Arquidiocese do Rio de Janeiro

32º 20º

Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 18/04/2019

18 de Abril de 2019

Mais forte que a morte

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08/01/2015 16:13 - Atualizado em 08/01/2015 16:13

Mais forte que a morte 0

08/01/2015 16:13 - Atualizado em 08/01/2015 16:13

A esperança é a virtude teologal que enfrenta a morte. Movida pela fé e pela caridade, ambas deixam, na terra dos homens, obras e feitos visíveis. Os crentes abrem-se à eternidade. Ampliam seus horizontes, desde aqui e agora. É bela e consistente a simbologia: “A esperança, com efeito, é para nós qual âncora da alma, segura e firme, penetrando para além do véu, onde Jesus entrou por nós, como precursor” (Hb 6, 19-20). A existência assemelha-se à navegação em alto mar, ora calmo, ora bravio, com rota, bússola e porto de chegada. É o oceano da vida, cujo término é a imensidão do Mistério.

O mártir cristão só se entende enquanto homem de esperança. Por isso, celebrar o martírio de São Sebastião é festejar um cristão na glória celeste. Contemplando sua imagem de jovem valoroso, flechado, amarrado, torturado, recorda-nos as palavras motivadoras da fidelidade, cujo término é a visão de Deus: “seremos semelhantes a ele, porque o veremos tal como é” (1 Jo 3,2). O militante cristão se robustece com a luta e a ascese, nos moldes vividos por Paulo, que bem conhecia o prêmio: “Assume a tua parte de sofrimento como um bom soldado de Cristo Jesus” (2Tm 2, 1).

O martírio é constante na vida da Igreja. É a vivência das bem-aventuranças ao alcance. Em todas as épocas, no século passado e neste apenas iniciado, há mártires. Não podemos ignorá-los, mesmo que quiséssemos. Não só porque são muitos, mas devido ao fato que eles escancaram para nós e a todos “a razão da esperança” (1Pd 3, 3, 15). Fazem, muitas vezes, no silêncio ou com palavras de unção, pois o Mestre lhes diz: “não fiqueis preocupados como ou com o que vos defender, nem com o que dizer, pois o Espírito Santo vos ensinará naquele momento o que deveis dizer” (Lc 12, 11-12). O martírio é, pois, pregação convincente. É o anúncio do Evangelho vivido. No entanto, é dom especial do Espírito de Deus.

O mártir sempre perdoa. Se morrer com ódio e desejo de vingança no coração, não dá o pleno testemunho de Cristo. O mártir verdadeiro, ao contrário, é o discípulo por excelência de Jesus que morreu, pedindo perdão por seus inimigos. Assim o fez o primeiro mártir de Cristo, o diácono Santo Estêvão, que apedrejado, gritava com voz forte: “Senhor, não lhes leves em conta este pecado” (At 7, 60). O seguimento de Cristo não está tanto na imitação do seu sofrimento, mas no amor que perdoa e na esperança mais forte que a morte. Por isso, não basta ser assassinado para ser mártir da fé. É crer “esperando contra toda esperança” (Rm 4, 18) à semelhança de Abraão, o pai da fé, e “com os olhos fixos n’Aquele que é o autor e realizador da fé, Jesus” (Hb 12, 2). Cabe a Igreja reconhecer a veracidade do martírio.

A melhor definição: “A fé é uma posse antecipada do que se espera, um meio de demonstrar as realidades que não se veem” (Hb 11, 1). Entretanto, será apenas definição até quando não for vivida por alguém. O mártir é aquele que recebeu a graça extraordinária de possuir, pela fé, antecipadamente, tudo que ele espera ver e receber.

Neste Ano da Esperança, em nossa arquidiocese, iniciamos bem, olhando a figura de São Sebastião. A virtude heroica do padroeiro abre-nos à eternidade feliz, mas nos reconduz também ao empenho pela construção da cidade em nossos compromissos profissionais. Reacende a vontade prática de superar situações de vida degradantes e indignas da pessoa humana. São tantas no Rio de Janeiro! O Ano da Esperança é continuidade do Ano da Caridade. Enquanto princípio-esperança para bem viver, favorece a superação das ideologias de morte ou de extermínio, e conjuga-se ao princípio-responsabilidade para deixar aos que virão uma cidade melhorada, menos dividida e mais justa e pacificada. Ao desejo se junta a vontade responsável e a razão prática. Para tanto, vale a pena esforçar-se, sofrer, viver.

