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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 17/08/2017

17 de Agosto de 2017

Nós cremos e reconhecemos

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21/08/2015 14:25 - Atualizado em 21/08/2015 14:25

Nós cremos e reconhecemos 0

21/08/2015 14:25 - Atualizado em 21/08/2015 14:25

Neste domingo, a Igreja termina de ler na liturgia eucarística o discurso do pão da vida (Jo 6,22-71). Esse discurso possui uma conclusão impactante, pois os seus últimos versículos (Jo 6,60-71) não apresentam mais a reação dos “judeus” frente às palavras do Senhor, na sinagoga, em Cafarnaum, mas o posicionamento dos discípulos diante do seu ensinamento. O tema do “crer em Jesus” emergiu no meio da comunidade dos seus seguidores e gerou uma crise interna.

Segundo o texto de João, o grupo de discípulos teve dificuldade de entender e de aceitar as palavras proferidas por Jesus naquele dia (Jo 6,60). Como entender que Ele tinha “descido do céu” (Jo 6,33.38.41.42.50.58) e que “subiria para onde estava antes” (Jo 6,62)? Ou, ainda, que daria sua carne e seu sangue para que pudessem ter a vida e ressuscitar dos mortos no último dia (Jo 6,53-54)? Eles ficaram escandalizados com a pretensão do mestre da Galileia, visto que lhes faltava aquilo que era indispensável: “crer em Jesus” (Jo 6,64). Sem a fé no mistério pascal de Cristo – na sua Encarnação, na sua morte na cruz, ressurreição e ascensão aos céus –, o discipulado perdeu o sentido. Aqueles seus seguidores pensavam apenas com a carne, não possuíam o Espírito – o único capaz de fazê-los entender e aceitar as palavras de Jesus (Jo 6,63). O seu ensinamento não é mera informação ética ou científica, mas é uma experiência de comunhão de vida com Deus. Por não se abrirem para ação do Espírito Santo, introdutor na vida de comunhão divina, aceitando o mistério Pascal de Cristo, aqueles homens “voltaram atrás e não andavam mais com Jesus” (Jo 6,66).

Encarando essa situação de desistência de seus seguidores, o Mestre questionou seus 12 discípulos mais próximos. Iriam eles, também, embora diante do anúncio do seu Mistério Pascal ou permaneceriam firmes ao seu lado? É nesse momento que Pedro fez uma profunda confissão de fé. No texto encontramos “A quem iremos Senhor? Tu tens palavras de vida eterna. Nós cremos firmemente e conhecemos que tu és o Santo de Deus” (Jo 6,68-69). Dois títulos são atribuídos a Jesus nessa resposta petrina: “Senhor” e “Santo de Deus”. Com eles, o autor do quarto evangelho nos mostra a fé de sua comunidade e da Igreja primitiva: Ele é o messias, o ungido para realizar a salvação da humanidade.

A grande diferença entre o grupo de discípulos desertores e os 12 está na experiência de fé. Os primeiros escutavam as palavras e viam os sinais, não obstante, permaneciam numa esperança carnal, distante do real alcance da obra de salvação realizada pelo Senhor – esperavam um messias capaz de satisfazer apenas as necessidades básicas do povo. Pedro e seus companheiros abriram-se ao conhecimento profundo, fruto já de uma ação do Espírito Santo, capaz de dar-lhes o dom da fé e, com isso, proclamarem a identidade de Jesus – contemplaram a obra de Cristo como ação do próprio Deus, possibilitando a experiência de comunhão de vida com Ele.

A fé é um ato pessoal de resposta à revelação divina. Todavia, possui um conteúdo muito preciso: a identidade divina e sua vontade salvífica, reveladas por Cristo. O homem deve se posicionar diante do testemunho que Deus dá de si. A Igreja tem a missão de receber e de guardar a revelação divina e de entregar as novas gerações de fiéis. O ato de fé é, também, em sua natureza, um ato eclesial: “Nós cremos e reconhecemos”. O catecismo afirma: “Cada crente é como um elo na grande corrente dos crentes. Não posso crer sem ser carregado pela fé dos outros, e pela minha fé contribuo para carregar a fé dos outros” (CIC 166). Crer em Jesus não é “inventar um Deus a minha medida” ou “escolher aquilo que me agrada”, mas aceitar, obedecer e amar quem Ele é: Eu sou o pão vivo descido do Céu (Jo 6,35.41.48.50.51.58).

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21/08/2015 14:25 - Atualizado em 21/08/2015 14:25

Neste domingo, a Igreja termina de ler na liturgia eucarística o discurso do pão da vida (Jo 6,22-71). Esse discurso possui uma conclusão impactante, pois os seus últimos versículos (Jo 6,60-71) não apresentam mais a reação dos “judeus” frente às palavras do Senhor, na sinagoga, em Cafarnaum, mas o posicionamento dos discípulos diante do seu ensinamento. O tema do “crer em Jesus” emergiu no meio da comunidade dos seus seguidores e gerou uma crise interna.

Segundo o texto de João, o grupo de discípulos teve dificuldade de entender e de aceitar as palavras proferidas por Jesus naquele dia (Jo 6,60). Como entender que Ele tinha “descido do céu” (Jo 6,33.38.41.42.50.58) e que “subiria para onde estava antes” (Jo 6,62)? Ou, ainda, que daria sua carne e seu sangue para que pudessem ter a vida e ressuscitar dos mortos no último dia (Jo 6,53-54)? Eles ficaram escandalizados com a pretensão do mestre da Galileia, visto que lhes faltava aquilo que era indispensável: “crer em Jesus” (Jo 6,64). Sem a fé no mistério pascal de Cristo – na sua Encarnação, na sua morte na cruz, ressurreição e ascensão aos céus –, o discipulado perdeu o sentido. Aqueles seus seguidores pensavam apenas com a carne, não possuíam o Espírito – o único capaz de fazê-los entender e aceitar as palavras de Jesus (Jo 6,63). O seu ensinamento não é mera informação ética ou científica, mas é uma experiência de comunhão de vida com Deus. Por não se abrirem para ação do Espírito Santo, introdutor na vida de comunhão divina, aceitando o mistério Pascal de Cristo, aqueles homens “voltaram atrás e não andavam mais com Jesus” (Jo 6,66).

Encarando essa situação de desistência de seus seguidores, o Mestre questionou seus 12 discípulos mais próximos. Iriam eles, também, embora diante do anúncio do seu Mistério Pascal ou permaneceriam firmes ao seu lado? É nesse momento que Pedro fez uma profunda confissão de fé. No texto encontramos “A quem iremos Senhor? Tu tens palavras de vida eterna. Nós cremos firmemente e conhecemos que tu és o Santo de Deus” (Jo 6,68-69). Dois títulos são atribuídos a Jesus nessa resposta petrina: “Senhor” e “Santo de Deus”. Com eles, o autor do quarto evangelho nos mostra a fé de sua comunidade e da Igreja primitiva: Ele é o messias, o ungido para realizar a salvação da humanidade.

A grande diferença entre o grupo de discípulos desertores e os 12 está na experiência de fé. Os primeiros escutavam as palavras e viam os sinais, não obstante, permaneciam numa esperança carnal, distante do real alcance da obra de salvação realizada pelo Senhor – esperavam um messias capaz de satisfazer apenas as necessidades básicas do povo. Pedro e seus companheiros abriram-se ao conhecimento profundo, fruto já de uma ação do Espírito Santo, capaz de dar-lhes o dom da fé e, com isso, proclamarem a identidade de Jesus – contemplaram a obra de Cristo como ação do próprio Deus, possibilitando a experiência de comunhão de vida com Ele.

A fé é um ato pessoal de resposta à revelação divina. Todavia, possui um conteúdo muito preciso: a identidade divina e sua vontade salvífica, reveladas por Cristo. O homem deve se posicionar diante do testemunho que Deus dá de si. A Igreja tem a missão de receber e de guardar a revelação divina e de entregar as novas gerações de fiéis. O ato de fé é, também, em sua natureza, um ato eclesial: “Nós cremos e reconhecemos”. O catecismo afirma: “Cada crente é como um elo na grande corrente dos crentes. Não posso crer sem ser carregado pela fé dos outros, e pela minha fé contribuo para carregar a fé dos outros” (CIC 166). Crer em Jesus não é “inventar um Deus a minha medida” ou “escolher aquilo que me agrada”, mas aceitar, obedecer e amar quem Ele é: Eu sou o pão vivo descido do Céu (Jo 6,35.41.48.50.51.58).

Padre Vitor Gino Finelon
Autor

Padre Vitor Gino Finelon

Professor das Escolas de Fé e Catequese Mater Ecclesiae e Luz e Vida