Arquidiocese do Rio de Janeiro

28º 24º

Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 14/11/2019

14 de Novembro de 2019

São João Paulo II no Rio de Janeiro

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14 de Novembro de 2019

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08/07/2015 00:00 - Atualizado em 11/07/2015 14:00

São João Paulo II no Rio de Janeiro 0

08/07/2015 00:00 - Atualizado em 11/07/2015 14:00

A Igreja do Rio de Janeiro toda já cantou, no passado, aquela música que eletrizou não só a nossa Igreja Particular, mas todo o Brasil: “A bênção, João de Deus! A bênção, João de Deus, nosso povo te abraça. Tu vens em missão de paz. Sê bem-vindo, E abençoa este povo que te ama”. A bênção, João de Deus! E no Encontro Mundial das Famílias aqui no Rio se acrescentou: “João Paulo, aqui estamos, a família reunida. Em torno de ti, ó Pai, reafirmando a esperança do amor que une a todos”!

Todos nós, há trinta e cinco anos, cantamos esta música com muita emoção e com grande alegria para receber o primeiro Papa a pisar nas terras brasileiras. São estes sete lustros que queremos rememorar, relembrando aqueles dias abençoados em que São João Paulo II esteve em nosso meio, em um encontro com personalidades do mundo da cultura, no seu discurso por ocasião da celebração dos vinte e cinco anos de fundação do Conselho Episcopal Latino-Americano (CELAM), no seu encontro com o clero da Arquidiocese do Rio de Janeiro, da sua visita apostólica aos moradores da Favela do Vidigal, de sua bênção para a cidade do Cristo Redentor, no Corcovado, e da sua homilia na santa Missa de Ordenação Sacerdotal.

Nossa Arquidiocese relembra, em todos os seus rincões, da figura maiúscula desse Papa santo. Entre nós, ele disse que o “encontro entre a Igreja e a cultura é o mundo, e nesse o homem, que é um ‘ser-no-mundo’, sujeito de desenvolvimento, para uma e para outra, mediante a palavra e a graça de Deus por parte da Igreja, e mediante o próprio homem, com todos os seus recursos espirituais e materiais, por parte da cultura”. “A cultura não deve sofrer nenhuma coerção por parte do poder, quer político quer econômico, mas ser ajudada por um e por outro em todas as formas de iniciativa pública e privada, conformes com o verdadeiro humanismo, com a tradição e com o espírito autêntico de cada povo”. “A cultura que nasce livre deve ademais difundir-se em um regime de liberdade. O homem culto tem o dever de propor sua cultura, mas não a pode impor A imposição contradiz a cultura, porque contradiz aquele processo de livre assimilação pessoal por parte do pensamento e do amor, que é peculiar à cultura do espírito. Uma cultura imposta não somente contrasta com a liberdade do homem, mas põe obstáculo ao processo formativo da própria cultura, que, na sua complexidade, desde a ciência até a forma de vestir-se, nasce da colaboração de todos os homens”. “A Igreja reivindica em favor da cultura, e portento em favor do homem, tanto no processo do desenvolvimento cultural quanto no ato de sua propagação, uma liberdade análoga àquela que na Declaração conciliar Dignitatis Humanae reclama para a liberdade religiosa, fundada essencialmente sobre a dignidade da pessoa inumana, e conhecida seja por meio da palavra de Deus, seja através da razão (cf. Dignitatis Humanae, 2)”.

São João Paulo II relembrou que o “homem não pode ser plenamente o que é, não pode realizar totalmente sua humanidade se não vive a transcendência de seu próprio ser sobre o mundo e sua relação com Deus. A elevação do homem pertence não somente à promoção de sua humanidade, mas também à abertura de sua humanidade a Deus”. “Não tenhais medo, Senhores, abri as portas do vosso espírito, da vossa sociedade, das vossas instituições culturais à ação de Deus, que é amigo do homem e opera no homem e pelo homem, para que este cresça na sua humanidade e na sua divindade, no seu ser e na sua realeza sobre o mundo”.

O Santo Padre, sempre acompanhado de nosso amado predecessor Dom Eugênio, Cardeal Sales, quando ao subir a Favela do Vidigal, fez uma alusão ao Sermão da Montanha e falou das Bem-Aventuranças: “Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o reino dos céus”! (Mt 5,3). Viver as oito bem-aventuranças é o desejo de todo cristão. Viver as bem-aventuranças foi o que propôs João Paulo II não só aos moradores do Vidigal, mas a tantos os que vivem condições análogas precárias ou de dificuldades: “Os pobres em espírito são aqueles que são mais abertos a Deus e às “maravilhas de Deus” (At 2,11). Pobres porque prontos a aceitar sempre aquele dom do alto, que provém do próprio Deus. Pobres em espírito – aqueles que vivem na consciência de ter recebido tudo das mãos de Deus como um dom gratuito, e que dão valor a cada bem recebido. Constantemente agradecidos, repetem sem cessar: “Tudo é graça”!, “demos graças ao Senhor nosso Deus”. Deles, Jesus diz ao mesmo tempo que são “puros de coração”, “mansos”; são eles os que “têm fome e sede de justiça”, os que são frequentemente “afligidos”; os que são “operadores de paz” e “perseguidos por causa da justiça”. São eles, enfim, os “misericordiosos” (cf. Mt 5,3-10).

Os pobres em espírito são os mais misericordiosos: “Prontos a partilhar o que têm. Prontos a acolher em casa uma viúva ou um órfão abandonado. Encontram sempre ainda um lugar a mais no meio das estreitezas em que vivem. E assim mesmo encontram sempre um bocado de alimento, um pedaço de pão em sua pobre mesa. Pobres, mas generososPobres, mas magnânimos. Sei que existem muitos destes aqui entre vocês a quem agora falo, mas também em diversos outros lugares do Brasil”. Por isso, a Igreja “em todo o mundo quer ser a Igreja dos pobres. A Igreja em terras brasileiras quer também ser a Igreja dos pobres – isto é, quer extrair toda a verdade contida nas bem-aventuranças de Cristo e, sobretudo, nesta primeira – “bem-aventurados os pobres em espírito...”. Quer ensinar esta verdade e quer pô-la em prática, assim como Jesus veio fazer e ensinar”.

O Papa pediu que aprendêssemos a partilhar: “Se tens muito, se tens tanto, recorda-te que deves dar muito, que há tanto que dar. E deves pensar como dar, como organizar toda a vida socioeconômica e cada um dos seus setores, a fim de que esta vida tenda à igualdade entre os homens, e não a um ateísmo entre eles”.

Alegrando-se por estar no meio dos moradores do Vidigal, o Papa pediu que eles continuassem unidos na mesma generosidade que brota da experiência da fé: “Falaram-me de vocês e como no meio de carências, lutas e agruras, há solidariedade e ajuda mútua entre todos, graças a Deus. Falaram-me também do “mutirão”, graças ao qual ficou pronta a capela que daqui a pouco vou benzer. É sempre lindo e importante que as pessoas todas se unam, se deem as mãos, somem esforços e, juntas, consigam o que sozinhas não podem alcançar. Regozijo-me com quantos, direta ou indiretamente, na área desta favela, conseguiram resolver, de modo justo e pacífico, questões que, arrumadas, não deixarão de contribuir para fazer a vida de todos mais humana e para tornar esta cidade maravilhosa sempre mais cidade de irmãos. Vim aqui não por curiosidade, mas porque amo vocês e lhes quero bem, e desejaria dizer como São Paulo: “Pela afeição que sentíamos por vós, desejávamos compartilhar convosco, não só o Evangelho, mas a própria vida” (cf. 1Ts 2,8). Junto com vocês, com um “coração puro” de maus sentimentos, quereria dizer sempre não à indiferença, ao desinteresse e a todas as formas de desamor; e sim à solidariedade, à fraternidade e ao amor, porque “Deus é amor” (1Jo 4,16).

Na missa do Macaranã, em que ordenou vários sacerdotes de todo o país, o Papa João Paulo II centrou a sua homilia na identidade do sacerdote: “Compreendeis agora como o sacerdote se torna um “segregatus in Evangelium Dei” (escolhido para anunciar o Evangelho de Deus) (cf. Rm 1,1), não pertence mais ao mundo, mas se acha doravante num estado de exclusiva propriedade do Senhor. O caráter sagrado o atinge em tal profundidade que orienta integralmente todo o seu ser e o seu agir para uma destinação sacerdotal. De modo que não resta nele mais nada de que possa dispor como se não fosse sacerdote, ou, menos ainda, como se estivesse em contraste com tal dignidade. Ainda quando realiza ações que, por sua natureza, são de ordem temporal, o sacerdote é sempre o ministro de Deus. Nele, tudo, mesmo o profano, deve tornar-se “sacerdotalizado”, como em Jesus, que sempre foi sacerdote, sempre agiu como sacerdote, em todas as manifestações de sua vida”.