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Mais forte que a morte

08/01/2015 16:13 - Atualizado em 08/01/2015 16:13

A esperança é a virtude teologal que enfrenta a morte. Movida pela fé e pela caridade, ambas deixam, na terra dos homens, obras e feitos visíveis. Os crentes abrem-se à eternidade. Ampliam seus horizontes, desde aqui e agora. É bela e consistente a simbologia: “A esperança, com efeito, é para nós qual âncora da alma, segura e firme, penetrando para além do véu, onde Jesus entrou por nós, como precursor” (Hb 6, 19-20). A existência assemelha-se à navegação em alto mar, ora calmo, ora bravio, com rota, bússola e porto de chegada. É o oceano da vida, cujo término é a imensidão do Mistério.

O mártir cristão só se entende enquanto homem de esperança. Por isso, celebrar o martírio de São Sebastião é festejar um cristão na glória celeste. Contemplando sua imagem de jovem valoroso, flechado, amarrado, torturado, recorda-nos as palavras motivadoras da fidelidade, cujo término é a visão de Deus: “seremos semelhantes a ele, porque o veremos tal como é” (1 Jo 3,2). O militante cristão se robustece com a luta e a ascese, nos moldes vividos por Paulo, que bem conhecia o prêmio: “Assume a tua parte de sofrimento como um bom soldado de Cristo Jesus” (2Tm 2, 1).

O martírio é constante na vida da Igreja. É a vivência das bem-aventuranças ao alcance. Em todas as épocas, no século passado e neste apenas iniciado, há mártires. Não podemos ignorá-los, mesmo que quiséssemos. Não só porque são muitos, mas devido ao fato que eles escancaram para nós e a todos “a razão da esperança” (1Pd 3, 3, 15). Fazem, muitas vezes, no silêncio ou com palavras de unção, pois o Mestre lhes diz: “não fiqueis preocupados como ou com o que vos defender, nem com o que dizer, pois o Espírito Santo vos ensinará naquele momento o que deveis dizer” (Lc 12, 11-12). O martírio é, pois, pregação convincente. É o anúncio do Evangelho vivido. No entanto, é dom especial do Espírito de Deus.

O mártir sempre perdoa. Se morrer com ódio e desejo de vingança no coração, não dá o pleno testemunho de Cristo. O mártir verdadeiro, ao contrário, é o discípulo por excelência de Jesus que morreu, pedindo perdão por seus inimigos. Assim o fez o primeiro mártir de Cristo, o diácono Santo Estêvão, que apedrejado, gritava com voz forte: “Senhor, não lhes leves em conta este pecado” (At 7, 60). O seguimento de Cristo não está tanto na imitação do seu sofrimento, mas no amor que perdoa e na esperança mais forte que a morte. Por isso, não basta ser assassinado para ser mártir da fé. É crer “esperando contra toda esperança” (Rm 4, 18) à semelhança de Abraão, o pai da fé, e “com os olhos fixos n’Aquele que é o autor e realizador da fé, Jesus” (Hb 12, 2). Cabe a Igreja reconhecer a veracidade do martírio.

A melhor definição: “A fé é uma posse antecipada do que se espera, um meio de demonstrar as realidades que não se veem” (Hb 11, 1). Entretanto, será apenas definição até quando não for vivida por alguém. O mártir é aquele que recebeu a graça extraordinária de possuir, pela fé, antecipadamente, tudo que ele espera ver e receber.

Neste Ano da Esperança, em nossa arquidiocese, iniciamos bem, olhando a figura de São Sebastião. A virtude heroica do padroeiro abre-nos à eternidade feliz, mas nos reconduz também ao empenho pela construção da cidade em nossos compromissos profissionais. Reacende a vontade prática de superar situações de vida degradantes e indignas da pessoa humana. São tantas no Rio de Janeiro! O Ano da Esperança é continuidade do Ano da Caridade. Enquanto princípio-esperança para bem viver, favorece a superação das ideologias de morte ou de extermínio, e conjuga-se ao princípio-responsabilidade para deixar aos que virão uma cidade melhorada, menos dividida e mais justa e pacificada. Ao desejo se junta a vontade responsável e a razão prática. Para tanto, vale a pena esforçar-se, sofrer, viver.

Dom Edson de Castro Homem
Autor

Dom Edson de Castro Homem

Bispo Auxiliar da Arquidiocese do Rio de Janeiro