Arquidiocese do Rio de Janeiro

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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 24/05/2019

24 de Maio de 2019

A quem quereis servir?

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20/08/2015 00:00 - Atualizado em 21/08/2015 12:16

A quem quereis servir? 0

20/08/2015 00:00 - Atualizado em 21/08/2015 12:16

Caminhamos no tempo comum com a sua beleza do cotidiano! Estamos no XXI Domingo do Tempo comum do Ano B. Escutamos na primeira leitura de hoje Josué mandando o povo escolher: seguir os ídolos, que são de fácil manejo, que não exigem nada ou, ao invés, seguir o Senhor, que é exigente, que é Santo e corrige os que Nele esperam? “Escolhei hoje a quem quereis servir... quanto à minha família, nós serviremos ao Senhor”.

O que aparece na primeira leitura torna-se ainda mais claro e dramático no Evangelho. Após dizer claramente que sua carne é verdadeira comida e seu sangue é verdadeira bebida, muitos discípulos se escandalizaram com Jesus.

Diante dos discípulos escandalizados e murmuradores, que faz Jesus? Apresenta o critério decisivo: a cruz. Escutai, irmãos, o que diz o Senhor: "Isto vos escandaliza? E quando virdes o Filho do Homem subindo para onde estava antes"? Lembremo-nos que, para o Evangelho de São João, a subida de Jesus para o Pai começa na cruz: ali, Ele será levantado! Vede bem, meus irmãos, que não poderá seguir o Senhor, não poderá suportar as palavras do Senhor aquele que não estiver disposto a contemplá-lo na cruz! E Jesus previne: "O Espírito é que dá vida; a carne não adianta nada”!

“As palavras que vos falei são Espírito e vida”! Somente se nos deixarmos educar pelo Santo Espírito, somente se deixarmos os pensamentos e a lógica à medida da carne, isto é, à medida da mera razão humana, é que poderemos compreender as coisas de Deus, coisas que passam pela cruz de Cristo! Quando se trata do escândalo do Evangelho, "a carne não adianta nada"!OSenhor continua: “É por isso que vos disse: ninguém pode vir a mim a não ser que lhe seja concedido por meu Pai”! Vede bem, meus caros: acolher Jesus, compreender suas palavras e acolhê-las, por quanto sejam difíceis e duras, é graça de Deus e somente abertos para a graça poderemos realizá-lo! Como acolher a linguagem da cruz sem mudar de vida? Como acolher as exigências do Senhor sem a conversão do coração, sem nos deixarmos guiar pela imprevisível liberdade do Santo Espírito? Quando isso acontece, experimentamos como o Senhor é bom, o quanto é suave, o quando é doce segui-lo! 

Um belíssimo exemplo disso, a Palavra de Deus nos dá hoje, recordando a vida da família cristã. São Paulo pensa o lar cristão como uma pequena comunidade de discípulos de Cristo, uma pequena Igreja, e dá conselhos estupendos. O sentimento que deve nortear o comportamento familiar é o amor: aquele manifestado na cruz, aquele entre Cristo e a Igreja! Que beleza, que desafio, que sonho: marido e mulher se amando como Cristo e a Igreja se amam, marido e mulher sendo felizes na felicidade um do outro: "Sede solícitos uns para com os outros"!

Para o cristianismo, a família cristã é uma instituição divina, um sacramento da Igreja. Mais ainda: a família é a primeira Igreja, a primeira comunidade de irmãos em Cristo. Ali, é Jesus quem deve reinar, ali, é o santo e doce temor de Deus quem deve regular a convivência. Que desgraça hoje em dia a paganização, a secularização, a banalização da família cristã! A família é santa, a família é sagrada, a família não pode ser profanada pelo desamor, pela indiferença, pela imoralidade, pela violência, pelo consumismo, pela opressão, pela divisão, pela vulgarização. Família: um homem e uma mulher unidos no amor, com a bênção do Senhor, gerando filhos, gerando amor feito carne, feito gente, para o mundo, para a Igreja, para a vida! Este é o sonho do Senhor para a família. Um homem, uma mulher; um esposo, uma esposa e os filhos – eis o sonho, eis a bênção, eis a felicidade quando se vive isso de acordo com o amor de Deus, em Cristo! Que bênção a convivência familiar! Que doçura poder partilhar as alegrias e tristezas, as lutas e dificuldades num lar cristão, onde juntos rezam, juntos partilham, juntos vencem as dificuldades! São Paulo, encantado com essa realidade, exclama: "É grande este mistério"! Que mistério? O mistério do amor entre marido e mulher, da sua união que gera vida, que é doçura e complementaridade. E o Apóstolo continua: "E eu o interpreto em relação a Cristo e à Igreja"! Atenção! São Paulo está dizendo que a comunhão familiar é imagem da comunhão entre Cristo e a Igreja.

E Jesus, mais uma vez, nos pergunta: "Isto vos escandaliza"?Escandaliza-vos o matrimônio ser indissolúvel? Escandaliza-vos a fidelidade conjugal? Assusta-vos o dever de gerar filhos com generosidade e educá-los com amor e firmeza?

Também hoje devemos escolher a quem queremos servir, vivendo em famílias cristãs, formando a Igreja e respondendo: “a quem iremos, Senhor? Tu tens palavras de vida eterna. Nós cremos firmemente e reconhecemos que tu és o Santo de Deus”!

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20/08/2015 00:00 - Atualizado em 21/08/2015 12:16

Caminhamos no tempo comum com a sua beleza do cotidiano! Estamos no XXI Domingo do Tempo comum do Ano B. Escutamos na primeira leitura de hoje Josué mandando o povo escolher: seguir os ídolos, que são de fácil manejo, que não exigem nada ou, ao invés, seguir o Senhor, que é exigente, que é Santo e corrige os que Nele esperam? “Escolhei hoje a quem quereis servir... quanto à minha família, nós serviremos ao Senhor”.

O que aparece na primeira leitura torna-se ainda mais claro e dramático no Evangelho. Após dizer claramente que sua carne é verdadeira comida e seu sangue é verdadeira bebida, muitos discípulos se escandalizaram com Jesus.

Diante dos discípulos escandalizados e murmuradores, que faz Jesus? Apresenta o critério decisivo: a cruz. Escutai, irmãos, o que diz o Senhor: "Isto vos escandaliza? E quando virdes o Filho do Homem subindo para onde estava antes"? Lembremo-nos que, para o Evangelho de São João, a subida de Jesus para o Pai começa na cruz: ali, Ele será levantado! Vede bem, meus irmãos, que não poderá seguir o Senhor, não poderá suportar as palavras do Senhor aquele que não estiver disposto a contemplá-lo na cruz! E Jesus previne: "O Espírito é que dá vida; a carne não adianta nada”!

“As palavras que vos falei são Espírito e vida”! Somente se nos deixarmos educar pelo Santo Espírito, somente se deixarmos os pensamentos e a lógica à medida da carne, isto é, à medida da mera razão humana, é que poderemos compreender as coisas de Deus, coisas que passam pela cruz de Cristo! Quando se trata do escândalo do Evangelho, "a carne não adianta nada"!OSenhor continua: “É por isso que vos disse: ninguém pode vir a mim a não ser que lhe seja concedido por meu Pai”! Vede bem, meus caros: acolher Jesus, compreender suas palavras e acolhê-las, por quanto sejam difíceis e duras, é graça de Deus e somente abertos para a graça poderemos realizá-lo! Como acolher a linguagem da cruz sem mudar de vida? Como acolher as exigências do Senhor sem a conversão do coração, sem nos deixarmos guiar pela imprevisível liberdade do Santo Espírito? Quando isso acontece, experimentamos como o Senhor é bom, o quanto é suave, o quando é doce segui-lo! 

Um belíssimo exemplo disso, a Palavra de Deus nos dá hoje, recordando a vida da família cristã. São Paulo pensa o lar cristão como uma pequena comunidade de discípulos de Cristo, uma pequena Igreja, e dá conselhos estupendos. O sentimento que deve nortear o comportamento familiar é o amor: aquele manifestado na cruz, aquele entre Cristo e a Igreja! Que beleza, que desafio, que sonho: marido e mulher se amando como Cristo e a Igreja se amam, marido e mulher sendo felizes na felicidade um do outro: "Sede solícitos uns para com os outros"!

Para o cristianismo, a família cristã é uma instituição divina, um sacramento da Igreja. Mais ainda: a família é a primeira Igreja, a primeira comunidade de irmãos em Cristo. Ali, é Jesus quem deve reinar, ali, é o santo e doce temor de Deus quem deve regular a convivência. Que desgraça hoje em dia a paganização, a secularização, a banalização da família cristã! A família é santa, a família é sagrada, a família não pode ser profanada pelo desamor, pela indiferença, pela imoralidade, pela violência, pelo consumismo, pela opressão, pela divisão, pela vulgarização. Família: um homem e uma mulher unidos no amor, com a bênção do Senhor, gerando filhos, gerando amor feito carne, feito gente, para o mundo, para a Igreja, para a vida! Este é o sonho do Senhor para a família. Um homem, uma mulher; um esposo, uma esposa e os filhos – eis o sonho, eis a bênção, eis a felicidade quando se vive isso de acordo com o amor de Deus, em Cristo! Que bênção a convivência familiar! Que doçura poder partilhar as alegrias e tristezas, as lutas e dificuldades num lar cristão, onde juntos rezam, juntos partilham, juntos vencem as dificuldades! São Paulo, encantado com essa realidade, exclama: "É grande este mistério"! Que mistério? O mistério do amor entre marido e mulher, da sua união que gera vida, que é doçura e complementaridade. E o Apóstolo continua: "E eu o interpreto em relação a Cristo e à Igreja"! Atenção! São Paulo está dizendo que a comunhão familiar é imagem da comunhão entre Cristo e a Igreja.

E Jesus, mais uma vez, nos pergunta: "Isto vos escandaliza"?Escandaliza-vos o matrimônio ser indissolúvel? Escandaliza-vos a fidelidade conjugal? Assusta-vos o dever de gerar filhos com generosidade e educá-los com amor e firmeza?

Também hoje devemos escolher a quem queremos servir, vivendo em famílias cristãs, formando a Igreja e respondendo: “a quem iremos, Senhor? Tu tens palavras de vida eterna. Nós cremos firmemente e reconhecemos que tu és o Santo de Deus”!

Cardeal Orani João Tempesta
Autor

Cardeal Orani João Tempesta

Arcebispo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro