Arquidiocese do Rio de Janeiro

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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 14/11/2019

14 de Novembro de 2019

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12/07/2015 00:00 - Atualizado em 13/07/2015 09:27

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Neste ano da esperança estamos vivendo com alegria o tempo de missão! Todas as paróquias enviaram seus representantes que, no domingo passado, foram enviados em missão. Somos uma igreja “em saída” que com gestos “samaritanos” chega às periferias existenciais de nossa metrópole. Neste XV domingo do tempo comum o Senhor nos fala ao coração e nos confirma nessa missão, que, se de um lado deve ser permanente, de outro, tem também seus momentos próprios de atividades missionárias.

Neste domingo, a santa Palavra que Deus nos fala de duas realidades: nossa missão de profetas e a mensagem de devemos comunicar. Primeiro, a vocação de profeta. Escutamos na primeira leitura como Amós não poderia se calar. Ele mesmo reconhece: “Não sou profeta nem sou filho de profeta; sou pastor de gado e cultivo sicômoros. O Senhor chamou-me, quando eu tangia o rebanho, e o Senhor me disse: ‘Vai profetizar para Israel, meu povo!’” Amós não era profeta profissional nem era de uma família tradicional de profetas. E, no entanto, o Senhor o tirou do seu trabalho, tirou-o da sua vida, e o mandou falar em Seu nome ao povo de Israel. No evangelho, vimos Jesus chamando os Doze e os mandando em missão: sem levar nada, confiando somente em Deus, correndo o risco de serem incompreendidos e rejeitados, eles deveriam ir, anunciando o Reino de Deus, que exige mudança de vida, conversão de pensamento, atitudes e modo de agir.

Ainda hoje é assim; entre nós é assim! Deus continua falando, Deus continua escolhendo profetas, Deus continua dirigindo seu chamado ao mundo e a cada pessoa. Se escutarmos com atitude de fé a Palavra santa, se na oração nos abrirmos aos seus apelos, se estivermos atentos ao que ele nos fala no nosso coração, descobriremos que o Senhor também nos envia! Isso mesmo: todo cristão, pelo Batismo e a Crisma, participa da missão do Cristo Jesus, a missão de anunciar o Reino de Deus, revelando a face do Pai, que Jesus nos veio mostrar! É verdade que, na Igreja, há aqueles chamados para o ministério ordenado: Bispos, padres e diáconos que, em nome de Cristo, apascentam o rebanho e anunciam o Evangelho. Eles são os primeiros responsáveis pelo anúncio da Palavra de Deus. Mas, todo o povo de Deus, todos os batizados e crismados, cada um de nós, tem a missão de falar em nome do Senhor e, em nome de Cristo, levar a luz no meio das trevas, a paz nas tensões e angústias, a esperança no desespero, a vida nova nas situações de morte. Somos um povo de profetas! Se nos calarmos, se nos omitirmos, seremos culpados de escondermos e sufocarmos a Palavra do Senhor de que o mundo tanto necessita!

Um segundo aspecto para nossa meditação é o que diz São Paulo na segunda leitura. Aí ele apresenta de modo maravilhoso aquilo que devemos comunicar ao mundo com a palavra e com a vida, isto é, o conteúdo da nossa fé cristã, o grande sonho de Deus para o mundo e para a humanidade. O que nos diz o Apóstolo? Diz-nos que antes da criação do mundo, o Pai sonhou conosco! As montanhas ainda não existiam, as estrelas ainda não brilhavam e o Pai, em Cristo, já sonhava em criar tudo, em nos criar – a mim e a você – e nos mandar o seu Filho amado. Por ele, o Pai criou tudo, por ele, na força do Santo Espírito, o Pai, desde o princípio, cumulou de bênçãos a sua criação. Seu maior sonho era nos mandar Jesus, o Filho feito um de nós, para que ele nos levasse à plenitude da amizade com o Pai na potência do Espírito. E quando nós pecamos, quando a humanidade, desde o princípio, fechou-se para Deus e para o seu sonho, o Pai nem assim desistiu do seu amor: na plenitude dos tempos ele enviou o seu Cristo para que, morrendo na cruz, ele nos libertasse do nosso pecado de teimosia e fechamento e, enchendo-nos do seu Espírito Santo, nos desse já o gostinho, as primícias da vida eterna. Essa vida, nós já a experimentamos aqui, em Jesus, ouvindo sua Palavra, convivendo com os irmãos como membros da Santa Igreja e, sobretudo, participando dos santos sacramentos, de modo especial da Eucaristia, que é Pão do céu, alimento que nos traz já o sabor da vida de Deus.

O Evangelho de hoje nos fala da missão dos apóstolos: de pregar o Evangelho e fazer as obras que Jesus fazia. Eles cumpriram com a sua missão, foram fiéis e… por isso estamos aqui hoje louvando-o nessa liturgia dominical. A maior parte deles foram mártires, derramaram o seu sangue pelo nome de Cristo, mas, como bem se sabe, “o sangue dos mártires é semente de novos cristãos”.

Todos nós batizados fomos enviados e somos discípulos missionários. Todos somos chamados a missão permanente para que através do exemplo da vida e com a palavra anunciada a Boa Notícia da salvação em Cristo chegue a todas as pessoas. Esse domingo nos confirma em nosso envio arquidiocesano e nos entusiasma a ser alegres anunciadores de uma nova vida cheia de esperança fundamentada  no Cristo Ressuscitado.

Mas, o Senhor, presente de muitas maneiras entre nós, mostra-se muito próximo na figura do sacerdote. Cada sacerdote é um imenso dom de Deus ao mundo; é Cristo que passa fazendo o bem, curando doenças, dando paz e alegria às consciências; é o instrumento vivo de Cristo no mundo, empresta a Nosso Senhor a sua voz, as mãos, todo o seu ser. “Jesus – recordava São João Paulo II aos sacerdotes – identifica- nos de tal modo consigo no exercício dos poderes que nos conferiu, que a nossa personalidade como que desaparece diante da sua, já que é Ele quem atua por meio de nós.”

O Sacerdote é um enviado de Deus ao mundo, para que lhe fale da sua salvação, e é constituído administrador dos tesouros de Deus: o Corpo e o Sangue de Cristo, bem como a graça de Deus por meio dos sacramentos, a palavra de Deus mediante a pregação, a catequese, os conselhos da Confissão. Está confiada ao sacerdote a mais divina das obras divinas, que é a salvação das almas; foi constituído embaixador e medianeiro entre Deus e os homens.

Por isso temos que rezar muito mais para que a Igreja conte sempre com os sacerdotes necessários, com sacerdotes que lutem por ser santos. Temos que rezar e fomentar essas vocações também entre os membros da própria família! Que imensa alegria para uma família se Deus a abençoa com este dom!

Que este domingo nos encontre abertos a viver como “igreja em saída missionária” manifestando a sua presença “samaritana” nas “periferias existenciais” de nossa sociedade levando conosco a alegria do Evangelho. Todos nós fomos chamados desde a eternidade a ser discípulos missionários enviados como profetas, como apóstolos para a construção do mundo novo iluminado pelo Cristo, luz do mundo.


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12/07/2015 00:00 - Atualizado em 13/07/2015 09:27

Neste ano da esperança estamos vivendo com alegria o tempo de missão! Todas as paróquias enviaram seus representantes que, no domingo passado, foram enviados em missão. Somos uma igreja “em saída” que com gestos “samaritanos” chega às periferias existenciais de nossa metrópole. Neste XV domingo do tempo comum o Senhor nos fala ao coração e nos confirma nessa missão, que, se de um lado deve ser permanente, de outro, tem também seus momentos próprios de atividades missionárias.

Neste domingo, a santa Palavra que Deus nos fala de duas realidades: nossa missão de profetas e a mensagem de devemos comunicar. Primeiro, a vocação de profeta. Escutamos na primeira leitura como Amós não poderia se calar. Ele mesmo reconhece: “Não sou profeta nem sou filho de profeta; sou pastor de gado e cultivo sicômoros. O Senhor chamou-me, quando eu tangia o rebanho, e o Senhor me disse: ‘Vai profetizar para Israel, meu povo!’” Amós não era profeta profissional nem era de uma família tradicional de profetas. E, no entanto, o Senhor o tirou do seu trabalho, tirou-o da sua vida, e o mandou falar em Seu nome ao povo de Israel. No evangelho, vimos Jesus chamando os Doze e os mandando em missão: sem levar nada, confiando somente em Deus, correndo o risco de serem incompreendidos e rejeitados, eles deveriam ir, anunciando o Reino de Deus, que exige mudança de vida, conversão de pensamento, atitudes e modo de agir.

Ainda hoje é assim; entre nós é assim! Deus continua falando, Deus continua escolhendo profetas, Deus continua dirigindo seu chamado ao mundo e a cada pessoa. Se escutarmos com atitude de fé a Palavra santa, se na oração nos abrirmos aos seus apelos, se estivermos atentos ao que ele nos fala no nosso coração, descobriremos que o Senhor também nos envia! Isso mesmo: todo cristão, pelo Batismo e a Crisma, participa da missão do Cristo Jesus, a missão de anunciar o Reino de Deus, revelando a face do Pai, que Jesus nos veio mostrar! É verdade que, na Igreja, há aqueles chamados para o ministério ordenado: Bispos, padres e diáconos que, em nome de Cristo, apascentam o rebanho e anunciam o Evangelho. Eles são os primeiros responsáveis pelo anúncio da Palavra de Deus. Mas, todo o povo de Deus, todos os batizados e crismados, cada um de nós, tem a missão de falar em nome do Senhor e, em nome de Cristo, levar a luz no meio das trevas, a paz nas tensões e angústias, a esperança no desespero, a vida nova nas situações de morte. Somos um povo de profetas! Se nos calarmos, se nos omitirmos, seremos culpados de escondermos e sufocarmos a Palavra do Senhor de que o mundo tanto necessita!

Um segundo aspecto para nossa meditação é o que diz São Paulo na segunda leitura. Aí ele apresenta de modo maravilhoso aquilo que devemos comunicar ao mundo com a palavra e com a vida, isto é, o conteúdo da nossa fé cristã, o grande sonho de Deus para o mundo e para a humanidade. O que nos diz o Apóstolo? Diz-nos que antes da criação do mundo, o Pai sonhou conosco! As montanhas ainda não existiam, as estrelas ainda não brilhavam e o Pai, em Cristo, já sonhava em criar tudo, em nos criar – a mim e a você – e nos mandar o seu Filho amado. Por ele, o Pai criou tudo, por ele, na força do Santo Espírito, o Pai, desde o princípio, cumulou de bênçãos a sua criação. Seu maior sonho era nos mandar Jesus, o Filho feito um de nós, para que ele nos levasse à plenitude da amizade com o Pai na potência do Espírito. E quando nós pecamos, quando a humanidade, desde o princípio, fechou-se para Deus e para o seu sonho, o Pai nem assim desistiu do seu amor: na plenitude dos tempos ele enviou o seu Cristo para que, morrendo na cruz, ele nos libertasse do nosso pecado de teimosia e fechamento e, enchendo-nos do seu Espírito Santo, nos desse já o gostinho, as primícias da vida eterna. Essa vida, nós já a experimentamos aqui, em Jesus, ouvindo sua Palavra, convivendo com os irmãos como membros da Santa Igreja e, sobretudo, participando dos santos sacramentos, de modo especial da Eucaristia, que é Pão do céu, alimento que nos traz já o sabor da vida de Deus.

O Evangelho de hoje nos fala da missão dos apóstolos: de pregar o Evangelho e fazer as obras que Jesus fazia. Eles cumpriram com a sua missão, foram fiéis e… por isso estamos aqui hoje louvando-o nessa liturgia dominical. A maior parte deles foram mártires, derramaram o seu sangue pelo nome de Cristo, mas, como bem se sabe, “o sangue dos mártires é semente de novos cristãos”.

Todos nós batizados fomos enviados e somos discípulos missionários. Todos somos chamados a missão permanente para que através do exemplo da vida e com a palavra anunciada a Boa Notícia da salvação em Cristo chegue a todas as pessoas. Esse domingo nos confirma em nosso envio arquidiocesano e nos entusiasma a ser alegres anunciadores de uma nova vida cheia de esperança fundamentada  no Cristo Ressuscitado.

Mas, o Senhor, presente de muitas maneiras entre nós, mostra-se muito próximo na figura do sacerdote. Cada sacerdote é um imenso dom de Deus ao mundo; é Cristo que passa fazendo o bem, curando doenças, dando paz e alegria às consciências; é o instrumento vivo de Cristo no mundo, empresta a Nosso Senhor a sua voz, as mãos, todo o seu ser. “Jesus – recordava São João Paulo II aos sacerdotes – identifica- nos de tal modo consigo no exercício dos poderes que nos conferiu, que a nossa personalidade como que desaparece diante da sua, já que é Ele quem atua por meio de nós.”

O Sacerdote é um enviado de Deus ao mundo, para que lhe fale da sua salvação, e é constituído administrador dos tesouros de Deus: o Corpo e o Sangue de Cristo, bem como a graça de Deus por meio dos sacramentos, a palavra de Deus mediante a pregação, a catequese, os conselhos da Confissão. Está confiada ao sacerdote a mais divina das obras divinas, que é a salvação das almas; foi constituído embaixador e medianeiro entre Deus e os homens.

Por isso temos que rezar muito mais para que a Igreja conte sempre com os sacerdotes necessários, com sacerdotes que lutem por ser santos. Temos que rezar e fomentar essas vocações também entre os membros da própria família! Que imensa alegria para uma família se Deus a abençoa com este dom!

Que este domingo nos encontre abertos a viver como “igreja em saída missionária” manifestando a sua presença “samaritana” nas “periferias existenciais” de nossa sociedade levando conosco a alegria do Evangelho. Todos nós fomos chamados desde a eternidade a ser discípulos missionários enviados como profetas, como apóstolos para a construção do mundo novo iluminado pelo Cristo, luz do mundo.


Cardeal Orani João Tempesta
Autor

Cardeal Orani João Tempesta

Arcebispo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro