Arquidiocese do Rio de Janeiro

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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 19/03/2019

19 de Março de 2019

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09/02/2015 00:00

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09/02/2015 00:00

O tempo comum que vai do Natal a Quaresma é relativamente curto, mas nos coloca diante do início da vida pública de Jesus e da apresentação de sua missão. Essa missão que hoje é continuada na Igreja nos desafia no tempo atual com suas dificuldades e sonhos. Por isso a cada dia desse tempo somos interpelados. Qual é o sentido da vida diante da dor, do sofrimento e o que anunciar ao mundo de hoje?

O livro de Jó, na primeira leitura deste quinto domingo do tempo comum, de modo dramático, mostra a vida humana: “Não é acaso uma luta a vida do homem sobre a Terra? Seus dias não são como dias de um mercenário”? E continua: “tive por ganho meses de decepção, e couberam-me noites de sofrimentos. Se me deito, penso: quando poderei levantar-me? E, ao amanhecer, espero novamente a tarde. Meus dias correm mais rápido do que a lançadeira do tear e se consomem sem esperança. Lembra-te de que minha vida é apenas um sopro e meus olhos não voltarão a ver a felicidade”.

Parecem palavras negativas, desesperadas, essas de Jó, porém na realidade são uma reflexão realista sobre o mistério da vida humana. Uma reflexão cheia de esperança, porque feita à luz de Deus. Uma coisa é pensar nas realidades negativas de nossa existência simplesmente contando com nossas forças. Que desespero, que desilusão, que vazio de sentido! Outra, bem diferente, é encarar a vida também com suas trevas, à luz de Deus, o amor eterno e onipotente! Que esperança que não decepciona, que paz que invade o coração, mesmo na dor! 

Neste tempo em que se cultua o corpo, o físico sarado, a saúde e o vigor físicos e se presta tão pouca atenção ao sofrimento, à dor, ao fracasso. Mundo que tem medo de pensar na morte e de assumir que todos morreremos, que não sabe o que fazer com o sofrimento, com a doença, com a decadência física, com a deformidade do corpo. Estas palavras de Jó convidam-nos a colocar os pés no chão. Por isso, não são palavras pessimistas porque aquele que chora e busca o sentido da existência fá-lo diante de Deus. A leitura conclui em forma de oração: “Lembra-te de que minha vida é apenas um sopro e meus olhos não voltarão a ver a felicidade”. O triste na vida não é sofrer, não é chorar, não é morrer. Triste e miserável é sofrer, chorar e morrer sem Deus, que dá sentido à nossa existência.

A resposta plena, porém, vem no Evangelho (Mc 1, 29-39), onde apresenta Jesus rodeado de uma multidão marcada pelo sofrimento: “Curou muitos enfermos atormentados por diversos males e expulsou muitos demônios” (Mc 1, 34). Mas se, por um lado, Ele se dedica a curar, por outro se retira para um lugar deserto. E ali orava durante a noite. Ação apostólica e oração se completam. Pedro e seus companheiros O procuram. Quando O encontraram, dizem-Lhe: “Todos Te procuram”. A verdadeira luz deve ser procurada em Deus, sobretudo através da oração.

Quando os apóstolos disseram: “Todos andam à Tua procura; o Senhor respondeu-lhes: “Vamos a outros lugares, às aldeias da redondeza! Devo pregar também ali, pois foi para isso que eu vim” (Mc 1, 38). A missão de Cristo é evangelizar, levar a Boa Nova até o último recanto da Terra, através dos apóstolos e dos cristãos de todos os tempos. Esta é a missão da Igreja, que assim cumpre o que o Senhor lhe ordenou: “Ide e pregai a todos os povos, ensinando-os a observar tudo quanto vos mandei” (Mt 28, 19-20).

A missão de Cristo é evangelizar, levar a Boa Nova até o último recanto da Terra, através dos apóstolos e dos cristãos de todos os tempos. Esta é a missão da Igreja, que assim cumpre o que o Senhor lhe preceituou: Ide e pregai a todos os povos, ensinando-os a observar tudo quanto vos mandei. Os Atos dos Apóstolos narram muitos pormenores da primeira evangelização; no próprio Dia de Pentecostes, São Pedro prega a divindade de Jesus Cristo, a sua Morte redentora e a sua Ressurreição gloriosa. São Paulo, citando o profeta Isaías, exclama com entusiasmo: Como são formosos os pés dos que anunciam a Boa Nova! E a segunda Leitura da Missa fala-nos da responsabilidade deste anúncio alegre da verdade salvadora: Porque evangelizar não é glória para mim, mas necessidade. Ai de mim se não evangelizar.

Com essas mesmas palavras de São Paulo, a Igreja tem recordado com frequência aos fiéis o chamado que o Senhor lhes dirige para levarem a doutrina de Cristo a todos os cantos do mundo, aproveitando qualquer ocasião. A dedicação à tarefa apostólica nasce da convicção de se possuir a Verdade e o Amor. A verdade salvadora é o único amor que preenche as ânsias do coração.

Quando se perde essa certeza, não se encontra sentido na difusão da fé. Chega-se a pensar, por exemplo, mesmo em ambientes cristãos, que não se pode fazer nada para que apoiem uma lei reta, de acordo com o querer divino. Deixa também de ter sentido levar a doutrina de Cristo a regiões onde ela ainda não chegou ou onde a fé não está profundamente arraigada; quando muito, a missão apostólica converte-se numa mera ação social em favor da promoção desses povos, esquecendo o maior tesouro que lhes pode dar: a fé em Jesus Cristo, a vida da graça.

No próximo dia 11 na comemoração de Nossa Senhora de Lourdes iremos comemorar o Dia do Enfermo. Ver a vida em toda a sua realidade à luz da fé faz a diferença. E com a Palavra de hoje somos chamados a ser testemunhas alegres de Cristo, anunciando a boa notícia a este mundo que procura “as apalpadelas” do sentido da vida diante de tantas situações pelas quais passa no dia a dia. Eis a nossa missão que hoje o Evangelho nos chama e que tanto o Papa Francisco tem insistido: uma Igreja em saída, samaritana, próxima, que testemunha a “alegria do Evangelho”.

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09/02/2015 00:00

O tempo comum que vai do Natal a Quaresma é relativamente curto, mas nos coloca diante do início da vida pública de Jesus e da apresentação de sua missão. Essa missão que hoje é continuada na Igreja nos desafia no tempo atual com suas dificuldades e sonhos. Por isso a cada dia desse tempo somos interpelados. Qual é o sentido da vida diante da dor, do sofrimento e o que anunciar ao mundo de hoje?

O livro de Jó, na primeira leitura deste quinto domingo do tempo comum, de modo dramático, mostra a vida humana: “Não é acaso uma luta a vida do homem sobre a Terra? Seus dias não são como dias de um mercenário”? E continua: “tive por ganho meses de decepção, e couberam-me noites de sofrimentos. Se me deito, penso: quando poderei levantar-me? E, ao amanhecer, espero novamente a tarde. Meus dias correm mais rápido do que a lançadeira do tear e se consomem sem esperança. Lembra-te de que minha vida é apenas um sopro e meus olhos não voltarão a ver a felicidade”.

Parecem palavras negativas, desesperadas, essas de Jó, porém na realidade são uma reflexão realista sobre o mistério da vida humana. Uma reflexão cheia de esperança, porque feita à luz de Deus. Uma coisa é pensar nas realidades negativas de nossa existência simplesmente contando com nossas forças. Que desespero, que desilusão, que vazio de sentido! Outra, bem diferente, é encarar a vida também com suas trevas, à luz de Deus, o amor eterno e onipotente! Que esperança que não decepciona, que paz que invade o coração, mesmo na dor! 

Neste tempo em que se cultua o corpo, o físico sarado, a saúde e o vigor físicos e se presta tão pouca atenção ao sofrimento, à dor, ao fracasso. Mundo que tem medo de pensar na morte e de assumir que todos morreremos, que não sabe o que fazer com o sofrimento, com a doença, com a decadência física, com a deformidade do corpo. Estas palavras de Jó convidam-nos a colocar os pés no chão. Por isso, não são palavras pessimistas porque aquele que chora e busca o sentido da existência fá-lo diante de Deus. A leitura conclui em forma de oração: “Lembra-te de que minha vida é apenas um sopro e meus olhos não voltarão a ver a felicidade”. O triste na vida não é sofrer, não é chorar, não é morrer. Triste e miserável é sofrer, chorar e morrer sem Deus, que dá sentido à nossa existência.

A resposta plena, porém, vem no Evangelho (Mc 1, 29-39), onde apresenta Jesus rodeado de uma multidão marcada pelo sofrimento: “Curou muitos enfermos atormentados por diversos males e expulsou muitos demônios” (Mc 1, 34). Mas se, por um lado, Ele se dedica a curar, por outro se retira para um lugar deserto. E ali orava durante a noite. Ação apostólica e oração se completam. Pedro e seus companheiros O procuram. Quando O encontraram, dizem-Lhe: “Todos Te procuram”. A verdadeira luz deve ser procurada em Deus, sobretudo através da oração.

Quando os apóstolos disseram: “Todos andam à Tua procura; o Senhor respondeu-lhes: “Vamos a outros lugares, às aldeias da redondeza! Devo pregar também ali, pois foi para isso que eu vim” (Mc 1, 38). A missão de Cristo é evangelizar, levar a Boa Nova até o último recanto da Terra, através dos apóstolos e dos cristãos de todos os tempos. Esta é a missão da Igreja, que assim cumpre o que o Senhor lhe ordenou: “Ide e pregai a todos os povos, ensinando-os a observar tudo quanto vos mandei” (Mt 28, 19-20).

A missão de Cristo é evangelizar, levar a Boa Nova até o último recanto da Terra, através dos apóstolos e dos cristãos de todos os tempos. Esta é a missão da Igreja, que assim cumpre o que o Senhor lhe preceituou: Ide e pregai a todos os povos, ensinando-os a observar tudo quanto vos mandei. Os Atos dos Apóstolos narram muitos pormenores da primeira evangelização; no próprio Dia de Pentecostes, São Pedro prega a divindade de Jesus Cristo, a sua Morte redentora e a sua Ressurreição gloriosa. São Paulo, citando o profeta Isaías, exclama com entusiasmo: Como são formosos os pés dos que anunciam a Boa Nova! E a segunda Leitura da Missa fala-nos da responsabilidade deste anúncio alegre da verdade salvadora: Porque evangelizar não é glória para mim, mas necessidade. Ai de mim se não evangelizar.

Com essas mesmas palavras de São Paulo, a Igreja tem recordado com frequência aos fiéis o chamado que o Senhor lhes dirige para levarem a doutrina de Cristo a todos os cantos do mundo, aproveitando qualquer ocasião. A dedicação à tarefa apostólica nasce da convicção de se possuir a Verdade e o Amor. A verdade salvadora é o único amor que preenche as ânsias do coração.

Quando se perde essa certeza, não se encontra sentido na difusão da fé. Chega-se a pensar, por exemplo, mesmo em ambientes cristãos, que não se pode fazer nada para que apoiem uma lei reta, de acordo com o querer divino. Deixa também de ter sentido levar a doutrina de Cristo a regiões onde ela ainda não chegou ou onde a fé não está profundamente arraigada; quando muito, a missão apostólica converte-se numa mera ação social em favor da promoção desses povos, esquecendo o maior tesouro que lhes pode dar: a fé em Jesus Cristo, a vida da graça.

No próximo dia 11 na comemoração de Nossa Senhora de Lourdes iremos comemorar o Dia do Enfermo. Ver a vida em toda a sua realidade à luz da fé faz a diferença. E com a Palavra de hoje somos chamados a ser testemunhas alegres de Cristo, anunciando a boa notícia a este mundo que procura “as apalpadelas” do sentido da vida diante de tantas situações pelas quais passa no dia a dia. Eis a nossa missão que hoje o Evangelho nos chama e que tanto o Papa Francisco tem insistido: uma Igreja em saída, samaritana, próxima, que testemunha a “alegria do Evangelho”.