Arquidiocese do Rio de Janeiro

33º 18º

Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 23/05/2019

23 de Maio de 2019

Romaria da Esperança

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26/08/2015 00:00 - Atualizado em 27/08/2015 18:49

Romaria da Esperança 0

26/08/2015 00:00 - Atualizado em 27/08/2015 18:49

Dias atrás escutei mais uma vez experiências de peregrinações a Santiago de Compostela. Desta vez era de um sacerdote contando quanto bem lhe fez. Histórias de peregrinações são muitas. Também temos muitas em nossas terras. Aqui as experiências das romarias à Aparecida marcam nossa história nacional. A nossa arquidiocese se prepara para mais uma vez tomar o caminho de Aparecida, como acontece anualmente sempre no último sábado do mês de agosto. Como estamos no Ano da Esperança e iniciamos o gesto concreto da missão, faremos dessa romaria o nosso compromisso de missionários da esperança. Levaremos conosco a imagem peregrina da Senhora Aparecida que, em vista da preparação do tricentenário do seu encontro nas águas do Rio Paraíba, nos foi entregue para peregrinar em nossa Arquidiocese. Ela abriu e incentivou os nossos trabalhos missionários.

A história da Igreja, no Oriente como no Ocidente, registra muitas dessas procissões e peregrinações de agradecimento a Cristo e à sua Mãe por vitórias ganhas ou calamidades afastadas. Registra, também, procissões penitenciais para implorar a misericórdia de Deus, a fim de que envie chuva, depois de longa seca, para livrar de uma epidemia, alastrando-se e fazendo vítimas. Ultimamente muitas são as procissões penitenciais pedindo a paz para as grandes cidades. De outro modo, há as peregrinações anuais, como a que estaremos fazendo neste próximo final de semana para Aparecida: uma tradição antiga de nossa arquidiocese, e, neste ano, levando de volta ao Santuário Nacional a Imagem Peregrina da Padroeira do Brasil.

A origem das peregrinações cristãs remonta aos primeiros séculos da era cristã, que era muito comum ver os cristãos reunidos, ainda no tempo da perseguição, para levar em procissão o corpo dos mártires até o lugar de seu sepulcro. Assim é descrito nas Atas dos martírios de São Cipriano e de outros mais. 

Logo os fiéis começaram a freqüentar, em peregrinação, os lugares santos: Belém, Jerusalém etc. (existem testemunhos explícitos já no século III) e também iam de diversas partes para visitar, em Roma, os sepulcros de São Pedro e São Paulo e os cemitérios dos mártires, na Ásia Menor, na Santa Terra, em Nola.

Na Quinta Conferência Geral do Episcopado Latino-americano e caribenho, ao falar da piedade popular assim se refere o “documento de Aparecida”: “Destacamos as peregrinações onde é possível reconhecer o Povo de Deus a caminho. Aí o cristão celebra a alegria de se sentir imerso em meio a tantos irmãos, caminhando juntos para Deus que os espera. O próprio Cristo se faz peregrino e caminha ressuscitado entre os pobres. A decisão de caminhar em direção ao santuário já é uma confissão de fé, o caminhar é um verdadeiro canto de esperança e a chegada é um encontro de amor. O olhar do peregrino se deposita sobre uma imagem que simboliza a ternura e a proximidade de Deus. O amor se detém, contempla o mistério, desfruta dele em silêncio. Também se comove, derramando todo o peso de sua dor e de seus sonhos. A súplica sincera, que flui confiante, é a melhor expressão de um coração que renunciou à autossuficiência, reconhecendo que sozinho nada pode. Um breve instante condensa uma viva experiência espiritual. (259) Aí, o peregrino vive a experiência de um mistério que o supera, não só da transcendência de Deus, mas também da Igreja, que transcende sua família e seu bairro. Nos santuários, muitos peregrinos tomam decisões que marcam suas vidas. As paredes dos santuários contêm muitas histórias de conversão, de perdão e de dons recebidos, que milhões poderiam contar”. (260)

A primeira grande romaria arquidiocesana de São Sebastião do Rio de Janeiro à Aparecida organizada e comum aconteceu em 1902, motivada pelo nosso primeiro Cardeal, Dom Joaquim Arcoverde, em preparação ao jubileu áureo da proclamação do dogma da Imaculada Conceição, realizado dois anos depois. Foi a partir de 1931, porém, que a peregrinação ganhou maior impulso, após a visita da imagem de Nossa Senhora Aparecida ao Rio de Janeiro, quando proclamada Padroeira do Brasil, isso já no governo do Cardeal Sebastião Leme da Silveira Cintra. Esta peregrinação integra a nossa amada Arquidiocese numa caminhada em comum. É importante por todo o trabalho evangelizador que a Arquidiocese do Rio realiza. O último sábado do mês de agosto, neste ano no dia 29, é a data marcada para a peregrinação da Arquidiocese do Rio de Janeiro ao Santuário Nacional de Aparecida, que atualmente tem reunido mais de 60 mil fiéis.

Qual seria o significado de nossa Romaria a Aparecida? Primeiramente, agradecer a Deus a caminhada pastoral de nossa Arquidiocese desde agosto do ano passado até o presente momento. Em segundo lugar, levarmos a imagem peregrina de Nossa Senhora Aparecida de retorno ao seu Santuário Nacional. Quantos benefícios espirituais esta peregrinação da Mãe aos seus filhos trouxe para as nossas paróquias e comunidades! Deus seja louvado! Em terceiro lugar, em sintonia com o ano arquidiocesano da esperança, Maria nos aponta a esperança cristã. Neste sentido, o Papa Francisco, quando esteve em Aparecida no dia 24 de julho de 2013, assim se expressou em sua significativa homilia, quando convidou todos os peregrinos de ontem a Conservar a esperança: “A segunda leitura da Missa apresenta uma cena dramática: uma mulher – figura de Maria e da Igreja – sendo perseguida por um Dragão – o diabo – que quer lhe devorar o filho. A cena, porém, não é de morte, mas de vida, porque Deus intervém e coloca o filho a salvo (cfr. Ap 12,13a.15-16a). Quantas dificuldades na vida de cada um, no nosso povo, nas nossas comunidades, mas, por maiores que possam parecer, Deus nunca deixa que sejamos submergidos. Frente ao desânimo que poderia aparecer na vida, em quem trabalha na evangelização ou em quem se esforça por viver a fé como pai e mãe de família, quero dizer com força: Tenham sempre no coração esta certeza! Deus caminha a seu lado, nunca lhes deixa desamparados! Nunca percamos a esperança! Nunca deixemos que ela se apague nos nossos corações! O “dragão”, o mal, faz-se presente na nossa história, mas ele não é o mais forte. Deus é o mais forte, e Deus é a nossa esperança! É verdade que hoje, mais ou menos todas as pessoas, e também os nossos jovens, experimentam o fascínio de tantos ídolos que se colocam no lugar de Deus e parecem dar esperança: o dinheiro, o poder, o sucesso, o prazer. Frequentemente, uma sensação de solidão e de vazio entra no coração de muitos e conduz à busca de compensações, destes ídolos passageiros. Sejamos luzeiros de esperança! Tenhamos uma visão positiva sobre a realidade. Encorajemos a generosidade que caracteriza os jovens, acompanhando-lhes no processo de se tornarem protagonistas da construção de um mundo melhor: eles são um motor potente para a Igreja e para a sociedade. Eles não precisam só de coisas, precisam, sobretudo que lhes sejam propostos aqueles valores imateriais, que são o coração espiritual de um povo, a memória de um povo. Nesse Santuário, que faz parte da memória do Brasil, podemos quase que apalpá-los: espiritualidade, generosidade, solidariedade, perseverança, fraternidade, alegria; trata-se de valores que encontram a sua raiz mais profunda na fé cristã”.

O Papa Francisco nos chamou a ser “Luzeiros da esperança”! Ser luz da esperança é o espírito que deve animar nossa peregrinação arquidiocesana à Aparecida.Gostaria de fazer meu convite a todos. Para que possamos, em comunhão arquidiocesana, ir a casa da “Mãe Aparecida”, padroeira do Brasil, para entregar a ela todas as nossas alegrias e fatigas de cada dia. Para mim, de modo muito especial, é sempre bom ir a esse lugar tão querido em nosso país. Que Nossa Senhora Aparecida nos ilumine e nos faça fiéis no caminho do Seu Filho. Sejamos luzeiros da esperança em Aparecida e de lá retornemos com esta bendita luz que irradia do Cristo Redentor!

Ao retornarmos de Aparecida, o nosso compromisso com a missão aumenta ainda mais, e com a certeza de que somos chamados a testemunhar e ser “missionários da esperança” anunciando Jesus Cristo, Nosso Senhor e Salvador permanentemente.

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26/08/2015 00:00 - Atualizado em 27/08/2015 18:49

Dias atrás escutei mais uma vez experiências de peregrinações a Santiago de Compostela. Desta vez era de um sacerdote contando quanto bem lhe fez. Histórias de peregrinações são muitas. Também temos muitas em nossas terras. Aqui as experiências das romarias à Aparecida marcam nossa história nacional. A nossa arquidiocese se prepara para mais uma vez tomar o caminho de Aparecida, como acontece anualmente sempre no último sábado do mês de agosto. Como estamos no Ano da Esperança e iniciamos o gesto concreto da missão, faremos dessa romaria o nosso compromisso de missionários da esperança. Levaremos conosco a imagem peregrina da Senhora Aparecida que, em vista da preparação do tricentenário do seu encontro nas águas do Rio Paraíba, nos foi entregue para peregrinar em nossa Arquidiocese. Ela abriu e incentivou os nossos trabalhos missionários.

A história da Igreja, no Oriente como no Ocidente, registra muitas dessas procissões e peregrinações de agradecimento a Cristo e à sua Mãe por vitórias ganhas ou calamidades afastadas. Registra, também, procissões penitenciais para implorar a misericórdia de Deus, a fim de que envie chuva, depois de longa seca, para livrar de uma epidemia, alastrando-se e fazendo vítimas. Ultimamente muitas são as procissões penitenciais pedindo a paz para as grandes cidades. De outro modo, há as peregrinações anuais, como a que estaremos fazendo neste próximo final de semana para Aparecida: uma tradição antiga de nossa arquidiocese, e, neste ano, levando de volta ao Santuário Nacional a Imagem Peregrina da Padroeira do Brasil.

A origem das peregrinações cristãs remonta aos primeiros séculos da era cristã, que era muito comum ver os cristãos reunidos, ainda no tempo da perseguição, para levar em procissão o corpo dos mártires até o lugar de seu sepulcro. Assim é descrito nas Atas dos martírios de São Cipriano e de outros mais. 

Logo os fiéis começaram a freqüentar, em peregrinação, os lugares santos: Belém, Jerusalém etc. (existem testemunhos explícitos já no século III) e também iam de diversas partes para visitar, em Roma, os sepulcros de São Pedro e São Paulo e os cemitérios dos mártires, na Ásia Menor, na Santa Terra, em Nola.

Na Quinta Conferência Geral do Episcopado Latino-americano e caribenho, ao falar da piedade popular assim se refere o “documento de Aparecida”: “Destacamos as peregrinações onde é possível reconhecer o Povo de Deus a caminho. Aí o cristão celebra a alegria de se sentir imerso em meio a tantos irmãos, caminhando juntos para Deus que os espera. O próprio Cristo se faz peregrino e caminha ressuscitado entre os pobres. A decisão de caminhar em direção ao santuário já é uma confissão de fé, o caminhar é um verdadeiro canto de esperança e a chegada é um encontro de amor. O olhar do peregrino se deposita sobre uma imagem que simboliza a ternura e a proximidade de Deus. O amor se detém, contempla o mistério, desfruta dele em silêncio. Também se comove, derramando todo o peso de sua dor e de seus sonhos. A súplica sincera, que flui confiante, é a melhor expressão de um coração que renunciou à autossuficiência, reconhecendo que sozinho nada pode. Um breve instante condensa uma viva experiência espiritual. (259) Aí, o peregrino vive a experiência de um mistério que o supera, não só da transcendência de Deus, mas também da Igreja, que transcende sua família e seu bairro. Nos santuários, muitos peregrinos tomam decisões que marcam suas vidas. As paredes dos santuários contêm muitas histórias de conversão, de perdão e de dons recebidos, que milhões poderiam contar”. (260)

A primeira grande romaria arquidiocesana de São Sebastião do Rio de Janeiro à Aparecida organizada e comum aconteceu em 1902, motivada pelo nosso primeiro Cardeal, Dom Joaquim Arcoverde, em preparação ao jubileu áureo da proclamação do dogma da Imaculada Conceição, realizado dois anos depois. Foi a partir de 1931, porém, que a peregrinação ganhou maior impulso, após a visita da imagem de Nossa Senhora Aparecida ao Rio de Janeiro, quando proclamada Padroeira do Brasil, isso já no governo do Cardeal Sebastião Leme da Silveira Cintra. Esta peregrinação integra a nossa amada Arquidiocese numa caminhada em comum. É importante por todo o trabalho evangelizador que a Arquidiocese do Rio realiza. O último sábado do mês de agosto, neste ano no dia 29, é a data marcada para a peregrinação da Arquidiocese do Rio de Janeiro ao Santuário Nacional de Aparecida, que atualmente tem reunido mais de 60 mil fiéis.

Qual seria o significado de nossa Romaria a Aparecida? Primeiramente, agradecer a Deus a caminhada pastoral de nossa Arquidiocese desde agosto do ano passado até o presente momento. Em segundo lugar, levarmos a imagem peregrina de Nossa Senhora Aparecida de retorno ao seu Santuário Nacional. Quantos benefícios espirituais esta peregrinação da Mãe aos seus filhos trouxe para as nossas paróquias e comunidades! Deus seja louvado! Em terceiro lugar, em sintonia com o ano arquidiocesano da esperança, Maria nos aponta a esperança cristã. Neste sentido, o Papa Francisco, quando esteve em Aparecida no dia 24 de julho de 2013, assim se expressou em sua significativa homilia, quando convidou todos os peregrinos de ontem a Conservar a esperança: “A segunda leitura da Missa apresenta uma cena dramática: uma mulher – figura de Maria e da Igreja – sendo perseguida por um Dragão – o diabo – que quer lhe devorar o filho. A cena, porém, não é de morte, mas de vida, porque Deus intervém e coloca o filho a salvo (cfr. Ap 12,13a.15-16a). Quantas dificuldades na vida de cada um, no nosso povo, nas nossas comunidades, mas, por maiores que possam parecer, Deus nunca deixa que sejamos submergidos. Frente ao desânimo que poderia aparecer na vida, em quem trabalha na evangelização ou em quem se esforça por viver a fé como pai e mãe de família, quero dizer com força: Tenham sempre no coração esta certeza! Deus caminha a seu lado, nunca lhes deixa desamparados! Nunca percamos a esperança! Nunca deixemos que ela se apague nos nossos corações! O “dragão”, o mal, faz-se presente na nossa história, mas ele não é o mais forte. Deus é o mais forte, e Deus é a nossa esperança! É verdade que hoje, mais ou menos todas as pessoas, e também os nossos jovens, experimentam o fascínio de tantos ídolos que se colocam no lugar de Deus e parecem dar esperança: o dinheiro, o poder, o sucesso, o prazer. Frequentemente, uma sensação de solidão e de vazio entra no coração de muitos e conduz à busca de compensações, destes ídolos passageiros. Sejamos luzeiros de esperança! Tenhamos uma visão positiva sobre a realidade. Encorajemos a generosidade que caracteriza os jovens, acompanhando-lhes no processo de se tornarem protagonistas da construção de um mundo melhor: eles são um motor potente para a Igreja e para a sociedade. Eles não precisam só de coisas, precisam, sobretudo que lhes sejam propostos aqueles valores imateriais, que são o coração espiritual de um povo, a memória de um povo. Nesse Santuário, que faz parte da memória do Brasil, podemos quase que apalpá-los: espiritualidade, generosidade, solidariedade, perseverança, fraternidade, alegria; trata-se de valores que encontram a sua raiz mais profunda na fé cristã”.

O Papa Francisco nos chamou a ser “Luzeiros da esperança”! Ser luz da esperança é o espírito que deve animar nossa peregrinação arquidiocesana à Aparecida.Gostaria de fazer meu convite a todos. Para que possamos, em comunhão arquidiocesana, ir a casa da “Mãe Aparecida”, padroeira do Brasil, para entregar a ela todas as nossas alegrias e fatigas de cada dia. Para mim, de modo muito especial, é sempre bom ir a esse lugar tão querido em nosso país. Que Nossa Senhora Aparecida nos ilumine e nos faça fiéis no caminho do Seu Filho. Sejamos luzeiros da esperança em Aparecida e de lá retornemos com esta bendita luz que irradia do Cristo Redentor!

Ao retornarmos de Aparecida, o nosso compromisso com a missão aumenta ainda mais, e com a certeza de que somos chamados a testemunhar e ser “missionários da esperança” anunciando Jesus Cristo, Nosso Senhor e Salvador permanentemente.

Cardeal Orani João Tempesta
Autor

Cardeal Orani João Tempesta

Arcebispo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro