Arquidiocese do Rio de Janeiro

25º 13º

Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 19/07/2019

19 de Julho de 2019

Ceia do Senhor

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19 de Julho de 2019

Ceia do Senhor

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24/03/2015 08:42 - Atualizado em 24/03/2015 08:42

Ceia do Senhor 0

24/03/2015 08:42 - Atualizado em 24/03/2015 08:42

A liturgia da Quinta-feira Santa é um convite a aprofundar concretamente no mistério da Paixão de Cristo, já que quem deseja segui-Lo deve sentar-se à sua mesa e, com o máximo recolhimento, participar de tudo o que aconteceu na noite em que iam entregá-Lo à morte.

E, por outro lado, o mesmo Senhor Jesus nos dá um testemunho da vocação ao serviço do mundo e da Igreja que temos todos os fiéis, quando Ele decide lavar os pés dos seus discípulos.

O Evangelho de João apresenta Jesus “sabendo que o Pai pôs tudo em suas mãos, que vinha de Deus e a Deus retornava”, mas que, ante cada homem, sente tal amor que, igual como fez com os discípulos, se ajoelha e lava os seus pés, como sinal de serviço, convidando-nos a “lavar os pés uns dos outros”.

Esta é a tarde que faz memória da Ceia Pascal de Jesus. Aquilo que o Senhor realizou durante toda a vida e consumou na Cruz – isto é, sua entrega de amor total ao Pai, por nós –, Ele quis nos deixar nos gestos, nas palavras e nos símbolos da Ceia que celebrou com os seus. No Cenáculo, estava já presente, em símbolos e gestos, a entrega amorosa do Calvário. Era em família que os judeus celebravam o Banquete Pascal. Jesus celebrou com seus discípulos, portanto, conosco, sua família: “Tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim,” até o extremo de entregar a vida, pois “não há maior prova de amor que entregar a vida pelos amigos” (Jo 15,13).

São Paulo completa, lembrando a todas as comunidades cristãs o que ele mesmo recebeu: que aquela memorável noite a entrega de Cristo chegou a fazer-se sacramento permanente no pão e no vinho que se convertem em seu Corpo e seu Sangue, alimento para todos os que queiram estar com Ele e esperar sua vinda no final dos tempos.

A Eucaristia, a Santa Missa, é a celebração da Ceia do Senhor instituída por Jesus na véspera da sua paixão, "enquanto ceava com seus discípulos tomou o pão..." (Mt 26, 26). Ele quis que, como em sua última Ceia, seus discípulos se reunissem e fizessem memória d’Ele, abençoando o pão e o vinho: "Fazei isto em memória de mim" (Lc 22,19).

Antes de ser entregue, Cristo se entrega como alimento. Entretanto, nesta Ceia, o Senhor Jesus celebra sua morte: o que fez, o fez como anúncio profético e oferecimento antecipado e real da sua morte antes da sua Paixão. Por isso "quando comemos deste pão e bebemos deste cálice, proclamamos a morte do Senhor até que ele volte" (1Cor 11, 26).

Assim, constatamos que a Eucaristia é o memorial da Morte de Cristo na cruz, Ele que é Senhor, e "Senhor que venceu a Morte", ou seja, o Ressuscitado cujo regresso esperamos de acordo com a promessa que Ele mesmo fez ao despedir-se: "Um pouco de tempo e já não me vereis, mais um pouco de tempo ainda e me vereis" (Jo 16, 16).

Como diz o prefácio deste dia: "Cristo verdadeiro e único sacerdote, se ofereceu como vítima de salvação e nos mandou perpetuar esta oferenda em sua comemoração". Por isso, esta Eucaristia é celebrada com características próprias: como Missa "na Ceia do Senhor".

Celebramos a certeza de saber que esta morte do Senhor não terminou no fracasso, mas no êxito, teve um por que e um para que: foi uma "entrega", um "dar-se", foi "por algo" ou, melhor dizendo, "por alguém" e nada menos que por "nós e pela nossa salvação" (Credo). "Ninguém a tira de mim, (Jesus se refere à sua vida) mas eu a dou livremente. Tenho poder de entregá-la e poder de retomá-la." (Jo 10, 18), e hoje nos diz que foi para "remissão dos pecados" (Mt 26, 28c).

Por isso, esta Eucaristia da Quinta-feira Santa é solenemente celebrada, mas nos cantos, na mensagem, nos símbolos, não deve ser nem tão festiva nem tão jubilosamente explosiva, como a Noite de Páscoa, noite em que celebramos o desfecho glorioso dessa entrega. Porém, não está repleta da solene e contrita tristeza da Sexta-feira Santa, porque o que nos interessa "sublinhar" neste momento é que "o Pai entregou o Seu Filho para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna" (Jo 3, 16), e que o Filho entregou-se voluntariamente a nós, e deu sua vida através da morte em uma cruz ignominiosa.

Com essa celebração solene “na Ceia do Senhor” abrimos o Tríduo Pascal, que celebra o mistério central da nossa fé: a Morte e Ressurreição de Jesus. E é muito importante a nossa participação nesses momentos do ano na Igreja, para que façamos nossa experiência pascal e sejamos testemunhas do Cristo Ressuscitado.

