Arquidiocese do Rio de Janeiro

25º 19º

Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 17/08/2018

17 de Agosto de 2018

Dois a dois

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12/07/2015 00:00

Dois a dois 0

12/07/2015 00:00

temp_titleliturdia_dois_a_dois_1007201511062515º Domingo do Tempo Comum

Am 7,12-15
Sl 84
Ef 1,3-14
Mc 6,7-13

A primeira leitura que ouvimos é do livro do profeta Amós. Amós é do século 8. Ele vive num tempo em que o povo de Deus está dividido em dois reinos: o do Norte (Israel) e o do Sul (Judá). Amós é enviado ao Reino do Norte, no tempo do rei Jeroboão II, com a missão de anunciar uma mensagem que desagrada ao rei: a nação será exilada, em virtude do seu pecado. 

O fruto da divisão do povo de Deus é o exílio, uma espécie de volta ao Egito. É o drama do pecado. Deus, em seu infinito amor, nos oferece a liberdade. Nós optamos pelo pecado e pela escravidão. É assim desde Adão. Mas Deus, na sua infinita misericórdia, também desde Adão, revela a “luz da verdade” aos que erram e escolhem aqueles que devem ser portadores desta “luz da verdade”.

O profeta é alguém que tem um carisma específico: ser a boca de Deus, para anunciar não uma palavra sua, mas a Palavra de um Outro, pois n’Ele (em Deus) está a fonte da vida, só n’Ele, na sua luz, encontramos a luz. Amós é uma figura emblemática. Na sua época haviam os chamados “profetas de corte” que profetizavam por profissão. A função dos profetas de corte era consultar a Deus quando o rei precisava tomar uma decisão importante. Alguns profetas de corte, como vemos o profeta Natã ao anunciar o pecado de Davi, em alguns momentos dizem palavras que são inspiradas pelo próprio Deus. Contudo, na maioria das vezes, estes profetas estavam preocupados em se manter em sua função. Por isso, profetizavam o que o rei queria ouvir. Amós é um profeta no sentido próprio do termo. Diríamos que ele é um “profeta por vocação”. Ele não exerce a profecia como profissão, mas foi chamado pelo Senhor para ir ao Reino do Norte mostrar ao rei a luz da verdade, porque este está no erro.

Amós não é profeta por profissão, mas o Senhor “o chamou” e “disse”: “Vai profetizar para Israel, meu povo.” O profeta não vai anunciar uma palavra sua, mas Ele recebe uma Palavra de um outro e, por isso, precisa anunciá-la. Amós vai dizer em 3,8: “O Senhor Adonai falou: quem não profetizará?”

Em primeiro lugar, o verdadeiro profeta não escolhe ser profeta, mas é chamado por Deus. Ele não se intitula profeta, mas recebe de Deus a vocação.

Em segundo lugar, o profeta não vai anunciar uma palavra sua. Diz Wolff, um estudioso do profetismo bíblico: “Se Deus não diz uma palavra o profeta, o profeta não tem nada a dizer.”

Olhando o Evangelho vemos que em 6,6b Marcos apresenta o Cristo que depois de se deparar com a incredulidade dos seus parentes sai pelos povoados ensinando. No versículo 7 do mesmo capítulo seis que acabamos de ouvir, Ele envia os seus discípulos para que continuem a sua missão: “Começou a enviá-los dois a dois, dando-lhes poder sobre os espíritos impuros” (Mc 6,7). Jesus comunica a sua autoridade aos seus apóstolos. Os apóstolos não vão em seu próprio nome, nem com a sua própria autoridade, mas eles são portadores da autoridade do próprio Cristo. Eles devem estar despojados de tudo, não somente dos apetrechos físicos, mas também da esperança de sucesso, para que possam ser assim anunciadores do próprio Cristo: a luz da Verdade.

De fato, a Palavra do Senhor nos mostra hoje que o Senhor envia a “luz da verdade” aos que erram para retornarem ao bom caminho. No AT enviou Amós, profeta por vocação, não porque quisesse apenas acusar o povo, mas por amor, a fim de que o seu povo se convertesse. No Evangelho, Ele envia seu próprio Filho e, como continuadores de sua obra salvífica, os apóstolos, para nos mostrarem a luz da verdade, a nós que caminhávamos nas trevas do pecado e da ignorância. Estejamos atentos ao modo como recebemos essa luz da verdade que o Senhor nos envia. Será que estamos atentos ao que os nossos legítimos pastores nos indicam ou vamos atrás de qualquer vento de doutrina?

São Paulo foi fiel transmissor da “luz da verdade”, assim como os demais apóstolos, e isso percebemos hoje neste trecho da carta aos Efésios que acabamos de ouvir. Este hino nos mostra sucessivamente a ação de cada pessoa da Santíssima Trindade. O Pai criador, que nos formou e elegeu olhando para o seu Verbo, “para o louvor da sua glória”. O Filho que redime o mundo decaído, nos liberta qual novo Moisés, e nos faz conhecer, se formos ouvintes atentos da Palavra Divina, o “mistério da sua vontade”, “para o louvor da sua glória”. Por fim, O Espírito que nos sela, que é o penhor da nossa herança, “para o louvor da sua glória.”

A Eucaristia é o grande louvor da glória do Pai. O Filho que se dá totalmente ao Pai para a redenção dos homens o glorifica de forma sublime e total. A sua glorificação é insuperável. Contudo, somos associados a essa doxologia. Pelo Batismo nos tornamos membros da única videira que é Cristo e chamados a participar da sua Páscoa. Ofereçamo-nos hoje com Cristo ao Pai. Nessa patena que será elevada, onde cada hóstia representa você e eu, nos ofereçamos ao Pai com Cristo. Com Cristo formamos um só Corpo. Ele é a nossa Cabeça e nós seus membros. Se a Cabeça é oferecida, entregue em sacrifício, todo o Corpo deve estar unido ao mesmo sacrifício. Participando da mesma kénosis da Cabeça participaremos também da sua glória, naquele dia oitavo e último, no qual estaremos para sempre com Ele e do qual este domingo é antecipação e anúncio.



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Dois a dois

12/07/2015 00:00

temp_titleliturdia_dois_a_dois_1007201511062515º Domingo do Tempo Comum

Am 7,12-15
Sl 84
Ef 1,3-14
Mc 6,7-13

A primeira leitura que ouvimos é do livro do profeta Amós. Amós é do século 8. Ele vive num tempo em que o povo de Deus está dividido em dois reinos: o do Norte (Israel) e o do Sul (Judá). Amós é enviado ao Reino do Norte, no tempo do rei Jeroboão II, com a missão de anunciar uma mensagem que desagrada ao rei: a nação será exilada, em virtude do seu pecado. 

O fruto da divisão do povo de Deus é o exílio, uma espécie de volta ao Egito. É o drama do pecado. Deus, em seu infinito amor, nos oferece a liberdade. Nós optamos pelo pecado e pela escravidão. É assim desde Adão. Mas Deus, na sua infinita misericórdia, também desde Adão, revela a “luz da verdade” aos que erram e escolhem aqueles que devem ser portadores desta “luz da verdade”.

O profeta é alguém que tem um carisma específico: ser a boca de Deus, para anunciar não uma palavra sua, mas a Palavra de um Outro, pois n’Ele (em Deus) está a fonte da vida, só n’Ele, na sua luz, encontramos a luz. Amós é uma figura emblemática. Na sua época haviam os chamados “profetas de corte” que profetizavam por profissão. A função dos profetas de corte era consultar a Deus quando o rei precisava tomar uma decisão importante. Alguns profetas de corte, como vemos o profeta Natã ao anunciar o pecado de Davi, em alguns momentos dizem palavras que são inspiradas pelo próprio Deus. Contudo, na maioria das vezes, estes profetas estavam preocupados em se manter em sua função. Por isso, profetizavam o que o rei queria ouvir. Amós é um profeta no sentido próprio do termo. Diríamos que ele é um “profeta por vocação”. Ele não exerce a profecia como profissão, mas foi chamado pelo Senhor para ir ao Reino do Norte mostrar ao rei a luz da verdade, porque este está no erro.

Amós não é profeta por profissão, mas o Senhor “o chamou” e “disse”: “Vai profetizar para Israel, meu povo.” O profeta não vai anunciar uma palavra sua, mas Ele recebe uma Palavra de um outro e, por isso, precisa anunciá-la. Amós vai dizer em 3,8: “O Senhor Adonai falou: quem não profetizará?”

Em primeiro lugar, o verdadeiro profeta não escolhe ser profeta, mas é chamado por Deus. Ele não se intitula profeta, mas recebe de Deus a vocação.

Em segundo lugar, o profeta não vai anunciar uma palavra sua. Diz Wolff, um estudioso do profetismo bíblico: “Se Deus não diz uma palavra o profeta, o profeta não tem nada a dizer.”

Olhando o Evangelho vemos que em 6,6b Marcos apresenta o Cristo que depois de se deparar com a incredulidade dos seus parentes sai pelos povoados ensinando. No versículo 7 do mesmo capítulo seis que acabamos de ouvir, Ele envia os seus discípulos para que continuem a sua missão: “Começou a enviá-los dois a dois, dando-lhes poder sobre os espíritos impuros” (Mc 6,7). Jesus comunica a sua autoridade aos seus apóstolos. Os apóstolos não vão em seu próprio nome, nem com a sua própria autoridade, mas eles são portadores da autoridade do próprio Cristo. Eles devem estar despojados de tudo, não somente dos apetrechos físicos, mas também da esperança de sucesso, para que possam ser assim anunciadores do próprio Cristo: a luz da Verdade.

De fato, a Palavra do Senhor nos mostra hoje que o Senhor envia a “luz da verdade” aos que erram para retornarem ao bom caminho. No AT enviou Amós, profeta por vocação, não porque quisesse apenas acusar o povo, mas por amor, a fim de que o seu povo se convertesse. No Evangelho, Ele envia seu próprio Filho e, como continuadores de sua obra salvífica, os apóstolos, para nos mostrarem a luz da verdade, a nós que caminhávamos nas trevas do pecado e da ignorância. Estejamos atentos ao modo como recebemos essa luz da verdade que o Senhor nos envia. Será que estamos atentos ao que os nossos legítimos pastores nos indicam ou vamos atrás de qualquer vento de doutrina?

São Paulo foi fiel transmissor da “luz da verdade”, assim como os demais apóstolos, e isso percebemos hoje neste trecho da carta aos Efésios que acabamos de ouvir. Este hino nos mostra sucessivamente a ação de cada pessoa da Santíssima Trindade. O Pai criador, que nos formou e elegeu olhando para o seu Verbo, “para o louvor da sua glória”. O Filho que redime o mundo decaído, nos liberta qual novo Moisés, e nos faz conhecer, se formos ouvintes atentos da Palavra Divina, o “mistério da sua vontade”, “para o louvor da sua glória”. Por fim, O Espírito que nos sela, que é o penhor da nossa herança, “para o louvor da sua glória.”

A Eucaristia é o grande louvor da glória do Pai. O Filho que se dá totalmente ao Pai para a redenção dos homens o glorifica de forma sublime e total. A sua glorificação é insuperável. Contudo, somos associados a essa doxologia. Pelo Batismo nos tornamos membros da única videira que é Cristo e chamados a participar da sua Páscoa. Ofereçamo-nos hoje com Cristo ao Pai. Nessa patena que será elevada, onde cada hóstia representa você e eu, nos ofereçamos ao Pai com Cristo. Com Cristo formamos um só Corpo. Ele é a nossa Cabeça e nós seus membros. Se a Cabeça é oferecida, entregue em sacrifício, todo o Corpo deve estar unido ao mesmo sacrifício. Participando da mesma kénosis da Cabeça participaremos também da sua glória, naquele dia oitavo e último, no qual estaremos para sempre com Ele e do qual este domingo é antecipação e anúncio.



Padre Fábio Siqueira
Autor

Padre Fábio Siqueira

Vice-diretor das Escolas de Fé e Catequese Mater Ecclesiae e Luz e Vida