O sacerdote, segundo o Papa João Paulo II, é o homem da comunidade: “O sacerdote é o homem da comunidade ligado de forma total e irrevogável ao seu serviço, como o Concílio o ilustrou claramente (cf. Presbyterorum Ordinis, 12). Sob este aspecto, vós sois destinados ao cumprimento de uma dupla função, que bastaria, ela só, para uma infindável meditação sobre o Sacerdócio. Revestindo a pessoa de Cristo, exercitareis de alguma forma a sua função de mediador. Sereis intérpretes da palavra de Deus, dispensadores dos mistérios divinos junto ao povo (cf. 1Cor 4,1; 2Cor 6, 4). E sereis, junto de Deus, os representantes do povo em todos os seus componentes: as crianças, os jovens, as famílias, os trabalhadores, os pobres, os pequenos, os doentes, e até mesmo os distantes e os adversários. Sereis os portadores das suas ofertas. Sereis a sua voz orante e suplicante, exultante e gemente. Sereis a sua expiação (cf. 2Cor 5, 21). Levemos, por isso, gravada na memória e no coração a palavra do Apóstolo: “Pro Christo legatione fungimur, tamquam Deo exhortante per nos” (Somos embaixadores de Cristo, como se Deus exortasse por meio de nós) (2Cor 5, 20), para fazer de nossa vida uma íntima, progressiva e firme imitação de Cristo Redentor”.

O Santo Padre fez um paralelo que o sacerdote deve ser “homem para os outros”: “Homem-para-os-outros” o sacerdote o é, decerto, mas em virtude da sua peculiar maneira de ser “homem-para-Deus”. O serviço de Deus é o alicerce sobre o qual construir o genuíno serviço dos homens, aquele que consiste em libertar as almas da escravidão do pecado e em reconduzir o homem ao necessário serviço de Deus. Deus, com efeito, quer fazer da humanidade um povo que O adore “em espírito e verdade” (Jo 4,23). E dá uma receita muito atual para que o exercício não caia no marasmo ou nas coisas do mundo: “Somente assim é que o sacerdote jamais poderá sentir-se um inútil, um falido, ainda quando fosse constrangido a renunciar a qualquer atividade exterior. O Santo Sacrifício da Missa, a oração, a penitência, o melhor, antes, o essencial do seu sacerdócio permaneceria íntegro, como o foi para Jesus nos 30 anos de sua vida oculta. A Deus seria dada ainda uma glória imensa. A Igreja e o mundo não ficariam privados de um autêntico serviço espiritual”.

No dia 02 de julho de 1980, na Catedral de São Sebastião, o Papa João Paulo II, ao falar para o CELAM na comemoração de seu jubileu de prata de fundação, ocorrido nesta cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, disse que a Igreja na América Latina era uma “verdadeira Igreja da esperança”, “expressão da colegialidade, quando as Conferências Episcopais não se tinham ainda consolidado, instrumento de contato, reflexão, colaboração e serviço das Conferências dos Bispos do Continente Latino-Americano, o CELAM, tem, relatada nos seus anais, uma rica e vasta ação pastoral”, quando o Santo Padre ressaltou a pessoa do “Cardeal Jaime de Barros Câmara, Arcebispo insigne desta Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, primeiro Presidente do CELAM”. O Papa realçou que o CELAM é um serviço fundamental à Igreja de nosso continente, “alimenta-se da comunhão com Deus e com os membros da Igreja”.  Por isso, o CELAM é um serviço à unidade no Espírito. “... a unidade no trabalho pastoral, nos distintos centros de comunhão e participação na Paróquia, na comunidade educativa e nas comunidades menores, deve continuar a ser estimulada e fortalecida”. “A Igreja inscreve-se na realidade dos povos: na sua cultura, na sua história e no ritmo do seu desenvolvimento. Vive em profunda solidariedade as dores dos seus filhos, partilhando-lhes as dificuldades e assumindo-lhes as legítimas aspirações. Em tais circunstâncias, anuncia a mensagem da salvação que não conhece fronteiras nem discriminações”.  Ele dizia que a Igreja deve denunciar a tudo o que se opõe ao plano de Deus e impede a realização do homem. Contra toda injustiça ou maldade humana o Santo Padre asseverou: “Servindo a causa da justiça, a Igreja não pretende provocar ou afundar divisões, exasperar conflitos ou generalizá-los. Pelo contrário, com a força do Evangelho a Igreja ajuda a ver e a respeitar em cada homem um irmão, convida para o diálogo pessoas, grupos e povos, para a justiça ser salvaguardada e a unidade preservada. Em certas circunstâncias chega mesmo a servir de medianeira. Também este é serviço profético”.

São João Paulo II realçou o fator da unidade que a Igreja Católica foi a alavanca da América Latina, quando “a voz da Igreja interpele as consciências, tutele as pessoas, e a liberdade destas reclame os devidos corretivos”. Quando o Santo Padre disse que a Igreja precisa dar um “impulso de renovação pastoral” e o “novo espírito perante o futuro em plena fidelidade eclesial na interpretação dos sinais dos tempos na América Latina” quando os bispos têm a “nobre missão de Mestres da Verdade”. O Papa João Paulo II já lembrava a opção preferencial de Jesus, que deve ser a da Igreja latino-americana: “Entre os elementos de uma pastoral, que leve o selo de predileção pelos pobres, salientam-se: o interesse por uma pregação sólida e acessível; por uma catequese que abrace toda a mensagem cristã; por uma liturgia que respeite o sentido do sagrado e evite riscos de instrumentalização política; por uma pastoral familiar que defenda o pobre diante de campanhas injustas que ofendam a sua dignidade; pela educação, fazendo que ela chegue aos setores menos favorecidos; e pela religiosidade popular, em que se expressa a alma mesma dos povos. Um aspecto da evangelização dos pobres está em dar vigor a uma ativa preocupação social. A Igreja sempre teve esta sensibilidade e hoje fortalece-se tal consciência: "o nosso comportamento social é parte integrante do nosso seguimento de Cristo" (Puebla, n. 476). A este propósito, respeitando as diretrizes que vos dei ao iniciar a Conferência de Puebla, insististes, amados Irmãos, na vigência e necessidade da Doutrina Social da Igreja, cujo "objeto primário é a dignidade pessoal do homem, imagem de Deus, e a tutela dos seus direitos inalienáveis" (Puebla, n. 475).

São João Paulo II ressaltou a importância que a Igreja deve prevalecer à pastoral familiar, da juventude e vocacional. Dizia que não podemos perder a esperança, porque Cristo está conosco até o fim dos tempos, com a graça, com a sua solicitude e com o seu poder infinito.

No encontro com o clero da Arquidiocese do Rio de Janeiro, o Santo Padre fez uma conclamação que deve ser redescoberta pelo nosso presbitério: “Olhai: como ‘sal da terra’ e ‘luz do mundo’ vós procurais edificar aqui a Igreja, com bem elaborados Planos de Pastoral. Sede sempre presença visível do sagrado nesta grande metrópole, vivendo e agindo cada um de vós como na verdade é: um ‘alter Christus’ que passa fazendo o bem”.

É indiscutível que o símbolo principal do Brasil é o Corcovado, aqui no Rio de Janeiro. Este símbolo de nossa fé católica e da identidade brasileira tocou profundamente o Papa João Paulo II. Do alto daquele monte sagrado ele profetizou: “Redentor! Os braços abertos abraçam a cidade aos seus pés! Feita de luz e cor e, ao mesmo tempo, de sombras e escuridão, a cidade é vida e alegria, mas é também uma teia de aflições e sofrimentos, de violência e desamor, de ódio, de mal e de pecado. Radiosa à luz do sol, silhueta luminosa suspensa no ar à noite, o Redentor, em pregação muda, mas eloquente, aqui continua a proclamar que “Deus é luz” (1Jo 1,7), “é amor” (1Jo 1,7). Um amor maior do que o pecado, do que a fraqueza e do que a “caducidade do que foi criado” (cf. Rm 8, 20), mais forte do que a morte (Redemptor Hominis, n. 9).

A chamada universal de São João Paulo II para que olhemos fixamente para o Cristo Redentor e nele procuremos o “Símbolo do amor, apelo à reconciliação e convite à fraternidade, Cristo Redentor aqui proclama continuamente a força da verdade sobre o homem e sobre o mundo, da verdade contida no mistério da sua Encarnação e Redenção” (cf. Ibid, n. 13).

Relembrar a visita querida de um Santo pelas terras abençoadas de nossa cidade e Arquidiocese e repetir a mesma oração feita por Sua Santidade no Corcovado, quando ele disse que queria falar, de coração a coração, com todos e cada um: quereria, como uma breve visita, chegar a cada lar e também junto àqueles que não o possuem: aos locais de encontro e aos locais de trabalho, para “infundir esperança e animar a todos, sem me esquecer de ninguém: crianças, jovens, pais e mães de família, anciãos, doentes, detentos, desalentados e angustiados. Para todos desejaria ser portador de confiança, de amor e de paz. É esse o sentido e a intenção da bênção sobre a cidade e sobre todos os seus habitantes, que darei a seguir, em nome de Cristo Redentor, Redentor do homem na plenitude da verdade”.

Esse mesmo desejo, essa mesma prece, essa mesma bênção dada por um autêntico Santo é que quero repetir para toda a cidade do Rio de Janeiro, nesta feliz e viva recordação de que um homem de Deus caminhou anunciando a paz e pregando a reconciliação entre nós, nos chamando a sermos santos e santas. Por isso clamo a todos os homens e mulheres de boa vontade para que nossos corações sejam sempre como o de São João Paulo II: “abertos para o Cristo Redentor”!

São João Paulo II, continue velando pela nossa cidade e Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro. Assim seja! Amém!

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São João Paulo II no Rio de Janeiro

08/07/2015 00:00 - Atualizado em 11/07/2015 14:00

A Igreja do Rio de Janeiro toda já cantou, no passado, aquela música que eletrizou não só a nossa Igreja Particular, mas todo o Brasil: “A bênção, João de Deus! A bênção, João de Deus, nosso povo te abraça. Tu vens em missão de paz. Sê bem-vindo, E abençoa este povo que te ama”. A bênção, João de Deus! E no Encontro Mundial das Famílias aqui no Rio se acrescentou: “João Paulo, aqui estamos, a família reunida. Em torno de ti, ó Pai, reafirmando a esperança do amor que une a todos”!

Todos nós, há trinta e cinco anos, cantamos esta música com muita emoção e com grande alegria para receber o primeiro Papa a pisar nas terras brasileiras. São estes sete lustros que queremos rememorar, relembrando aqueles dias abençoados em que São João Paulo II esteve em nosso meio, em um encontro com personalidades do mundo da cultura, no seu discurso por ocasião da celebração dos vinte e cinco anos de fundação do Conselho Episcopal Latino-Americano (CELAM), no seu encontro com o clero da Arquidiocese do Rio de Janeiro, da sua visita apostólica aos moradores da Favela do Vidigal, de sua bênção para a cidade do Cristo Redentor, no Corcovado, e da sua homilia na santa Missa de Ordenação Sacerdotal.

Nossa Arquidiocese relembra, em todos os seus rincões, da figura maiúscula desse Papa santo. Entre nós, ele disse que o “encontro entre a Igreja e a cultura é o mundo, e nesse o homem, que é um ‘ser-no-mundo’, sujeito de desenvolvimento, para uma e para outra, mediante a palavra e a graça de Deus por parte da Igreja, e mediante o próprio homem, com todos os seus recursos espirituais e materiais, por parte da cultura”. “A cultura não deve sofrer nenhuma coerção por parte do poder, quer político quer econômico, mas ser ajudada por um e por outro em todas as formas de iniciativa pública e privada, conformes com o verdadeiro humanismo, com a tradição e com o espírito autêntico de cada povo”. “A cultura que nasce livre deve ademais difundir-se em um regime de liberdade. O homem culto tem o dever de propor sua cultura, mas não a pode impor A imposição contradiz a cultura, porque contradiz aquele processo de livre assimilação pessoal por parte do pensamento e do amor, que é peculiar à cultura do espírito. Uma cultura imposta não somente contrasta com a liberdade do homem, mas põe obstáculo ao processo formativo da própria cultura, que, na sua complexidade, desde a ciência até a forma de vestir-se, nasce da colaboração de todos os homens”. “A Igreja reivindica em favor da cultura, e portento em favor do homem, tanto no processo do desenvolvimento cultural quanto no ato de sua propagação, uma liberdade análoga àquela que na Declaração conciliar Dignitatis Humanae reclama para a liberdade religiosa, fundada essencialmente sobre a dignidade da pessoa inumana, e conhecida seja por meio da palavra de Deus, seja através da razão (cf. Dignitatis Humanae, 2)”.

São João Paulo II relembrou que o “homem não pode ser plenamente o que é, não pode realizar totalmente sua humanidade se não vive a transcendência de seu próprio ser sobre o mundo e sua relação com Deus. A elevação do homem pertence não somente à promoção de sua humanidade, mas também à abertura de sua humanidade a Deus”. “Não tenhais medo, Senhores, abri as portas do vosso espírito, da vossa sociedade, das vossas instituições culturais à ação de Deus, que é amigo do homem e opera no homem e pelo homem, para que este cresça na sua humanidade e na sua divindade, no seu ser e na sua realeza sobre o mundo”.

O Santo Padre, sempre acompanhado de nosso amado predecessor Dom Eugênio, Cardeal Sales, quando ao subir a Favela do Vidigal, fez uma alusão ao Sermão da Montanha e falou das Bem-Aventuranças: “Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o reino dos céus”! (Mt 5,3). Viver as oito bem-aventuranças é o desejo de todo cristão. Viver as bem-aventuranças foi o que propôs João Paulo II não só aos moradores do Vidigal, mas a tantos os que vivem condições análogas precárias ou de dificuldades: “Os pobres em espírito são aqueles que são mais abertos a Deus e às “maravilhas de Deus” (At 2,11). Pobres porque prontos a aceitar sempre aquele dom do alto, que provém do próprio Deus. Pobres em espírito – aqueles que vivem na consciência de ter recebido tudo das mãos de Deus como um dom gratuito, e que dão valor a cada bem recebido. Constantemente agradecidos, repetem sem cessar: “Tudo é graça”!, “demos graças ao Senhor nosso Deus”. Deles, Jesus diz ao mesmo tempo que são “puros de coração”, “mansos”; são eles os que “têm fome e sede de justiça”, os que são frequentemente “afligidos”; os que são “operadores de paz” e “perseguidos por causa da justiça”. São eles, enfim, os “misericordiosos” (cf. Mt 5,3-10).

Os pobres em espírito são os mais misericordiosos: “Prontos a partilhar o que têm. Prontos a acolher em casa uma viúva ou um órfão abandonado. Encontram sempre ainda um lugar a mais no meio das estreitezas em que vivem. E assim mesmo encontram sempre um bocado de alimento, um pedaço de pão em sua pobre mesa. Pobres, mas generososPobres, mas magnânimos. Sei que existem muitos destes aqui entre vocês a quem agora falo, mas também em diversos outros lugares do Brasil”. Por isso, a Igreja “em todo o mundo quer ser a Igreja dos pobres. A Igreja em terras brasileiras quer também ser a Igreja dos pobres – isto é, quer extrair toda a verdade contida nas bem-aventuranças de Cristo e, sobretudo, nesta primeira – “bem-aventurados os pobres em espírito...”. Quer ensinar esta verdade e quer pô-la em prática, assim como Jesus veio fazer e ensinar”.

O Papa pediu que aprendêssemos a partilhar: “Se tens muito, se tens tanto, recorda-te que deves dar muito, que há tanto que dar. E deves pensar como dar, como organizar toda a vida socioeconômica e cada um dos seus setores, a fim de que esta vida tenda à igualdade entre os homens, e não a um ateísmo entre eles”.

Alegrando-se por estar no meio dos moradores do Vidigal, o Papa pediu que eles continuassem unidos na mesma generosidade que brota da experiência da fé: “Falaram-me de vocês e como no meio de carências, lutas e agruras, há solidariedade e ajuda mútua entre todos, graças a Deus. Falaram-me também do “mutirão”, graças ao qual ficou pronta a capela que daqui a pouco vou benzer. É sempre lindo e importante que as pessoas todas se unam, se deem as mãos, somem esforços e, juntas, consigam o que sozinhas não podem alcançar. Regozijo-me com quantos, direta ou indiretamente, na área desta favela, conseguiram resolver, de modo justo e pacífico, questões que, arrumadas, não deixarão de contribuir para fazer a vida de todos mais humana e para tornar esta cidade maravilhosa sempre mais cidade de irmãos. Vim aqui não por curiosidade, mas porque amo vocês e lhes quero bem, e desejaria dizer como São Paulo: “Pela afeição que sentíamos por vós, desejávamos compartilhar convosco, não só o Evangelho, mas a própria vida” (cf. 1Ts 2,8). Junto com vocês, com um “coração puro” de maus sentimentos, quereria dizer sempre não à indiferença, ao desinteresse e a todas as formas de desamor; e sim à solidariedade, à fraternidade e ao amor, porque “Deus é amor” (1Jo 4,16).

Na missa do Macaranã, em que ordenou vários sacerdotes de todo o país, o Papa João Paulo II centrou a sua homilia na identidade do sacerdote: “Compreendeis agora como o sacerdote se torna um “segregatus in Evangelium Dei” (escolhido para anunciar o Evangelho de Deus) (cf. Rm 1,1), não pertence mais ao mundo, mas se acha doravante num estado de exclusiva propriedade do Senhor. O caráter sagrado o atinge em tal profundidade que orienta integralmente todo o seu ser e o seu agir para uma destinação sacerdotal. De modo que não resta nele mais nada de que possa dispor como se não fosse sacerdote, ou, menos ainda, como se estivesse em contraste com tal dignidade. Ainda quando realiza ações que, por sua natureza, são de ordem temporal, o sacerdote é sempre o ministro de Deus. Nele, tudo, mesmo o profano, deve tornar-se “sacerdotalizado”, como em Jesus, que sempre foi sacerdote, sempre agiu como sacerdote, em todas as manifestações de sua vida”.

O sacerdote, segundo o Papa João Paulo II, é o homem da comunidade: “O sacerdote é o homem da comunidade ligado de forma total e irrevogável ao seu serviço, como o Concílio o ilustrou claramente (cf. Presbyterorum Ordinis, 12). Sob este aspecto, vós sois destinados ao cumprimento de uma dupla função, que bastaria, ela só, para uma infindável meditação sobre o Sacerdócio. Revestindo a pessoa de Cristo, exercitareis de alguma forma a sua função de mediador. Sereis intérpretes da palavra de Deus, dispensadores dos mistérios divinos junto ao povo (cf. 1Cor 4,1; 2Cor 6, 4). E sereis, junto de Deus, os representantes do povo em todos os seus componentes: as crianças, os jovens, as famílias, os trabalhadores, os pobres, os pequenos, os doentes, e até mesmo os distantes e os adversários. Sereis os portadores das suas ofertas. Sereis a sua voz orante e suplicante, exultante e gemente. Sereis a sua expiação (cf. 2Cor 5, 21). Levemos, por isso, gravada na memória e no coração a palavra do Apóstolo: “Pro Christo legatione fungimur, tamquam Deo exhortante per nos” (Somos embaixadores de Cristo, como se Deus exortasse por meio de nós) (2Cor 5, 20), para fazer de nossa vida uma íntima, progressiva e firme imitação de Cristo Redentor”.

O Santo Padre fez um paralelo que o sacerdote deve ser “homem para os outros”: “Homem-para-os-outros” o sacerdote o é, decerto, mas em virtude da sua peculiar maneira de ser “homem-para-Deus”. O serviço de Deus é o alicerce sobre o qual construir o genuíno serviço dos homens, aquele que consiste em libertar as almas da escravidão do pecado e em reconduzir o homem ao necessário serviço de Deus. Deus, com efeito, quer fazer da humanidade um povo que O adore “em espírito e verdade” (Jo 4,23). E dá uma receita muito atual para que o exercício não caia no marasmo ou nas coisas do mundo: “Somente assim é que o sacerdote jamais poderá sentir-se um inútil, um falido, ainda quando fosse constrangido a renunciar a qualquer atividade exterior. O Santo Sacrifício da Missa, a oração, a penitência, o melhor, antes, o essencial do seu sacerdócio permaneceria íntegro, como o foi para Jesus nos 30 anos de sua vida oculta. A Deus seria dada ainda uma glória imensa. A Igreja e o mundo não ficariam privados de um autêntico serviço espiritual”.

No dia 02 de julho de 1980, na Catedral de São Sebastião, o Papa João Paulo II, ao falar para o CELAM na comemoração de seu jubileu de prata de fundação, ocorrido nesta cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, disse que a Igreja na América Latina era uma “verdadeira Igreja da esperança”, “expressão da colegialidade, quando as Conferências Episcopais não se tinham ainda consolidado, instrumento de contato, reflexão, colaboração e serviço das Conferências dos Bispos do Continente Latino-Americano, o CELAM, tem, relatada nos seus anais, uma rica e vasta ação pastoral”, quando o Santo Padre ressaltou a pessoa do “Cardeal Jaime de Barros Câmara, Arcebispo insigne desta Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, primeiro Presidente do CELAM”. O Papa realçou que o CELAM é um serviço fundamental à Igreja de nosso continente, “alimenta-se da comunhão com Deus e com os membros da Igreja”.  Por isso, o CELAM é um serviço à unidade no Espírito. “... a unidade no trabalho pastoral, nos distintos centros de comunhão e participação na Paróquia, na comunidade educativa e nas comunidades menores, deve continuar a ser estimulada e fortalecida”. “A Igreja inscreve-se na realidade dos povos: na sua cultura, na sua história e no ritmo do seu desenvolvimento. Vive em profunda solidariedade as dores dos seus filhos, partilhando-lhes as dificuldades e assumindo-lhes as legítimas aspirações. Em tais circunstâncias, anuncia a mensagem da salvação que não conhece fronteiras nem discriminações”.  Ele dizia que a Igreja deve denunciar a tudo o que se opõe ao plano de Deus e impede a realização do homem. Contra toda injustiça ou maldade humana o Santo Padre asseverou: “Servindo a causa da justiça, a Igreja não pretende provocar ou afundar divisões, exasperar conflitos ou generalizá-los. Pelo contrário, com a força do Evangelho a Igreja ajuda a ver e a respeitar em cada homem um irmão, convida para o diálogo pessoas, grupos e povos, para a justiça ser salvaguardada e a unidade preservada. Em certas circunstâncias chega mesmo a servir de medianeira. Também este é serviço profético”.

São João Paulo II realçou o fator da unidade que a Igreja Católica foi a alavanca da América Latina, quando “a voz da Igreja interpele as consciências, tutele as pessoas, e a liberdade destas reclame os devidos corretivos”. Quando o Santo Padre disse que a Igreja precisa dar um “impulso de renovação pastoral” e o “novo espírito perante o futuro em plena fidelidade eclesial na interpretação dos sinais dos tempos na América Latina” quando os bispos têm a “nobre missão de Mestres da Verdade”. O Papa João Paulo II já lembrava a opção preferencial de Jesus, que deve ser a da Igreja latino-americana: “Entre os elementos de uma pastoral, que leve o selo de predileção pelos pobres, salientam-se: o interesse por uma pregação sólida e acessível; por uma catequese que abrace toda a mensagem cristã; por uma liturgia que respeite o sentido do sagrado e evite riscos de instrumentalização política; por uma pastoral familiar que defenda o pobre diante de campanhas injustas que ofendam a sua dignidade; pela educação, fazendo que ela chegue aos setores menos favorecidos; e pela religiosidade popular, em que se expressa a alma mesma dos povos. Um aspecto da evangelização dos pobres está em dar vigor a uma ativa preocupação social. A Igreja sempre teve esta sensibilidade e hoje fortalece-se tal consciência: "o nosso comportamento social é parte integrante do nosso seguimento de Cristo" (Puebla, n. 476). A este propósito, respeitando as diretrizes que vos dei ao iniciar a Conferência de Puebla, insististes, amados Irmãos, na vigência e necessidade da Doutrina Social da Igreja, cujo "objeto primário é a dignidade pessoal do homem, imagem de Deus, e a tutela dos seus direitos inalienáveis" (Puebla, n. 475).

São João Paulo II ressaltou a importância que a Igreja deve prevalecer à pastoral familiar, da juventude e vocacional. Dizia que não podemos perder a esperança, porque Cristo está conosco até o fim dos tempos, com a graça, com a sua solicitude e com o seu poder infinito.

No encontro com o clero da Arquidiocese do Rio de Janeiro, o Santo Padre fez uma conclamação que deve ser redescoberta pelo nosso presbitério: “Olhai: como ‘sal da terra’ e ‘luz do mundo’ vós procurais edificar aqui a Igreja, com bem elaborados Planos de Pastoral. Sede sempre presença visível do sagrado nesta grande metrópole, vivendo e agindo cada um de vós como na verdade é: um ‘alter Christus’ que passa fazendo o bem”.

É indiscutível que o símbolo principal do Brasil é o Corcovado, aqui no Rio de Janeiro. Este símbolo de nossa fé católica e da identidade brasileira tocou profundamente o Papa João Paulo II. Do alto daquele monte sagrado ele profetizou: “Redentor! Os braços abertos abraçam a cidade aos seus pés! Feita de luz e cor e, ao mesmo tempo, de sombras e escuridão, a cidade é vida e alegria, mas é também uma teia de aflições e sofrimentos, de violência e desamor, de ódio, de mal e de pecado. Radiosa à luz do sol, silhueta luminosa suspensa no ar à noite, o Redentor, em pregação muda, mas eloquente, aqui continua a proclamar que “Deus é luz” (1Jo 1,7), “é amor” (1Jo 1,7). Um amor maior do que o pecado, do que a fraqueza e do que a “caducidade do que foi criado” (cf. Rm 8, 20), mais forte do que a morte (Redemptor Hominis, n. 9).

A chamada universal de São João Paulo II para que olhemos fixamente para o Cristo Redentor e nele procuremos o “Símbolo do amor, apelo à reconciliação e convite à fraternidade, Cristo Redentor aqui proclama continuamente a força da verdade sobre o homem e sobre o mundo, da verdade contida no mistério da sua Encarnação e Redenção” (cf. Ibid, n. 13).

Relembrar a visita querida de um Santo pelas terras abençoadas de nossa cidade e Arquidiocese e repetir a mesma oração feita por Sua Santidade no Corcovado, quando ele disse que queria falar, de coração a coração, com todos e cada um: quereria, como uma breve visita, chegar a cada lar e também junto àqueles que não o possuem: aos locais de encontro e aos locais de trabalho, para “infundir esperança e animar a todos, sem me esquecer de ninguém: crianças, jovens, pais e mães de família, anciãos, doentes, detentos, desalentados e angustiados. Para todos desejaria ser portador de confiança, de amor e de paz. É esse o sentido e a intenção da bênção sobre a cidade e sobre todos os seus habitantes, que darei a seguir, em nome de Cristo Redentor, Redentor do homem na plenitude da verdade”.

Esse mesmo desejo, essa mesma prece, essa mesma bênção dada por um autêntico Santo é que quero repetir para toda a cidade do Rio de Janeiro, nesta feliz e viva recordação de que um homem de Deus caminhou anunciando a paz e pregando a reconciliação entre nós, nos chamando a sermos santos e santas. Por isso clamo a todos os homens e mulheres de boa vontade para que nossos corações sejam sempre como o de São João Paulo II: “abertos para o Cristo Redentor”!

São João Paulo II, continue velando pela nossa cidade e Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro. Assim seja! Amém!

Cardeal Orani João Tempesta
Autor

Cardeal Orani João Tempesta

Arcebispo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro