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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 27/04/2017

27 de Abril de 2017

O Bicho Homem

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11/08/2015 14:42 - Atualizado em 11/08/2015 14:42

O Bicho Homem 0

11/08/2015 14:42 - Atualizado em 11/08/2015 14:42

“Você é um homem ou um rato?”. Essa pergunta era feita há algum tempo com o objetivo de saber se a pessoa tinha coragem ou simplesmente não temia o perigo iminente. Atualmente, vivemos uma realidade em que precisamos ter muita coragem para responder se somos homem ou mulher. Além da questão antropológica, ligada à natureza do ser humano, o “bicho” homem, apesar de todo o desenvolvimento da sua racionalidade, vem sendo desconstruído numa espécie de processo autofágico, que só é observado em raríssimos casos entre os animais irracionais.

Recentemente, pudemos acompanhar um escândalo envolvendo a Planned Parenthood: organização “sem fins lucrativos” norte americana que tem por objetivo fornecer serviços de “saúde reprodutiva”, entre eles, o aborto. O estopim foi a gravação de um vídeo em que uma alta executiva dessa organização “negociava”, entre uma garfada e um gole de vinho, órgãos de fetos como se estivesse transacionando mercadorias. Coração, pulmões, fígado são disponibilizados de acordo com o interesse do comprador. Basta o interessado dizer qual parte do corpo quer, para que seja adotado um determinado procedimento durante a realização do aborto e, assim, o órgão desejado possa ser preservado, retirado do que sobrou do feto e vendido.

Abrimos um pequeno parêntesis neste ponto para analisar duas questões. Primeira: como uma instituição que se diz sem fins lucrativos, que atua pelo mundo, especialmente nos países em desenvolvimento, pode negociar partes humanas? Segunda: por que será que não assistimos a qualquer reportagem sobre este tema nas principais mídias como televisão, jornal, revista, etc?

Na contramão de uma sociedade minimamente humanizada, assistimos nos noticiários inúmeras, incontáveis matérias e reportagens sobre a morte do leão Cecil. Não queremos dizer com isso, que concordamos com este ato ou mesmo que essa questão não tivesse que ser noticiada. Mas, a morte de um ser humano, o assassinato de nascituros, o comércio de partes do corpo de fetos não podem gerar menos comoção e atenção do que a morte de um animal. Dia após dia, assistimos passivamente a notícias que falam da falta de condições pelas quais passam alguns animais em zoológicos e abrigos. E sobre a falta de condições dos orfanatos, das creches, dos asilos, dos hospitais, das escolas, das estradas, dos transportes, etc, etc, etc? O que tem sido noticiado?

Um caminho sólido e consistente a seguir é o fortalecimento do homem enquanto homem, da mulher enquanto mulher, do ser humano enquanto ser humano, para que não vejamos o homem ser tratado pior do que um animal. Com coragem, é preciso fortalecer a instituição onde se ensina e se aprende, com excelência, sobre humanidade. A família é a célula basilar da sociedade (Laudato Si, 157), logo é a partir dela que o ser humano, com toda a sua razão, orientará o seu autodesenvolvimento integral.

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O Bicho Homem

11/08/2015 14:42 - Atualizado em 11/08/2015 14:42

“Você é um homem ou um rato?”. Essa pergunta era feita há algum tempo com o objetivo de saber se a pessoa tinha coragem ou simplesmente não temia o perigo iminente. Atualmente, vivemos uma realidade em que precisamos ter muita coragem para responder se somos homem ou mulher. Além da questão antropológica, ligada à natureza do ser humano, o “bicho” homem, apesar de todo o desenvolvimento da sua racionalidade, vem sendo desconstruído numa espécie de processo autofágico, que só é observado em raríssimos casos entre os animais irracionais.

Recentemente, pudemos acompanhar um escândalo envolvendo a Planned Parenthood: organização “sem fins lucrativos” norte americana que tem por objetivo fornecer serviços de “saúde reprodutiva”, entre eles, o aborto. O estopim foi a gravação de um vídeo em que uma alta executiva dessa organização “negociava”, entre uma garfada e um gole de vinho, órgãos de fetos como se estivesse transacionando mercadorias. Coração, pulmões, fígado são disponibilizados de acordo com o interesse do comprador. Basta o interessado dizer qual parte do corpo quer, para que seja adotado um determinado procedimento durante a realização do aborto e, assim, o órgão desejado possa ser preservado, retirado do que sobrou do feto e vendido.

Abrimos um pequeno parêntesis neste ponto para analisar duas questões. Primeira: como uma instituição que se diz sem fins lucrativos, que atua pelo mundo, especialmente nos países em desenvolvimento, pode negociar partes humanas? Segunda: por que será que não assistimos a qualquer reportagem sobre este tema nas principais mídias como televisão, jornal, revista, etc?

Na contramão de uma sociedade minimamente humanizada, assistimos nos noticiários inúmeras, incontáveis matérias e reportagens sobre a morte do leão Cecil. Não queremos dizer com isso, que concordamos com este ato ou mesmo que essa questão não tivesse que ser noticiada. Mas, a morte de um ser humano, o assassinato de nascituros, o comércio de partes do corpo de fetos não podem gerar menos comoção e atenção do que a morte de um animal. Dia após dia, assistimos passivamente a notícias que falam da falta de condições pelas quais passam alguns animais em zoológicos e abrigos. E sobre a falta de condições dos orfanatos, das creches, dos asilos, dos hospitais, das escolas, das estradas, dos transportes, etc, etc, etc? O que tem sido noticiado?

Um caminho sólido e consistente a seguir é o fortalecimento do homem enquanto homem, da mulher enquanto mulher, do ser humano enquanto ser humano, para que não vejamos o homem ser tratado pior do que um animal. Com coragem, é preciso fortalecer a instituição onde se ensina e se aprende, com excelência, sobre humanidade. A família é a célula basilar da sociedade (Laudato Si, 157), logo é a partir dela que o ser humano, com toda a sua razão, orientará o seu autodesenvolvimento integral.

Tatiana e Ronaldo de Melo
Autor

Tatiana e Ronaldo de Melo

Núcleo de Formação e Espiritualidade da Pastoral Familiar da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro