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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 27/05/2017

27 de Maio de 2017

A Palavra de Deus na Bíblia (3): Interpretação e tradução da Bíblia

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27 de Maio de 2017

A Palavra de Deus na Bíblia (3): Interpretação e tradução da Bíblia

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05/07/2015 13:45 - Atualizado em 11/07/2015 14:20

A Palavra de Deus na Bíblia (3): Interpretação e tradução da Bíblia 0

05/07/2015 13:45 - Atualizado em 11/07/2015 14:20

Como, porém, Deus na Sagrada Escritura falou por meio dos homens e à maneira humana, o intérprete da Sagrada Escritura, para saber o que Ele quis comunicar-nos, deve investigar com atenção o que os hagiógrafos realmente quiseram significar e que aprouve a Deus manifestar por meio das suas palavras. (DEI VERBUM 12)

1. A Interpretação Bíblica


A bíblia sagrada é um livro, alias, uma verdadeira biblioteca. Por isso, deve ser interpretada. Não basta ler, é necessário o esforço da inteligência da fé para chegar à compreensão dos desígnios divinos ali expostos e usufruir dos efeitos salvíficos desta mensagem assimilada pessoalmente.

Deus se faz inteligível, através da palavra humana e Inspirada dos hagiógrafos, aqueles sujeitos responsáveis pela fixação da Auto-Comunicação Divina no contexto da História de Salvação.

Além disso, uma mensagem não se compreende no vácuo de sua inscrição, ao contrário, ela exige e descreve seus referenciais.

Por isso, o Concílio Vaticano II nos adverte sobre a tarefa indispensável de interpretar corretamente as Sagradas Escrituras, através da descoberta da ‘intenção dos escritores sagrados’, pela consideração dos ‘gêneros literários’ de cada obra no Cânon:

Para descobrir a intenção dos hagiógrafos, devem ser tidos também em conta, entre outras coisas, os «gêneros literários». Com efeito, a verdade é proposta e expressa de modos diversos, segundo se trata de gêneros históricos, proféticos, poéticos ou outros. Importa, além disso, que o intérprete busque o sentido que o hagiógrafo em determinadas circunstâncias, segundo as condições do seu tempo e da sua cultura, pretendeu exprimir e de fato exprimiu servindo se os gêneros literários então usados (DV 12)

Em tempos de ‘fundamentalismos’, em que grupos e seitas exploram a Bíblia em favor de teses e comportamentos absurdos, faz urgente entender a necessidade de estudar e conhecer os métodos que permitem aos leitores e fiéis da Bíblia experiências válidas de interpretação.

Processo delicado, que, pela natureza normativa deste Código, exige regras, refinação, sólida formação científica, em campos multidisciplinares, e uma decidida consciência de pertencer ao corpo eclesial, pela Profissão e Celebração da Fé.

Mais ainda, busca-se interpelar acerca da importância da reconstituição histórica, na localização das coordenadas, que indicam a produção e silhueta material e “hermenêutica” de um texto.

Com efeito, para entender retamente o que autor sagrado quis afirmar, deve atender-se convenientemente, quer aos modos nativos de sentir, dizer ou narrar em uso nos tempos do hagiógrafo, quer àqueles que costumavam empregar-se frequentemente nas relações entre os homens de então (DV 12).

Em particular, aquelas dos Antigos Textos das Sagradas Escrituras, que sofrem, no tempo e espaço, uma variação interpretativa, recolhendo e registrando as linhas da interpretação da Comunidade Eclesial, na qual são atualizados. Mas, ao mesmo tempo, permanecem fiéis à didaké, (ensinamento) e à parádosis (tradição) apostólicas, fixadas pela “força” da natureza canônica (normativa) destes textos.

Sobre a constituição e importância de uma História da Interpretação, subjaz a noção básica de um Livro Coletivo e Normativo e de Sujeitos socializados e contextualizados. Lê-se a Bíblia na Igreja, dentro das diversas tradições cristãs, à luz da permanente anámnesis (memória) “pneumático-eclesial” (1Jo 1,1-7 e 2Pd 1,12-21; Jo 14,26//12, 11s).

2. A Hermenêutica Bíblica


A Hermenêutica Bíblica reside tanto na história do pensamento judaico, como aquele cristão. Em geral, a palavra hermenêutica está associada a antigas formas de superar, atualizar, controlar a interpretação dos textos “canônicos”, i.é., aqueles escolhidos pela Comunidade, como sagrados e portadores de mensagem religiosa normativa.

Os dois princípios hermenêuticos judaicos permanecem, no entanto a haggadá e a halakká. Por haggadá entende-se a narrativa da História de Israel na Páscoa, i.e, quando os Judeus, atravessando o Mar dos Juncos, na Península do Egito, “retornam” ao País de Canaã, à “terra prometida”. Deste núcleo narrativo se constroem as identidades narrativas da consciência de Israel.

Diversos gêneros literários produzidos na história da literatura judaica, como por exemplo, os midrashin (darash = exegese) são leituras interpretativas de natureza alegorizante de fatos e narrações de Israel.

Os Targumin, produzidos em língua aramaica, são textos homiléticos, que, pouco a pouco, foram assumindo um lugar na hermenêutica da liturgia, explicando os textos do Torah (Lei Mosaica) e dos profetas. Podem ser, também, reconhecidos no famoso estilo “parabólico”, utilizado por Jesus em sua pregação.

Quanto à Halakká, esta consiste no corpo jurídico-literário de Israel. São as coleções de textos e tradições da Lei Mosaica, dos Códigos de comportamento. Textos da interpretação de corpos jurídicos, provavelmente oriundos do período do reinado de Davi e Salomão. Pois, neste momento, no décimo século, estabelecem-se, por escrito, e são organizados, em códigos, as leis, em parte de origem Mosaica. Além de leis oriundas das reformas ocorridas no período do quarto século a. C., depois do retorno da Babilônia.

 
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A Palavra de Deus na Bíblia (3): Interpretação e tradução da Bíblia

05/07/2015 13:45 - Atualizado em 11/07/2015 14:20

Como, porém, Deus na Sagrada Escritura falou por meio dos homens e à maneira humana, o intérprete da Sagrada Escritura, para saber o que Ele quis comunicar-nos, deve investigar com atenção o que os hagiógrafos realmente quiseram significar e que aprouve a Deus manifestar por meio das suas palavras. (DEI VERBUM 12)

1. A Interpretação Bíblica


A bíblia sagrada é um livro, alias, uma verdadeira biblioteca. Por isso, deve ser interpretada. Não basta ler, é necessário o esforço da inteligência da fé para chegar à compreensão dos desígnios divinos ali expostos e usufruir dos efeitos salvíficos desta mensagem assimilada pessoalmente.

Deus se faz inteligível, através da palavra humana e Inspirada dos hagiógrafos, aqueles sujeitos responsáveis pela fixação da Auto-Comunicação Divina no contexto da História de Salvação.

Além disso, uma mensagem não se compreende no vácuo de sua inscrição, ao contrário, ela exige e descreve seus referenciais.

Por isso, o Concílio Vaticano II nos adverte sobre a tarefa indispensável de interpretar corretamente as Sagradas Escrituras, através da descoberta da ‘intenção dos escritores sagrados’, pela consideração dos ‘gêneros literários’ de cada obra no Cânon:

Para descobrir a intenção dos hagiógrafos, devem ser tidos também em conta, entre outras coisas, os «gêneros literários». Com efeito, a verdade é proposta e expressa de modos diversos, segundo se trata de gêneros históricos, proféticos, poéticos ou outros. Importa, além disso, que o intérprete busque o sentido que o hagiógrafo em determinadas circunstâncias, segundo as condições do seu tempo e da sua cultura, pretendeu exprimir e de fato exprimiu servindo se os gêneros literários então usados (DV 12)

Em tempos de ‘fundamentalismos’, em que grupos e seitas exploram a Bíblia em favor de teses e comportamentos absurdos, faz urgente entender a necessidade de estudar e conhecer os métodos que permitem aos leitores e fiéis da Bíblia experiências válidas de interpretação.

Processo delicado, que, pela natureza normativa deste Código, exige regras, refinação, sólida formação científica, em campos multidisciplinares, e uma decidida consciência de pertencer ao corpo eclesial, pela Profissão e Celebração da Fé.

Mais ainda, busca-se interpelar acerca da importância da reconstituição histórica, na localização das coordenadas, que indicam a produção e silhueta material e “hermenêutica” de um texto.

Com efeito, para entender retamente o que autor sagrado quis afirmar, deve atender-se convenientemente, quer aos modos nativos de sentir, dizer ou narrar em uso nos tempos do hagiógrafo, quer àqueles que costumavam empregar-se frequentemente nas relações entre os homens de então (DV 12).

Em particular, aquelas dos Antigos Textos das Sagradas Escrituras, que sofrem, no tempo e espaço, uma variação interpretativa, recolhendo e registrando as linhas da interpretação da Comunidade Eclesial, na qual são atualizados. Mas, ao mesmo tempo, permanecem fiéis à didaké, (ensinamento) e à parádosis (tradição) apostólicas, fixadas pela “força” da natureza canônica (normativa) destes textos.

Sobre a constituição e importância de uma História da Interpretação, subjaz a noção básica de um Livro Coletivo e Normativo e de Sujeitos socializados e contextualizados. Lê-se a Bíblia na Igreja, dentro das diversas tradições cristãs, à luz da permanente anámnesis (memória) “pneumático-eclesial” (1Jo 1,1-7 e 2Pd 1,12-21; Jo 14,26//12, 11s).

2. A Hermenêutica Bíblica


A Hermenêutica Bíblica reside tanto na história do pensamento judaico, como aquele cristão. Em geral, a palavra hermenêutica está associada a antigas formas de superar, atualizar, controlar a interpretação dos textos “canônicos”, i.é., aqueles escolhidos pela Comunidade, como sagrados e portadores de mensagem religiosa normativa.

Os dois princípios hermenêuticos judaicos permanecem, no entanto a haggadá e a halakká. Por haggadá entende-se a narrativa da História de Israel na Páscoa, i.e, quando os Judeus, atravessando o Mar dos Juncos, na Península do Egito, “retornam” ao País de Canaã, à “terra prometida”. Deste núcleo narrativo se constroem as identidades narrativas da consciência de Israel.

Diversos gêneros literários produzidos na história da literatura judaica, como por exemplo, os midrashin (darash = exegese) são leituras interpretativas de natureza alegorizante de fatos e narrações de Israel.

Os Targumin, produzidos em língua aramaica, são textos homiléticos, que, pouco a pouco, foram assumindo um lugar na hermenêutica da liturgia, explicando os textos do Torah (Lei Mosaica) e dos profetas. Podem ser, também, reconhecidos no famoso estilo “parabólico”, utilizado por Jesus em sua pregação.

Quanto à Halakká, esta consiste no corpo jurídico-literário de Israel. São as coleções de textos e tradições da Lei Mosaica, dos Códigos de comportamento. Textos da interpretação de corpos jurídicos, provavelmente oriundos do período do reinado de Davi e Salomão. Pois, neste momento, no décimo século, estabelecem-se, por escrito, e são organizados, em códigos, as leis, em parte de origem Mosaica. Além de leis oriundas das reformas ocorridas no período do quarto século a. C., depois do retorno da Babilônia.

 
Padre Pedro Paulo Alves dos Santos
Autor

Padre Pedro Paulo Alves dos Santos

Doutor em Teologia Bíblica