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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 25/05/2017

25 de Maio de 2017

A sacramentalidade da Palavra

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A sacramentalidade da Palavra

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05/09/2015 18:24 - Atualizado em 05/09/2015 18:25

A sacramentalidade da Palavra 0

05/09/2015 18:24 - Atualizado em 05/09/2015 18:25

A Igreja crê que o próprio Deus fala com o seu povo por meio da proclamação do texto bíblico, na celebração da liturgia. A “Sacrosanctum Concilum”, 5 afirma que “é Cristo quem fala quando se lê a Escritura na Igreja”. O mistério da pregação do Reino de Deus, realizado por Jesus, se atualiza na celebração da Liturgia da Palavra. Nela, a assembleia litúrgica é chamada a escutar e a responder à voz do Senhor Ressuscitado. O magistério eclesial declarou isso de forma categórica na Exortação pós-sinodal “Verbum Domini”, 52: “A liturgia constitui, efetivamente, o âmbito privilegiado onde Deus nos fala no momento presente da nossa vida: fala hoje ao seu povo que escuta e responde”.

No Primeiro Testamento, a Palavra de Deus (dabar) foi o instrumento pelo qual todas as coisas foram criadas e, depois, o direcionamento divino dado ao povo da Aliança. A Palavra gerava sempre um acontecimento novo no meio do povo de Israel. Quando Deus falava, se realizava um evento da história da salvação. Desde a criação até a pregação de João Batista, a Palavra de Deus foi dirigida para conduzir o povo e a história ao seu ponto culminante: o momento em que a Palavra de Deus se faria carne.

No texto do Novo Testamento, não se encontra a expressão “a Palavra de Deus foi dirigida a Jesus” como se acha no Antigo em relação aos profetas. A Igreja primitiva acreditava que Jesus Cristo era a Palavra de Deus encarnada e, assim, nos deixou vários testemunhos dessa realidade: em Jo 1,14, se encontra: “e o Verbo se fez carne e habitou entre nós” e, em Ap 19,13, “o nome com que é chamado é Verbo de Deus”. A Igreja nascente, ainda, nos deixou a experiência da escuta da voz do Ressuscitado: em Hb 3,7-13, o autor exorta aos cristãos a ouvirem a Palavra do Senhor no “hoje” e, em Ap 2 – 3, também, se diz que Cristo fala às Igrejas, na força do Espírito Santo. A Palavra-acontecimento do Primeiro Testamento se realiza plenamente na Palavra encarnada do Segundo.

O Cristo Senhor, assim como na Igreja primitiva, continua a falar com os seus discípulos. O seu ministério de pregador da Palavra continua se manifestando na Igreja em favor dos homens. O Espírito Santo tem a missão de recordar à comunidade eclesial tudo o que Cristo ensinou e de ensiná-la todas as coisas (cf. Jo 14,26). Toda a vez que a Igreja se reúne em assembleia litúrgica e proclama a Palavra de Deus, o próprio Senhor fala aos seus discípulos. Os eventos passados do ministério de Jesus, escritos no Bíblia pela inspiração do Espírito, se tornam um sacramental: composto de um sinal visível – a materialidade do texto – e de uma realidade comunicada invisível – a revelação da identidade e da vontade divina. Semelhante ao que ocorre nos sacramentos, a Liturgia da Palavra é, por sua vez, a celebração do mistério de Cristo.

São Jerônimo, doutor da Igreja, escreveu: “Lemos as Sagradas Escrituras. Eu penso que o Evangelho é o Corpo de Cristo; penso que as santas Escrituras são o seu ensinamento. E quando Ele fala em “comer a minha carne e beber o meu sangue”, embora estas palavras se possam entender do Mistério Eucarístico, todavia também a palavra da Escritura, o ensinamento de Deus, é verdadeiramente o corpo de Cristo e o seu sangue. Quando vamos receber o Mistério Eucarístico, se cair uma migalha sentimo-nos perdidos. E, quando estamos a escutar a Palavra de Deus e nos é derramada nos ouvidos a Palavra de Deus que é carne de Cristo e seu sangue, se nos distrairmos com outra coisa, não incorremos em grande perigo?”.

Atualmente, a Igreja tem um enorme apreço pela animação bíblica da pastoral. Para que ela aconteça satisfatoriamente, urge introduzir os fiéis no mistério sacramental da Palavra de Deus. Na assembleia eucarística dominical e ferial, nas celebrações dos demais sacramentos e na oração da liturgia das horas, a Palavra de Deus, proclamada e rezada, é um verdadeiro sacramental que possibilita os discípulos escutarem a voz de seu Mestre. Com o favorecimento dessa escuta privilegiada – a litúrgica, a Igreja de hoje continua prolongando o ministério da Palavra do próprio Cristo.

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A sacramentalidade da Palavra

05/09/2015 18:24 - Atualizado em 05/09/2015 18:25

A Igreja crê que o próprio Deus fala com o seu povo por meio da proclamação do texto bíblico, na celebração da liturgia. A “Sacrosanctum Concilum”, 5 afirma que “é Cristo quem fala quando se lê a Escritura na Igreja”. O mistério da pregação do Reino de Deus, realizado por Jesus, se atualiza na celebração da Liturgia da Palavra. Nela, a assembleia litúrgica é chamada a escutar e a responder à voz do Senhor Ressuscitado. O magistério eclesial declarou isso de forma categórica na Exortação pós-sinodal “Verbum Domini”, 52: “A liturgia constitui, efetivamente, o âmbito privilegiado onde Deus nos fala no momento presente da nossa vida: fala hoje ao seu povo que escuta e responde”.

No Primeiro Testamento, a Palavra de Deus (dabar) foi o instrumento pelo qual todas as coisas foram criadas e, depois, o direcionamento divino dado ao povo da Aliança. A Palavra gerava sempre um acontecimento novo no meio do povo de Israel. Quando Deus falava, se realizava um evento da história da salvação. Desde a criação até a pregação de João Batista, a Palavra de Deus foi dirigida para conduzir o povo e a história ao seu ponto culminante: o momento em que a Palavra de Deus se faria carne.

No texto do Novo Testamento, não se encontra a expressão “a Palavra de Deus foi dirigida a Jesus” como se acha no Antigo em relação aos profetas. A Igreja primitiva acreditava que Jesus Cristo era a Palavra de Deus encarnada e, assim, nos deixou vários testemunhos dessa realidade: em Jo 1,14, se encontra: “e o Verbo se fez carne e habitou entre nós” e, em Ap 19,13, “o nome com que é chamado é Verbo de Deus”. A Igreja nascente, ainda, nos deixou a experiência da escuta da voz do Ressuscitado: em Hb 3,7-13, o autor exorta aos cristãos a ouvirem a Palavra do Senhor no “hoje” e, em Ap 2 – 3, também, se diz que Cristo fala às Igrejas, na força do Espírito Santo. A Palavra-acontecimento do Primeiro Testamento se realiza plenamente na Palavra encarnada do Segundo.

O Cristo Senhor, assim como na Igreja primitiva, continua a falar com os seus discípulos. O seu ministério de pregador da Palavra continua se manifestando na Igreja em favor dos homens. O Espírito Santo tem a missão de recordar à comunidade eclesial tudo o que Cristo ensinou e de ensiná-la todas as coisas (cf. Jo 14,26). Toda a vez que a Igreja se reúne em assembleia litúrgica e proclama a Palavra de Deus, o próprio Senhor fala aos seus discípulos. Os eventos passados do ministério de Jesus, escritos no Bíblia pela inspiração do Espírito, se tornam um sacramental: composto de um sinal visível – a materialidade do texto – e de uma realidade comunicada invisível – a revelação da identidade e da vontade divina. Semelhante ao que ocorre nos sacramentos, a Liturgia da Palavra é, por sua vez, a celebração do mistério de Cristo.

São Jerônimo, doutor da Igreja, escreveu: “Lemos as Sagradas Escrituras. Eu penso que o Evangelho é o Corpo de Cristo; penso que as santas Escrituras são o seu ensinamento. E quando Ele fala em “comer a minha carne e beber o meu sangue”, embora estas palavras se possam entender do Mistério Eucarístico, todavia também a palavra da Escritura, o ensinamento de Deus, é verdadeiramente o corpo de Cristo e o seu sangue. Quando vamos receber o Mistério Eucarístico, se cair uma migalha sentimo-nos perdidos. E, quando estamos a escutar a Palavra de Deus e nos é derramada nos ouvidos a Palavra de Deus que é carne de Cristo e seu sangue, se nos distrairmos com outra coisa, não incorremos em grande perigo?”.

Atualmente, a Igreja tem um enorme apreço pela animação bíblica da pastoral. Para que ela aconteça satisfatoriamente, urge introduzir os fiéis no mistério sacramental da Palavra de Deus. Na assembleia eucarística dominical e ferial, nas celebrações dos demais sacramentos e na oração da liturgia das horas, a Palavra de Deus, proclamada e rezada, é um verdadeiro sacramental que possibilita os discípulos escutarem a voz de seu Mestre. Com o favorecimento dessa escuta privilegiada – a litúrgica, a Igreja de hoje continua prolongando o ministério da Palavra do próprio Cristo.

Padre Vitor Gino Finelon
Autor

Padre Vitor Gino Finelon

Professor das Escolas de Fé e Catequese Mater Ecclesiae e Luz e Vida