Arquidiocese do Rio de Janeiro

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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 28/03/2017

28 de Março de 2017

A Palavra e a Escritura

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A Palavra e a Escritura

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30/08/2015 00:00 - Atualizado em 31/08/2015 17:04

A Palavra e a Escritura 0

30/08/2015 00:00 - Atualizado em 31/08/2015 17:04

A Igreja possui uma especial veneração pela Escritura Sagrada, porque ela alimenta, fortalece e guia a vida dos cristãos (CIC 141). Através dos textos bíblicos, sob a moção do Espírito Santo, se faz ouvir a própria voz de Deus falando ao seu povo. Esta experiência perpassa toda a história da salvação e nós somos chamados, também, a viver uma espiritualidade fortemente marcada pela escuta, meditação, oração e contemplação da Palavra. Os cristãos precisam ser alimentados, fortalecidos e guiados pela voz de Deus que se faz escutar na leitura da Bíblia.

Na primeira Aliança, as Sagradas Letras possuíam lugar central na espiritualidade do povo eleito. Na boca de Moisés, podemos encontrar a seguinte exclamação: “o homem não vive apenas de pão, mas que o homem vive de tudo aquilo que procede da boca do Senhor” (Dt 8,3). Na pregação profética, incessantemente, os oráculos apresentam uma exortação a respeito da fidelidade à Lei do Senhor: “Escutai as palavras desta Aliança e praticai-as. Porque adverti constantemente os vossos pais no dia em que os fiz subir da terra do Egito, e até hoje, os adverti dizendo: ‘Obedecei-me!’ ” (Jr 11,6-7). Na assembleia cultual de Israel se pedia: “Faze-me entender e guardar a tua lei, para observá-la de todo coração” (Sl 119, 34). A “Lei e os Profetas” era o centro da vida para o povo da primeira Aliança.

Em Jesus, a compreensão da necessidade da Palavra de Deus ganha novas proporções. O Senhor, primeiramente, ratifica a necessidade de viver da Palavra quando proclama: “Não só de pão vive o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus” (Mt 4,4). Depois, Ele dá um passo além, revelando sua identidade de servo obediente da vontade de Deus: “Não penseis que vim revogar a Lei ou os Profetas. Não vim revogá-los, mas dar-lhes pleno cumprimento” (Mt 5,17). E, ainda, quando legisla sobre os preceitos da lei: “Ouvistes o que foi dito aos antigos (...) eu, porém, vos digo...” (Mt 5,21-22; 27-28; 31-32; 33-34; 38-39; 43-44; ). Por fim, Ele é o evangelizador ungido e enviado pelo Pai: “O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me consagrou pela unção para evangelizar os pobres” (Lc 4,18). Não é possível dissociar a vida e o ministério de Jesus da Escritura do antigo Israel.

A grei do Senhor, por sua vez, fruto do relacionamento de Cristo com a Palavra do Pai (“O Senhor Jesus iniciou sua Igreja pregando a Boa-Nova” escreve a “Lumen Gentium” 5), confessa, desde o primeiro século, que “Jesus é a Palavra do Pai” (Jo 1,1.14). Nas epístolas de São Paulo, encontramos o testemunho do valor da Escritura para o cristão: “Desde a infância conheces as Sagradas Letras, elas têm o poder de comunicar-te a sabedoria que conduz à salvação pela fé em Cristo” (2Tm 3,15). Na teologia de João, “o que guarda a Palavra, nesse, verdadeiramente, o amor de Deus está realizado! Nisto reconhecemos que estamos nele” (1Jo 2,5). Ainda no Novo Testamento, São Tiago adverte: “Tornai-vos praticantes da Palavra, e não simples ouvintes, enganando-se a si mesmos!” (Tg 1,22). Para a comunidade apostólica, a Palavra de Deus é fonte da vida cristã.

Transbordando das páginas bíblicas e em consonância com elas, a espiritualidade cristã tem seu fundamento na Escritura Sagrada. Santo Ambrósio de Milão ensinava: “A Palavra de Deus é a substância vital da nossa alma; ela alimenta, apascenta e governa; não existe outra coisa que possa fazer com que a alma do homem viva, a não ser a Palavra de Deus”. Já Santo Agostinho escrevia: “Quando lês as Escrituras, é Deus quem te fala, Quando rezas, é tu quem falas a Deus”. Santa Teresinha do Menino Jesus também aconselha a sua leitura: “É acima de tudo o Evangelho que me ocupa durante minhas orações, nele encontro tudo o que é necessário”.

Assim, em todas as fases da História da Salvação, a Escritura Sagrada é reconhecida como o lugar para se ouvir a Palavra de Deus. Embora o cristianismo não seja uma “Religião do Livro”, ele é uma fé sacramental, na qual, através da materialidade das letras, o Cristo Vivo, pela virtude do Espírito Santo, revela, hoje, a vontade salvífica de seu Pai aos fiéis. Por isso, urge a Igreja se tornar “mestra da escuta”, ensinando seus filhos a lerem as Santas Escrituras e a viverem da Palavra de Deus (VD 51).

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A Palavra e a Escritura

30/08/2015 00:00 - Atualizado em 31/08/2015 17:04

A Igreja possui uma especial veneração pela Escritura Sagrada, porque ela alimenta, fortalece e guia a vida dos cristãos (CIC 141). Através dos textos bíblicos, sob a moção do Espírito Santo, se faz ouvir a própria voz de Deus falando ao seu povo. Esta experiência perpassa toda a história da salvação e nós somos chamados, também, a viver uma espiritualidade fortemente marcada pela escuta, meditação, oração e contemplação da Palavra. Os cristãos precisam ser alimentados, fortalecidos e guiados pela voz de Deus que se faz escutar na leitura da Bíblia.

Na primeira Aliança, as Sagradas Letras possuíam lugar central na espiritualidade do povo eleito. Na boca de Moisés, podemos encontrar a seguinte exclamação: “o homem não vive apenas de pão, mas que o homem vive de tudo aquilo que procede da boca do Senhor” (Dt 8,3). Na pregação profética, incessantemente, os oráculos apresentam uma exortação a respeito da fidelidade à Lei do Senhor: “Escutai as palavras desta Aliança e praticai-as. Porque adverti constantemente os vossos pais no dia em que os fiz subir da terra do Egito, e até hoje, os adverti dizendo: ‘Obedecei-me!’ ” (Jr 11,6-7). Na assembleia cultual de Israel se pedia: “Faze-me entender e guardar a tua lei, para observá-la de todo coração” (Sl 119, 34). A “Lei e os Profetas” era o centro da vida para o povo da primeira Aliança.

Em Jesus, a compreensão da necessidade da Palavra de Deus ganha novas proporções. O Senhor, primeiramente, ratifica a necessidade de viver da Palavra quando proclama: “Não só de pão vive o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus” (Mt 4,4). Depois, Ele dá um passo além, revelando sua identidade de servo obediente da vontade de Deus: “Não penseis que vim revogar a Lei ou os Profetas. Não vim revogá-los, mas dar-lhes pleno cumprimento” (Mt 5,17). E, ainda, quando legisla sobre os preceitos da lei: “Ouvistes o que foi dito aos antigos (...) eu, porém, vos digo...” (Mt 5,21-22; 27-28; 31-32; 33-34; 38-39; 43-44; ). Por fim, Ele é o evangelizador ungido e enviado pelo Pai: “O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me consagrou pela unção para evangelizar os pobres” (Lc 4,18). Não é possível dissociar a vida e o ministério de Jesus da Escritura do antigo Israel.

A grei do Senhor, por sua vez, fruto do relacionamento de Cristo com a Palavra do Pai (“O Senhor Jesus iniciou sua Igreja pregando a Boa-Nova” escreve a “Lumen Gentium” 5), confessa, desde o primeiro século, que “Jesus é a Palavra do Pai” (Jo 1,1.14). Nas epístolas de São Paulo, encontramos o testemunho do valor da Escritura para o cristão: “Desde a infância conheces as Sagradas Letras, elas têm o poder de comunicar-te a sabedoria que conduz à salvação pela fé em Cristo” (2Tm 3,15). Na teologia de João, “o que guarda a Palavra, nesse, verdadeiramente, o amor de Deus está realizado! Nisto reconhecemos que estamos nele” (1Jo 2,5). Ainda no Novo Testamento, São Tiago adverte: “Tornai-vos praticantes da Palavra, e não simples ouvintes, enganando-se a si mesmos!” (Tg 1,22). Para a comunidade apostólica, a Palavra de Deus é fonte da vida cristã.

Transbordando das páginas bíblicas e em consonância com elas, a espiritualidade cristã tem seu fundamento na Escritura Sagrada. Santo Ambrósio de Milão ensinava: “A Palavra de Deus é a substância vital da nossa alma; ela alimenta, apascenta e governa; não existe outra coisa que possa fazer com que a alma do homem viva, a não ser a Palavra de Deus”. Já Santo Agostinho escrevia: “Quando lês as Escrituras, é Deus quem te fala, Quando rezas, é tu quem falas a Deus”. Santa Teresinha do Menino Jesus também aconselha a sua leitura: “É acima de tudo o Evangelho que me ocupa durante minhas orações, nele encontro tudo o que é necessário”.

Assim, em todas as fases da História da Salvação, a Escritura Sagrada é reconhecida como o lugar para se ouvir a Palavra de Deus. Embora o cristianismo não seja uma “Religião do Livro”, ele é uma fé sacramental, na qual, através da materialidade das letras, o Cristo Vivo, pela virtude do Espírito Santo, revela, hoje, a vontade salvífica de seu Pai aos fiéis. Por isso, urge a Igreja se tornar “mestra da escuta”, ensinando seus filhos a lerem as Santas Escrituras e a viverem da Palavra de Deus (VD 51).

Padre Vitor Gino Finelon
Autor

Padre Vitor Gino Finelon

Professor das Escolas de Fé e Catequese Mater Ecclesiae e Luz e Vida