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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 16/10/2018

16 de Outubro de 2018

Templos do Senhor

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16 de Outubro de 2018

Templos do Senhor

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08/03/2015 00:00

Templos do Senhor 0

08/03/2015 00:00

temp_titleliturgia_803_05032015091459A Quaresma é um tempo de graça e de renovação, onde através da oração, do jejum e da esmola, nos reencontramos conosco mesmo e com o Senhor.

Hoje a oração coleta da Missa diz: “Acolhei esta confissão da nossa fraqueza para que, humilhados pela consciência de nossas faltas, sejamos confortados pela vossa misericórdia.” No caminho quaresmal, descendo ao nosso interior, nos encontramos com nossas faltas, com nossas fraquezas. Ainda no esforço de realizar nossos propósitos somos confrontados com a nossa fraqueza, a nossa limitação e as nossas dolorosas quedas. Isso não nos deve desanimar. Segundo o que nos diz a oração coleta de hoje nossa fraqueza não deve ser “lamentada”, mas “confessada”, para que sintamos o conforto que nos vem pela misericórdia do Senhor, que nos levanta, nos reanima e nos dá força para retornarmos ao bom caminho.

Os textos utilizados como primeira leitura nesses cinco domingos da quaresma nos falam, todos eles, do tema da Aliança. No primeiro domingo ouvimos acerca da Aliança com Noé, no segundo da Aliança de Deus com Abraão que se mostrou obediente a Deus até as últimas consequências, até ao ponto de oferecer o seu filho, que acabou sendo poupado por ordem do próprio Deus. Neste terceiro domingo a primeira leitura nos traz o decálogo, segundo a versão de Ex 20. O texto de Ex 20,1-17 parece artificialmente encaixado no contexto da teofania do Sinai, uma vez que ao lê-lo percebemos que não bem uma continuidade entre o que vem antes e depois. Ele nos apresenta o nosso lado do pacto: cumprir os mandamentos.

Deus tomou a iniciativa de fazer conosco uma Aliança. De sua parte Deus nos dá tudo e apenas exige de nós que obedeçamos aos mandamentos. E os mandamentos de Deus não são simples imperativos da sua vontade, mas são aquilo o que pode nos conduzir à verdadeira felicidade. Que imenso é o amor de Deus por nós! Além de fazer conosco uma aliança eterna, à qual ele se mantém sempre fiel apesar das nossas infidelidades, Ele ao exigir de nós nossa parte nesse pacto exige apenas o que naturalmente vai conduzir à verdadeira felicidade.

Os mandamentos de Deus não são pesados. Se assim eles nos parecem isso se dá porque nós nascemos e crescemos mergulhados num mundo de pecado. E não só isso, mas chegamos a esse mundo portando a marca da queda original, de cuja culpa somos lavados no batismo, mas ainda permanece em nós a inclinação para o mal. Por isso, a luz nos parece trevas e as trevas nos parecem luz. Justamente por isso precisamos, temos necessidade dos mandamentos, sem o qual nenhum homem pode se conduzir retamente.

As palavras do Senhor são “palavras de vida eterna”, como afirma o Salmo 18. Este salmo utilizado nesta liturgia como Salmo Responsorial canta a perfeição e a beleza da Lei (cf. v. 8) e a alegria que é produzida no coração daquele que a observa (cf. v. 9). Para o cristão faz-se necessário descobrir sempre de novo a beleza dos mandamentos do Senhor. Se assim não se age, os mandamentos tornam-se uma mera lei, como tantas outras que temos de obedecer. Mas, se de coração aberto penetramos no núcleo dos mandamentos e descobrimos a beleza da Palavra de Deus, chegamos a cantar com o salmista: “Senhor, tens palavras de vida eterna.”

O evangelho de hoje está situada logo após o primeiro milagre de Jesus nas núpcias de Caná. Trata-se da primeira subida de Jesus a Jerusalém para participar da Páscoa. O texto nos apresentado o Templo purificado e o dito de Jesus a respeito do Templo que será reedificado.

Se o “Templo reedificado” é, na verdade, o Templo do seu corpo, poderíamos analogamente dizer que o “Templo purificado” somos nós. De fato, nós somos o Templo de Deus. O Novo Testamento vai nos atestar isso em várias perícopes. O Cristo veio a terra não para purificar o Templo de pedra, mas para purificar os templos vivos do Espírito que somos nós. Ele se consome de zelo, de um ciúme divino por sua criatura e não quer vê-la adulterada e denegrida. Na purificação do Templo, na ira santa do Cristo que purifica a casa do Pai, contemplamos a face amorosa daquele que tomado da mesma ira santa nos purifica a cada um de nós para que resplandeça a beleza com a qual o Pai nos agraciou desde toda a eternidade.

Já entrevemos aqui o sinal da sua ressurreição. Ao pedirem um sinal a Jesus ele afirma que este será dado quando o Templo for destruído e Ele o reedificar em três dias. Tratava-se, como vai dizer João, do Templo do seu Corpo. É o mistério da sua Páscoa que o Cristo anuncia na sua primeira subida – depois do início do seu ministério público – a Jerusalém.

Na segunda leitura Paulo nos apresenta o centro da pregação cristã: o Mistério Pascal de Cristo. Os judeus pedem sinais e os gregos querem sabedoria, mas Paulo afirma que a pregação cristã tem no seu centro o “Cristo crucificado” e, é óbvio, a consequência disso: a Ressurreição gloriosa do Senhor. De fato, como bem afirma Paulo, o que é dito “insensatez de Deus” é mais sábio do que os homens e o que é dito “fraqueza de Deus” é mais forte do que os homens.

Este foi o centro do anúncio de Cristo e este é, também, o centro da pregação cristã: Cristo Morto e Ressuscitado, razão da nossa esperança. Que a caminhada quaresmal nos ajude a subir na cruz com Cristo, a crucificarmos o homem velho, a fim de possamos, com Cristo, renascer para uma vida nova, para uma esperança viva.

Terceiro Domingo da Quaresma

08 de Março de 2015

Ex 20,1-17
Sl 18 (19)
1Cor 1,22-25
Jo 2,13-25

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Templos do Senhor

08/03/2015 00:00

temp_titleliturgia_803_05032015091459A Quaresma é um tempo de graça e de renovação, onde através da oração, do jejum e da esmola, nos reencontramos conosco mesmo e com o Senhor.

Hoje a oração coleta da Missa diz: “Acolhei esta confissão da nossa fraqueza para que, humilhados pela consciência de nossas faltas, sejamos confortados pela vossa misericórdia.” No caminho quaresmal, descendo ao nosso interior, nos encontramos com nossas faltas, com nossas fraquezas. Ainda no esforço de realizar nossos propósitos somos confrontados com a nossa fraqueza, a nossa limitação e as nossas dolorosas quedas. Isso não nos deve desanimar. Segundo o que nos diz a oração coleta de hoje nossa fraqueza não deve ser “lamentada”, mas “confessada”, para que sintamos o conforto que nos vem pela misericórdia do Senhor, que nos levanta, nos reanima e nos dá força para retornarmos ao bom caminho.

Os textos utilizados como primeira leitura nesses cinco domingos da quaresma nos falam, todos eles, do tema da Aliança. No primeiro domingo ouvimos acerca da Aliança com Noé, no segundo da Aliança de Deus com Abraão que se mostrou obediente a Deus até as últimas consequências, até ao ponto de oferecer o seu filho, que acabou sendo poupado por ordem do próprio Deus. Neste terceiro domingo a primeira leitura nos traz o decálogo, segundo a versão de Ex 20. O texto de Ex 20,1-17 parece artificialmente encaixado no contexto da teofania do Sinai, uma vez que ao lê-lo percebemos que não bem uma continuidade entre o que vem antes e depois. Ele nos apresenta o nosso lado do pacto: cumprir os mandamentos.

Deus tomou a iniciativa de fazer conosco uma Aliança. De sua parte Deus nos dá tudo e apenas exige de nós que obedeçamos aos mandamentos. E os mandamentos de Deus não são simples imperativos da sua vontade, mas são aquilo o que pode nos conduzir à verdadeira felicidade. Que imenso é o amor de Deus por nós! Além de fazer conosco uma aliança eterna, à qual ele se mantém sempre fiel apesar das nossas infidelidades, Ele ao exigir de nós nossa parte nesse pacto exige apenas o que naturalmente vai conduzir à verdadeira felicidade.

Os mandamentos de Deus não são pesados. Se assim eles nos parecem isso se dá porque nós nascemos e crescemos mergulhados num mundo de pecado. E não só isso, mas chegamos a esse mundo portando a marca da queda original, de cuja culpa somos lavados no batismo, mas ainda permanece em nós a inclinação para o mal. Por isso, a luz nos parece trevas e as trevas nos parecem luz. Justamente por isso precisamos, temos necessidade dos mandamentos, sem o qual nenhum homem pode se conduzir retamente.

As palavras do Senhor são “palavras de vida eterna”, como afirma o Salmo 18. Este salmo utilizado nesta liturgia como Salmo Responsorial canta a perfeição e a beleza da Lei (cf. v. 8) e a alegria que é produzida no coração daquele que a observa (cf. v. 9). Para o cristão faz-se necessário descobrir sempre de novo a beleza dos mandamentos do Senhor. Se assim não se age, os mandamentos tornam-se uma mera lei, como tantas outras que temos de obedecer. Mas, se de coração aberto penetramos no núcleo dos mandamentos e descobrimos a beleza da Palavra de Deus, chegamos a cantar com o salmista: “Senhor, tens palavras de vida eterna.”

O evangelho de hoje está situada logo após o primeiro milagre de Jesus nas núpcias de Caná. Trata-se da primeira subida de Jesus a Jerusalém para participar da Páscoa. O texto nos apresentado o Templo purificado e o dito de Jesus a respeito do Templo que será reedificado.

Se o “Templo reedificado” é, na verdade, o Templo do seu corpo, poderíamos analogamente dizer que o “Templo purificado” somos nós. De fato, nós somos o Templo de Deus. O Novo Testamento vai nos atestar isso em várias perícopes. O Cristo veio a terra não para purificar o Templo de pedra, mas para purificar os templos vivos do Espírito que somos nós. Ele se consome de zelo, de um ciúme divino por sua criatura e não quer vê-la adulterada e denegrida. Na purificação do Templo, na ira santa do Cristo que purifica a casa do Pai, contemplamos a face amorosa daquele que tomado da mesma ira santa nos purifica a cada um de nós para que resplandeça a beleza com a qual o Pai nos agraciou desde toda a eternidade.

Já entrevemos aqui o sinal da sua ressurreição. Ao pedirem um sinal a Jesus ele afirma que este será dado quando o Templo for destruído e Ele o reedificar em três dias. Tratava-se, como vai dizer João, do Templo do seu Corpo. É o mistério da sua Páscoa que o Cristo anuncia na sua primeira subida – depois do início do seu ministério público – a Jerusalém.

Na segunda leitura Paulo nos apresenta o centro da pregação cristã: o Mistério Pascal de Cristo. Os judeus pedem sinais e os gregos querem sabedoria, mas Paulo afirma que a pregação cristã tem no seu centro o “Cristo crucificado” e, é óbvio, a consequência disso: a Ressurreição gloriosa do Senhor. De fato, como bem afirma Paulo, o que é dito “insensatez de Deus” é mais sábio do que os homens e o que é dito “fraqueza de Deus” é mais forte do que os homens.

Este foi o centro do anúncio de Cristo e este é, também, o centro da pregação cristã: Cristo Morto e Ressuscitado, razão da nossa esperança. Que a caminhada quaresmal nos ajude a subir na cruz com Cristo, a crucificarmos o homem velho, a fim de possamos, com Cristo, renascer para uma vida nova, para uma esperança viva.

Terceiro Domingo da Quaresma

08 de Março de 2015

Ex 20,1-17
Sl 18 (19)
1Cor 1,22-25
Jo 2,13-25

Padre Fábio Siqueira
Autor

Padre Fábio Siqueira

Vice-diretor das Escolas de Fé e Catequese Mater Ecclesiae e Luz e Vida