 

 

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Ceia do Senhor

24/03/2015 08:42 - Atualizado em 24/03/2015 08:42

A liturgia da Quinta-feira Santa é um convite a aprofundar concretamente no mistério da Paixão de Cristo, já que quem deseja segui-Lo deve sentar-se à sua mesa e, com o máximo recolhimento, participar de tudo o que aconteceu na noite em que iam entregá-Lo à morte.

E, por outro lado, o mesmo Senhor Jesus nos dá um testemunho da vocação ao serviço do mundo e da Igreja que temos todos os fiéis, quando Ele decide lavar os pés dos seus discípulos.

O Evangelho de João apresenta Jesus “sabendo que o Pai pôs tudo em suas mãos, que vinha de Deus e a Deus retornava”, mas que, ante cada homem, sente tal amor que, igual como fez com os discípulos, se ajoelha e lava os seus pés, como sinal de serviço, convidando-nos a “lavar os pés uns dos outros”.

Esta é a tarde que faz memória da Ceia Pascal de Jesus. Aquilo que o Senhor realizou durante toda a vida e consumou na Cruz – isto é, sua entrega de amor total ao Pai, por nós –, Ele quis nos deixar nos gestos, nas palavras e nos símbolos da Ceia que celebrou com os seus. No Cenáculo, estava já presente, em símbolos e gestos, a entrega amorosa do Calvário. Era em família que os judeus celebravam o Banquete Pascal. Jesus celebrou com seus discípulos, portanto, conosco, sua família: “Tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim,” até o extremo de entregar a vida, pois “não há maior prova de amor que entregar a vida pelos amigos” (Jo 15,13).

São Paulo completa, lembrando a todas as comunidades cristãs o que ele mesmo recebeu: que aquela memorável noite a entrega de Cristo chegou a fazer-se sacramento permanente no pão e no vinho que se convertem em seu Corpo e seu Sangue, alimento para todos os que queiram estar com Ele e esperar sua vinda no final dos tempos.

A Eucaristia, a Santa Missa, é a celebração da Ceia do Senhor instituída por Jesus na véspera da sua paixão, "enquanto ceava com seus discípulos tomou o pão..." (Mt 26, 26). Ele quis que, como em sua última Ceia, seus discípulos se reunissem e fizessem memória d’Ele, abençoando o pão e o vinho: "Fazei isto em memória de mim" (Lc 22,19).

Antes de ser entregue, Cristo se entrega como alimento. Entretanto, nesta Ceia, o Senhor Jesus celebra sua morte: o que fez, o fez como anúncio profético e oferecimento antecipado e real da sua morte antes da sua Paixão. Por isso "quando comemos deste pão e bebemos deste cálice, proclamamos a morte do Senhor até que ele volte" (1Cor 11, 26).

Assim, constatamos que a Eucaristia é o memorial da Morte de Cristo na cruz, Ele que é Senhor, e "Senhor que venceu a Morte", ou seja, o Ressuscitado cujo regresso esperamos de acordo com a promessa que Ele mesmo fez ao despedir-se: "Um pouco de tempo e já não me vereis, mais um pouco de tempo ainda e me vereis" (Jo 16, 16).

Como diz o prefácio deste dia: "Cristo verdadeiro e único sacerdote, se ofereceu como vítima de salvação e nos mandou perpetuar esta oferenda em sua comemoração". Por isso, esta Eucaristia é celebrada com características próprias: como Missa "na Ceia do Senhor".

Celebramos a certeza de saber que esta morte do Senhor não terminou no fracasso, mas no êxito, teve um por que e um para que: foi uma "entrega", um "dar-se", foi "por algo" ou, melhor dizendo, "por alguém" e nada menos que por "nós e pela nossa salvação" (Credo). "Ninguém a tira de mim, (Jesus se refere à sua vida) mas eu a dou livremente. Tenho poder de entregá-la e poder de retomá-la." (Jo 10, 18), e hoje nos diz que foi para "remissão dos pecados" (Mt 26, 28c).

Por isso, esta Eucaristia da Quinta-feira Santa é solenemente celebrada, mas nos cantos, na mensagem, nos símbolos, não deve ser nem tão festiva nem tão jubilosamente explosiva, como a Noite de Páscoa, noite em que celebramos o desfecho glorioso dessa entrega. Porém, não está repleta da solene e contrita tristeza da Sexta-feira Santa, porque o que nos interessa "sublinhar" neste momento é que "o Pai entregou o Seu Filho para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna" (Jo 3, 16), e que o Filho entregou-se voluntariamente a nós, e deu sua vida através da morte em uma cruz ignominiosa.

Com essa celebração solene “na Ceia do Senhor” abrimos o Tríduo Pascal, que celebra o mistério central da nossa fé: a Morte e Ressurreição de Jesus. E é muito importante a nossa participação nesses momentos do ano na Igreja, para que façamos nossa experiência pascal e sejamos testemunhas do Cristo Ressuscitado.

 

 

Cardeal Orani João Tempesta
Autor

Cardeal Orani João Tempesta

Arcebispo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro