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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 30/03/2017

30 de Março de 2017

A Palavra de Deus na Bíblia: revelação e fé no Antigo Testamento

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30 de Março de 2017

A Palavra de Deus na Bíblia: revelação e fé no Antigo Testamento

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24/06/2015 18:25 - Atualizado em 24/06/2015 18:25

A Palavra de Deus na Bíblia: revelação e fé no Antigo Testamento 0

24/06/2015 18:25 - Atualizado em 24/06/2015 18:25

O sagrado Concílio, ouvindo religiosamente a Palavra de Deus proclamando-a com confiança, faz suas as palavras de S. João: “anunciamo-vos a vida eterna, que estava junto do Pai e nos apareceu: anunciamo-vos o que vimos e ouvimos, para que também vós vivais em comunhão conosco, e a nossa comunhão seja com o Pai e com o seu Filho Jesus Cristo” (1 Jo. 1, 2-3) (Dei Verbum 1).

São palavras sábias do Concílio, que o Beato Paulo VI, em 1965, promulgava como o documento orientador (trata-se de uma constituição dogmática1) de todo esse maravilhoso movimento de redescoberta da centralidade da palavra de Deus, na vida dos fiéis, na liturgia, na ação pastoral da Igreja, no diálogo ecumênico.

Ouvir ‘religiosamente’ a Palavra de Deus. Apegar-se às Sagradas Escrituras para poder obedecer a Deus, que Se fez conhecer pela (Sua) Palavra revelada. Esta experiência histórico-salvífica se realizou ao longo de muitos séculos e foi se cristalizando por escrito.

A Bíblia compendia, reúne e guarda as palavras e sinais de uma epopeia singular, em seus 72(73) livros: Inicialmente isso se dá através de Israel em suas instituições!

Deus, no Antigo Testamento (45 livros), dirigiu-Se aos homens através do povo de Israel: Abraão, o Pai da Fé (Gn 12); Moisés, o legislador (Ex 3), os juízes, os reis e, por fim, os profetas foram os interlocutores de Deus, que Se revela!

“Aprouve a Deus na sua bondade e sabedoria revelar-se a Si mesmo e dar a conhecer o mistério da sua vontade (cfr. Ef. 1,9), segundo o qual os homens, por meio de Cristo, Verbo encarnado, têm acesso ao Pai no Espírito Santo e se tornam participantes da natureza divina (cfr. Ef. 2,18; 2 Ped. 1,4)” (DV 2).

Não se trata de dar notícias ou informações a outrem. Deus fala de si mesmo! A Bíblia é a fixação desta fala de si mesmo da parte de Deus aos homens. Esta fala é um evento que se identifica pelos sinais! A Bíblia não é o que o homem pensa sobre quem Deus seja, mas é a autorrevelação divina: Deus tem uma Palavra sobre Si Mesmo!

“Esta ‘economia’ da revelação realiza-se por meio de ações e palavras ìntimamente relacionadas entre si, de tal maneira que as obras, realizadas por Deus na história da salvação, manifestam e confirmam a doutrina e as realidades significadas pelas palavras; e as palavras, por sua vez, declaram as obras e esclarecem o mistério nelas contido” (DV 2)

Sinais são formas de estabelecer comunicação; eles são as ferramentas da linguagem não oral!

No processo de linguagem usamos palavras e sinais! Estes, conectados, produzem um contexto comunicativo, no qual uma mensagem é transmitida por código através de um emissor e recebida por um receptor, num contexto comunicativo: a história humana! A Palavra de Deus se conecta à humanidade por meio da relação coerente entre palavras e sinais!

Esta Comunicação de Deus na história de Israel tem efeitos e expectativas: “Porque, assim como desce a chuva e a neve dos céus, e para lá não tornam, mas regam a terra, e a fazem produzir, e brotar, e dar semente ao semeador, e pão ao que come,Assim será a minha palavra, que sair da minha boca; ela não voltará para mim vazia, antes fará o que me apraz, e prosperará naquilo para que a enviei.(Isaías 55, 10-11)’.

A revelação divina visa o retorno da humanidade à intimidade com Deus, a comunhão fraterna e o destino eterno (Salvação).

“Em virtude desta revelação, Deus invisível (cfr. Col. 1,15; 1 Tim. 1,17), na riqueza do seu amor fala aos homens como amigos (cfr. Ex. 33, 11; Jo. 15,1415) e convive com eles (cfr. Bar. 3,38), para os convidar e admitir à comunhão com Ele” (DV 2).

A Bíblia, assim, propicia para quem a lê, na fé e na confiança, a satisfação de nosso desejo ‘natural’ de conhecer a Deus. Além disso, nesta ‘fala’, Deus nos dirige sua Palavra não como a estranhos: ‘(...) na riqueza do seu amor fala aos homens como amigos’. Uma Palavra como ponte de amor.

Quando entrei para o Seminário de São José, em 1973, esta música, que logo aprendi, era muito cantada:

“Palavra não foi feita para dividir ninguém, palavra é uma ponte onde o amor vai e vem, onde o amor vai e vem.

1. Palavra não foi feita para dominar, destino da palavra é dialogar, palavra não foi feita para opressão, destino da palavra é união.

2. Palavra não foi feita para a vaidade, destino da palavra é a eternidade, palavra não foi feita p’ra cair no chão, destino da palavra é o coração.

3. Palavra não foi feita para semear a dúvida, a tristeza e o mal-estar, destino da palavra é a construção de um mundo mais feliz e mais irmão2.

Pela revelação vivida como processo da História da Salvação aprendemos a conviver com Deus, em sua autoridade (Os Mandamentos) e em Seu amor! (a liturgia)

“Deus, criando e conservando todas as coisas pelo Verbo (cfr. Jo. 1,3), oferece aos homens um testemunho perene de Si mesmo na criação (cfr. Rom. 1, 1-20) e, além disso, decidindo abrir o caminho da salvação sobrenatural, manifestou-se a Si mesmo, desde o princípio, aos nossos primeiros pais”.

Na verdade a Bíblia nos relata que Deus, partir dos eventos catastróficos do pecado original (Gn 1-11) revelou-Se a como um Deus (Immanu-el3) a nosso favor.

Nestes primeiros 11 capítulos da Bíblia, vemos um percurso do Paraíso à Desobediência e ao fratricídio (Caim e Abel), da Criação, como Paraíso, à destruição da Terra (Dilúvio), das relações fraternas entre os povos à Torre de Babel.

O Antigo Testamento, que começa no Gênesis e termina no Profeta Malaquias, é o percurso de uma História de Amor Criador e Redentor, pela palavra e pela ação de Deus, que, quando acolhidas no coração humano, produz aliança, perdão e salvação!

“Depois da sua queda, com a promessa de redenção, deu-lhes a esperança da salvação (cfr. Gên. 3,15), e cuidou continuamente do gênero humano, para dar a vida eterna a todos aqueles que, perseverando na prática das boas obras, procuram a salvação (cfr. Rom. 2, 6-7). No devido tempo chamou Abraão, para fazer dele pai dum grande povo (cfr. Gên. 12,2), povo que, depois dos patriarcas, ele instruiu, por meio de Moisés e dos profetas, para que o reconhecessem como único Deus vivo e verdadeiro, pai providente e juiz justo, e para que esperassem o Salvador prometido; assim preparou Deus através dos tempos o caminho ao Evangelho” (DV 3).

Referências: 

1Entre os quatro principais documentos do Concílio Vaticano II temos duas constituições dogmáticas: Constituição Dogmática Lumen Gentium e Constituição Dogmática Dei Verbum.

A constituição dogmática é um documento pontifício que trata de assuntos da mais alta importância, no caso desses dois documentos temos assuntos referentes a definições de dogmas. O conceito de constituição dentro do direito canônico deriva diretamente do conceito de constituição do direito romano e como lá era entendido. Nas constituições se reservava o título de constititio para as leis mais importantes. Nesse sentido parece um pouco diferente do entendimento do moderno conceito de constituição como lei fundamental de um Estado, mas, de certa forma, a ideia central é a mesma. É muito comum acharmos sob a assinatura de vários Papas as Constituições Apostólicas. Elas podem tratar de diversos temas, contanto que seja de grande importância, importância essa que a própria Santa Sé, na pessoa do Papa é que define. A Constituição Dogmática é uma constituição apostólica, já que se enquadra na definição de ser um documento que trata de questões da mais alta importância. O nome “dogmática” aparece pelo simples fato de tratar de definição de dogmas, documento exclusivo para tal ato. https://beinbetter.wordpress.com/2012/11/21/concilio-vaticano-ii-o-porque-dos-nomes-dos-documentos/acesso 08/06/2015).

2http://www.cebi.org.br/_print.php?type=news&id=5079 (Acesso 08/06/2015)

3Isaías 7:14: “Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho e lhe chamará Emanuel”. O nome Emanuel significa “Deus conosco” (Mateus 1, 23) e implica mais do que uma breve visita para um ato sacrifical; revela antes o compartilhar da experiência humana.

 

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A Palavra de Deus na Bíblia: revelação e fé no Antigo Testamento

24/06/2015 18:25 - Atualizado em 24/06/2015 18:25

O sagrado Concílio, ouvindo religiosamente a Palavra de Deus proclamando-a com confiança, faz suas as palavras de S. João: “anunciamo-vos a vida eterna, que estava junto do Pai e nos apareceu: anunciamo-vos o que vimos e ouvimos, para que também vós vivais em comunhão conosco, e a nossa comunhão seja com o Pai e com o seu Filho Jesus Cristo” (1 Jo. 1, 2-3) (Dei Verbum 1).

São palavras sábias do Concílio, que o Beato Paulo VI, em 1965, promulgava como o documento orientador (trata-se de uma constituição dogmática1) de todo esse maravilhoso movimento de redescoberta da centralidade da palavra de Deus, na vida dos fiéis, na liturgia, na ação pastoral da Igreja, no diálogo ecumênico.

Ouvir ‘religiosamente’ a Palavra de Deus. Apegar-se às Sagradas Escrituras para poder obedecer a Deus, que Se fez conhecer pela (Sua) Palavra revelada. Esta experiência histórico-salvífica se realizou ao longo de muitos séculos e foi se cristalizando por escrito.

A Bíblia compendia, reúne e guarda as palavras e sinais de uma epopeia singular, em seus 72(73) livros: Inicialmente isso se dá através de Israel em suas instituições!

Deus, no Antigo Testamento (45 livros), dirigiu-Se aos homens através do povo de Israel: Abraão, o Pai da Fé (Gn 12); Moisés, o legislador (Ex 3), os juízes, os reis e, por fim, os profetas foram os interlocutores de Deus, que Se revela!

“Aprouve a Deus na sua bondade e sabedoria revelar-se a Si mesmo e dar a conhecer o mistério da sua vontade (cfr. Ef. 1,9), segundo o qual os homens, por meio de Cristo, Verbo encarnado, têm acesso ao Pai no Espírito Santo e se tornam participantes da natureza divina (cfr. Ef. 2,18; 2 Ped. 1,4)” (DV 2).

Não se trata de dar notícias ou informações a outrem. Deus fala de si mesmo! A Bíblia é a fixação desta fala de si mesmo da parte de Deus aos homens. Esta fala é um evento que se identifica pelos sinais! A Bíblia não é o que o homem pensa sobre quem Deus seja, mas é a autorrevelação divina: Deus tem uma Palavra sobre Si Mesmo!

“Esta ‘economia’ da revelação realiza-se por meio de ações e palavras ìntimamente relacionadas entre si, de tal maneira que as obras, realizadas por Deus na história da salvação, manifestam e confirmam a doutrina e as realidades significadas pelas palavras; e as palavras, por sua vez, declaram as obras e esclarecem o mistério nelas contido” (DV 2)

Sinais são formas de estabelecer comunicação; eles são as ferramentas da linguagem não oral!

No processo de linguagem usamos palavras e sinais! Estes, conectados, produzem um contexto comunicativo, no qual uma mensagem é transmitida por código através de um emissor e recebida por um receptor, num contexto comunicativo: a história humana! A Palavra de Deus se conecta à humanidade por meio da relação coerente entre palavras e sinais!

Esta Comunicação de Deus na história de Israel tem efeitos e expectativas: “Porque, assim como desce a chuva e a neve dos céus, e para lá não tornam, mas regam a terra, e a fazem produzir, e brotar, e dar semente ao semeador, e pão ao que come,Assim será a minha palavra, que sair da minha boca; ela não voltará para mim vazia, antes fará o que me apraz, e prosperará naquilo para que a enviei.(Isaías 55, 10-11)’.

A revelação divina visa o retorno da humanidade à intimidade com Deus, a comunhão fraterna e o destino eterno (Salvação).

“Em virtude desta revelação, Deus invisível (cfr. Col. 1,15; 1 Tim. 1,17), na riqueza do seu amor fala aos homens como amigos (cfr. Ex. 33, 11; Jo. 15,1415) e convive com eles (cfr. Bar. 3,38), para os convidar e admitir à comunhão com Ele” (DV 2).

A Bíblia, assim, propicia para quem a lê, na fé e na confiança, a satisfação de nosso desejo ‘natural’ de conhecer a Deus. Além disso, nesta ‘fala’, Deus nos dirige sua Palavra não como a estranhos: ‘(...) na riqueza do seu amor fala aos homens como amigos’. Uma Palavra como ponte de amor.

Quando entrei para o Seminário de São José, em 1973, esta música, que logo aprendi, era muito cantada:

“Palavra não foi feita para dividir ninguém, palavra é uma ponte onde o amor vai e vem, onde o amor vai e vem.

1. Palavra não foi feita para dominar, destino da palavra é dialogar, palavra não foi feita para opressão, destino da palavra é união.

2. Palavra não foi feita para a vaidade, destino da palavra é a eternidade, palavra não foi feita p’ra cair no chão, destino da palavra é o coração.

3. Palavra não foi feita para semear a dúvida, a tristeza e o mal-estar, destino da palavra é a construção de um mundo mais feliz e mais irmão2.

Pela revelação vivida como processo da História da Salvação aprendemos a conviver com Deus, em sua autoridade (Os Mandamentos) e em Seu amor! (a liturgia)

“Deus, criando e conservando todas as coisas pelo Verbo (cfr. Jo. 1,3), oferece aos homens um testemunho perene de Si mesmo na criação (cfr. Rom. 1, 1-20) e, além disso, decidindo abrir o caminho da salvação sobrenatural, manifestou-se a Si mesmo, desde o princípio, aos nossos primeiros pais”.

Na verdade a Bíblia nos relata que Deus, partir dos eventos catastróficos do pecado original (Gn 1-11) revelou-Se a como um Deus (Immanu-el3) a nosso favor.

Nestes primeiros 11 capítulos da Bíblia, vemos um percurso do Paraíso à Desobediência e ao fratricídio (Caim e Abel), da Criação, como Paraíso, à destruição da Terra (Dilúvio), das relações fraternas entre os povos à Torre de Babel.

O Antigo Testamento, que começa no Gênesis e termina no Profeta Malaquias, é o percurso de uma História de Amor Criador e Redentor, pela palavra e pela ação de Deus, que, quando acolhidas no coração humano, produz aliança, perdão e salvação!

“Depois da sua queda, com a promessa de redenção, deu-lhes a esperança da salvação (cfr. Gên. 3,15), e cuidou continuamente do gênero humano, para dar a vida eterna a todos aqueles que, perseverando na prática das boas obras, procuram a salvação (cfr. Rom. 2, 6-7). No devido tempo chamou Abraão, para fazer dele pai dum grande povo (cfr. Gên. 12,2), povo que, depois dos patriarcas, ele instruiu, por meio de Moisés e dos profetas, para que o reconhecessem como único Deus vivo e verdadeiro, pai providente e juiz justo, e para que esperassem o Salvador prometido; assim preparou Deus através dos tempos o caminho ao Evangelho” (DV 3).

Referências: 

1Entre os quatro principais documentos do Concílio Vaticano II temos duas constituições dogmáticas: Constituição Dogmática Lumen Gentium e Constituição Dogmática Dei Verbum.

A constituição dogmática é um documento pontifício que trata de assuntos da mais alta importância, no caso desses dois documentos temos assuntos referentes a definições de dogmas. O conceito de constituição dentro do direito canônico deriva diretamente do conceito de constituição do direito romano e como lá era entendido. Nas constituições se reservava o título de constititio para as leis mais importantes. Nesse sentido parece um pouco diferente do entendimento do moderno conceito de constituição como lei fundamental de um Estado, mas, de certa forma, a ideia central é a mesma. É muito comum acharmos sob a assinatura de vários Papas as Constituições Apostólicas. Elas podem tratar de diversos temas, contanto que seja de grande importância, importância essa que a própria Santa Sé, na pessoa do Papa é que define. A Constituição Dogmática é uma constituição apostólica, já que se enquadra na definição de ser um documento que trata de questões da mais alta importância. O nome “dogmática” aparece pelo simples fato de tratar de definição de dogmas, documento exclusivo para tal ato. https://beinbetter.wordpress.com/2012/11/21/concilio-vaticano-ii-o-porque-dos-nomes-dos-documentos/acesso 08/06/2015).

2http://www.cebi.org.br/_print.php?type=news&id=5079 (Acesso 08/06/2015)

3Isaías 7:14: “Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho e lhe chamará Emanuel”. O nome Emanuel significa “Deus conosco” (Mateus 1, 23) e implica mais do que uma breve visita para um ato sacrifical; revela antes o compartilhar da experiência humana.

 

Padre Pedro Paulo Alves dos Santos
Autor

Padre Pedro Paulo Alves dos Santos

Doutor em Teologia Bíblica