Arquidiocese do Rio de Janeiro

31º 18º

Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 29/03/2017

29 de Março de 2017

Bendito seja Deus

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19/07/2015 00:00 - Atualizado em 20/07/2015 13:26

Bendito seja Deus 0

19/07/2015 00:00 - Atualizado em 20/07/2015 13:26

Uma das expressões mais importantes da espiritualidade do povo de Deus é a oração da bênção – em hebraico, berakah; em grego, eulogia e eucharistia; e, em latim benedictio. Por bênção, se entende um duplo movimento. O primeiro é aquele descendente, partindo de Deus, no qual, por meio de sua Palavra, todas as coisas foram criadas e se tornam um dom aos homens. O segundo é aquele movimento ascendente, no qual os homens e o povo reconhecem nos eventos de sua vida e de sua história a presença criadora, providente, salvífica e vivificante de Deus.

No texto do Primeiro Testamento, podemos encontrar muitos testemunhos da oração de bênção (Gn 14,17-20; Jz 5,1-32; Sl 31,22; Dn 3,16-90). Encontramos bênçãos mais longas e outras mais curtas, bênçãos privadas e públicas e as bênçãos solenes, ligadas ao culto. Estas de caráter cultual se revestem de importância capital. Eis alguns exemplos principais dessas orações de bênção: feita por Aarão, em Nm 6, 22-27; por Davi, em 1Cr 16,4-36; por Salomão, em 1Rs 8,15-21; pelos levitas, em Ne 9,5-37. Analisando o texto dessas orações, podemos encontrar, geralmente, quatro pontos importantes. Elas apresentam um convite inicial para louvar ao Senhor. Depois, introduzem um memorial, isto é, uma lembrança das maravilhas já operadas pelo braço divino. Então, numa terceiro momento, elas fazem sua súplica ou sua intercessão. Por fim, terminam louvando a Deus. Dessa forma, o judeu piedoso, no desenrolar do seu dia, dirigia uma palavra de louvor a Deus, reconhecendo sua providência salvífica.

No século I, a oração de bênção era rezada por todos. Ela já estava profundamente enraizada na espiritualidade de Israel. Jesus, que aprendeu a rezar com sua mãe Maria e com o seu povo (CIC 2599), rezou muitas vezes assim – tanto sozinho, quanto em assembleia na sinagoga e no templo. O texto dos evangelhos nos permite ver esta oração de bênção nos lábios de Jesus. Em Mt 11,25-28 e Lc 10,21, encontramos um testemunho da sua oração: “Eu te louvo, ó Pai, Senhor do céu e da Terra, porque ocultaste essas coisas aos sábios e entendidos, e as revelastes aos pequeninos. Sim, ó Pai, porque assim foi do teu agrado”. Em Jo 11,41, Ele diz: “Pai, eu te bendigo porque me oviste”. Em outros textos (Lc 9,16; 24,30), vemos o Senhor rezar a bênção antes das refeições. E, no fim, na última ceia, de forma muito solene, Jesus rezou a bênção sobre o pão e o vinho (Mt 26,26-27).

O testemunho dos evangelhos, em relação à berakah é, ainda, mais contundente quando nos apresenta a oração de bênção proferida por Zacarias (Lc 1,68), Maria (Lc 1,46), Isabel (Lc 1,42) e Simeão (2,28) na ocasião dos eventos decorrentes do nascimento do Senhor. Jesus, Palavra de Deus, é identificado no duplo movimento da bênção, pois Ele é, ao mesmo tempo, a intervenção plena criacional, providente, salvífica e vivificante do Pai, no Espírito Santo e a resposta de louvor máxima da humanidade a Deus. Ele é o “Bendito que vem em nome do Senhor!” (Mt 21,9).

Fato é que a oração de bênção foi assumida e transformada pela Igreja primitiva. Prova disso são as ações de graças pronunciadas nas primeiras assembleias cristãs. Elas nos são testemunhadas no Novo Testamento: Cl 1,12-20; Ap 4,11; 5,9-10.12; 11,17; 14,7; 19,1.5.7. Agora, a Igreja reconhece a presença salvífica de Deus em Cristo e o prolongamento dessa presença salvadora nela. A oração de bênção, presente na abertura da Carta aos Efésios (Ef 1,3-10), nos revela a consciência da Igreja em bendizer a Deus pela salvação operada em Jesus Cristo. A comunidade eclesial louva a Deus e reconhece sua ação na criação, na eleição gratuita, no chamado a santidade, ao amor e ao culto de louvor, na predestinação a se tornar filhos adotivos de Deus, na redenção, na remissão dos pecados, no derramamento da graça divina, na infusão do conhecimento do mistério de Deus, na recapitulação de todas as coisas em Cristo e na recepção do selo do Espírito Santo.

A Igreja nunca cessou de louvar a Deus pelas maravilhas operadas nela por Cristo e no Espírito Santo. A oração de bênção é um patrimônio espiritual do novo povo de Deus. Os fiéis continuam sendo marcados pelo Espírito para o louvor e para glória de Deus (Ef 1,14). A liturgia, oração oficial da Igreja – Corpo de Cristo, proclama: “Bendito seja Deus!”. Com isso, ela espera que seus membros entrem na oração de louvor e de ação de graças, reconhecendo a presença amorosa e providente de Deus, em todos os acontecimentos até atingirem a perfeição do culto: “Por tudo dai graças, pois esta é a vontade de Deus a vosso respeito, em Cristo Jesus.” (1Ts 5,18).

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Bendito seja Deus

19/07/2015 00:00 - Atualizado em 20/07/2015 13:26

Uma das expressões mais importantes da espiritualidade do povo de Deus é a oração da bênção – em hebraico, berakah; em grego, eulogia e eucharistia; e, em latim benedictio. Por bênção, se entende um duplo movimento. O primeiro é aquele descendente, partindo de Deus, no qual, por meio de sua Palavra, todas as coisas foram criadas e se tornam um dom aos homens. O segundo é aquele movimento ascendente, no qual os homens e o povo reconhecem nos eventos de sua vida e de sua história a presença criadora, providente, salvífica e vivificante de Deus.

No texto do Primeiro Testamento, podemos encontrar muitos testemunhos da oração de bênção (Gn 14,17-20; Jz 5,1-32; Sl 31,22; Dn 3,16-90). Encontramos bênçãos mais longas e outras mais curtas, bênçãos privadas e públicas e as bênçãos solenes, ligadas ao culto. Estas de caráter cultual se revestem de importância capital. Eis alguns exemplos principais dessas orações de bênção: feita por Aarão, em Nm 6, 22-27; por Davi, em 1Cr 16,4-36; por Salomão, em 1Rs 8,15-21; pelos levitas, em Ne 9,5-37. Analisando o texto dessas orações, podemos encontrar, geralmente, quatro pontos importantes. Elas apresentam um convite inicial para louvar ao Senhor. Depois, introduzem um memorial, isto é, uma lembrança das maravilhas já operadas pelo braço divino. Então, numa terceiro momento, elas fazem sua súplica ou sua intercessão. Por fim, terminam louvando a Deus. Dessa forma, o judeu piedoso, no desenrolar do seu dia, dirigia uma palavra de louvor a Deus, reconhecendo sua providência salvífica.

No século I, a oração de bênção era rezada por todos. Ela já estava profundamente enraizada na espiritualidade de Israel. Jesus, que aprendeu a rezar com sua mãe Maria e com o seu povo (CIC 2599), rezou muitas vezes assim – tanto sozinho, quanto em assembleia na sinagoga e no templo. O texto dos evangelhos nos permite ver esta oração de bênção nos lábios de Jesus. Em Mt 11,25-28 e Lc 10,21, encontramos um testemunho da sua oração: “Eu te louvo, ó Pai, Senhor do céu e da Terra, porque ocultaste essas coisas aos sábios e entendidos, e as revelastes aos pequeninos. Sim, ó Pai, porque assim foi do teu agrado”. Em Jo 11,41, Ele diz: “Pai, eu te bendigo porque me oviste”. Em outros textos (Lc 9,16; 24,30), vemos o Senhor rezar a bênção antes das refeições. E, no fim, na última ceia, de forma muito solene, Jesus rezou a bênção sobre o pão e o vinho (Mt 26,26-27).

O testemunho dos evangelhos, em relação à berakah é, ainda, mais contundente quando nos apresenta a oração de bênção proferida por Zacarias (Lc 1,68), Maria (Lc 1,46), Isabel (Lc 1,42) e Simeão (2,28) na ocasião dos eventos decorrentes do nascimento do Senhor. Jesus, Palavra de Deus, é identificado no duplo movimento da bênção, pois Ele é, ao mesmo tempo, a intervenção plena criacional, providente, salvífica e vivificante do Pai, no Espírito Santo e a resposta de louvor máxima da humanidade a Deus. Ele é o “Bendito que vem em nome do Senhor!” (Mt 21,9).

Fato é que a oração de bênção foi assumida e transformada pela Igreja primitiva. Prova disso são as ações de graças pronunciadas nas primeiras assembleias cristãs. Elas nos são testemunhadas no Novo Testamento: Cl 1,12-20; Ap 4,11; 5,9-10.12; 11,17; 14,7; 19,1.5.7. Agora, a Igreja reconhece a presença salvífica de Deus em Cristo e o prolongamento dessa presença salvadora nela. A oração de bênção, presente na abertura da Carta aos Efésios (Ef 1,3-10), nos revela a consciência da Igreja em bendizer a Deus pela salvação operada em Jesus Cristo. A comunidade eclesial louva a Deus e reconhece sua ação na criação, na eleição gratuita, no chamado a santidade, ao amor e ao culto de louvor, na predestinação a se tornar filhos adotivos de Deus, na redenção, na remissão dos pecados, no derramamento da graça divina, na infusão do conhecimento do mistério de Deus, na recapitulação de todas as coisas em Cristo e na recepção do selo do Espírito Santo.

A Igreja nunca cessou de louvar a Deus pelas maravilhas operadas nela por Cristo e no Espírito Santo. A oração de bênção é um patrimônio espiritual do novo povo de Deus. Os fiéis continuam sendo marcados pelo Espírito para o louvor e para glória de Deus (Ef 1,14). A liturgia, oração oficial da Igreja – Corpo de Cristo, proclama: “Bendito seja Deus!”. Com isso, ela espera que seus membros entrem na oração de louvor e de ação de graças, reconhecendo a presença amorosa e providente de Deus, em todos os acontecimentos até atingirem a perfeição do culto: “Por tudo dai graças, pois esta é a vontade de Deus a vosso respeito, em Cristo Jesus.” (1Ts 5,18).

Padre Vitor Gino Finelon
Autor

Padre Vitor Gino Finelon

Professor das Escolas de Fé e Catequese Mater Ecclesiae e Luz e Vida