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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 27/05/2017

27 de Maio de 2017

A Palavra de Deus na Bíblia (8): Interpretação e tradução da Bíblia

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27 de Maio de 2017

A Palavra de Deus na Bíblia (8): Interpretação e tradução da Bíblia

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08/08/2015 15:42 - Atualizado em 08/08/2015 15:42

A Palavra de Deus na Bíblia (8): Interpretação e tradução da Bíblia 0

08/08/2015 15:42 - Atualizado em 08/08/2015 15:42

Prosseguimos na análise sobre a vastidão de questões acerca da tradução bíblica, ou melhor, das traduções da Bíblia, um processo histórico ainda em curso, que ocorre inicialmente com a diáspora do judaísmo (tradução grega no Egito) e depois com a expansão do cristianismo, que se espalhava pelo vasto Império Romano.

A “economia” do Antigo Testamento destinava-se, sobretudo, a preparar, a anunciar profeticamente (cfr. Lc. 24,44; Jo. 5,39; 1 Ped. 1,10) e a simbolizar com várias figuras (cfr. 1 Cor. 10,11) o advento de Cristo, redentor universal, e o do reino messiânico (DV 15).

7. O judeu helenista: Filão de Alexandria

O judeu Filão precedera esta escola, pois refutava o sentido óbvio e literal da Escritura. Segundo ele, através do sentido alegórico, ele entendia superar os passos obscuros e abrir a inteligência das Escrituras.

A alegoria entendida por Filão era, sobretudo, baseada numa perspectiva vertical: o sentido literal refere-se ao conteúdo moral, e às realidades terrestres se referem às celestes.

8. A Escola de Alexandria e de Antioquia

Neste sentido, a escola de Alexandria, de Orígenes e Clemente, à luz do cristianismo, que desenvolveu a dimensão temporal da alegoria, convertida em tipologia, ao considerarem todo o A.T. como pré-figuração da Nova Aliança.

Clemente de Alexandria, sobretudo, oferece-nos, através do método alegórico, uma interpretação cristocêntrica do AT. Para essa escola, a Escritura possui uma infinidade de sentidos, literal, moral, espiritual, etc.

Segundo Orígenes, a Escritura entende revelar verdades intelectuais e não tanto narrar as intervenções de Deus no curso da História, mesmo porque esta muitas vezes não faz mais do que ocultar a Revelação.

Ele refuta o sentido literal como suficiente para entender as Escrituras, por um princípio de racionalidade; no entanto, tudo isso para afirmar a primazia do sentido da fé.

Aparentemente do lado oposto, a Escola de Antioquia, da qual relevamos o nome de Teodoro de Mopsuéstia, influenciada pelas correntes do judaísmo, traduziu o retorno ao sentido literal e histórico da Escritura.

Para a exegese antioquena, as profecias bíblicas tinham um duplo sentido: aquele histórico e messiânico ao mesmo tempo. Eles propunham a interpretação literal e filológica, dentro do marco da história da Salvação. O sentido ‘cristocêntrico’ das profecias estava no texto e não era algo sobreposto, descoberto somente através do recurso à alegoria.

Juntamente com ele, deverá marcar o método literal J. Crisóstomo (+417), “cujas interpretações exegéticas constituem uma das principais fontes das catenae, converteu-se no maior defensor da exegese antioquena” (TREBOLLE,1993, p. 640).

Ambas as escolas de exegese encontram-se do mesmo lado, seja na alegoria, que centra em Cristo toda a verdadeira compreensão das Escrituras, seja na interpretação literal, elas não se afastam do Cânon como regra da fé, e por isso constituem esforços racionais de exprimir e apoderar-se do dado revelado.

Estas, no interno da mesma Igreja (contrária às heresias que formam igrejas à parte), fundam um princípio racional que leva ao espírito da Letra Sagrada.

Na hora de estabelecer o critério para saber se uma passagem devia ser interpretada literalmente ou não, recorria-se àregula fidei e a um princípio racional: não é válido interpretar literalmente uma passagem que seja absolutamente contrária à razão. A regra da fé constitui-se em critério tanto para a Escritura, cuja fonte é a Revelação, como para a filosofia, cuja fonte é a razão.

Fílon e os padres cristãos conheciam a ideia da subordinação da filosofia à Escritura, simbolizadas nas figuras de Agar, a escrava, e de Sara, a senhora (TREBOLLE, 1993, p. 642).

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A Palavra de Deus na Bíblia (8): Interpretação e tradução da Bíblia

08/08/2015 15:42 - Atualizado em 08/08/2015 15:42

Prosseguimos na análise sobre a vastidão de questões acerca da tradução bíblica, ou melhor, das traduções da Bíblia, um processo histórico ainda em curso, que ocorre inicialmente com a diáspora do judaísmo (tradução grega no Egito) e depois com a expansão do cristianismo, que se espalhava pelo vasto Império Romano.

A “economia” do Antigo Testamento destinava-se, sobretudo, a preparar, a anunciar profeticamente (cfr. Lc. 24,44; Jo. 5,39; 1 Ped. 1,10) e a simbolizar com várias figuras (cfr. 1 Cor. 10,11) o advento de Cristo, redentor universal, e o do reino messiânico (DV 15).

7. O judeu helenista: Filão de Alexandria

O judeu Filão precedera esta escola, pois refutava o sentido óbvio e literal da Escritura. Segundo ele, através do sentido alegórico, ele entendia superar os passos obscuros e abrir a inteligência das Escrituras.

A alegoria entendida por Filão era, sobretudo, baseada numa perspectiva vertical: o sentido literal refere-se ao conteúdo moral, e às realidades terrestres se referem às celestes.

8. A Escola de Alexandria e de Antioquia

Neste sentido, a escola de Alexandria, de Orígenes e Clemente, à luz do cristianismo, que desenvolveu a dimensão temporal da alegoria, convertida em tipologia, ao considerarem todo o A.T. como pré-figuração da Nova Aliança.

Clemente de Alexandria, sobretudo, oferece-nos, através do método alegórico, uma interpretação cristocêntrica do AT. Para essa escola, a Escritura possui uma infinidade de sentidos, literal, moral, espiritual, etc.

Segundo Orígenes, a Escritura entende revelar verdades intelectuais e não tanto narrar as intervenções de Deus no curso da História, mesmo porque esta muitas vezes não faz mais do que ocultar a Revelação.

Ele refuta o sentido literal como suficiente para entender as Escrituras, por um princípio de racionalidade; no entanto, tudo isso para afirmar a primazia do sentido da fé.

Aparentemente do lado oposto, a Escola de Antioquia, da qual relevamos o nome de Teodoro de Mopsuéstia, influenciada pelas correntes do judaísmo, traduziu o retorno ao sentido literal e histórico da Escritura.

Para a exegese antioquena, as profecias bíblicas tinham um duplo sentido: aquele histórico e messiânico ao mesmo tempo. Eles propunham a interpretação literal e filológica, dentro do marco da história da Salvação. O sentido ‘cristocêntrico’ das profecias estava no texto e não era algo sobreposto, descoberto somente através do recurso à alegoria.

Juntamente com ele, deverá marcar o método literal J. Crisóstomo (+417), “cujas interpretações exegéticas constituem uma das principais fontes das catenae, converteu-se no maior defensor da exegese antioquena” (TREBOLLE,1993, p. 640).

Ambas as escolas de exegese encontram-se do mesmo lado, seja na alegoria, que centra em Cristo toda a verdadeira compreensão das Escrituras, seja na interpretação literal, elas não se afastam do Cânon como regra da fé, e por isso constituem esforços racionais de exprimir e apoderar-se do dado revelado.

Estas, no interno da mesma Igreja (contrária às heresias que formam igrejas à parte), fundam um princípio racional que leva ao espírito da Letra Sagrada.

Na hora de estabelecer o critério para saber se uma passagem devia ser interpretada literalmente ou não, recorria-se àregula fidei e a um princípio racional: não é válido interpretar literalmente uma passagem que seja absolutamente contrária à razão. A regra da fé constitui-se em critério tanto para a Escritura, cuja fonte é a Revelação, como para a filosofia, cuja fonte é a razão.

Fílon e os padres cristãos conheciam a ideia da subordinação da filosofia à Escritura, simbolizadas nas figuras de Agar, a escrava, e de Sara, a senhora (TREBOLLE, 1993, p. 642).

Padre Pedro Paulo Alves dos Santos
Autor

Padre Pedro Paulo Alves dos Santos

Doutor em Teologia Bíblica