Arquidiocese do Rio de Janeiro

33º 23º

Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 19/03/2019

19 de Março de 2019

Pastor da reconciliação!

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21/07/2015 00:00 - Atualizado em 24/07/2015 18:57

Pastor da reconciliação! 0

21/07/2015 00:00 - Atualizado em 24/07/2015 18:57

Aos 23 de maio deste ano, em celebração presidida pelo Cardeal Angelo Amato, Prefeito da Congregação para as Causas dos Santos, assistimos à beatificação de Oscar Romero, em São Salvador, na América Central. Naquela alegria que contagiou todos os latino-americanos pela graça do reconhecimento das virtudes heroicas de um grande Pastor, pensei muito nos vários mártires que, na esteira do testemunho do Arcebispo de São Salvador, foram e estão sendo martirizados e que o seu sangue tem irrigado os canteiros de santidade não só no sofrido continente latino-americano, mas em todo o mundo.

Dom Oscar Arnulfo Romero y Galdamez foi uma testemunha da verdade do Evangelho. A sua morte trágica, quando o mesmo tombou no Altar da Eucaristia, nos demonstra que ele foi uma testemunha qualificada do Evangelho, amigo dos pequenos, dos fracos, dos pobres, dos prisioneiros e um autêntico pastor que defendeu a liberdade, promoveu a justiça e conclamou autoridades, forças vivas da sociedade e o povo santo de Deus para construir a cultura da paz em todo o seu país.

A pregação de Dom Romero é atualíssima e muito simples: arrependimento dos seus pecados, particularmente dos pecados sociais e dos pecados contra a vida humana. A sua pregação, longe de ser uma convocação política, é a vivência cotidiana da harmonia dos postulados evangélicos, iluminados pela Doutrina Social da Igreja em comunhão com esta através do Papa. Ele foi encorajado pelos exemplos do Papa Paulo VI e por São João Paulo II.

Naquele momento histórico das décadas de 80 e 90 do século passado, em que a sociedade salvadorenha era marcada pela corrupção generalizada, pela miséria do povo, pela perseguição aos que denunciavam o sistema vigente, pela opressão do povo mais humilde, da concentração de riquezas, uma sociedade dilacerada pelas discórdias, cresceu para os poderosos o “odium fidei” quando se estabeleceu a cultura da opressão e o império nefasto da morte.

O testemunho do sacerdote jesuíta, Padre Rutílio Grande, que viveu o Evangelho no meio dos pobres e O comunicou aos mais humildes, fez germinar no coração do Beato Oscar Romero a fortaleza pastoral em que o seu ministério de Arcebispo primaz era pautado pela defesa da Igreja, e pela defesa dos pobres. Por isso, Romero foi perseguido, seus sacerdotes vilipendiados, com um saldo de 15% do clero autóctone acuado, maltratado, assassinado ou sofrendo algum tipo de crime moral ou contra a sua própria vida.

Dom Oscar Romero anunciou aquilo que a Igreja Católica sempre pregou: compreender nos dias conturbados em que vivemos o mandamento de Deus: “Não matarás”! Ele conclamou a todos, na sua pregação profundamente evangélica, a abandonar os ídolos do poder, da riqueza, da violência e do acúmulo, alertando que havia uma perda paulatina do sentido de que o corpo humano é templo do Espírito Santo.

Qual foi a arma usada por Romero? As armas da fé e do Evangelho. Qual é o centro do testemunho deste mártir? A chamada à conversão e à reconciliação pela fraternidade na Igreja e na sociedade com a educação para a vivência plena do Evangelho, iluminado pela Doutrina Social da Igreja e pela coragem de denunciar os crimes que sangram a sociedade e estabelece o terror em detrimento com a paz.

No exercício de seu ministério episcopal, o Arcebispo denunciou os que queriam perseguir o clero, porque seus padres e o seu Arcebispo estavam caminhando junto com os que sofriam, defendendo os pobres e os últimos, denunciando os abusos da violência generalizada e pregando o Evangelho do amor de Jesus, na construção da fraternidade e na vivência da justiça para que a paz se estabelecesse. Dom Oscar nos ensinou a usar a “objeção de consciência”, nos legou a defesa dos últimos, dos preferidos de Jesus, vivendo a caridade. Afinal, foi a caridade a sua teologia, porque ele pregou que o mundo precisa construir a paz e promover a concórdia, com as suas sábias palavras: “Coragem, é o senhor que comanda”!

Eu sempre costumo dizer: força e coragem. Pela força que vem da Santíssima Trindade e pela coragem testemunhada em honra da fé católica por Dom Romero, a Igreja reconheceu que este Arcebispo foi um defensor da fé: dos fiéis e do seu clero. Dom Romero nos ensina a todos a apaziguar os conflitos nas Terras da Santa Cruz. O legado do Beato Oscar Romero nos compromete com os últimos, nos postos à margem pela sociedade, nos menos favorecidos.

Que São Bento e São Bernardo, que nos ensinaram, como o Beato Oscar Romero, a ver o Cristo e O servir, preferencialmente nos pobres, nos ajudem a trilhar a santidade. Uma santidade que passa pela misericórdia, lembrando sempre o que nos pede o Papa: “in Christo, Misericordiae Vultus”.

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Pastor da reconciliação!

21/07/2015 00:00 - Atualizado em 24/07/2015 18:57

Aos 23 de maio deste ano, em celebração presidida pelo Cardeal Angelo Amato, Prefeito da Congregação para as Causas dos Santos, assistimos à beatificação de Oscar Romero, em São Salvador, na América Central. Naquela alegria que contagiou todos os latino-americanos pela graça do reconhecimento das virtudes heroicas de um grande Pastor, pensei muito nos vários mártires que, na esteira do testemunho do Arcebispo de São Salvador, foram e estão sendo martirizados e que o seu sangue tem irrigado os canteiros de santidade não só no sofrido continente latino-americano, mas em todo o mundo.

Dom Oscar Arnulfo Romero y Galdamez foi uma testemunha da verdade do Evangelho. A sua morte trágica, quando o mesmo tombou no Altar da Eucaristia, nos demonstra que ele foi uma testemunha qualificada do Evangelho, amigo dos pequenos, dos fracos, dos pobres, dos prisioneiros e um autêntico pastor que defendeu a liberdade, promoveu a justiça e conclamou autoridades, forças vivas da sociedade e o povo santo de Deus para construir a cultura da paz em todo o seu país.

A pregação de Dom Romero é atualíssima e muito simples: arrependimento dos seus pecados, particularmente dos pecados sociais e dos pecados contra a vida humana. A sua pregação, longe de ser uma convocação política, é a vivência cotidiana da harmonia dos postulados evangélicos, iluminados pela Doutrina Social da Igreja em comunhão com esta através do Papa. Ele foi encorajado pelos exemplos do Papa Paulo VI e por São João Paulo II.

Naquele momento histórico das décadas de 80 e 90 do século passado, em que a sociedade salvadorenha era marcada pela corrupção generalizada, pela miséria do povo, pela perseguição aos que denunciavam o sistema vigente, pela opressão do povo mais humilde, da concentração de riquezas, uma sociedade dilacerada pelas discórdias, cresceu para os poderosos o “odium fidei” quando se estabeleceu a cultura da opressão e o império nefasto da morte.

O testemunho do sacerdote jesuíta, Padre Rutílio Grande, que viveu o Evangelho no meio dos pobres e O comunicou aos mais humildes, fez germinar no coração do Beato Oscar Romero a fortaleza pastoral em que o seu ministério de Arcebispo primaz era pautado pela defesa da Igreja, e pela defesa dos pobres. Por isso, Romero foi perseguido, seus sacerdotes vilipendiados, com um saldo de 15% do clero autóctone acuado, maltratado, assassinado ou sofrendo algum tipo de crime moral ou contra a sua própria vida.

Dom Oscar Romero anunciou aquilo que a Igreja Católica sempre pregou: compreender nos dias conturbados em que vivemos o mandamento de Deus: “Não matarás”! Ele conclamou a todos, na sua pregação profundamente evangélica, a abandonar os ídolos do poder, da riqueza, da violência e do acúmulo, alertando que havia uma perda paulatina do sentido de que o corpo humano é templo do Espírito Santo.

Qual foi a arma usada por Romero? As armas da fé e do Evangelho. Qual é o centro do testemunho deste mártir? A chamada à conversão e à reconciliação pela fraternidade na Igreja e na sociedade com a educação para a vivência plena do Evangelho, iluminado pela Doutrina Social da Igreja e pela coragem de denunciar os crimes que sangram a sociedade e estabelece o terror em detrimento com a paz.

No exercício de seu ministério episcopal, o Arcebispo denunciou os que queriam perseguir o clero, porque seus padres e o seu Arcebispo estavam caminhando junto com os que sofriam, defendendo os pobres e os últimos, denunciando os abusos da violência generalizada e pregando o Evangelho do amor de Jesus, na construção da fraternidade e na vivência da justiça para que a paz se estabelecesse. Dom Oscar nos ensinou a usar a “objeção de consciência”, nos legou a defesa dos últimos, dos preferidos de Jesus, vivendo a caridade. Afinal, foi a caridade a sua teologia, porque ele pregou que o mundo precisa construir a paz e promover a concórdia, com as suas sábias palavras: “Coragem, é o senhor que comanda”!

Eu sempre costumo dizer: força e coragem. Pela força que vem da Santíssima Trindade e pela coragem testemunhada em honra da fé católica por Dom Romero, a Igreja reconheceu que este Arcebispo foi um defensor da fé: dos fiéis e do seu clero. Dom Romero nos ensina a todos a apaziguar os conflitos nas Terras da Santa Cruz. O legado do Beato Oscar Romero nos compromete com os últimos, nos postos à margem pela sociedade, nos menos favorecidos.

Que São Bento e São Bernardo, que nos ensinaram, como o Beato Oscar Romero, a ver o Cristo e O servir, preferencialmente nos pobres, nos ajudem a trilhar a santidade. Uma santidade que passa pela misericórdia, lembrando sempre o que nos pede o Papa: “in Christo, Misericordiae Vultus”.

Cardeal Orani João Tempesta
Autor

Cardeal Orani João Tempesta

Arcebispo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro