Arquidiocese do Rio de Janeiro

28º 24º

Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 14/11/2019

14 de Novembro de 2019

Cristo, Pão da Vida!

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14 de Novembro de 2019

Cristo, Pão da Vida!

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02/08/2015 14:24 - Atualizado em 02/08/2015 14:24

Cristo, Pão da Vida! 0

02/08/2015 14:24 - Atualizado em 02/08/2015 14:24

Continuamos neste final de semana com a reflexão do capítulo 6º do Evangelho de João. Devido ao tamanho do Evangelho de Marcos, neste ano a Igreja inseriu nestes 5 domingos que ora vivemos esse texto que, iniciando com a multiplicação dos pães, nos leva ao grande anúncio de Jesus como pão da vida. O texto de João foi escrito algumas décadas depois do Evangelho de Marcos e oferece-nos um exemplo de meditação eclesial sobre o tema do pão, que já foi desenvolvido na “seção dos pães”.

A liturgia interrompe, pois, a leitura de Marcos no 16º domingo e, no ponto onde Marcos, continuando o texto corrido, traz a multiplicação dos pães, nos faz ouvir a versão de João desse evento e “o discurso do Pão da vida” do Evangelho de João, como os biblistas chamam o conjunto das palavras de Jesus sobre o significado do dom do pão, em Jo 6,25-59. O Evangelista João medita as palavras de Jesus sobre o dom do pão em forma de uma discussão do Mestre com seus conterrâneos, na sinagoga de Cafarnaum (Jo 6,59).

O pão e comunhão em torno da mesa eram símbolos centrais da primeira comunidade cristã. Na Igreja, vivia fortemente a lembrança da comunhão de mesa com Jesus, o Messias. As lembranças mais vezes narradas da vida de Jesus, nos Evangelhos e nas cartas de Paulo, são a multiplicação dos pães e a Última Ceia. Nas reuniões de banquete fraterno, chamadas ágape, era como se o Senhor mesmo estivesse presente no meio deles. Presença real! A lembrança do banquete messiânico à beira do lago, em Genesaré, se revestia de atualidade sempre nova. Em nenhum escrito do Novo Testamento aparecem tão claramente as ressonâncias mais profundas dessa memória como no Evangelho de João.

Começamos, a seguir, o texto de João a partir da volta de Jesus a Carfanaum, depois da multiplicação dos pães (Jo 6,24). Os conterrâneos procuram Jesus, querem saber como de repente ele está de volta em Cafarnaum se não embarcou com os discípulos na noite anterior. Jesus lhes faz sentir que apesar de terem presenciado o milagre do pão, não enxergaram neste um sinal daquilo que Ele representa e é: a realidade de Deus oferecida ao mundo. Apenas se saciaram de pão. São como um motorista que pensa que sinal vermelho é apenas enfeite.

Jesus diz que a única obra que Deus espera deles é que acreditem naquele que ele enviou (6, 29). Percebendo que Jesus está falando de si mesmo, pedem suas credenciais como condição para quanto nele acreditarem. Moisés, no tempo dos antepassados, tinha credenciais! No tempo de Moisés, no deserto, os “pais” comeram o maná, como está escrito: “Deu-lhes pão do céu de comer” (6,31). Jesus responde que não foi Moisés que deu o pão do céu, e sim aquele que desce do céu e dá vida ao mundo. Jesus alimentou a multidão, mas seus interpelantes não reconhecem esse “sinal”. Ficam racionando no trilho do pão material: “Dá-nos sempre esse pão” – para não mais precisarem trabalhar. Então, Jesus diz abertamente o que significava a sua palavra ambígua e o sinal que Ele realizou no dia anterior: o pão, aquele que desce do céu, é ele mesmo! “Eu sou o pão da vida. Quem vem a mim não terá mais fome e quem crê em mim não terá mais sede”. (6, 35).

Quem conhece as Escrituras reconhece nestas palavras a proclamação de um discípulo de Isaías, que escreveu no tempo do Exílio babilônico a segunda parte do livro que leva o nome do grande profeta. Em meio à idolatria da Babilônia, esse discípulo dirige o coração dos exilados judeus para o único Senhor, que vale muito mais que o sistema babilônico com seus deuses e vãs ilusões. O que se consegue com os babilônios não vale nada, exatamente como o que se compra nas lojas: é pão que não alimenta! Mas quem escuta a voz do Senhor recebe a sabedoria da vida, a Aliança duradoura com Deus, o cumprimento de suas promessas (Is 55,1-3). É isso que Jesus lembra quando fala que ele é o pão da vida e que não sofrerá sede nem fome quem se dirigir a ele.

Portanto, ao celebrarmos este Décimo Oitavo Domingo do Tempo Comum queremos meditar sobre o valor da Eucaristia e nossas vidas. Hoje também nos alegramos, pois celebramos o primeiro domingo de agosto. Agosto é o mês das vocações. Neste primeiro domingo de agosto recordamos a vocação ao ministério ordenado, bispos, padres e diáconos. Que Jesus Nosso Senhor envie mais operários para sua messe! E ilumine também todos os padres de nossa amada Arquidiocese e do mundo inteiro. Peçamos ao Senhor da Messe e Pastor do Rebanho que floresçam em nossas famílias santas e abençoadas vocações sacerdotais para o atendimento espiritual do povo de Deus. Peçamos padres para a nossa Arquidiocese, e que os pais sempre rezem, também, para que seus filhos procurem a vida sacerdotal.

Meu afetuoso abraço e a minha bênção para todos os sacerdotes!

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Cristo, Pão da Vida!

02/08/2015 14:24 - Atualizado em 02/08/2015 14:24

Continuamos neste final de semana com a reflexão do capítulo 6º do Evangelho de João. Devido ao tamanho do Evangelho de Marcos, neste ano a Igreja inseriu nestes 5 domingos que ora vivemos esse texto que, iniciando com a multiplicação dos pães, nos leva ao grande anúncio de Jesus como pão da vida. O texto de João foi escrito algumas décadas depois do Evangelho de Marcos e oferece-nos um exemplo de meditação eclesial sobre o tema do pão, que já foi desenvolvido na “seção dos pães”.

A liturgia interrompe, pois, a leitura de Marcos no 16º domingo e, no ponto onde Marcos, continuando o texto corrido, traz a multiplicação dos pães, nos faz ouvir a versão de João desse evento e “o discurso do Pão da vida” do Evangelho de João, como os biblistas chamam o conjunto das palavras de Jesus sobre o significado do dom do pão, em Jo 6,25-59. O Evangelista João medita as palavras de Jesus sobre o dom do pão em forma de uma discussão do Mestre com seus conterrâneos, na sinagoga de Cafarnaum (Jo 6,59).

O pão e comunhão em torno da mesa eram símbolos centrais da primeira comunidade cristã. Na Igreja, vivia fortemente a lembrança da comunhão de mesa com Jesus, o Messias. As lembranças mais vezes narradas da vida de Jesus, nos Evangelhos e nas cartas de Paulo, são a multiplicação dos pães e a Última Ceia. Nas reuniões de banquete fraterno, chamadas ágape, era como se o Senhor mesmo estivesse presente no meio deles. Presença real! A lembrança do banquete messiânico à beira do lago, em Genesaré, se revestia de atualidade sempre nova. Em nenhum escrito do Novo Testamento aparecem tão claramente as ressonâncias mais profundas dessa memória como no Evangelho de João.

Começamos, a seguir, o texto de João a partir da volta de Jesus a Carfanaum, depois da multiplicação dos pães (Jo 6,24). Os conterrâneos procuram Jesus, querem saber como de repente ele está de volta em Cafarnaum se não embarcou com os discípulos na noite anterior. Jesus lhes faz sentir que apesar de terem presenciado o milagre do pão, não enxergaram neste um sinal daquilo que Ele representa e é: a realidade de Deus oferecida ao mundo. Apenas se saciaram de pão. São como um motorista que pensa que sinal vermelho é apenas enfeite.

Jesus diz que a única obra que Deus espera deles é que acreditem naquele que ele enviou (6, 29). Percebendo que Jesus está falando de si mesmo, pedem suas credenciais como condição para quanto nele acreditarem. Moisés, no tempo dos antepassados, tinha credenciais! No tempo de Moisés, no deserto, os “pais” comeram o maná, como está escrito: “Deu-lhes pão do céu de comer” (6,31). Jesus responde que não foi Moisés que deu o pão do céu, e sim aquele que desce do céu e dá vida ao mundo. Jesus alimentou a multidão, mas seus interpelantes não reconhecem esse “sinal”. Ficam racionando no trilho do pão material: “Dá-nos sempre esse pão” – para não mais precisarem trabalhar. Então, Jesus diz abertamente o que significava a sua palavra ambígua e o sinal que Ele realizou no dia anterior: o pão, aquele que desce do céu, é ele mesmo! “Eu sou o pão da vida. Quem vem a mim não terá mais fome e quem crê em mim não terá mais sede”. (6, 35).

Quem conhece as Escrituras reconhece nestas palavras a proclamação de um discípulo de Isaías, que escreveu no tempo do Exílio babilônico a segunda parte do livro que leva o nome do grande profeta. Em meio à idolatria da Babilônia, esse discípulo dirige o coração dos exilados judeus para o único Senhor, que vale muito mais que o sistema babilônico com seus deuses e vãs ilusões. O que se consegue com os babilônios não vale nada, exatamente como o que se compra nas lojas: é pão que não alimenta! Mas quem escuta a voz do Senhor recebe a sabedoria da vida, a Aliança duradoura com Deus, o cumprimento de suas promessas (Is 55,1-3). É isso que Jesus lembra quando fala que ele é o pão da vida e que não sofrerá sede nem fome quem se dirigir a ele.

Portanto, ao celebrarmos este Décimo Oitavo Domingo do Tempo Comum queremos meditar sobre o valor da Eucaristia e nossas vidas. Hoje também nos alegramos, pois celebramos o primeiro domingo de agosto. Agosto é o mês das vocações. Neste primeiro domingo de agosto recordamos a vocação ao ministério ordenado, bispos, padres e diáconos. Que Jesus Nosso Senhor envie mais operários para sua messe! E ilumine também todos os padres de nossa amada Arquidiocese e do mundo inteiro. Peçamos ao Senhor da Messe e Pastor do Rebanho que floresçam em nossas famílias santas e abençoadas vocações sacerdotais para o atendimento espiritual do povo de Deus. Peçamos padres para a nossa Arquidiocese, e que os pais sempre rezem, também, para que seus filhos procurem a vida sacerdotal.

Meu afetuoso abraço e a minha bênção para todos os sacerdotes!

Cardeal Orani João Tempesta
Autor

Cardeal Orani João Tempesta

Arcebispo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro