Arquidiocese do Rio de Janeiro

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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 22/11/2017

22 de Novembro de 2017

Senhor, dá-nos sempre deste pão

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Senhor, dá-nos sempre deste pão

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08/08/2015 14:46 - Atualizado em 08/08/2015 14:46

Senhor, dá-nos sempre deste pão 0

08/08/2015 14:46 - Atualizado em 08/08/2015 14:46

No elenco de leituras do ano B, encontramos o sinal da multiplicação dos pães e dos peixes e o discurso do pão da vida (Jo 6) distribuídos nos domingos desde a 17ª até a 21ª semana do tempo comum. As palavras de Jesus aos judeus na sinagoga de cafarnaum são de importância capital para compreendermos que Ele é o pão vivo descido dos céus (Jo 6,41). A palavra “pão”, nesse discurso, apresenta pelo menos três sentidos por meio dos quais podemos conhecer a obra de salvação de Cristo.

O primeiro sentido do termo “pão” é o de “alimento para o corpo”. Embora, no discurso do pão da vida, Jesus tenha sido muito duro com as pessoas que o procuravam apenas por causa do sustento corporal e de projeções sociopolíticas (Jo 6,26-27), podemos afirmar o reiterado interesse do Senhor na vivência da pobreza evangélica (Mt 5,3) e na prática da caridade para com aquelas pessoas que não têm o mínimo para viver (Mt 25,31-46). O Deus da vida criou o mundo com condições para alimentar e satisfazer às necessidades humanas. Por meio do trabalho, o homem é chamado a conseguir o seu sustento e contribuir para o bem de toda a família humana. Por meio da inserção política e social, os cristãos são chamados a assumir uma “responsabilidade efetiva em relação a seus irmãos” afetados pelo drama da fome (CIC 2831) e “instaurar a justiça nas relações pessoais e sociais, econômicas e internacionais” (CIC 2832). Todavia, este primeiro sentido do “pão”, apesar de ser fundamental, não é ainda suficiente.

O segundo sentido do termo “pão” nasce da própria espiritualidade judaica vivida por Jesus e transmitida por Ele aos seus discípulos. A pregação profética já tinha assinalado que existe uma fome que não é de pão, uma sede que não é de água, mas de ouvir a Palavra de Deus (cf. Am 8,11). O homem possui uma fome e uma sede de Deus. Essa carência humana só pode ser saciada quando o Senhor se doa ao homem. No episódio das tentações, Jesus respondeu a instigação demoníaca de transformar pedras em pão, citando Dt 8,3: “O homem não vive apenas de pão, mas de tudo aquilo que procede da boca de Deus” (Mt 4,4). O Senhor ratifica a existência da fome da Palavra de Deus. De fato, o homem precisa da sabedoria divina para poder se autocompreender e para entender a história e o cosmo como dons do amor divino. A grande advertência presente no discurso do pão da vida é justamente esta: os homens procuram Jesus somente pelo pão corporal e não pelo pão da palavra (Jo 6,45). Só o Senhor, disse Pedro depois que todos o abandonaram naquele dia em Cafarnaum, tens palavras de vida eterna (Jo 6,67-69).

O terceiro sentido do termo “pão” é apresentado pelo Senhor de forma muito categórica: “Eu sou o pão vivo descido do céu. Quem comer deste pão viverá para sempre. O pão que darei é a minha carne para a vida do mundo” (Jo 6,51). O pão eucarístico aparece, então, como o pão por excelência dado por Deus aos homens. Isso porque se alimentar da Eucaristia é condição para vivermos unidos a Cristo – “Quem come minha carne e bebe meu sangue permanece em mim e eu nele” (Jo 6,56) –, para sermos membros de seu Corpo – “assim como o Pai, que vive me enviou e eu vivo pelo Pai, também aquele que de mim se alimenta viverá por mim” (Jo 6,57) – e para sermos salvos – “quem come minha carne e bebe meu sangue tem a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia” (Jo 6,54).  Os cristãos, alimentados pelo corpo do Senhor, recebem em profusão os bens celestes e podem comunicá-los no mundo através da vida de serviço e de caridade, prolongando em suas vidas o ministério de Jesus.

O “pão corporal”, o “pão da palavra” e o “pão eucarístico” estão em profunda relação. Todos os três são um dom de Deus em favor dos homens, a fim de que esses sejam capazes de viver em plenitude. A Igreja aprendeu com o seu Senhor a petição pelo “pão nosso de cada dia” e reza ao Pai, pedindo que a humanidade seja alimentada pelo pão – fruto da terra e do trabalho do homem, pela palavra – revelação da identidade e da vontade divina e pela eucarística – comunhão de vida com o mistério pascal de Cristo. Nutridos, assim, os homens poderão testemunhar que quem se aproxima de Cristo é saciado de sua fome e de sua sede (Jo 6,35).


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Senhor, dá-nos sempre deste pão

08/08/2015 14:46 - Atualizado em 08/08/2015 14:46

No elenco de leituras do ano B, encontramos o sinal da multiplicação dos pães e dos peixes e o discurso do pão da vida (Jo 6) distribuídos nos domingos desde a 17ª até a 21ª semana do tempo comum. As palavras de Jesus aos judeus na sinagoga de cafarnaum são de importância capital para compreendermos que Ele é o pão vivo descido dos céus (Jo 6,41). A palavra “pão”, nesse discurso, apresenta pelo menos três sentidos por meio dos quais podemos conhecer a obra de salvação de Cristo.

O primeiro sentido do termo “pão” é o de “alimento para o corpo”. Embora, no discurso do pão da vida, Jesus tenha sido muito duro com as pessoas que o procuravam apenas por causa do sustento corporal e de projeções sociopolíticas (Jo 6,26-27), podemos afirmar o reiterado interesse do Senhor na vivência da pobreza evangélica (Mt 5,3) e na prática da caridade para com aquelas pessoas que não têm o mínimo para viver (Mt 25,31-46). O Deus da vida criou o mundo com condições para alimentar e satisfazer às necessidades humanas. Por meio do trabalho, o homem é chamado a conseguir o seu sustento e contribuir para o bem de toda a família humana. Por meio da inserção política e social, os cristãos são chamados a assumir uma “responsabilidade efetiva em relação a seus irmãos” afetados pelo drama da fome (CIC 2831) e “instaurar a justiça nas relações pessoais e sociais, econômicas e internacionais” (CIC 2832). Todavia, este primeiro sentido do “pão”, apesar de ser fundamental, não é ainda suficiente.

O segundo sentido do termo “pão” nasce da própria espiritualidade judaica vivida por Jesus e transmitida por Ele aos seus discípulos. A pregação profética já tinha assinalado que existe uma fome que não é de pão, uma sede que não é de água, mas de ouvir a Palavra de Deus (cf. Am 8,11). O homem possui uma fome e uma sede de Deus. Essa carência humana só pode ser saciada quando o Senhor se doa ao homem. No episódio das tentações, Jesus respondeu a instigação demoníaca de transformar pedras em pão, citando Dt 8,3: “O homem não vive apenas de pão, mas de tudo aquilo que procede da boca de Deus” (Mt 4,4). O Senhor ratifica a existência da fome da Palavra de Deus. De fato, o homem precisa da sabedoria divina para poder se autocompreender e para entender a história e o cosmo como dons do amor divino. A grande advertência presente no discurso do pão da vida é justamente esta: os homens procuram Jesus somente pelo pão corporal e não pelo pão da palavra (Jo 6,45). Só o Senhor, disse Pedro depois que todos o abandonaram naquele dia em Cafarnaum, tens palavras de vida eterna (Jo 6,67-69).

O terceiro sentido do termo “pão” é apresentado pelo Senhor de forma muito categórica: “Eu sou o pão vivo descido do céu. Quem comer deste pão viverá para sempre. O pão que darei é a minha carne para a vida do mundo” (Jo 6,51). O pão eucarístico aparece, então, como o pão por excelência dado por Deus aos homens. Isso porque se alimentar da Eucaristia é condição para vivermos unidos a Cristo – “Quem come minha carne e bebe meu sangue permanece em mim e eu nele” (Jo 6,56) –, para sermos membros de seu Corpo – “assim como o Pai, que vive me enviou e eu vivo pelo Pai, também aquele que de mim se alimenta viverá por mim” (Jo 6,57) – e para sermos salvos – “quem come minha carne e bebe meu sangue tem a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia” (Jo 6,54).  Os cristãos, alimentados pelo corpo do Senhor, recebem em profusão os bens celestes e podem comunicá-los no mundo através da vida de serviço e de caridade, prolongando em suas vidas o ministério de Jesus.

O “pão corporal”, o “pão da palavra” e o “pão eucarístico” estão em profunda relação. Todos os três são um dom de Deus em favor dos homens, a fim de que esses sejam capazes de viver em plenitude. A Igreja aprendeu com o seu Senhor a petição pelo “pão nosso de cada dia” e reza ao Pai, pedindo que a humanidade seja alimentada pelo pão – fruto da terra e do trabalho do homem, pela palavra – revelação da identidade e da vontade divina e pela eucarística – comunhão de vida com o mistério pascal de Cristo. Nutridos, assim, os homens poderão testemunhar que quem se aproxima de Cristo é saciado de sua fome e de sua sede (Jo 6,35).


Padre Vitor Gino Finelon
Autor

Padre Vitor Gino Finelon

Professor das Escolas de Fé e Catequese Mater Ecclesiae e Luz e Vida