Arquidiocese do Rio de Janeiro

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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 23/10/2017

23 de Outubro de 2017

Alimentados por Deus

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24/07/2015 18:32 - Atualizado em 24/07/2015 18:37

Alimentados por Deus 0

24/07/2015 18:32 - Atualizado em 24/07/2015 18:37

O episódio da multiplicação dos pães, narrado nos evangelhos (Mt 14,13-21; Mc 6,30-44; Lc 9,12-17; Jo 6,1-15), nos revela a ação de Deus alimentando o seu povo. Esse milagre parece ter sido de importância fundamental para a Igreja primitiva. Ele, em primeiro lugar, foi identificado como um evento próprio do tempo messiânico e foi narrado à luz da experiência das celebrações eucarísticas das primeiras comunidades cristãs. Isso fica claro na sequência de ações e palavras realizadas por Jesus, a fim de que a multiplicação ocorresse: tomou o pão em suas mãos, deu graças, partiu-o e deu-o aos discípulos para que o distribuíssem aos presentes.

Na Escritura Sagrada, a refeição aparece como ocasião para expressar a comunhão de vida entre Deus e o os homens. No Primeiro Testamento, o relato da criação nos revela que Deus é o criador da ordem natural das coisas: da terra, capaz de germinar os seus frutos, e do homem, desejoso de Deus e hábil ao trabalho. No plano divino original, o homem foi criado para trabalhar e viver dos frutos da terra. Outro importante episódio bíblico acontece durante a travessia do deserto. O povo de Deus diante da possibilidade de morrer de fome e de sede é alimentado por Deus com o maná, com as cordonizes, bem como com a água de Mara (Ex 15,24-25; 16,12-14). Ainda numa situação de carestia, o Antigo Testamento nos apresenta o profeta Elias sendo também nutrido com pão cozido e água, por Deus, no deserto (1Rs 19,6-8). Tanto o povo de Israel quanto o profeta foram sustentados por Deus, a fim de que vivessem e cumprissem sua missão. Além disso, os profetas anunciavam o reino definitivo de Deus através da imagem de um grande banquete festivo (Is 25,6-12).

No Novo Testamento, Jesus alimentou os seus discípulos e as multidões, como apresentado nas narrativas evangélicas da multiplicação dos pães. Ademais, o Senhor frequentou, segundo os evangelhos, várias refeições (Mt 9,10; Mc 2,15; Lc 7,36). Nelas, Ele ensinava, perdoava, vocacionava, rezava, julgava e partilhava a mesa com os pecadores e os publicanos (Lc 15,2). Em suas parábolas, Ele introduz também o tema do banquete festivo com o intuito de ensinar sobre a alegria e o clima familiar do reino escatológico de Deus (Mt 8,11; Lc 14,15). No fim de sua vida, Jesus se reúne com os seus discípulos numa ceia pascal e deixa o memorial de sua morte e ressurreição, identificando seu corpo com o pão e seu sangue com o vinho (Mt 26,26-29; Mc 14,22-25; Lc 22,19-20). Após a ressurreição, Jesus apareceu e ceou com seus discípulos (Lc 24,30; Jo 21,12). O banquete eucarístico é o grande dom deixado pelo Senhor para os seus discípulos, no qual ele oferece seu corpo, como verdadeira comida, e seu sangue, como verdadeira bebida (Jo 6,55). Desta forma, na vida de Jesus Cristo o gesto da refeição tem um valor capital. Ele se apresentou como o pão da vida descido dos céus (Jo 6,51).

A Igreja, na celebração da eucarística, se sente alimentada pelo próprio Deus. O Catecismo da Igreja Católica, nº1382, chama o sacramento de “o banquete sagrado da comunhão do corpo e do sangue do Senhor”. Na missa, no momento da comunhão, o sacerdote é quem deposita na boca ou na mão dos fiéis a hóstia como um sinal da presença de Deus que alimenta seu povo. Desta forma, alimentados por Deus na celebração eucarística, se abre ao cristão uma tríplice vocação. Ele é chamado a ser faminto e sedento de justiça (Mt 5,6), ou seja, viver no mundo cumprindo a vontade do Pai, alimentando o mundo com o seu testemunho de caridade. Ele é, ainda, chamado a saciar a fome e a sede de Deus presente no mundo, anunciando que a fé em Jesus é o verdadeiro alimento (Jo 6,57). E, por fim, é chamado a acolher e cuidar do próprio Senhor presente nos menores dos irmãos, sedentos e famintos do alimento material (Mt 25,35). A vocação do cristão terminará no dia em que ele entrar no banquete final anunciado por Jesus aos seus discípulos (Lc 14,17).

