Arquidiocese do Rio de Janeiro

31º 20º

Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 21/05/2019

21 de Maio de 2019

Bicentenário de Ordenação

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12/08/2015 00:00 - Atualizado em 14/08/2015 17:21

Bicentenário de Ordenação 0

12/08/2015 00:00 - Atualizado em 14/08/2015 17:21

Exatamente nestes dias, o Cura d’Ars completa 200 anos de ordenação sacerdotal. Depois de termos comemorado solenemente o seu dia neste mês de agosto vocacional, a memória de sua ordenação nos faz ser gratos ao Senhor pelo empenho para esse importante serviço ao povo de Deus!

Como é bom, para nós sacerdotes e bispos, podermos louvar e bendizer a Deus o exercício santificado do ministério sacerdotal. Neste contexto, queremos agradecer os duzentos anos de ordenação sacerdotal deste grande sacerdote que foi o Padre João Maria Vianney. Desprezado pela sua pouca cultura, era um homem enamorado por Deus e exemplo de grande confessor e de homem virtuosíssimo.

São João Maria Vianney nasceu em Dardily, Diocese de Lião, na França, no dia 8 de maio de 1786, filho de Mateus Vianney e Maria Belusa, piedosos camponeses. Desde a infância, deu indício de uma grande santidade. Certo dia, a mãe deu ao filho uma imagem de Nossa Senhora, que ele nunca deixava. Carregando-a respeitosamente nos braços aonde quer que fosse, muitas vezes no estábulo, sem que ninguém o visse, costumava rezar longo tempo diante dela.

Com oito anos já acostumava, com palavras e com o exemplo, ensinar o Rosário de Nossa Senhora às crianças. Quando a Revolução Francesa estourou, viveu dias tristes vendo as igrejas fechadas, os padres perseguidos e martirizados. De grande predileção pelos pobres, pelos abandonados que nada possuem, reunia-os pelos caminhos, pelos bosques e alegremente levava-os para sua casa, onde os pais, reputados desde há muito pela caridade, acolhiam a todos os desventurados.

Aos treze anos, com um fervor fora do comum, João Maria Vianney fez a Primeira Comunhão. Neste dia, ele dizia baixinho para si mesmo: "Eu serei padre! Eu serei padre!" Depois ele o disse a seu pai. O pai, homem prudente e conhecedor da vida e dos arroubos da juventude, fê-lo esperar dois anos, para observá-lo e para experimentá-lo.

Afinal, João Maria Vianney entrou na escola fundada pelo Padre Balley, então pároco de Eculy. Como seminarista foi modelo, mas como estudante, embora de comportamento exemplar, sua inteligência, era muito limitada. Por isso chegou a ser despedido do Seminário. Ajudado pelo Padre Balley, teve uma segunda oportunidade e, vencendo todas as barreiras, chegou ao grande dia de sua ordenação Sacerdotal. Esta se deu no dia 13 de agosto de 1815, portanto há duzentos anos. Estava com 29 anos. 

Depois de ordenado, passou três anos como auxiliar do Padre Balley e teve a oportunidade de rever com seu dedicado mestre toda a Teologia. Em 1818 foi nomeado para Ars, onde ficou até sua morte.

Quando estava a caminho, já próximo de Ars, deu-se um fato muito edificante. O santo pediu informação a um menino sobre como chegar até Ars. Depois de ouvir suas explicações, o santo lhe disse: “Você me mostrou o caminho de Ars, e eu te mostrarei o caminho do céu”. Este menino, chamado Antônio Grive, foi o primeiro paroquiano a morrer depois de São Maria Vianney, que assim lhe ensinou o caminho do céu. Os habitantes de Ars, quanto à religião, viviam indiferentes. Quatro grandes males afastavam aquelas almas do caminho do bem: a bebida, a blasfêmia os bailes e o trabalho no domingo.

...À noite disciplinava-se até o sangue. O pouco que dormia, era sem nenhum conforto. Em seus sermões, procurou mostrar ao povo, com bastante realismo, a gravidade do pecado, o valor da alma, do sangue de Nosso Senhor etc. Cinco anos depois, Ars apresentava-se com outra fisionomia: acabaram os trabalhos aos domingos; a blasfêmia, que antes se escutava pelos campos, foi substituída por orações e cânticos religiosos; o vício da embriaguez foi afastado e as danças foram paulatinamente sendo eliminadas.

...Às perseguições dos homens, juntou-se a do demônio, furioso por ver que aquele humilde sacerdote lhe estava arrebatando as almas. E a luta foi terrível. Durou trinta e cinco anos. Fantasmas horríveis, insultantes vociferações transformavam sua casa durante a noite num verdadeiro inferno, com pesadelos assustadores e mesmo ataques diretos do demônio. Certa vez o demônio incendiou a cama do Cura d’Ars. Referindo-se a isso, S. João Maria Vianney dizia: “Não podendo pegar o pássaro, queimou a gaiola”.

Sustentado pela graça divina, João Maria Vianney saiu vitorioso de todos os assaltos do maligno. E Nossa Senhora, aparecendo-lhe repetidas vezes, encorajava-o. Deus lhe concedeu o dom dos milagres. Ele, por humildade, atribuía os milagres que fazia a Santa Filomena, de quem era grande devoto. Em 1824, abriu uma escola gratuita para as meninas. Logo depois apareceu um orfanato contíguo.    

O programa diário de nosso Santo era exaustivo: de madrugada, à uma hora, ia à igreja para rezar, antes da aurora, confessava as mulheres; às seis, no verão e às sete no inverno, celebrava a Santa Missa. Depois da ação de graças, os peregrinos rodeavam-no, implorando bênçãos, curas, palavras de conforto, conversões, conselhos para os mais variados casos etc. Às dez horas recitava parte de seu breviário, depois ia sentar-se no confessionário; às onze horas era o catecismo, aquele catecismo que ficou famoso; depois de um almoço, como diríamos nós, de passarinho, era a clássica visita aos doentes, quando então a multidão se comprimia para vê-lo passar, para tocar-lhe as vestes. Depois de rezar as Vésperas e as Completas, voltava para o confessionário onde permanecia muitas vezes até altas horas da noite. Chegava a passar 16 horas por dia no confessionário.       

São João Maria Vianney morreu no dia 4 de agosto de 1859. Foi beatificado por São Pio X aos 5 de janeiro de 1905 e canonizado por Pio XI no dia 31 de maio de 1925, poucos dias depois de Santa Teresinha.  Ars tornou-se rapidamente em um dos grandes centros de peregrinação. Junto à antiga igreja de Ars, conforme o desejo do Santo, foi construída uma magnífica igreja dedicada a Santa Filomena. Num belo altar lateral desta igreja, foi colocado o corpo de São João Maria Vianney.

Vamos pedir a sua proteção a todos os sacerdotes para que, na sua simplicidade e dedicação ao confessionário, possam cada vez mais se configurarem a Nosso Senhor!

Santo Cura d’Ars, interceda pelas vocações sacerdotais santas, piedosas!

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12/08/2015 00:00 - Atualizado em 14/08/2015 17:21

Exatamente nestes dias, o Cura d’Ars completa 200 anos de ordenação sacerdotal. Depois de termos comemorado solenemente o seu dia neste mês de agosto vocacional, a memória de sua ordenação nos faz ser gratos ao Senhor pelo empenho para esse importante serviço ao povo de Deus!

Como é bom, para nós sacerdotes e bispos, podermos louvar e bendizer a Deus o exercício santificado do ministério sacerdotal. Neste contexto, queremos agradecer os duzentos anos de ordenação sacerdotal deste grande sacerdote que foi o Padre João Maria Vianney. Desprezado pela sua pouca cultura, era um homem enamorado por Deus e exemplo de grande confessor e de homem virtuosíssimo.

São João Maria Vianney nasceu em Dardily, Diocese de Lião, na França, no dia 8 de maio de 1786, filho de Mateus Vianney e Maria Belusa, piedosos camponeses. Desde a infância, deu indício de uma grande santidade. Certo dia, a mãe deu ao filho uma imagem de Nossa Senhora, que ele nunca deixava. Carregando-a respeitosamente nos braços aonde quer que fosse, muitas vezes no estábulo, sem que ninguém o visse, costumava rezar longo tempo diante dela.

Com oito anos já acostumava, com palavras e com o exemplo, ensinar o Rosário de Nossa Senhora às crianças. Quando a Revolução Francesa estourou, viveu dias tristes vendo as igrejas fechadas, os padres perseguidos e martirizados. De grande predileção pelos pobres, pelos abandonados que nada possuem, reunia-os pelos caminhos, pelos bosques e alegremente levava-os para sua casa, onde os pais, reputados desde há muito pela caridade, acolhiam a todos os desventurados.

Aos treze anos, com um fervor fora do comum, João Maria Vianney fez a Primeira Comunhão. Neste dia, ele dizia baixinho para si mesmo: "Eu serei padre! Eu serei padre!" Depois ele o disse a seu pai. O pai, homem prudente e conhecedor da vida e dos arroubos da juventude, fê-lo esperar dois anos, para observá-lo e para experimentá-lo.

Afinal, João Maria Vianney entrou na escola fundada pelo Padre Balley, então pároco de Eculy. Como seminarista foi modelo, mas como estudante, embora de comportamento exemplar, sua inteligência, era muito limitada. Por isso chegou a ser despedido do Seminário. Ajudado pelo Padre Balley, teve uma segunda oportunidade e, vencendo todas as barreiras, chegou ao grande dia de sua ordenação Sacerdotal. Esta se deu no dia 13 de agosto de 1815, portanto há duzentos anos. Estava com 29 anos. 

Depois de ordenado, passou três anos como auxiliar do Padre Balley e teve a oportunidade de rever com seu dedicado mestre toda a Teologia. Em 1818 foi nomeado para Ars, onde ficou até sua morte.

Quando estava a caminho, já próximo de Ars, deu-se um fato muito edificante. O santo pediu informação a um menino sobre como chegar até Ars. Depois de ouvir suas explicações, o santo lhe disse: “Você me mostrou o caminho de Ars, e eu te mostrarei o caminho do céu”. Este menino, chamado Antônio Grive, foi o primeiro paroquiano a morrer depois de São Maria Vianney, que assim lhe ensinou o caminho do céu. Os habitantes de Ars, quanto à religião, viviam indiferentes. Quatro grandes males afastavam aquelas almas do caminho do bem: a bebida, a blasfêmia os bailes e o trabalho no domingo.

...À noite disciplinava-se até o sangue. O pouco que dormia, era sem nenhum conforto. Em seus sermões, procurou mostrar ao povo, com bastante realismo, a gravidade do pecado, o valor da alma, do sangue de Nosso Senhor etc. Cinco anos depois, Ars apresentava-se com outra fisionomia: acabaram os trabalhos aos domingos; a blasfêmia, que antes se escutava pelos campos, foi substituída por orações e cânticos religiosos; o vício da embriaguez foi afastado e as danças foram paulatinamente sendo eliminadas.

...Às perseguições dos homens, juntou-se a do demônio, furioso por ver que aquele humilde sacerdote lhe estava arrebatando as almas. E a luta foi terrível. Durou trinta e cinco anos. Fantasmas horríveis, insultantes vociferações transformavam sua casa durante a noite num verdadeiro inferno, com pesadelos assustadores e mesmo ataques diretos do demônio. Certa vez o demônio incendiou a cama do Cura d’Ars. Referindo-se a isso, S. João Maria Vianney dizia: “Não podendo pegar o pássaro, queimou a gaiola”.

Sustentado pela graça divina, João Maria Vianney saiu vitorioso de todos os assaltos do maligno. E Nossa Senhora, aparecendo-lhe repetidas vezes, encorajava-o. Deus lhe concedeu o dom dos milagres. Ele, por humildade, atribuía os milagres que fazia a Santa Filomena, de quem era grande devoto. Em 1824, abriu uma escola gratuita para as meninas. Logo depois apareceu um orfanato contíguo.    

O programa diário de nosso Santo era exaustivo: de madrugada, à uma hora, ia à igreja para rezar, antes da aurora, confessava as mulheres; às seis, no verão e às sete no inverno, celebrava a Santa Missa. Depois da ação de graças, os peregrinos rodeavam-no, implorando bênçãos, curas, palavras de conforto, conversões, conselhos para os mais variados casos etc. Às dez horas recitava parte de seu breviário, depois ia sentar-se no confessionário; às onze horas era o catecismo, aquele catecismo que ficou famoso; depois de um almoço, como diríamos nós, de passarinho, era a clássica visita aos doentes, quando então a multidão se comprimia para vê-lo passar, para tocar-lhe as vestes. Depois de rezar as Vésperas e as Completas, voltava para o confessionário onde permanecia muitas vezes até altas horas da noite. Chegava a passar 16 horas por dia no confessionário.       

São João Maria Vianney morreu no dia 4 de agosto de 1859. Foi beatificado por São Pio X aos 5 de janeiro de 1905 e canonizado por Pio XI no dia 31 de maio de 1925, poucos dias depois de Santa Teresinha.  Ars tornou-se rapidamente em um dos grandes centros de peregrinação. Junto à antiga igreja de Ars, conforme o desejo do Santo, foi construída uma magnífica igreja dedicada a Santa Filomena. Num belo altar lateral desta igreja, foi colocado o corpo de São João Maria Vianney.

Vamos pedir a sua proteção a todos os sacerdotes para que, na sua simplicidade e dedicação ao confessionário, possam cada vez mais se configurarem a Nosso Senhor!

Santo Cura d’Ars, interceda pelas vocações sacerdotais santas, piedosas!

Cardeal Orani João Tempesta
Autor

Cardeal Orani João Tempesta

Arcebispo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro