Arquidiocese do Rio de Janeiro

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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 10/12/2018

10 de Dezembro de 2018

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19/04/2015 00:00

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“Ó Deus, que o vosso povo sempre exulte pela sua renovação espiritual, para que, tendo recuperado agora com alegria a condição de filhos de Deus, espere com plena confiança o dia da ressurreição.”[1]

 A oração coleta desta celebração eucarística nos ilumina neste tempo feliz da Páscoa do Senhor. O Senhor nosso Deus, que nos reúne a todos na Igreja no domingo, nossa Páscoa semanal, é aqu’Ele que nos renova. No domingo passado ouvimos aquela bela “coleta” que nos afirmava ser o Senhor aqu’Ele que reacende a nossa fé a cada ano por ocasião da festa da Páscoa. Hoje nós ouvimos esta coleta que nos apresenta o mistério da Páscoa do Senhor como fonte da nossa “renovação espiritual”, porque é a celebração alegre e festiva do mistério da nossa “adoção filial” que nos faz transbordar de esperança, porque se somos filhos, podemos esperar ser ressuscitados como o Filho o foi pelo amor misericordioso do Pai.

A Páscoa nos traz essa certeza de que ressuscitaremos com Cristo. Essa certeza enche o nosso coração de esperança, e a esperança cristã é uma esperança alegre. A esperança cristã é uma esperança alegre porque é a certeza de que todo o mal está vencido pelo Cristo. Se Ele destruiu a morte e ela não tem mais poder de nos reter e dominar, a quem ou o que nós temeremos?

A primeira leitura nos coloca diante do brilhante e eloquente “discurso de Pedro” após Pentecostes. Eis aqui um verdadeiro testemunho do poder do Espírito que agia na pregação dos apóstolos. Com este pequeno, embora brilhante, discurso, Pedro anuncia a Palavra a uma grande multidão, onde somente os homens chegavam a uns cinco mil, como afirma Lucas. E muitos desses se converteram e “abraçaram a fé”. Nesse discurso de Pedro somos colocados diante de faces de uma moeda: de um lado, a Palavra de juízo, que afirma “...o Deus de nossos pais glorificou o seu servo Jesus, a quem vós entregastes e negastes diante de Pilatos”; de outro lado, a palavra de salvação “Arrependei-vos, pois, e convertei-vos, a fim de que sejam apagados os vossos pecados”.

Também para nós serve essa dupla dimensão do discurso de Pedro. Somos aqueles que “entregaram” Jesus Cristo à morte e também aqueles que o “negaram”. Sim, é verdadeiro que o entregamos à morte, porque foi em vista dos nossos pecados que Ele padeceu na Cruz. Também é verdadeiro que nós o negamos, porque tantas vezes na nossa vida fazemos a experiência da falência e do pecado, como negação do senhorio de Cristo sobre nós. Todavia, existe para nós salvação, e essa se dá pela metanoia, ou seja, pelo verdadeiro processo de arrependimento e conversão pelo qual aprendemos a aderir à forma de pensar do próprio Cristo.

O salmo de resposta é um pedido a Deus para que seja favorável quando lhe fizermos a nossa prece. A expressão do v. 7 “levanta sobre nós a tua face” é clássica em todo o Antigo Testamento e utilizada para demonstrar que o Rei ou Deus é favorável ao homem. O salmo nos convida a não amarmos o nada (v.3) e a buscarmos somente YHWH, porque Ele é o único que por nós realiza maravilhas (v.4). Qual maravilha pode ser maior que a Ressurreição? Que maravilha maior do que sabermos que a morte não tem e nem terá a última palavra sobre nós?

A segunda leitura também nos transporta para o mesmo universo da primeira: juízo e salvação. São João adverte os “filhinhos” que a sua palavra lhes é dirigida, a fim de que não pequeis, mas se alguém pecar não deve se desesperar da misericórdia de Deus, mas ao contrário, deve saber que em Cristo tem um “supremo advogado”, porque Ele é a “vítima de expiação” pelos nossos pecados. Jesus é o nosso “paráclito”, na expressão de João, é o “consolador”, o que é “chamado para estar junto”, não numa atitude passiva, mas ativa, pronto para defender aquele que o invocou.

O evangelho é Lc 24,35-48. O v. 35 faz a ligação entre os dois relatos de aparições do Ressuscitado. O primeiro é aquele acontecido no “caminho”, quando o Cristo caminha com os discípulos que iam a Emaús e estes o reconhecem no partir do pão. A outra é aquela que se segue ao anúncio destes mesmos discípulos. E o dom do Ressuscitado, o primeiro dom dado aos seus discípulos, é o dom da paz! Até hoje, o bispo e somente ele, quando preside a Eucaristia, pode substituir uma das habituais saudações paulinas ou aquela petrina pela expressão Pax Vobiscum! Aqueles que possuem a plenitude do sacerdócio ministerial são um sinal particular do Cristo Ressuscitado que preside os mistérios e neles se autorrevela. Lucas insiste na realidade física da Ressurreição e, por isso, faz memória de que o Cristo manda que as suas chagas sejam vistas e seu corpo tocado.

Um ponto a se destacar entre tantos dentro desta perícope é o da alegria que toma o coração dos discípulos por ocasião deste encontro. Eles “ainda não podiam acreditar” e estavam tomados de “surpresa, estupefação”, porque aquela realidade era portadora de uma alegria que o coração dos discípulos ainda não podia conter, pelo menos não até que lhes viesse o Espírito. É por isso que o v. 49, que não é lido hoje, apresenta uma promessa de Jesus, aquela do envio do paráclito que há de dilatar o coração dos discípulos, a fim de que eles possam crer verdadeiramente.

Outro aspecto que merece destaque é que o Cristo aparece aqui como aqu’Ele que realiza em si as promessas contidas nas Escrituras do Antigo Testamento e também como o verdadeiro hermeneuta dessa mesma Escritura. Lucas diz que Ele é “o hermeneuta” único das Escrituras quando afirma que foi Ele quem “abriu a mente” dos discípulos para que entendessem as Escrituras; Lucas afirma que n’Ele se cumprem as promessas do Antigo Testamento quando põe nos seus lábios as palavras: “era preciso que se cumprisse o que está escrito sobre mim na Lei de Moisés, nos profetas e nos salmos” (cf. v. 44).

 

[1] Coleta do Terceiro Domingo da Páscoa

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Renovação Pascal

19/04/2015 00:00

“Ó Deus, que o vosso povo sempre exulte pela sua renovação espiritual, para que, tendo recuperado agora com alegria a condição de filhos de Deus, espere com plena confiança o dia da ressurreição.”[1]

 A oração coleta desta celebração eucarística nos ilumina neste tempo feliz da Páscoa do Senhor. O Senhor nosso Deus, que nos reúne a todos na Igreja no domingo, nossa Páscoa semanal, é aqu’Ele que nos renova. No domingo passado ouvimos aquela bela “coleta” que nos afirmava ser o Senhor aqu’Ele que reacende a nossa fé a cada ano por ocasião da festa da Páscoa. Hoje nós ouvimos esta coleta que nos apresenta o mistério da Páscoa do Senhor como fonte da nossa “renovação espiritual”, porque é a celebração alegre e festiva do mistério da nossa “adoção filial” que nos faz transbordar de esperança, porque se somos filhos, podemos esperar ser ressuscitados como o Filho o foi pelo amor misericordioso do Pai.

A Páscoa nos traz essa certeza de que ressuscitaremos com Cristo. Essa certeza enche o nosso coração de esperança, e a esperança cristã é uma esperança alegre. A esperança cristã é uma esperança alegre porque é a certeza de que todo o mal está vencido pelo Cristo. Se Ele destruiu a morte e ela não tem mais poder de nos reter e dominar, a quem ou o que nós temeremos?

A primeira leitura nos coloca diante do brilhante e eloquente “discurso de Pedro” após Pentecostes. Eis aqui um verdadeiro testemunho do poder do Espírito que agia na pregação dos apóstolos. Com este pequeno, embora brilhante, discurso, Pedro anuncia a Palavra a uma grande multidão, onde somente os homens chegavam a uns cinco mil, como afirma Lucas. E muitos desses se converteram e “abraçaram a fé”. Nesse discurso de Pedro somos colocados diante de faces de uma moeda: de um lado, a Palavra de juízo, que afirma “...o Deus de nossos pais glorificou o seu servo Jesus, a quem vós entregastes e negastes diante de Pilatos”; de outro lado, a palavra de salvação “Arrependei-vos, pois, e convertei-vos, a fim de que sejam apagados os vossos pecados”.