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Alimentados por Deus

24/07/2015 18:32 - Atualizado em 24/07/2015 18:37

O episódio da multiplicação dos pães, narrado nos evangelhos (Mt 14,13-21; Mc 6,30-44; Lc 9,12-17; Jo 6,1-15), nos revela a ação de Deus alimentando o seu povo. Esse milagre parece ter sido de importância fundamental para a Igreja primitiva. Ele, em primeiro lugar, foi identificado como um evento próprio do tempo messiânico e foi narrado à luz da experiência das celebrações eucarísticas das primeiras comunidades cristãs. Isso fica claro na sequência de ações e palavras realizadas por Jesus, a fim de que a multiplicação ocorresse: tomou o pão em suas mãos, deu graças, partiu-o e deu-o aos discípulos para que o distribuíssem aos presentes.

Na Escritura Sagrada, a refeição aparece como ocasião para expressar a comunhão de vida entre Deus e o os homens. No Primeiro Testamento, o relato da criação nos revela que Deus é o criador da ordem natural das coisas: da terra, capaz de germinar os seus frutos, e do homem, desejoso de Deus e hábil ao trabalho. No plano divino original, o homem foi criado para trabalhar e viver dos frutos da terra. Outro importante episódio bíblico acontece durante a travessia do deserto. O povo de Deus diante da possibilidade de morrer de fome e de sede é alimentado por Deus com o maná, com as cordonizes, bem como com a água de Mara (Ex 15,24-25; 16,12-14). Ainda numa situação de carestia, o Antigo Testamento nos apresenta o profeta Elias sendo também nutrido com pão cozido e água, por Deus, no deserto (1Rs 19,6-8). Tanto o povo de Israel quanto o profeta foram sustentados por Deus, a fim de que vivessem e cumprissem sua missão. Além disso, os profetas anunciavam o reino definitivo de Deus através da imagem de um grande banquete festivo (Is 25,6-12).

No Novo Testamento, Jesus alimentou os seus discípulos e as multidões, como apresentado nas narrativas evangélicas da multiplicação dos pães. Ademais, o Senhor frequentou, segundo os evangelhos, várias refeições (Mt 9,10; Mc 2,15; Lc 7,36). Nelas, Ele ensinava, perdoava, vocacionava, rezava, julgava e partilhava a mesa com os pecadores e os publicanos (Lc 15,2). Em suas parábolas, Ele introduz também o tema do banquete festivo com o intuito de ensinar sobre a alegria e o clima familiar do reino escatológico de Deus (Mt 8,11; Lc 14,15). No fim de sua vida, Jesus se reúne com os seus discípulos numa ceia pascal e deixa o memorial de sua morte e ressurreição, identificando seu corpo com o pão e seu sangue com o vinho (Mt 26,26-29; Mc 14,22-25; Lc 22,19-20). Após a ressurreição, Jesus apareceu e ceou com seus discípulos (Lc 24,30; Jo 21,12). O banquete eucarístico é o grande dom deixado pelo Senhor para os seus discípulos, no qual ele oferece seu corpo, como verdadeira comida, e seu sangue, como verdadeira bebida (Jo 6,55). Desta forma, na vida de Jesus Cristo o gesto da refeição tem um valor capital. Ele se apresentou como o pão da vida descido dos céus (Jo 6,51).

A Igreja, na celebração da eucarística, se sente alimentada pelo próprio Deus. O Catecismo da Igreja Católica, nº1382, chama o sacramento de “o banquete sagrado da comunhão do corpo e do sangue do Senhor”. Na missa, no momento da comunhão, o sacerdote é quem deposita na boca ou na mão dos fiéis a hóstia como um sinal da presença de Deus que alimenta seu povo. Desta forma, alimentados por Deus na celebração eucarística, se abre ao cristão uma tríplice vocação. Ele é chamado a ser faminto e sedento de justiça (Mt 5,6), ou seja, viver no mundo cumprindo a vontade do Pai, alimentando o mundo com o seu testemunho de caridade. Ele é, ainda, chamado a saciar a fome e a sede de Deus presente no mundo, anunciando que a fé em Jesus é o verdadeiro alimento (Jo 6,57). E, por fim, é chamado a acolher e cuidar do próprio Senhor presente nos menores dos irmãos, sedentos e famintos do alimento material (Mt 25,35). A vocação do cristão terminará no dia em que ele entrar no banquete final anunciado por Jesus aos seus discípulos (Lc 14,17).

Padre Vitor Gino Finelon
Autor

Padre Vitor Gino Finelon

Professor das Escolas de Fé e Catequese Mater Ecclesiae e Luz e Vida