Arquidiocese do Rio de Janeiro

25º 19º

Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 17/08/2018

17 de Agosto de 2018

Tomou sobre Si nossas dores

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Tomou sobre Si nossas dores

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08/02/2015 00:00

Tomou sobre Si nossas dores 0

08/02/2015 00:00

temp_titleliturgia8_04022015095509A oração coleta da Missa de hoje encerra em si uma profissão de fé e um pedido. A profissão de fé consiste em dizer que “só confiamos na vossa graça”, isto é, confiamos somente na graça de Deus, no seu mover, na sua ação sobre nós que nos impulsiona a seguir em frente. O pedido é para que Deus “nos guarde sob a Sua proteção”. Tantas vezes nos sentimos desprotegidos frente ao mundo, às pessoas e a nós mesmos, quando nos vemos entregues às nossas paixões. É consolador confiar-nos completamente nas mãos de Deus, na certeza de que, sendo Ele “nosso refúgio” (cf. Sl 46 [45], 2), estamos protegidos “sob as suas asas” (cf. Sl 63 [62], 7-9).

Cada domingo, aos nos reunirmos para a Eucaristia, temos a graça de ouvir a Palavra de Deus. Ela, a Palavra de Deus, é o nosso maná, é o pão que vem do céu como um alimento para nós, porque afinal, como afirma Dt 8,3 e como disse Jesus ao demônio na tentação do deserto, o “homem não vive somente de pão, mas de tudo o que procede da boca do Eterno”. Os leitores e o diácono ou sacerdote que proclama o Evangelho, empresta seus lábios, para que a boca do Eterno nos fale. Tal qual João Batista, eles são a voz, que nos transmitirá a Palavra Eterna.

Na primeira leitura de hoje e no evangelho encontramos situações de sofrimento. É válido lembrar que sempre, na liturgia dominical, estas duas perícopes estão interligadas entre si.

Na primeira leitura aparece-nos Jó, que introduz sua fala com um versículo forte, no qual todos nós nos identificamos: “Não é acaso uma luta a vida do homem sobre a terra? Seus dias não são como os dias de um assalariado ?” Assim Jó, cuja história nós bem conhecemos, expressa a sua dor. A dor de Jó é um misto de todas as dores humanas: doença, morte dos filhos, perda dos bens, sofrimento moral etc. Assim esse personagem dá voz às grandes dores de todos os homens de todas as épocas.

No v. 2 Jó expressa sua dor através de duas imagens: a primeira delas é a do escravo que suspira pela sombra e a segunda a do assalariado que espera com angústia pela sua diária. No entanto, ele, Jó, não teve nem a sombra e nem o salário, mas só a continuidade da dor.

No v. 4 Jó declara que a sua dor não conhece interrupção, porque ao deitar pensa em levantar-se e, ao levantar-se, a sua vida é cheia de sofrimentos que o acompanham até o anoitecer.

Enfim, os vv. 6-7 finalizam a perícope num tom de grande desolação, porque Jó proclama que seus dias se consomem num contínuo “cessamento da esperança” e que sua vida é simplesmente “vento”. Ao perder a esperança, Jó perde aquilo que o une a Deus, que o faz confiar que a “corda da sua vida” ainda está nas mãos do Senhor e que, na hora exata, Ele haverá de puxá-lo salvando-o da sua condição de aparente falência total. Ao perder a “esperança” Jó “cortou a corda”.

A perícope termina nesta angustiante constatação: “meus olhos não voltarão a ver a felicidade!” É o Evangelho que nos fará ver a felicidade, que mais que um sentimento, é uma pessoa: Jesus Cristo.

Na transição para o evangelho, está o Salmo de resposta, que coloca nos nossos lábios o louvor a Deus: Louvai a Deus, porque ele é bom e conforta os corações. No meio do sofrimento não compreendido só nos resta louvar e confiar de que Deus, no momento oportuno, haverá de agir, ou de mover o nosso agir.

O relato evangélico que nos é apresentada hoje nos traz a primeira cura realizada por Jesus: a da sogra de Pedro. Antes Jesus havia libertado um possesso na sinagoga de Cafarnaum e, agora, se dirige à casa de Simão Pedro, onde ele cura a sua sogra.

Em paralelo com a primeira leitura, o evangelho nos mostra a “luta” que é a vida do homem sobre a terra, ao apresentar todos os enfermos e possessos que são levados a Jesus. Todos, os doentes, os possessos e os que cuidam deles estão exaustos e querem ser aliviados da sua luta. Enquanto a primeira leitura termina num tom de angústia e silêncio divino, aqui o evangelho nos apresenta a solução enviada pelo Pai: Jesus, que veio tomar sobre si nossas dores.

O centro de toda a perícope está, sem dúvida, no v. 38, onde ao ser procurado por seus discípulos, Jesus os incita dizendo: “Vamos a outros lugares, às aldeias da redondeza! Devo pregar também ali, pois foi para isso que eu vim”. Foi para “isso” que Ele veio. O “isso” se refere à pregação e não às curas. Jesus não é um curandeiro, mas veio anunciar a boa-nova do Reino. Se Ele também cura é por compaixão, porque não deseja ver o sofrimento dos homens. Se Ele também cura é para ratificar a sua pregação. Mas a sua missão primeira é pregar a boa-nova do Reino e expulsar os demônios, como sinal de que o poder de Satanás sobre este mundo está com os dias contados.

Diferentemente dos cultos “neo-pentecostais” centralizados na necessidade da cura física e da prosperidade – ou seja, da busca de uma vida boa e tranquila neste plano no qual vivemos – a liturgia é proclamação e atualização da Páscoa de Cristo, ou seja, do Mistério de Deus que assume a nossa humanidade e que morre para vencer a morte, a fim de que todos tenhamos a certeza de sairmos também, um dia, vitoriosos da batalha contra o nosso último inimigo que é a morte (cf. 1Cor 15,26).

A liturgia nos ensina, assim, que ainda que a nossa vida seja permeada por tribulações, enfermidades e, no fim, seja-nos dado sentir o amargo beijo da morte, ela, a morte, é uma inimiga vencida, não porque Deus nos há de curar de todas as doenças, mas sim porque Ele há de nos ressuscitar dos mortos e nos fazer assentar com Ele nos céus (cf. Rm 6,5.8).

Esse é o evangelho que devemos pregar, essa é boa nova da salvação, cujo anúncio é, para nós, uma “necessidade” conforme diz Paulo na segunda leitura. Assim como muitos doentes foram a Jesus também muitos vêm até nossas igrejas. Devemos orar por eles e com eles. Podemos até suplicar pela sua cura. Mas temos de mostrar, como fazia Jesus, que a “grande cura” é a salvação, a vida eterna, que nos foi conquistada pelo preço do sangue do Cordeiro que por nós foi à cruz.

Que a exemplo do nosso Mestre possamos buscar uma vida de intimidade com o Pai (cf. Mc 1,35b) e que como Paulo, o grande apóstolo das gentes, empenhemos nossa vida em ser anunciadores da Palavra de Deus, a fim de ganhar o máximo possível para Cristo.

Quinto Domingo do Tempo Comum

08 de Fevereiro de 2015

Jó 7,1-4.6-7

Sl 146 (147)

1Cor 9,16-19.22-23

Mc 1,29-39


SEGUNDA-FEIRA

Dia 9 de fevereiro

1ª Leitura - Gn 1,1-19
Salmo - 103 (104), 1-2a. 5-6. 10.12. 24.35c (R. 31b)
Evangelho -  Mc 6,53-56
TERÇA-FEIRA
Dia 10 de fevereiro
1ª Leitura -  Gn 1,20 - 2,4a
Salmo -  8,4-5. 6-7. 8-9 (R. 2a)
Evangelho -  Mc 7,1-13
QUARTA-FEIRA
Dia 11 de fevereiro
1ª Leitura -  Gn 2,4b-9.15-17
Salmo - 103 (104),1-2a. 27-28. 29bc-30 (R. 1a)
Evangelho - Mc 7,14-23
QUINTA-FEIRA
Dia 12 de fevereiro
1ª Leitura -  Gn 2,18-25
Salmo - 127 (128),1-2. 3. 4-5 (R. Cf . 1a)
Evangelho -  Mc 7,24-30
SEXTA-FEIRA
Dia 13 de fevereiro
1ª Leitura -  Gn 3,1-8
Salmo - 31 (32), 1-2. 5. 6. 7 (R. Cf. 1a)
Evangelho -  Mc 7,31-37
SÁBADO
Dia 14 de fevereiro
1ª Leitura - Gn 3,9-24
Salmo -  89 (90), 2. 3-4. 5-6. 12-13. (R.1)
Evangelho - Mc 8,1-10

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temp_titleliturgia8_04022015095509A oração coleta da Missa de hoje encerra em si uma profissão de fé e um pedido. A profissão de fé consiste em dizer que “só confiamos na vossa graça”, isto é, confiamos somente na graça de Deus, no seu mover, na sua ação sobre nós que nos impulsiona a seguir em frente. O pedido é para que Deus “nos guarde sob a Sua proteção”. Tantas vezes nos sentimos desprotegidos frente ao mundo, às pessoas e a nós mesmos, quando nos vemos entregues às nossas paixões. É consolador confiar-nos completamente nas mãos de Deus, na certeza de que, sendo Ele “nosso refúgio” (cf. Sl 46 [45], 2), estamos protegidos “sob as suas asas” (cf. Sl 63 [62], 7-9).

Cada domingo, aos nos reunirmos para a Eucaristia, temos a graça de ouvir a Palavra de Deus. Ela, a Palavra de Deus, é o nosso maná, é o pão que vem do céu como um alimento para nós, porque afinal, como afirma Dt 8,3 e como disse Jesus ao demônio na tentação do deserto, o “homem não vive somente de pão, mas de tudo o que procede da boca do Eterno”. Os leitores e o diácono ou sacerdote que proclama o Evangelho, empresta seus lábios, para que a boca do Eterno nos fale. Tal qual João Batista, eles são a voz, que nos transmitirá a Palavra Eterna.

Na primeira leitura de hoje e no evangelho encontramos situações de sofrimento. É válido lembrar que sempre, na liturgia dominical, estas duas perícopes estão interligadas entre si.

Na primeira leitura aparece-nos Jó, que introduz sua fala com um versículo forte, no qual todos nós nos identificamos: “Não é acaso uma luta a vida do homem sobre a terra? Seus dias não são como os dias de um assalariado ?” Assim Jó, cuja história nós bem conhecemos, expressa a sua dor. A dor de Jó é um misto de todas as dores humanas: doença, morte dos filhos, perda dos bens, sofrimento moral etc. Assim esse personagem dá voz às grandes dores de todos os homens de todas as épocas.

No v. 2 Jó expressa sua dor através de duas imagens: a primeira delas é a do escravo que suspira pela sombra e a segunda a do assalariado que espera com angústia pela sua diária. No entanto, ele, Jó, não teve nem a sombra e nem o salário, mas só a continuidade da dor.

No v. 4 Jó declara que a sua dor não conhece interrupção, porque ao deitar pensa em levantar-se e, ao levantar-se, a sua vida é cheia de sofrimentos que o acompanham até o anoitecer.

Enfim, os vv. 6-7 finalizam a perícope num tom de grande desolação, porque Jó proclama que seus dias se consomem num contínuo “cessamento da esperança” e que sua vida é simplesmente “vento”. Ao perder a esperança, Jó perde aquilo que o une a Deus, que o faz confiar que a “corda da sua vida” ainda está nas mãos do Senhor e que, na hora exata, Ele haverá de puxá-lo salvando-o da sua condição de aparente falência total. Ao perder a “esperança” Jó “cortou a corda”.

A perícope termina nesta angustiante constatação: “meus olhos não voltarão a ver a felicidade!” É o Evangelho que nos fará ver a felicidade, que mais que um sentimento, é uma pessoa: Jesus Cristo.

Na transição para o evangelho, está o Salmo de resposta, que coloca nos nossos lábios o louvor a Deus: Louvai a Deus, porque ele é bom e conforta os corações. No meio do sofrimento não compreendido só nos resta louvar e confiar de que Deus, no momento oportuno, haverá de agir, ou de mover o nosso agir.

O relato evangélico que nos é apresentada hoje nos traz a primeira cura realizada por Jesus: a da sogra de Pedro. Antes Jesus havia libertado um possesso na sinagoga de Cafarnaum e, agora, se dirige à casa de Simão Pedro, onde ele cura a sua sogra.

Em paralelo com a primeira leitura, o evangelho nos mostra a “luta” que é a vida do homem sobre a terra, ao apresentar todos os enfermos e possessos que são levados a Jesus. Todos, os doentes, os possessos e os que cuidam deles estão exaustos e querem ser aliviados da sua luta. Enquanto a primeira leitura termina num tom de angústia e silêncio divino, aqui o evangelho nos apresenta a solução enviada pelo Pai: Jesus, que veio tomar sobre si nossas dores.

O centro de toda a perícope está, sem dúvida, no v. 38, onde ao ser procurado por seus discípulos, Jesus os incita dizendo: “Vamos a outros lugares, às aldeias da redondeza! Devo pregar também ali, pois foi para isso que eu vim”. Foi para “isso” que Ele veio. O “isso” se refere à pregação e não às curas. Jesus não é um curandeiro, mas veio anunciar a boa-nova do Reino. Se Ele também cura é por compaixão, porque não deseja ver o sofrimento dos homens. Se Ele também cura é para ratificar a sua pregação. Mas a sua missão primeira é pregar a boa-nova do Reino e expulsar os demônios, como sinal de que o poder de Satanás sobre este mundo está com os dias contados.

Diferentemente dos cultos “neo-pentecostais” centralizados na necessidade da cura física e da prosperidade – ou seja, da busca de uma vida boa e tranquila neste plano no qual vivemos – a liturgia é proclamação e atualização da Páscoa de Cristo, ou seja, do Mistério de Deus que assume a nossa humanidade e que morre para vencer a morte, a fim de que todos tenhamos a certeza de sairmos também, um dia, vitoriosos da batalha contra o nosso último inimigo que é a morte (cf. 1Cor 15,26).

A liturgia nos ensina, assim, que ainda que a nossa vida seja permeada por tribulações, enfermidades e, no fim, seja-nos dado sentir o amargo beijo da morte, ela, a morte, é uma inimiga vencida, não porque Deus nos há de curar de todas as doenças, mas sim porque Ele há de nos ressuscitar dos mortos e nos fazer assentar com Ele nos céus (cf. Rm 6,5.8).

Esse é o evangelho que devemos pregar, essa é boa nova da salvação, cujo anúncio é, para nós, uma “necessidade” conforme diz Paulo na segunda leitura. Assim como muitos doentes foram a Jesus também muitos vêm até nossas igrejas. Devemos orar por eles e com eles. Podemos até suplicar pela sua cura. Mas temos de mostrar, como fazia Jesus, que a “grande cura” é a salvação, a vida eterna, que nos foi conquistada pelo preço do sangue do Cordeiro que por nós foi à cruz.

Que a exemplo do nosso Mestre possamos buscar uma vida de intimidade com o Pai (cf. Mc 1,35b) e que como Paulo, o grande apóstolo das gentes, empenhemos nossa vida em ser anunciadores da Palavra de Deus, a fim de ganhar o máximo possível para Cristo.

Quinto Domingo do Tempo Comum

08 de Fevereiro de 2015

Jó 7,1-4.6-7

Sl 146 (147)

1Cor 9,16-19.22-23

Mc 1,29-39


SEGUNDA-FEIRA

Dia 9 de fevereiro

1ª Leitura - Gn 1,1-19
Salmo - 103 (104), 1-2a. 5-6. 10.12. 24.35c (R. 31b)
Evangelho -  Mc 6,53-56
TERÇA-FEIRA
Dia 10 de fevereiro
1ª Leitura -  Gn 1,20 - 2,4a
Salmo -  8,4-5. 6-7. 8-9 (R. 2a)
Evangelho -  Mc 7,1-13
QUARTA-FEIRA
Dia 11 de fevereiro
1ª Leitura -  Gn 2,4b-9.15-17
Salmo - 103 (104),1-2a. 27-28. 29bc-30 (R. 1a)
Evangelho - Mc 7,14-23
QUINTA-FEIRA
Dia 12 de fevereiro
1ª Leitura -  Gn 2,18-25
Salmo - 127 (128),1-2. 3. 4-5 (R. Cf . 1a)
Evangelho -  Mc 7,24-30
SEXTA-FEIRA
Dia 13 de fevereiro
1ª Leitura -  Gn 3,1-8
Salmo - 31 (32), 1-2. 5. 6. 7 (R. Cf. 1a)
Evangelho -  Mc 7,31-37
SÁBADO
Dia 14 de fevereiro
1ª Leitura - Gn 3,9-24
Salmo -  89 (90), 2. 3-4. 5-6. 12-13. (R.1)
Evangelho - Mc 8,1-10

Padre Fábio Siqueira
Autor

Padre Fábio Siqueira

Vice-diretor das Escolas de Fé e Catequese Mater Ecclesiae e Luz e Vida