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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 28/03/2017

28 de Março de 2017

Terceira Meditação da Quaresma

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Terceira Meditação da Quaresma

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08/03/2015 00:00

Terceira Meditação da Quaresma 0

08/03/2015 00:00

A terceira semana de nossa preparação para a Páscoa é marcada pelo simbolismo do templo (Jo 2,13-25). Templo é a expressão do culto autêntico e verdadeiro. Templo era o lugar mais sagrado em Israel, precisamente devido ao culto aí celebrado. Entretanto, haveria de ser purificado, conforme a pregação dos profetas: “Naquele dia, não haverá mais nenhum negociante na casa do Senhor dos exércitos” (Zc 14,21). Projeta-se, pois, para os tempos messiânicos a renovação do culto. É a promessa do agir futuro de Deus.

Consequentemente, a atitude de Jesus ao fabricar um chicote de cordas e ao expulsar a todos do templo, com os bois, as ovelhas e as pombas, se inscreve na tradição profética e realiza um sinal messiânico. Expressa o zelo apaixonado ou devorador pela casa de Deus, o que equivale a dizer, pelo culto enquanto seja genuína expressão da fé, isto é, de sua vivência autêntica. Portanto, a purificação do templo é retorno à autenticidade cultual, pois a hierarquia do templo explorava os pobres, oferecendo através do dinheiro presumidos favores de Deus.

São três as imundícies cultuais supostas na narrativa: a deturpação de Deus, visto como um voraz comerciante; a exploração do povo, por meio do culto de sacrifícios de animais e do imposto dos cambistas; o engano dos pobres e simples com a deturpação do sagrado. Jesus, então, diz sua indignação com o chicote na mão e com a palavra na boca: “não façais da casa de meu Pai uma casa de comércio.”

Entretanto, bem ao gosto de João, há mudança e aprofundamento em outro sentido. Surge a temática do novo templo com a nova dimensão do culto a Deus, agora em Cristo e por Cristo. Tendo os judeus reclamado por um sinal que justificasse o gesto, tão inusitado da expulsão dos vendedores, Jesus responde: “Demoli este templo, e em três dias o levantarei!” Tal resposta é surpreendente. Não poderia ser interpretada ao pé da letra. Hoje, nós sabemos que se tratava do templo do seu corpo, mediação do novo culto a ser prestado a Deus, após a morte e ressurreição. Novo e sugestivo significado de templo. Templo vivo. Templo da sua pessoa. Através da mediação da humanidade, do sangue e da carne de Jesus, estabelece-se a ponte de comunicação com o Pai. Igualmente, amplia-se a possibilidade do culto espiritual, para além da restrição do espaço, pois o Filho é o sacramento do Pai.

Para os primeiros cristãos, de fato, o novo templo é Jesus, pois, “n’Ele habita corporalmente a plenitude da divindade” (Cl 2, 9). Cristo Ressuscitado reúne em si a plenitude do mundo divino e todo o mundo criado. Ao assumir a humanidade inteira também assume o cosmo e todo ser. Esta verdade de nossa fé está na base dos sete sacramentos da Igreja. São vivenciados como encontros com Jesus, mediador e ministro do Pai, no poder do Espírito. Sacramentalmente, Jesus nos atinge ou nos alcança, pela ação do Espírito Santo, na Igreja, de sorte que a matéria criada e transformada – água, óleo, pão, vinho – se tornam instrumentos da comunicação da graça. “O próprio Espírito se une ao nosso espírito”, no dizer paulino, de sorte que o culto torna-se a expressão do agir divino no agir humano em ação conjunta e intercomunicativa.

A Quaresma favorece a preparação próxima aos sacramentos pascais recebidos pelos catecúmenos. O Batismo para quem se preparou e foi admitido os insere na comunhão filial com o Pai, em Cristo-Cabeça e o corpo da sua Igreja. A crisma, com a dádiva do Espírito e seus sete dons, confirma neles a graça da missão batismal. A Eucaristia estreita os vínculos com o Senhor e a comunidade eclesial. Quanto a nós outros renovaremos as promessas do Batismo, aspergidos com a bênção da água para recordarmos que, em Cristo e por Cristo, também somos templos vivos do Espírito Santo. Ele habita em nós e age em nós e por nós, seja individualmente, seja no conjunto da Igreja. Conservemos com maior zelo a pureza do culto!

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Terceira Meditação da Quaresma

08/03/2015 00:00

A terceira semana de nossa preparação para a Páscoa é marcada pelo simbolismo do templo (Jo 2,13-25). Templo é a expressão do culto autêntico e verdadeiro. Templo era o lugar mais sagrado em Israel, precisamente devido ao culto aí celebrado. Entretanto, haveria de ser purificado, conforme a pregação dos profetas: “Naquele dia, não haverá mais nenhum negociante na casa do Senhor dos exércitos” (Zc 14,21). Projeta-se, pois, para os tempos messiânicos a renovação do culto. É a promessa do agir futuro de Deus.

Consequentemente, a atitude de Jesus ao fabricar um chicote de cordas e ao expulsar a todos do templo, com os bois, as ovelhas e as pombas, se inscreve na tradição profética e realiza um sinal messiânico. Expressa o zelo apaixonado ou devorador pela casa de Deus, o que equivale a dizer, pelo culto enquanto seja genuína expressão da fé, isto é, de sua vivência autêntica. Portanto, a purificação do templo é retorno à autenticidade cultual, pois a hierarquia do templo explorava os pobres, oferecendo através do dinheiro presumidos favores de Deus.

São três as imundícies cultuais supostas na narrativa: a deturpação de Deus, visto como um voraz comerciante; a exploração do povo, por meio do culto de sacrifícios de animais e do imposto dos cambistas; o engano dos pobres e simples com a deturpação do sagrado. Jesus, então, diz sua indignação com o chicote na mão e com a palavra na boca: “não façais da casa de meu Pai uma casa de comércio.”

Entretanto, bem ao gosto de João, há mudança e aprofundamento em outro sentido. Surge a temática do novo templo com a nova dimensão do culto a Deus, agora em Cristo e por Cristo. Tendo os judeus reclamado por um sinal que justificasse o gesto, tão inusitado da expulsão dos vendedores, Jesus responde: “Demoli este templo, e em três dias o levantarei!” Tal resposta é surpreendente. Não poderia ser interpretada ao pé da letra. Hoje, nós sabemos que se tratava do templo do seu corpo, mediação do novo culto a ser prestado a Deus, após a morte e ressurreição. Novo e sugestivo significado de templo. Templo vivo. Templo da sua pessoa. Através da mediação da humanidade, do sangue e da carne de Jesus, estabelece-se a ponte de comunicação com o Pai. Igualmente, amplia-se a possibilidade do culto espiritual, para além da restrição do espaço, pois o Filho é o sacramento do Pai.

Para os primeiros cristãos, de fato, o novo templo é Jesus, pois, “n’Ele habita corporalmente a plenitude da divindade” (Cl 2, 9). Cristo Ressuscitado reúne em si a plenitude do mundo divino e todo o mundo criado. Ao assumir a humanidade inteira também assume o cosmo e todo ser. Esta verdade de nossa fé está na base dos sete sacramentos da Igreja. São vivenciados como encontros com Jesus, mediador e ministro do Pai, no poder do Espírito. Sacramentalmente, Jesus nos atinge ou nos alcança, pela ação do Espírito Santo, na Igreja, de sorte que a matéria criada e transformada – água, óleo, pão, vinho – se tornam instrumentos da comunicação da graça. “O próprio Espírito se une ao nosso espírito”, no dizer paulino, de sorte que o culto torna-se a expressão do agir divino no agir humano em ação conjunta e intercomunicativa.

A Quaresma favorece a preparação próxima aos sacramentos pascais recebidos pelos catecúmenos. O Batismo para quem se preparou e foi admitido os insere na comunhão filial com o Pai, em Cristo-Cabeça e o corpo da sua Igreja. A crisma, com a dádiva do Espírito e seus sete dons, confirma neles a graça da missão batismal. A Eucaristia estreita os vínculos com o Senhor e a comunidade eclesial. Quanto a nós outros renovaremos as promessas do Batismo, aspergidos com a bênção da água para recordarmos que, em Cristo e por Cristo, também somos templos vivos do Espírito Santo. Ele habita em nós e age em nós e por nós, seja individualmente, seja no conjunto da Igreja. Conservemos com maior zelo a pureza do culto!

Dom Edson de Castro Homem
Autor

Dom Edson de Castro Homem

Bispo Auxiliar da Arquidiocese do Rio de Janeiro