Também para nós serve essa dupla dimensão do discurso de Pedro. Somos aqueles que “entregaram” Jesus Cristo à morte e também aqueles que o “negaram”. Sim, é verdadeiro que o entregamos à morte, porque foi em vista dos nossos pecados que Ele padeceu na Cruz. Também é verdadeiro que nós o negamos, porque tantas vezes na nossa vida fazemos a experiência da falência e do pecado, como negação do senhorio de Cristo sobre nós. Todavia, existe para nós salvação, e essa se dá pela metanoia, ou seja, pelo verdadeiro processo de arrependimento e conversão pelo qual aprendemos a aderir à forma de pensar do próprio Cristo.

O salmo de resposta é um pedido a Deus para que seja favorável quando lhe fizermos a nossa prece. A expressão do v. 7 “levanta sobre nós a tua face” é clássica em todo o Antigo Testamento e utilizada para demonstrar que o Rei ou Deus é favorável ao homem. O salmo nos convida a não amarmos o nada (v.3) e a buscarmos somente YHWH, porque Ele é o único que por nós realiza maravilhas (v.4). Qual maravilha pode ser maior que a Ressurreição? Que maravilha maior do que sabermos que a morte não tem e nem terá a última palavra sobre nós?

A segunda leitura também nos transporta para o mesmo universo da primeira: juízo e salvação. São João adverte os “filhinhos” que a sua palavra lhes é dirigida, a fim de que não pequeis, mas se alguém pecar não deve se desesperar da misericórdia de Deus, mas ao contrário, deve saber que em Cristo tem um “supremo advogado”, porque Ele é a “vítima de expiação” pelos nossos pecados. Jesus é o nosso “paráclito”, na expressão de João, é o “consolador”, o que é “chamado para estar junto”, não numa atitude passiva, mas ativa, pronto para defender aquele que o invocou.

O evangelho é Lc 24,35-48. O v. 35 faz a ligação entre os dois relatos de aparições do Ressuscitado. O primeiro é aquele acontecido no “caminho”, quando o Cristo caminha com os discípulos que iam a Emaús e estes o reconhecem no partir do pão. A outra é aquela que se segue ao anúncio destes mesmos discípulos. E o dom do Ressuscitado, o primeiro dom dado aos seus discípulos, é o dom da paz! Até hoje, o bispo e somente ele, quando preside a Eucaristia, pode substituir uma das habituais saudações paulinas ou aquela petrina pela expressão Pax Vobiscum! Aqueles que possuem a plenitude do sacerdócio ministerial são um sinal particular do Cristo Ressuscitado que preside os mistérios e neles se autorrevela. Lucas insiste na realidade física da Ressurreição e, por isso, faz memória de que o Cristo manda que as suas chagas sejam vistas e seu corpo tocado.

Um ponto a se destacar entre tantos dentro desta perícope é o da alegria que toma o coração dos discípulos por ocasião deste encontro. Eles “ainda não podiam acreditar” e estavam tomados de “surpresa, estupefação”, porque aquela realidade era portadora de uma alegria que o coração dos discípulos ainda não podia conter, pelo menos não até que lhes viesse o Espírito. É por isso que o v. 49, que não é lido hoje, apresenta uma promessa de Jesus, aquela do envio do paráclito que há de dilatar o coração dos discípulos, a fim de que eles possam crer verdadeiramente.

Outro aspecto que merece destaque é que o Cristo aparece aqui como aqu’Ele que realiza em si as promessas contidas nas Escrituras do Antigo Testamento e também como o verdadeiro hermeneuta dessa mesma Escritura. Lucas diz que Ele é “o hermeneuta” único das Escrituras quando afirma que foi Ele quem “abriu a mente” dos discípulos para que entendessem as Escrituras; Lucas afirma que n’Ele se cumprem as promessas do Antigo Testamento quando põe nos seus lábios as palavras: “era preciso que se cumprisse o que está escrito sobre mim na Lei de Moisés, nos profetas e nos salmos” (cf. v. 44).

 

[1] Coleta do Terceiro Domingo da Páscoa

Padre Fábio Siqueira
Autor

Padre Fábio Siqueira

Vice-diretor das Escolas de Fé e Catequese Mater Ecclesiae e Luz e Vida