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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 19/03/2019

19 de Março de 2019

Santos Inocentes

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26/12/2014 12:41 - Atualizado em 26/12/2014 12:41

Santos Inocentes 0

26/12/2014 12:41 - Atualizado em 26/12/2014 12:41

Anualmente, dentro da Oitava de Natal, celebramos várias festas que nos fazem refletir sobre as consequências do Mistério da Encarnação. Uma delas nos ajuda a nos comprometermos com a dignidade da vida humana: trata-se da festa dos Santos Inocentes, instituída pelo Papa São Pio V. Esta festa encontra o seu fundamento nas Sagradas Escrituras. 

Quando os Magos chegaram a Belém, guiados pela estrela, “encontraram o Menino com Maria e, prostrando-se, adoraram-No e, abrindo os seus tesouros, ofereceram-Lhe presentes – ouro, incenso e mirra. E, tendo recebido aviso em sonhos para não retornarem a Herodes, voltaram por outro caminho para a sua terra. Tendo eles partido, eis que um anjo do Senhor apareceu em sonhos a José e disse-lhe: ‘Levanta-te, toma o Menino e sua mãe e foge para o Egito, e fica lá até que eu te avise, porque Herodes vai procurar o Menino para matá-lo’. E ele, levantando-se de noite, tomou o Menino e sua mãe, e retirou-se para o Egito. E lá esteve até a morte de Herodes, cumprindo-se, desse modo, o que tinha sido dito pelo Senhor por meio do profeta, que disse: ‘Do Egito chamei o meu filho’. Então Herodes, vendo que tinha sido enganado pelos Magos, irou-se em extremo e mandou matar todos os meninos que havia em Belém e arredores, de dois anos para baixo, segundo a data que tinha averiguado dos Magos. Então cumpriu-se o que estava predito pelo profeta Jeremias: ‘Uma voz se ouviu em Ramá, grandes prantos e lamentações: Raquel chorando os seus filhos, sem admitir consolação, porque já não existem'” (Mt 2,11-20).

Na Idade Média, nas dioceses que possuía escola de meninos de coro, a festa dos Inocentes ficou sendo deles. Eles assumiam os cânticos solenes no lugar dos Cônegos do cabido nesse dia.
A Igreja recorda hoje, portanto, os Santos Inocentes Mártires, as crianças mortas pelo rei Herodes, quando, após ouvir dos reis Magos que procuravam pelo “Rei dos Judeus”, buscou eliminar Jesus.
A violência de Herodes não consistiu somente na matança de inocentes inermes, mas também na execração de arrancá-los, ainda infantes, do colo de suas mães que, apavoradas, seguramente se esforçaram com a intrepidez própria dos desesperados por defendê-los e salvá-los. Os melhores artistas, ao longo dos séculos, pintaram em telas eloquentíssimas esse terror. 

Muitos parecem pensar que nos dias de hoje não é possível que existam personagens sinistras como Herodes, pelo menos no que diz respeito a alguns âmbitos da realidade. Por outro lado, embora aceitem como uma evidência todo o progresso cultural, científico e tecnológico não admitem como executável uma intensificação ou um aprofundamento do maquiavelismo, nem que este se possa refinar nos seus métodos. Porém, atualmente, inúmeras são as violências contra os menores em todo o mundo: abusos sexuais, exploração nas guerras, no trabalho, mortes por causa de transplantes de órgãos, além da barbárie do aborto. 

Qualquer mulher que sabe que está grávida não pode deixar de conhecer que traz um filho no seu seio. Para abortá-lo, normalmente inicia um processo mental de desumanização do filho, de modo a poder dar esse terrível passo. Por isso, um nominalismo atravessa os documentos como interrupção da gravidez, dizendo que tudo não passa de um “amontoado” de células. Mas a verdade é que, segundo o testemunho de gente agora convertida que antes trabalhou durante anos nesses centros de morte, muitas vezes as primeiras palavras que a mãe que abortou diz, quando na sala de recobro, são: “Ah meu Deus, acabei de matar o meu filho”!

A festa de hoje também é um convite a refletirmos sobre a situação atual desses milhões de “pequenos inocentes”: crianças vítimas do descaso, do aborto, da fome e da violência. Quantas são enviadas para as guerras! Muitas morrem nos bombardeios das cidades. Milhares se encontram em campos de refugiados. Olhemos ao nosso redor, nossas ruas e praças: quantas crianças abandonadas sem famílias e sem teto! Muitas comunidades e organizações trabalham nessa direção e viram verdadeiros milagres acontecerem. 

Que o nosso empenho pela vida plena das crianças seja o nosso desafio para dar esperança de tempos melhores para nossa sociedade em busca da paz! Somos anunciadores de esperança e construtores da Paz com Cristo. Rezemos neste dia por elas e pelas nossas autoridades, para que se empenhem cada vez mais no cuidado e no amor às nossas crianças, pois delas é o Reino dos Céus. Por estes pequeninos, sobretudo, é que nós, cristãos, aspiramos a um mundo mais justo e solidário.

Santos Inocentes, roguem por nós!

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Santos Inocentes

26/12/2014 12:41 - Atualizado em 26/12/2014 12:41

Anualmente, dentro da Oitava de Natal, celebramos várias festas que nos fazem refletir sobre as consequências do Mistério da Encarnação. Uma delas nos ajuda a nos comprometermos com a dignidade da vida humana: trata-se da festa dos Santos Inocentes, instituída pelo Papa São Pio V. Esta festa encontra o seu fundamento nas Sagradas Escrituras. 

Quando os Magos chegaram a Belém, guiados pela estrela, “encontraram o Menino com Maria e, prostrando-se, adoraram-No e, abrindo os seus tesouros, ofereceram-Lhe presentes – ouro, incenso e mirra. E, tendo recebido aviso em sonhos para não retornarem a Herodes, voltaram por outro caminho para a sua terra. Tendo eles partido, eis que um anjo do Senhor apareceu em sonhos a José e disse-lhe: ‘Levanta-te, toma o Menino e sua mãe e foge para o Egito, e fica lá até que eu te avise, porque Herodes vai procurar o Menino para matá-lo’. E ele, levantando-se de noite, tomou o Menino e sua mãe, e retirou-se para o Egito. E lá esteve até a morte de Herodes, cumprindo-se, desse modo, o que tinha sido dito pelo Senhor por meio do profeta, que disse: ‘Do Egito chamei o meu filho’. Então Herodes, vendo que tinha sido enganado pelos Magos, irou-se em extremo e mandou matar todos os meninos que havia em Belém e arredores, de dois anos para baixo, segundo a data que tinha averiguado dos Magos. Então cumpriu-se o que estava predito pelo profeta Jeremias: ‘Uma voz se ouviu em Ramá, grandes prantos e lamentações: Raquel chorando os seus filhos, sem admitir consolação, porque já não existem'” (Mt 2,11-20).

Na Idade Média, nas dioceses que possuía escola de meninos de coro, a festa dos Inocentes ficou sendo deles. Eles assumiam os cânticos solenes no lugar dos Cônegos do cabido nesse dia.
A Igreja recorda hoje, portanto, os Santos Inocentes Mártires, as crianças mortas pelo rei Herodes, quando, após ouvir dos reis Magos que procuravam pelo “Rei dos Judeus”, buscou eliminar Jesus.
A violência de Herodes não consistiu somente na matança de inocentes inermes, mas também na execração de arrancá-los, ainda infantes, do colo de suas mães que, apavoradas, seguramente se esforçaram com a intrepidez própria dos desesperados por defendê-los e salvá-los. Os melhores artistas, ao longo dos séculos, pintaram em telas eloquentíssimas esse terror. 

Muitos parecem pensar que nos dias de hoje não é possível que existam personagens sinistras como Herodes, pelo menos no que diz respeito a alguns âmbitos da realidade. Por outro lado, embora aceitem como uma evidência todo o progresso cultural, científico e tecnológico não admitem como executável uma intensificação ou um aprofundamento do maquiavelismo, nem que este se possa refinar nos seus métodos. Porém, atualmente, inúmeras são as violências contra os menores em todo o mundo: abusos sexuais, exploração nas guerras, no trabalho, mortes por causa de transplantes de órgãos, além da barbárie do aborto. 

Qualquer mulher que sabe que está grávida não pode deixar de conhecer que traz um filho no seu seio. Para abortá-lo, normalmente inicia um processo mental de desumanização do filho, de modo a poder dar esse terrível passo. Por isso, um nominalismo atravessa os documentos como interrupção da gravidez, dizendo que tudo não passa de um “amontoado” de células. Mas a verdade é que, segundo o testemunho de gente agora convertida que antes trabalhou durante anos nesses centros de morte, muitas vezes as primeiras palavras que a mãe que abortou diz, quando na sala de recobro, são: “Ah meu Deus, acabei de matar o meu filho”!

A festa de hoje também é um convite a refletirmos sobre a situação atual desses milhões de “pequenos inocentes”: crianças vítimas do descaso, do aborto, da fome e da violência. Quantas são enviadas para as guerras! Muitas morrem nos bombardeios das cidades. Milhares se encontram em campos de refugiados. Olhemos ao nosso redor, nossas ruas e praças: quantas crianças abandonadas sem famílias e sem teto! Muitas comunidades e organizações trabalham nessa direção e viram verdadeiros milagres acontecerem. 

Que o nosso empenho pela vida plena das crianças seja o nosso desafio para dar esperança de tempos melhores para nossa sociedade em busca da paz! Somos anunciadores de esperança e construtores da Paz com Cristo. Rezemos neste dia por elas e pelas nossas autoridades, para que se empenhem cada vez mais no cuidado e no amor às nossas crianças, pois delas é o Reino dos Céus. Por estes pequeninos, sobretudo, é que nós, cristãos, aspiramos a um mundo mais justo e solidário.

Santos Inocentes, roguem por nós!

Cardeal Orani João Tempesta
Autor

Cardeal Orani João Tempesta

Arcebispo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro