos, Jerônimo e Agostinho, eles devem ser considerados representantes de dois distintos momentos da história da cultura e da literatura cristã1.

Era notória a discordância entre ambos sobre o valor da versão grega do Antigo Testamento (LXX), que para Santo Agostinho era, de certa maneira, ‘inspirada’, enquanto para São Jerônimo trata-se de trazer ao latim a verdade hebraica, o mais original.

Resumindo, deve afirmar que a Tradição Exegética Latina, desde Tertuliano até a obra de São Jerônimo, coloca-se em continuidade com aquela advinda do cristianismo oriental; baseada nos métodos da exegese das escolas de Alexandria e Antioquia, isto é, ora mais alegórico-tipológico, ora mais literal e histórico-judaizante.

De modo geral, os tratados, homilias e comentários bíblicos latinos vão considerar o Novo Testamento como realização da “profecia” e, ao mesmo tempo, ponto de vista do qual se pode ler profundamente o Antigo Testamento.

Depois, passaremos aos aspectos característicos da hermenêutica neotestamentária agostiniana, nas suas relações viscerais com a imensa obra de outros mestres latinos.

Nota

Para a história da exegese do NT, a chamada “Vulgata” (assim denominada desde o século XVI), realizada por São Jerônimo no século 4, e que a partir da época Carolíngea tornou-se a versão ‘divulgada’e oficial da Igreja Latina, ocupa um lugar de destaque. 

Referência:

1 Cfr. M. Simonetti, Agostino, in Letteratura cristiana antica. Testi originali a fronte, vol. 3, Piemme, Roma, 1996, 21.



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A Palavra de Deus na Bíblia (12): Interpretação e tradução da Bíblia

07/09/2015 12:16 - Atualizado em 07/09/2015 12:16

13. Jerônimo, tradutor da Bíblia: A Vulgata Latina

Para a história da exegese do NT, a chamada “Vulgata” (assim denominada desde o século 16), realizada por São Jerônimo no século 4, e que a partir da época Carolíngea tornou-se a versão ‘divulgada’e oficial da Igreja Latina, ocupa um lugar de destaque.

Sua natureza não só responde à já citada insatisfação pela vitiosissima varietas criada pelas inumeráveis versões e fontes da Vetus Latina, mas, sobretudo, por aquilo que todos os estudiosos classificam como hebraica veritas, unida ao crescente apreço ao texto grego alexandrino e aos manuscritos uniciais gregos do século 4.

No entanto, o cristão São Jerônimo, enquanto exegeta do NT, toma a sério a revisão dos evangelhos, garantindo, a partir das mais atendíveis versões latinas e graças à escolha dos melhores manuscritos e versões, tanto gregas como siríacas, a ‘tradução’ latina dos evangelhos que respeitasse o espírito dos hagiógrafos como também fosse conforme a longa tradição da Igreja Oriental.

14. Jerônimo e Agostinho

Houve um princípio de polêmica entre os dois grandes doutores da Igreja, Santo Agostinho e São Jerônimo.

Tudo, porém, foi explicado: tratava-se de um mal-entendido entre esses dois luminares do cristianismo. Tudo foi explicado, as coisas se puseram em seu devido lugar e uma amizade que nunca havia se rompido continuou cheia de respeito. Eles continuaram unidos até a morte, melhor seria dizer até no céu.

São Jerônimo dizia que Santo Agostinho era “seu filho em idade, e seu pai em dignidade”, uma vez que era bispo. Por seu lado, o bispo de Hipona escreveu-lhe: “Li dois escritos vossos que me caíram nas mãos, e achei-os tão ricos e plenos que não quereria, para aproveitar em meus estudos, senão poder estar sempre a vosso lado”. (7 - Edelvives, El Santo de Cada Día, Editorial Luis Vives, S.A., Saragoça, 1955, tomo V, p. 307.)

Em sua obra, M. Simonetti apresenta esses dois mestres da latinidade exegética como simultaneamente coincidentes e discordantes: (...) Mesmo sendo quase contemporâneos, Jerônimo e Agostinho, eles devem ser considerados representantes de dois distintos momentos da história da cultura e da literatura cristã1.

Era notória a discordância entre ambos sobre o valor da versão grega do Antigo Testamento (LXX), que para Santo Agostinho era, de certa maneira, ‘inspirada’, enquanto para São Jerônimo trata-se de trazer ao latim a verdade hebraica, o mais original.

Resumindo, deve afirmar que a Tradição Exegética Latina, desde Tertuliano até a obra de São Jerônimo, coloca-se em continuidade com aquela advinda do cristianismo oriental; baseada nos métodos da exegese das escolas de Alexandria e Antioquia, isto é, ora mais alegórico-tipológico, ora mais literal e histórico-judaizante.

De modo geral, os tratados, homilias e comentários bíblicos latinos vão considerar o Novo Testamento como realização da “profecia” e, ao mesmo tempo, ponto de vista do qual se pode ler profundamente o Antigo Testamento.

Depois, passaremos aos aspectos característicos da hermenêutica neotestamentária agostiniana, nas suas relações viscerais com a imensa obra de outros mestres latinos.

Nota

Para a história da exegese do NT, a chamada “Vulgata” (assim denominada desde o século XVI), realizada por São Jerônimo no século 4, e que a partir da época Carolíngea tornou-se a versão ‘divulgada’e oficial da Igreja Latina, ocupa um lugar de destaque. 

Referência:

1 Cfr. M. Simonetti, Agostino, in Letteratura cristiana antica. Testi originali a fronte, vol. 3, Piemme, Roma, 1996, 21.



Padre Pedro Paulo Alves dos Santos
Autor

Padre Pedro Paulo Alves dos Santos

Doutor em Teologia Bíblica