Arquidiocese do Rio de Janeiro

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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 20/08/2018

20 de Agosto de 2018

Resposta ao amor de Deus

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20 de Agosto de 2018

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Resposta ao amor de Deus 0

15/03/2015 00:00

Três momentos marcam a primeira leitura:

VV. 14-16: As infidelidades do povo e dos sacerdotes se multiplicam. O cerne da infidelidade é a imitação das abominações pagãs, ou seja, a idolatria, que mancha o Templo do Deus único. Deus não abandona o seu povo; Ele envia “mensageiros”, pois seu desejo é poupar “o povo” e o “Templo”. Todavia, como o povo zomba dos enviados de Deus, despreza a Palavra de Deus e escarnece dos profetas, nada mais resta senão a manifestação da ira de Deus sempre para a conversão do povo. Aqui nós vemos que, em primeiro, não é Deus que deseja se irar contra o povo. Pelo contrário, Ele se mostra pacientíssimo. Usa de todos os remédios a fim de curar os pecadores. Ele envia seus mensageiros, os profetas. Todavia, o homem não quer voltar para Ele seu coração. Ao contrário, eles “zombam, desprezam e escarnecem” de tudo o que se refere a Deus. Manifesta-se, então, a “ira divina” com o intuito de converter o coração dos homens. Como costumamos dizer, se não se vai a Deus pelo amor, muitos acabam indo pelo caminho da dor. Deus não quer este caminho para o homem, mas se ele é o único possível; Deus também o transfigura. De fato, o Salmo da liturgia de hoje canta o sentido profundo do sofrimento do judeu exilado:

= Junto aos rios da Babilônia
nos sentávamos chorando,
com saudades de Sião.
_ Nos salgueiros por ali
penduramos nossas harpas.
= Pois foi lá que os opressores
nos pediram nossos cânticos;
nossos guardas exigiam alegria na tristeza:
_ Cantai hoje para nós
algum canto de Sião!"
= Como havemos de cantar
os cantares do Senhor
numa terra estrangeira?
= Se de ti, Jerusalém,
algum dia eu me esquecer,
que resseque a minha mão!

= Que se cole a minha língua
e se prenda ao céu da boca,
se de ti não me lembrar
_ Se não for Jerusalém
minha grande alegria!

VV. 19-20: O exílio é interpretado como sendo consequência da infidelidade do povo. Uma vez que este não seguiu a voz de Deus obedecendo os seus mandamentos, Deus vai privá-los por um tempo do fruto da promessa: a Terra, onde se encontra o Templo como sinal perpétuo da aliança de Deus com o seu povo. Quem sabe assim o povo não toma consciência da gravidade do seu pecado, volta atrás e se arrepende?
VV. 21: O autor sagrado, escrevendo depois, é claro, dos eventos ocorridos, demonstra a interpretação religiosa da intervenção de Ciro, rei da Pérsia. Este chega mesmo a ser chamado de Messias-Ungido em algumas perícopes da Obra Histórica do Cronista, uma vez que este se torna o instrumento de Deus para que o povo possa, apesar de ainda sob domínio persa, retornar para sua terra e reconstruir o Templo de Deus. Aqui vem também veiculada uma interpretação tradicional do exílio como sendo uma forma de o povo saldar com Deus sua dívida pelos sábados não observados desde a criação até o exílio. Assim, o sábado judaico será memória da criação, da libertação da escravidão no Egito e da libertação do exílio (nova Páscoa e nova criação).

Esta perícope que tem como tema, sobretudo na sua primeira parte, o castigo, o julgamento do homem em vista da sua incredulidade na mensagem dos enviados de Deus, está intimamente relacionada com o trecho de Jo 3. Ao falar da sua própria crucificação de forma tipológica, comparando-a com o erguimento da serpente no deserto por Moisés, Cristo anuncia que o julgamento do homem também se dará na medida em que crê ou não na Palavra que Ele anuncia. O v. 19 é bem explícito ao falar que o julgamento é este: a luz veio ao mundo, mas os homens preferiram as trevas, porque as suas obras eram más.

Assim como o juízo de Deus, nos tempos antigos, se manifestou em base à adesão ou não do povo à Palavra, agora o mesmo se dará. Seremos julgados, no fundo, por nossa adesão ou não-adesão à Palavra de Deus.

Todavia, o Evangelho chama a atenção a respeito dos que praticam a verdade. Estes se põem junto à luz para que se manifestem suas obras que são feitas em Deus. A Quaresma é um tempo favorável para nos questionarmos:

A. Temos dado ouvido à Palavra de Deus? Nós a temos lido descomprometidamente ou como quem quer de fato se debruçar sobre ela e meditá-la, para transformá-la em fonte de vida em abundância?

B. Nossas obras são feitas em Deus? Aqui não se trata de um perfeccionismo moralizante, mas de viver na luz. Ainda que pratiquemos o mal aos olhos de Deus e, de fato, aqui e ali sempre o praticamos, devemos viver na luz. Concretamente isso significa em primeiro lugar admitir que as nossas trevas são trevas, ou seja, não chamarmos de luz, nem de trevas o que não é, em outras palavras acolhermos a mistura de luz e trevas que existe em nós; em segundo lugar, apresentar tudo a alguém que, com inteligência espiritual, nos ajude a caminhar na luz, alguém a quem possamos revelar nossos pensamentos, sentimentos e anseios e, por fim, apresentarmos tudo a Deus, porque se Ele pode fazer do pão e do vinho o Corpo e o Sangue do Seu Filho, Ele também pode dos cacos da nossa vida fazer um belo vaso novo.

Ef 2,4-10 nos apresenta a gratuidade da salvação recebida em Jesus Cristo. Se, por um lado, o juízo vem em virtude das nossas obras, a salvação vem, por sua vez, não pelas “boas obras”, embora estas demonstrem nossa adesão ao plano de salvação de Deus, mas vem em virtude da graça de Nosso Senhor para conosco.

Quarto Domingo da Quaresma (Laetare) – Ano B
15.03.2015

2Cr 36,14-16.19-23
Sl 136 (137)
Ef 2,4-10
Jo 3,14-21

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Resposta ao amor de Deus

15/03/2015 00:00

Três momentos marcam a primeira leitura:

VV. 14-16: As infidelidades do povo e dos sacerdotes se multiplicam. O cerne da infidelidade é a imitação das abominações pagãs, ou seja, a idolatria, que mancha o Templo do Deus único. Deus não abandona o seu povo; Ele envia “mensageiros”, pois seu desejo é poupar “o povo” e o “Templo”. Todavia, como o povo zomba dos enviados de Deus, despreza a Palavra de Deus e escarnece dos profetas, nada mais resta senão a manifestação da ira de Deus sempre para a conversão do povo. Aqui nós vemos que, em primeiro, não é Deus que deseja se irar contra o povo. Pelo contrário, Ele se mostra pacientíssimo. Usa de todos os remédios a fim de curar os pecadores. Ele envia seus mensageiros, os profetas. Todavia, o homem não quer voltar para Ele seu coração. Ao contrário, eles “zombam, desprezam e escarnecem” de tudo o que se refere a Deus. Manifesta-se, então, a “ira divina” com o intuito de converter o coração dos homens. Como costumamos dizer, se não se vai a Deus pelo amor, muitos acabam indo pelo caminho da dor. Deus não quer este caminho para o homem, mas se ele é o único possível; Deus também o transfigura. De fato, o Salmo da liturgia de hoje canta o sentido profundo do sofrimento do judeu exilado:

= Junto aos rios da Babilônia
nos sentávamos chorando,
com saudades de Sião.
_ Nos salgueiros por ali
penduramos nossas harpas.
= Pois foi lá que os opressores
nos pediram nossos cânticos;
nossos guardas exigiam alegria na tristeza:
_ Cantai hoje para nós
algum canto de Sião!"
= Como havemos de cantar
os cantares do Senhor
numa terra estrangeira?
= Se de ti, Jerusalém,
algum dia eu me esquecer,
que resseque a minha mão!

= Que se cole a minha língua
e se prenda ao céu da boca,
se de ti não me lembrar
_ Se não for Jerusalém
minha grande alegria!

VV. 19-20: O exílio é interpretado como sendo consequência da infidelidade do povo. Uma vez que este não seguiu a voz de Deus obedecendo os seus mandamentos, Deus vai privá-los por um tempo do fruto da promessa: a Terra, onde se encontra o Templo como sinal perpétuo da aliança de Deus com o seu povo. Quem sabe assim o povo não toma consciência da gravidade do seu pecado, volta atrás e se arrepende?
VV. 21: O autor sagrado, escrevendo depois, é claro, dos eventos ocorridos, demonstra a interpretação religiosa da intervenção de Ciro, rei da Pérsia. Este chega mesmo a ser chamado de Messias-Ungido em algumas perícopes da Obra Histórica do Cronista, uma vez que este se torna o instrumento de Deus para que o povo possa, apesar de ainda sob domínio persa, retornar para sua terra e reconstruir o Templo de Deus. Aqui vem também veiculada uma interpretação tradicional do exílio como sendo uma forma de o povo saldar com Deus sua dívida pelos sábados não observados desde a criação até o exílio. Assim, o sábado judaico será memória da criação, da libertação da escravidão no Egito e da libertação do exílio (nova Páscoa e nova criação).

Esta perícope que tem como tema, sobretudo na sua primeira parte, o castigo, o julgamento do homem em vista da sua incredulidade na mensagem dos enviados de Deus, está intimamente relacionada com o trecho de Jo 3. Ao falar da sua própria crucificação de forma tipológica, comparando-a com o erguimento da serpente no deserto por Moisés, Cristo anuncia que o julgamento do homem também se dará na medida em que crê ou não na Palavra que Ele anuncia. O v. 19 é bem explícito ao falar que o julgamento é este: a luz veio ao mundo, mas os homens preferiram as trevas, porque as suas obras eram más.

Assim como o juízo de Deus, nos tempos antigos, se manifestou em base à adesão ou não do povo à Palavra, agora o mesmo se dará. Seremos julgados, no fundo, por nossa adesão ou não-adesão à Palavra de Deus.

Todavia, o Evangelho chama a atenção a respeito dos que praticam a verdade. Estes se põem junto à luz para que se manifestem suas obras que são feitas em Deus. A Quaresma é um tempo favorável para nos questionarmos:

A. Temos dado ouvido à Palavra de Deus? Nós a temos lido descomprometidamente ou como quem quer de fato se debruçar sobre ela e meditá-la, para transformá-la em fonte de vida em abundância?

B. Nossas obras são feitas em Deus? Aqui não se trata de um perfeccionismo moralizante, mas de viver na luz. Ainda que pratiquemos o mal aos olhos de Deus e, de fato, aqui e ali sempre o praticamos, devemos viver na luz. Concretamente isso significa em primeiro lugar admitir que as nossas trevas são trevas, ou seja, não chamarmos de luz, nem de trevas o que não é, em outras palavras acolhermos a mistura de luz e trevas que existe em nós; em segundo lugar, apresentar tudo a alguém que, com inteligência espiritual, nos ajude a caminhar na luz, alguém a quem possamos revelar nossos pensamentos, sentimentos e anseios e, por fim, apresentarmos tudo a Deus, porque se Ele pode fazer do pão e do vinho o Corpo e o Sangue do Seu Filho, Ele também pode dos cacos da nossa vida fazer um belo vaso novo.

Ef 2,4-10 nos apresenta a gratuidade da salvação recebida em Jesus Cristo. Se, por um lado, o juízo vem em virtude das nossas obras, a salvação vem, por sua vez, não pelas “boas obras”, embora estas demonstrem nossa adesão ao plano de salvação de Deus, mas vem em virtude da graça de Nosso Senhor para conosco.

Quarto Domingo da Quaresma (Laetare) – Ano B
15.03.2015

2Cr 36,14-16.19-23
Sl 136 (137)
Ef 2,4-10
Jo 3,14-21

Padre Fábio Siqueira
Autor

Padre Fábio Siqueira

Vice-diretor das Escolas de Fé e Catequese Mater Ecclesiae e Luz e Vida