Arquidiocese do Rio de Janeiro

33º 23º

Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 19/03/2019

19 de Março de 2019

João Paulo II em 1980 no Rio

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João Paulo II em 1980 no Rio

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09/07/2015 00:00 - Atualizado em 11/07/2015 14:07

João Paulo II em 1980 no Rio 0

09/07/2015 00:00 - Atualizado em 11/07/2015 14:07

No Rio de Janeiro, em 1980, o Papa João Paulo II teve dois grandes momentos: a visita ao Corcovado e a ordenação de vários presbíteros no Maracanã, oriundos não só de nossa Arquidiocese, mas de todo o País.

No Corcovado, queremos assim recordar algumas de suas palavras: “Cristo, o único que nos pode salvar e que tem um particular direito de cidadania na história do homem e da humanidade”. “Redentor! Os braços abertos abraçam a cidade aos seus pés! Feita de luz e cor e, ao mesmo tempo, de sombras e escuridão, a cidade é vida e alegria, mas é também uma teia de aflições e sofrimentos, de violência e desamor, de ódio, de mal e de pecado. Radiosa à luz do sol, silhueta luminosa suspensa no ar à noite, o Redentor, em pregação muda, mas eloquente, aqui continua a proclamar que “Deus é luz”, “é amor”. Um amor maior do que o pecado, do que a fraqueza e do que a “caducidade do que foi criado”, “mais forte do que a morte”!

Segundo São João Paulo II, o Cristo Redentor é “símbolo do amor, apelo à reconciliação e convite à fraternidade! Cristo Redentor aqui proclama continuamente a força da verdade sobre o homem e sobre o mundo, da verdade contida no mistério da sua Encarnação e Redenção”.

Também no Rio de Janeiro, São João Paulo II dirigiu bonitas palavras na homilia de Ordenação Sacerdotal ocorrida em 02 de julho no Maracanã. Recordo aqui alguns pontos: “Com o rito da Sagrada Ordenação sereis introduzidos, filhos caríssimos, em um novo género de vida, que vos separa de tudo e vos une a Cristo com um vínculo original, inefável, irreversível. Assim, a vossa identidade se enriquece com uma outra nota: sois consagrados”. “Compreendeis agora como o sacerdote se torna um “segregatus in Evangelium Dei” (escolhido para anunciar o Evangelho de Deus) (cf. Rm 1,1), não pertence mais ao mundo, mas se acha doravante num estado de exclusiva propriedade do Senhor. O caráter sagrado o atinge em tal profundidade que orienta integralmente todo o seu ser e o seu agir para uma destinação sacerdotal. De modo que não resta nele mais nada de que possa dispor como se não fosse sacerdote, ou, menos ainda, como se estivesse em contraste com tal dignidade. Ainda quando realizações que, por sua natureza, são de ordem temporal, o sacerdote é sempre o ministro de Deus. Nele, tudo, mesmo o profano, deve tornar-se “sacerdotalizado”, como em Jesus, que sempre foi sacerdote, sempre agiu como sacerdote, em todas as manifestações de sua vida”.

Jesus nos identifica de tal modo consigo no exercício dos poderes que nos conferiu, que a nossa personalidade como que desaparece diante da sua, já que é Ele quem age por meio de nós. “Pelo Sacramento da Ordem, disse alguém com justeza, o sacerdote se torna efetivamente idôneo a emprestar a Jesus Nosso Senhor a voz, as mãos e todo o seu ser. É Jesus quem, na Santa Missa, com as palavras da consagração, muda a substância do pão e do vinho na do seu corpo e do seu sangue” (cf. I. Escrivà de Balaguer, Sacerdote per l’eternità, Milano 1975, p. 30). E podemos continuar. É o próprio Jesus quem, no Sacramento da Penitência, pronuncia a palavra autorizada e paterna: “Os teus pecados te são perdoados” (Mt 9,2; Lc 5,20; 7,48; cf. Jo 20,23). É Ele quem fala quando o sacerdote, exercendo o seu ministério em nome e no espírito da Igreja, enuncia a palavra de Deus. É o próprio Cristo quem tem cuidado dos enfermos, das crianças e dos pecadores, quando os envolve o amor e a solicitude pastoral dos ministros sagrados.

Como vedes, encontramo-nos aqui nas culminâncias do sacerdócio de Cristo, do qual nós somos partícipes, e que fazia o autor da Carta aos Hebreus exclamar: “... grandis sermo et ininterpretabilis ad dicendum” (teríamos muitas coisas a dizer sobre isso, e coisas difíceis de explicar) (Hb 5, 11). A expressão “Sacerdos alter Christus” (o Sacerdote é um outro Cristo), criada pela intuição do povo cristão, não é um simples modo de dizer, uma metáfora, mas, sim, uma maravilhosa, surpreendente e consoladora realidade.

Este dom do Sacerdócio, lembrai-vos sempre disto, é um prodígio que foi realizado em vós, mas não para vós. Ele o foi para a Igreja, o que quer dizer, para o mundo a ser salvo. A dimensão sagrada do sacerdócio é totalmente ordenada à dimensão apostólica, isto é, à missão, ao ministério pastoral. “Como o Pai me enviou, assim Eu vos envio” (Jo 20,21). O sacerdote é, portanto, um enviado. Eis uma nova conotação essencial da identidade sacerdotal. O sacerdote é o homem da comunidade, ligado de forma total e irrevogável ao seu serviço, como o Concílio o ilustrou claramente (cf. Presbyterorum Ordinis, 12). Sob este aspecto, vós sois destinados ao cumprimento de uma dupla função, que bastaria, ela só, para uma infindável meditação sobre o Sacerdócio. Revestindo a pessoa de Cristo, exercitareis de alguma forma a sua função de mediador. Sereis intérpretes da palavra de Deus, dispensadores dos mistérios divinos junto ao povo (cf. 1Cor 4,1; 2Cor 6, 4). E sereis, junto de Deus, os representantes do povo em todos os seus componentes: as crianças, os jovens, as famílias, os trabalhadores, os pobres, os pequenos, os doentes, e até mesmo os distantes e os adversários. Sereis os portadores das suas ofertas. Sereis a sua voz orante e suplicante, exultante e gemente. Sereis a sua expiação (cf. 2Cor 5, 21).

João Paulo II fez seus discursos com clareza e sem rodeios. Em pleno regime militar, defendeu justiça social, liberdade sindical, reforma agrária, direitos humanos e educação sexual. Enfatizou a situação social da população - e o aborto.

Gostaria de escrever este artigo para lembrar aos nossos sacerdotes, que gastam as suas vidas nas periferias existenciais mais difíceis de nossa Arquidiocese, e a todos os outros que juntos formamos este bonito Presbitério, que nós não devemos ter medo de anunciar, testemunhar, viver e convidar a todos a abrirem os corações para o Redentor e a clamar ao Pai das Misericórdias por paz e justiça social para a nossa amada cidade!

São João Paulo II, abençoai a cidade e a Arquidiocese do Rio de Janeiro e nos ensinai a paz que tanto Vossa Santidade testemunhou!

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João Paulo II em 1980 no Rio

09/07/2015 00:00 - Atualizado em 11/07/2015 14:07

No Rio de Janeiro, em 1980, o Papa João Paulo II teve dois grandes momentos: a visita ao Corcovado e a ordenação de vários presbíteros no Maracanã, oriundos não só de nossa Arquidiocese, mas de todo o País.

No Corcovado, queremos assim recordar algumas de suas palavras: “Cristo, o único que nos pode salvar e que tem um particular direito de cidadania na história do homem e da humanidade”. “Redentor! Os braços abertos abraçam a cidade aos seus pés! Feita de luz e cor e, ao mesmo tempo, de sombras e escuridão, a cidade é vida e alegria, mas é também uma teia de aflições e sofrimentos, de violência e desamor, de ódio, de mal e de pecado. Radiosa à luz do sol, silhueta luminosa suspensa no ar à noite, o Redentor, em pregação muda, mas eloquente, aqui continua a proclamar que “Deus é luz”, “é amor”. Um amor maior do que o pecado, do que a fraqueza e do que a “caducidade do que foi criado”, “mais forte do que a morte”!

Segundo São João Paulo II, o Cristo Redentor é “símbolo do amor, apelo à reconciliação e convite à fraternidade! Cristo Redentor aqui proclama continuamente a força da verdade sobre o homem e sobre o mundo, da verdade contida no mistério da sua Encarnação e Redenção”.

Também no Rio de Janeiro, São João Paulo II dirigiu bonitas palavras na homilia de Ordenação Sacerdotal ocorrida em 02 de julho no Maracanã. Recordo aqui alguns pontos: “Com o rito da Sagrada Ordenação sereis introduzidos, filhos caríssimos, em um novo género de vida, que vos separa de tudo e vos une a Cristo com um vínculo original, inefável, irreversível. Assim, a vossa identidade se enriquece com uma outra nota: sois consagrados”. “Compreendeis agora como o sacerdote se torna um “segregatus in Evangelium Dei” (escolhido para anunciar o Evangelho de Deus) (cf. Rm 1,1), não pertence mais ao mundo, mas se acha doravante num estado de exclusiva propriedade do Senhor. O caráter sagrado o atinge em tal profundidade que orienta integralmente todo o seu ser e o seu agir para uma destinação sacerdotal. De modo que não resta nele mais nada de que possa dispor como se não fosse sacerdote, ou, menos ainda, como se estivesse em contraste com tal dignidade. Ainda quando realizações que, por sua natureza, são de ordem temporal, o sacerdote é sempre o ministro de Deus. Nele, tudo, mesmo o profano, deve tornar-se “sacerdotalizado”, como em Jesus, que sempre foi sacerdote, sempre agiu como sacerdote, em todas as manifestações de sua vida”.

Jesus nos identifica de tal modo consigo no exercício dos poderes que nos conferiu, que a nossa personalidade como que desaparece diante da sua, já que é Ele quem age por meio de nós. “Pelo Sacramento da Ordem, disse alguém com justeza, o sacerdote se torna efetivamente idôneo a emprestar a Jesus Nosso Senhor a voz, as mãos e todo o seu ser. É Jesus quem, na Santa Missa, com as palavras da consagração, muda a substância do pão e do vinho na do seu corpo e do seu sangue” (cf. I. Escrivà de Balaguer, Sacerdote per l’eternità, Milano 1975, p. 30). E podemos continuar. É o próprio Jesus quem, no Sacramento da Penitência, pronuncia a palavra autorizada e paterna: “Os teus pecados te são perdoados” (Mt 9,2; Lc 5,20; 7,48; cf. Jo 20,23). É Ele quem fala quando o sacerdote, exercendo o seu ministério em nome e no espírito da Igreja, enuncia a palavra de Deus. É o próprio Cristo quem tem cuidado dos enfermos, das crianças e dos pecadores, quando os envolve o amor e a solicitude pastoral dos ministros sagrados.

Como vedes, encontramo-nos aqui nas culminâncias do sacerdócio de Cristo, do qual nós somos partícipes, e que fazia o autor da Carta aos Hebreus exclamar: “... grandis sermo et ininterpretabilis ad dicendum” (teríamos muitas coisas a dizer sobre isso, e coisas difíceis de explicar) (Hb 5, 11). A expressão “Sacerdos alter Christus” (o Sacerdote é um outro Cristo), criada pela intuição do povo cristão, não é um simples modo de dizer, uma metáfora, mas, sim, uma maravilhosa, surpreendente e consoladora realidade.

Este dom do Sacerdócio, lembrai-vos sempre disto, é um prodígio que foi realizado em vós, mas não para vós. Ele o foi para a Igreja, o que quer dizer, para o mundo a ser salvo. A dimensão sagrada do sacerdócio é totalmente ordenada à dimensão apostólica, isto é, à missão, ao ministério pastoral. “Como o Pai me enviou, assim Eu vos envio” (Jo 20,21). O sacerdote é, portanto, um enviado. Eis uma nova conotação essencial da identidade sacerdotal. O sacerdote é o homem da comunidade, ligado de forma total e irrevogável ao seu serviço, como o Concílio o ilustrou claramente (cf. Presbyterorum Ordinis, 12). Sob este aspecto, vós sois destinados ao cumprimento de uma dupla função, que bastaria, ela só, para uma infindável meditação sobre o Sacerdócio. Revestindo a pessoa de Cristo, exercitareis de alguma forma a sua função de mediador. Sereis intérpretes da palavra de Deus, dispensadores dos mistérios divinos junto ao povo (cf. 1Cor 4,1; 2Cor 6, 4). E sereis, junto de Deus, os representantes do povo em todos os seus componentes: as crianças, os jovens, as famílias, os trabalhadores, os pobres, os pequenos, os doentes, e até mesmo os distantes e os adversários. Sereis os portadores das suas ofertas. Sereis a sua voz orante e suplicante, exultante e gemente. Sereis a sua expiação (cf. 2Cor 5, 21).

João Paulo II fez seus discursos com clareza e sem rodeios. Em pleno regime militar, defendeu justiça social, liberdade sindical, reforma agrária, direitos humanos e educação sexual. Enfatizou a situação social da população - e o aborto.

Gostaria de escrever este artigo para lembrar aos nossos sacerdotes, que gastam as suas vidas nas periferias existenciais mais difíceis de nossa Arquidiocese, e a todos os outros que juntos formamos este bonito Presbitério, que nós não devemos ter medo de anunciar, testemunhar, viver e convidar a todos a abrirem os corações para o Redentor e a clamar ao Pai das Misericórdias por paz e justiça social para a nossa amada cidade!

São João Paulo II, abençoai a cidade e a Arquidiocese do Rio de Janeiro e nos ensinai a paz que tanto Vossa Santidade testemunhou!

Cardeal Orani João Tempesta
Autor

Cardeal Orani João Tempesta

Arcebispo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro