Arquidiocese do Rio de Janeiro

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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 27/05/2017

27 de Maio de 2017

A Palavra de Deus na Bíblia (10): Interpretação e tradução da Bíblia

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27 de Maio de 2017

A Palavra de Deus na Bíblia (10): Interpretação e tradução da Bíblia

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21/08/2015 14:30 - Atualizado em 21/08/2015 14:30

A Palavra de Deus na Bíblia (10): Interpretação e tradução da Bíblia 0

21/08/2015 14:30 - Atualizado em 21/08/2015 14:30

Meus caros leitores do Portal da Arquidiocese, tudo parece longo e complexo, mas é isso mesmo! Quando nos deparamos com pessoas que da noite para o dia dizem entender a Bíblia e poderem interpretá-la corretamente, não podemos senão desconfiar que se trata de algum engodo.

A história do cristianismo desmente os apressados e charlatões no conhecimento paciente e fiel das Sagradas Escrituras.

Por isso, continuamos nosso trajeto entre os séculos para perceber como é sólido o nosso modo de ler e interpretar a Palavra de Deus!

11. A tradição latina         

Tertuliano e São Cipriano herdam a tipologia anterior, tal qual eles as encontram no Novo Testamento de Justino e Irineu.

Encontramos entre estes as principais figuras de Cristo e da Igreja, desenvolvidas, porém, de modo pessoal e profundo. Eles empregam a palavra ‘figura’ onde encontramos o termo typos, comumente utilizado por Justino.

Em “Adversus Marcionem”, Tertuliano utiliza o termo ‘alegoria’ no mesmo sentido, por causa da exegese paulina desses autores. Em debate, tanto com os pagãos quanto com os judeus, ele utiliza os recursos da exegese sobre a Igreja e sobre o Cristo, advindos da literatura de Justino e até do PseudoBarnabé.

Por isso, Roma e os grandes centros do Norte da África serão os centros que darão origem a esta Cultura Cristã Ocidental e à leitura e hermenêutica latina.

Para o argumento que nos interessa, o início da atividade literária na língua latina, pode ser suposto como a causa da tradução do grego da Sagrada Escritura, ou talvez somente do NT. As diversas formas da Vetus Latina:

O termo Vetus Latina não se refere a uma tradução única e completa da Bíblia, senão que designa o conjunto das traduções anteriores à Vulgata de Jerônimo, esta tradução latina circulante em Cartago desde o ano de 250, sem que se conheça documentação alguma atestando a existência de outras no resto do mundo cristão de expressão latina (TREBOLLE, 1996, p. 417).

De fato, esses textos em língua latina popular difundiam-se à medida que se sedimentava a ideia de um Cristianismo que iria cada vez mais fortemente, como ocorreu, centrar-se em torno da ‘Aeterna Civitas’, substituindo e dando novo suporte à antiga unidade política do Império Romano, que irá se perdendo:

Quando e onde foram feitas as primeiras tentativas de traduzir a Bíblia para o latim, foi algo muito disputado. Na opinião da maioria dos estudiosos de hoje, os evangelhos primeiramente se renderam ao latim no último quartel do segundo século no norte da África, onde Cartago se enamorara da cultura romana. Não muito depois disso, foram feitas traduções na Itália, na Gália e em vários lugares.

De fato, Trebolle cita a insatisfação de Agostinho e com ele todo o Cristianismo culto, diante da permanente e contínua revisão do texto latino, que para considerar a fonte “grega” e os gostos da latinidade popular multiplicava-se ao infinito

Santo Agostinho queixava-se em seu tempo de que, dada a enorme difusão de manuscritos gregos e o conhecimento que do grego tinham muitos cristãos de fala latina, era grande o número dos que se acreditavam autorizados em corrigir o texto latino, até o ponto de que pareciam existir tantas versões quantos códices.

Esta situação conduziu a um tal estado de confusão textual (vitiosissima varietas) que logo tornou-se intolerável (TREBOLLE, 1996, p.418).

Neste contexto, podemos passar ao último e contemporâneo autor, que caracteriza o universo da Exegese Latina: São Jerônimo.

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A Palavra de Deus na Bíblia (10): Interpretação e tradução da Bíblia

21/08/2015 14:30 - Atualizado em 21/08/2015 14:30

Meus caros leitores do Portal da Arquidiocese, tudo parece longo e complexo, mas é isso mesmo! Quando nos deparamos com pessoas que da noite para o dia dizem entender a Bíblia e poderem interpretá-la corretamente, não podemos senão desconfiar que se trata de algum engodo.

A história do cristianismo desmente os apressados e charlatões no conhecimento paciente e fiel das Sagradas Escrituras.

Por isso, continuamos nosso trajeto entre os séculos para perceber como é sólido o nosso modo de ler e interpretar a Palavra de Deus!

11. A tradição latina         

Tertuliano e São Cipriano herdam a tipologia anterior, tal qual eles as encontram no Novo Testamento de Justino e Irineu.

Encontramos entre estes as principais figuras de Cristo e da Igreja, desenvolvidas, porém, de modo pessoal e profundo. Eles empregam a palavra ‘figura’ onde encontramos o termo typos, comumente utilizado por Justino.

Em “Adversus Marcionem”, Tertuliano utiliza o termo ‘alegoria’ no mesmo sentido, por causa da exegese paulina desses autores. Em debate, tanto com os pagãos quanto com os judeus, ele utiliza os recursos da exegese sobre a Igreja e sobre o Cristo, advindos da literatura de Justino e até do PseudoBarnabé.

Por isso, Roma e os grandes centros do Norte da África serão os centros que darão origem a esta Cultura Cristã Ocidental e à leitura e hermenêutica latina.

Para o argumento que nos interessa, o início da atividade literária na língua latina, pode ser suposto como a causa da tradução do grego da Sagrada Escritura, ou talvez somente do NT. As diversas formas da Vetus Latina:

O termo Vetus Latina não se refere a uma tradução única e completa da Bíblia, senão que designa o conjunto das traduções anteriores à Vulgata de Jerônimo, esta tradução latina circulante em Cartago desde o ano de 250, sem que se conheça documentação alguma atestando a existência de outras no resto do mundo cristão de expressão latina (TREBOLLE, 1996, p. 417).

De fato, esses textos em língua latina popular difundiam-se à medida que se sedimentava a ideia de um Cristianismo que iria cada vez mais fortemente, como ocorreu, centrar-se em torno da ‘Aeterna Civitas’, substituindo e dando novo suporte à antiga unidade política do Império Romano, que irá se perdendo:

Quando e onde foram feitas as primeiras tentativas de traduzir a Bíblia para o latim, foi algo muito disputado. Na opinião da maioria dos estudiosos de hoje, os evangelhos primeiramente se renderam ao latim no último quartel do segundo século no norte da África, onde Cartago se enamorara da cultura romana. Não muito depois disso, foram feitas traduções na Itália, na Gália e em vários lugares.

De fato, Trebolle cita a insatisfação de Agostinho e com ele todo o Cristianismo culto, diante da permanente e contínua revisão do texto latino, que para considerar a fonte “grega” e os gostos da latinidade popular multiplicava-se ao infinito

Santo Agostinho queixava-se em seu tempo de que, dada a enorme difusão de manuscritos gregos e o conhecimento que do grego tinham muitos cristãos de fala latina, era grande o número dos que se acreditavam autorizados em corrigir o texto latino, até o ponto de que pareciam existir tantas versões quantos códices.

Esta situação conduziu a um tal estado de confusão textual (vitiosissima varietas) que logo tornou-se intolerável (TREBOLLE, 1996, p.418).

Neste contexto, podemos passar ao último e contemporâneo autor, que caracteriza o universo da Exegese Latina: São Jerônimo.

Padre Pedro Paulo Alves dos Santos
Autor

Padre Pedro Paulo Alves dos Santos

Doutor em Teologia Bíblica