Arquidiocese do Rio de Janeiro

32º 17º

Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 27/05/2017

27 de Maio de 2017

A Palavra de Deus na Bíblia (5): Interpretação e tradução da Bíblia

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27 de Maio de 2017

A Palavra de Deus na Bíblia (5): Interpretação e tradução da Bíblia

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17/07/2015 00:00 - Atualizado em 20/07/2015 14:19

A Palavra de Deus na Bíblia (5): Interpretação e tradução da Bíblia 0

17/07/2015 00:00 - Atualizado em 20/07/2015 14:19

Para permanecer simbólico, é necessário que o bíblico de texto permaneça em diálogo dinâmico e vital com o evento originário da autocomunicação divina, ou seja, com a revelação transmitida pela tradição viva da Igreja. Nesta recolocação, o conceito de inspiração pode ser assumido como o ponto de partida para redesenhar o equilíbrio necessário e o intercâmbio fecundo, que deve haver entre o sensus fidei, trabalho exegético, sistematização teológica e discernimento do magistério (Borgonovo, 1999, p. 63)1

1. A tradução dos LXX (setenta) ou Septuaginta2

Não se pode ignorar a importância estratégica das comunidades judaicas espalhadas no Egito helenista dos ptolomeus. Isto irá possibilitar e justificar não somente a tradução em grego dos textos da Torah e depois de todos os livros sagrados, como também irá fornecer uma ponte identidade da formação e evolução da hermenêutica judaica: Septuaginta é o nome da versão da Bíblia hebraica para o grego koiné, traduzida em etapas entre o terceiro e o primeiro século a.C. em Alexandria. Dentre outras tantas, é a mais antiga tradução da Bíblia hebraica para o grego, língua franca do Mediterrâneo oriental pelo tempo de Alexandre, o Grande. A tradução ficou conhecida como a Versão dos Setenta (ou Septuaginta, palavra latina que significa setenta, ou ainda LXX), pois 70 judeus trabalharam nela. A Septuaginta, desde o primeiro século d.C, é a versão clássica da Bíblia hebraica para os cristãos de língua grega e foi usada como base para diversas traduções da Bíblia. A Septuaginta inclui alguns livros não encontrados na Bíblia hebraica.

A versão da LXX, obra de tradução, é, ao mesmo tempo, e por isso mesmo, uma obra de interpretação.

A versão da LXX constitui-se numa obra da exegese judaica. Porém, para entender as perspectivas da leitura cristã, duas vertentes culturais são obrigatórias nesta gênesis: de um lado, o helenismo, cultura que se desenvolve sob a inspiração de Alexandre Magno e, mesmo durante o período romano, continuará a influenciar as posturas assumidas pelas primeiras gerações cristãs. 

Do outro, a obra de “tradução” dos LXX, a Bíblia grega dos judeus de Alexandria, entregue à Biblioteca de Ptolomeu IV, no terceiro século e que, segundo os autores, será o texto de referência da formação dos escritos e da hermenêutica dos escritos do cristianismo primitivo. Neste texto, de fato, percebe-se a formação de uma interpretação produzida na Diáspora judaico-helenista e que influencia a escrita literária, o léxico e as categorias de origem filosófica dos escritos do Novo Testamento. Além da língua grega, que será a escolhida para a fixação dos textos e ideias do cristianismo, em suas incursões no helenismo do 1o século, na Província Oriental do Império Romano. Existiriam conexões entre a obra e o contexto da LXX, como testemunho de uma das formas do judaísmo antigo, o da Diáspora helênica3, e a hermenêutica da formação do Cânon do NT?

Constata-se, cada vez mais, o uso deste texto grego na era cristã, não somente pelos autores da Tradição posterior à flutuação do Cânon neotestamentário, mas, sobretudo, pelos próprios hagiógrafos4. Isto é, o contexto da Formação do Cânon Cristão, que implica a decisão pela formação de um cânon propriamente judaico, aquele do “Antigo Testamento”.

Caso se pudesse demonstrar, de que maneira tais conexões possibilitam uma melhor configuração do cristianismo primitivo? Tratava-se da única fonte, até as descobertas de Qumran, da tradução da “Bíblia” hebraica, fixada posteriormente (Iº-IIº séc. d.C.) e das ideias do judaísmo alexandrino e palestinense.

Além disso, a questão pertinente é a pergunta de Margerith Harl (2007): Como a LXX, obra judaica, tornou-se o “A.T.” da Jovem Igreja cristã?

Referências: 

1     BORGONOVO, BORGONOVO, Giantonio,,Uma proposta di rilettura dell’ispirazione biblica doppo gli apporti della Form e Redaktionsgeschichte. In: GRECH, Prosper et Alii (org.), Interpretazione della Bibbia nella Chiesa. Vaticano: Edittrice Vaticana, 1999, p. 41-63.

2     Sobre este assunto leia meu artigo: DOS SANTOS, Pedro Paulo. A Septuaginta (LXX): a Torah na diáspora judaico-helenista In: Arquivo Maaravi: Revista Digital de Estudos Judaicos da UFMG, 2008.

3     https://cpantiguidade.wordpress.com/2010/01/22/o-helenismo-na-judeia Acesso 19/06/2015.

4              TREBOLLE. TREBOLLE, J.B. A Bíblia Judaica e a Bíblia cristã. Introdução à História da Bíblia. Petrópolis: Vozes, 1996: A Versão Grega da Septuaginta, p. 354.

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A Palavra de Deus na Bíblia (5): Interpretação e tradução da Bíblia

17/07/2015 00:00 - Atualizado em 20/07/2015 14:19

Para permanecer simbólico, é necessário que o bíblico de texto permaneça em diálogo dinâmico e vital com o evento originário da autocomunicação divina, ou seja, com a revelação transmitida pela tradição viva da Igreja. Nesta recolocação, o conceito de inspiração pode ser assumido como o ponto de partida para redesenhar o equilíbrio necessário e o intercâmbio fecundo, que deve haver entre o sensus fidei, trabalho exegético, sistematização teológica e discernimento do magistério (Borgonovo, 1999, p. 63)1

1. A tradução dos LXX (setenta) ou Septuaginta2

Não se pode ignorar a importância estratégica das comunidades judaicas espalhadas no Egito helenista dos ptolomeus. Isto irá possibilitar e justificar não somente a tradução em grego dos textos da Torah e depois de todos os livros sagrados, como também irá fornecer uma ponte identidade da formação e evolução da hermenêutica judaica: Septuaginta é o nome da versão da Bíblia hebraica para o grego koiné, traduzida em etapas entre o terceiro e o primeiro século a.C. em Alexandria. Dentre outras tantas, é a mais antiga tradução da Bíblia hebraica para o grego, língua franca do Mediterrâneo oriental pelo tempo de Alexandre, o Grande. A tradução ficou conhecida como a Versão dos Setenta (ou Septuaginta, palavra latina que significa setenta, ou ainda LXX), pois 70 judeus trabalharam nela. A Septuaginta, desde o primeiro século d.C, é a versão clássica da Bíblia hebraica para os cristãos de língua grega e foi usada como base para diversas traduções da Bíblia. A Septuaginta inclui alguns livros não encontrados na Bíblia hebraica.

A versão da LXX, obra de tradução, é, ao mesmo tempo, e por isso mesmo, uma obra de interpretação.

A versão da LXX constitui-se numa obra da exegese judaica. Porém, para entender as perspectivas da leitura cristã, duas vertentes culturais são obrigatórias nesta gênesis: de um lado, o helenismo, cultura que se desenvolve sob a inspiração de Alexandre Magno e, mesmo durante o período romano, continuará a influenciar as posturas assumidas pelas primeiras gerações cristãs. 

Do outro, a obra de “tradução” dos LXX, a Bíblia grega dos judeus de Alexandria, entregue à Biblioteca de Ptolomeu IV, no terceiro século e que, segundo os autores, será o texto de referência da formação dos escritos e da hermenêutica dos escritos do cristianismo primitivo. Neste texto, de fato, percebe-se a formação de uma interpretação produzida na Diáspora judaico-helenista e que influencia a escrita literária, o léxico e as categorias de origem filosófica dos escritos do Novo Testamento. Além da língua grega, que será a escolhida para a fixação dos textos e ideias do cristianismo, em suas incursões no helenismo do 1o século, na Província Oriental do Império Romano. Existiriam conexões entre a obra e o contexto da LXX, como testemunho de uma das formas do judaísmo antigo, o da Diáspora helênica3, e a hermenêutica da formação do Cânon do NT?

Constata-se, cada vez mais, o uso deste texto grego na era cristã, não somente pelos autores da Tradição posterior à flutuação do Cânon neotestamentário, mas, sobretudo, pelos próprios hagiógrafos4. Isto é, o contexto da Formação do Cânon Cristão, que implica a decisão pela formação de um cânon propriamente judaico, aquele do “Antigo Testamento”.

Caso se pudesse demonstrar, de que maneira tais conexões possibilitam uma melhor configuração do cristianismo primitivo? Tratava-se da única fonte, até as descobertas de Qumran, da tradução da “Bíblia” hebraica, fixada posteriormente (Iº-IIº séc. d.C.) e das ideias do judaísmo alexandrino e palestinense.

Além disso, a questão pertinente é a pergunta de Margerith Harl (2007): Como a LXX, obra judaica, tornou-se o “A.T.” da Jovem Igreja cristã?

Referências: 

1     BORGONOVO, BORGONOVO, Giantonio,,Uma proposta di rilettura dell’ispirazione biblica doppo gli apporti della Form e Redaktionsgeschichte. In: GRECH, Prosper et Alii (org.), Interpretazione della Bibbia nella Chiesa. Vaticano: Edittrice Vaticana, 1999, p. 41-63.

2     Sobre este assunto leia meu artigo: DOS SANTOS, Pedro Paulo. A Septuaginta (LXX): a Torah na diáspora judaico-helenista In: Arquivo Maaravi: Revista Digital de Estudos Judaicos da UFMG, 2008.

3     https://cpantiguidade.wordpress.com/2010/01/22/o-helenismo-na-judeia Acesso 19/06/2015.

4              TREBOLLE. TREBOLLE, J.B. A Bíblia Judaica e a Bíblia cristã. Introdução à História da Bíblia. Petrópolis: Vozes, 1996: A Versão Grega da Septuaginta, p. 354.

Padre Pedro Paulo Alves dos Santos
Autor

Padre Pedro Paulo Alves dos Santos

Doutor em Teologia Bíblica