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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 15/10/2018

15 de Outubro de 2018

Sagrada Família

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15 de Outubro de 2018

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28/12/2014 00:00

Sagrada Família 0

28/12/2014 00:00

Celebramos a oitava de Natal e, dentro deste clima de domingo na oitava do Natal, celebramos a festa da Sagrada Família. Somos colocados diante de uma família, a família humana de Cristo: sobrenatural, mas ao mesmo tempo verdadeiramente humana.

O Evangelho de Mateus nos coloca em contato com o nível de amor profundo que unia os membros desta família. José e Maria tinham um sonho: de formar a sua própria família. Como jovens tinham o coração cheio de esperança no futuro, deviam ter projetos. Todavia, eles são abertos à novidade de Deus. José e Maria acolhem de maneira ímpar Deus em sua casa. Sua vida de família passa a ter como centro e ápice o próprio Cristo.

O Evangelho nos apresenta José totalmente voltado ao amor por sua família. Este homem que tinha uma vida organizada, de repente precisa ficar fugindo de um lado para outro para proteger a sua família amada. José e Maria vivem plenamente a vida de família e fazem do Cristo o centro da sua vida e da sua história.

São Paulo hoje nos apresenta um belo itinerário na Carta aos Colossenses. Primeiro Paulo fala da vida cristã em geral e depois fala de forma específica sobre a família. Paulo chama os colossenses de “eleitos de Deus”, “santos e amados”. Três adjetivos que conservam em si uma profundidade infinita. Somos, em primeiro lugar, eleitos. Deus nos elegeu. A escolha, a eleição de Deus é sempre livre. Deus não age segundo os nossos critérios. Vemos na Escritura como Deus, na escolha de um rei ou de um profeta, foge a todos os critérios humanos de eleição. Deus age assim justamente para mostrar que Ele é livre e que a sua eleição não se baseia tanto nos méritos da criatura, quanto no seu desejo de manifestar, através desta mesma criatura, a sua glória e o seu poder. Deus nos elegeu e nos santificou, porque nos ama. Nós tantas vezes pensamos que somos amados por Deus como prêmio por nosso bom comportamento. Todavia, hoje a Palavra nos revela que o amor de Deus por nós sempre precede qualquer virtude humana, qualquer esforço para ser amado. Deus sempre nos ama e, porque nos ama, nos elegeu e nos santificou.

Paulo convida então a cada um de nós a revestirmo-nos de “sincera misericórdia, bondade, humildade, mansidão e paciência”. Estas são as virtudes das quais necessitamos para fazermos o que em seguida o apóstolo nos convida: “suportando-vos uns aos outros e perdoando-vos mutuamente”. Paulo insiste, sobretudo, na virtude principal, o “amor (ágape)”, que é segundo o apóstolo o “vínculo da perfeição”. Deve reinar em nós, continua o apóstolo, “a paz de Cristo” porque somos membros de só corpo. Devemos “ser agradecidos”; devemos nos abrir para que “a Palavra de Cristo habite em nós”; devemos fazer de todas as nossas atitudes uma “ação de graças a Deus”. Por fim Paulo dá alguns preceitos particulares de moral doméstica: as esposas devem ser solícitas para com os maridos; estes devem amar as suas esposas; os filhos devem obedecer aos pais e os pais não devem intimidar os filhos, para que estes não desanimem.

A família é uma comunidade e a principal delas. Por isso é necessário para que esta comunidade funcione que cada membro viva de forma espiritual. É por isso que toda a primeira parte dessa leitura se aplica à vida de cada cristão, onde eu procuro viver de forma íntima e pessoal o meu relacionamento com Deus. Desse relacionamento pessoal com Deus brota a força para que eu possa viver a vida familiar.

Devemos pedir ao Espírito Santo a graça de vivermos assim, para que a vida familiar se torne o lugar onde cada um procura dar ao outro aquilo o que recebeu de Deus e que transborda de seu coração.

Gostaria de concluir com uma Palavra do apóstolo. No versículo 15 da segundo leitura Paulo nos dá uma palavra de ordem: “sede agradecidos”. Estamos num contexto de ação de graças, na “Eucaristia” cristã. O motivo principal de nossa ação de graças é o Cristo, Cordeiro Imolado para a nossa salvação. Mas, devemos dar graças a Deus hoje pela nossa família. Tantas vezes nos lamentamos pelos inúmeros problemas que assolam as nossas famílias; outras vezes gostaríamos que as nossas famílias fossem diferentes, fossem melhores. Hoje somos convidados a descer das nossas idealizações e a darmos graças a Deus por aquilo o que é real, pela nossa família como ela é. A ação de graças inclui tudo. A ação de graças não é conformismo, mas é a mais pura atitude do homem de fé, do homem que sabe que tudo está nas mãos de Deus, que Ele já está cuidando de todos os detalhes da minha vida e que a mim cabe somente render graças por todos os seus benefícios. Sejamos gratos a Deus pelas nossas famílias – pela Igreja, nossa família mais ampla – e deixemos que Deus cuide de todas as necessidades das nossas famílias.

FESTA DA SAGRADA FAMÍLIA

JESUS, MARIA E JOSÉ

Dia 28 de dezembro

1ª Leitura - Eclo 3,3-7.14-17aSalmo - 1272ª Leitura - Cl 3,12-21 Evangelho - Lc 2,22-40

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Sagrada Família

28/12/2014 00:00

Celebramos a oitava de Natal e, dentro deste clima de domingo na oitava do Natal, celebramos a festa da Sagrada Família. Somos colocados diante de uma família, a família humana de Cristo: sobrenatural, mas ao mesmo tempo verdadeiramente humana.

O Evangelho de Mateus nos coloca em contato com o nível de amor profundo que unia os membros desta família. José e Maria tinham um sonho: de formar a sua própria família. Como jovens tinham o coração cheio de esperança no futuro, deviam ter projetos. Todavia, eles são abertos à novidade de Deus. José e Maria acolhem de maneira ímpar Deus em sua casa. Sua vida de família passa a ter como centro e ápice o próprio Cristo.

O Evangelho nos apresenta José totalmente voltado ao amor por sua família. Este homem que tinha uma vida organizada, de repente precisa ficar fugindo de um lado para outro para proteger a sua família amada. José e Maria vivem plenamente a vida de família e fazem do Cristo o centro da sua vida e da sua história.

São Paulo hoje nos apresenta um belo itinerário na Carta aos Colossenses. Primeiro Paulo fala da vida cristã em geral e depois fala de forma específica sobre a família. Paulo chama os colossenses de “eleitos de Deus”, “santos e amados”. Três adjetivos que conservam em si uma profundidade infinita. Somos, em primeiro lugar, eleitos. Deus nos elegeu. A escolha, a eleição de Deus é sempre livre. Deus não age segundo os nossos critérios. Vemos na Escritura como Deus, na escolha de um rei ou de um profeta, foge a todos os critérios humanos de eleição. Deus age assim justamente para mostrar que Ele é livre e que a sua eleição não se baseia tanto nos méritos da criatura, quanto no seu desejo de manifestar, através desta mesma criatura, a sua glória e o seu poder. Deus nos elegeu e nos santificou, porque nos ama. Nós tantas vezes pensamos que somos amados por Deus como prêmio por nosso bom comportamento. Todavia, hoje a Palavra nos revela que o amor de Deus por nós sempre precede qualquer virtude humana, qualquer esforço para ser amado. Deus sempre nos ama e, porque nos ama, nos elegeu e nos santificou.

Paulo convida então a cada um de nós a revestirmo-nos de “sincera misericórdia, bondade, humildade, mansidão e paciência”. Estas são as virtudes das quais necessitamos para fazermos o que em seguida o apóstolo nos convida: “suportando-vos uns aos outros e perdoando-vos mutuamente”. Paulo insiste, sobretudo, na virtude principal, o “amor (ágape)”, que é segundo o apóstolo o “vínculo da perfeição”. Deve reinar em nós, continua o apóstolo, “a paz de Cristo” porque somos membros de só corpo. Devemos “ser agradecidos”; devemos nos abrir para que “a Palavra de Cristo habite em nós”; devemos fazer de todas as nossas atitudes uma “ação de graças a Deus”. Por fim Paulo dá alguns preceitos particulares de moral doméstica: as esposas devem ser solícitas para com os maridos; estes devem amar as suas esposas; os filhos devem obedecer aos pais e os pais não devem intimidar os filhos, para que estes não desanimem.

A família é uma comunidade e a principal delas. Por isso é necessário para que esta comunidade funcione que cada membro viva de forma espiritual. É por isso que toda a primeira parte dessa leitura se aplica à vida de cada cristão, onde eu procuro viver de forma íntima e pessoal o meu relacionamento com Deus. Desse relacionamento pessoal com Deus brota a força para que eu possa viver a vida familiar.

Devemos pedir ao Espírito Santo a graça de vivermos assim, para que a vida familiar se torne o lugar onde cada um procura dar ao outro aquilo o que recebeu de Deus e que transborda de seu coração.

Gostaria de concluir com uma Palavra do apóstolo. No versículo 15 da segundo leitura Paulo nos dá uma palavra de ordem: “sede agradecidos”. Estamos num contexto de ação de graças, na “Eucaristia” cristã. O motivo principal de nossa ação de graças é o Cristo, Cordeiro Imolado para a nossa salvação. Mas, devemos dar graças a Deus hoje pela nossa família. Tantas vezes nos lamentamos pelos inúmeros problemas que assolam as nossas famílias; outras vezes gostaríamos que as nossas famílias fossem diferentes, fossem melhores. Hoje somos convidados a descer das nossas idealizações e a darmos graças a Deus por aquilo o que é real, pela nossa família como ela é. A ação de graças inclui tudo. A ação de graças não é conformismo, mas é a mais pura atitude do homem de fé, do homem que sabe que tudo está nas mãos de Deus, que Ele já está cuidando de todos os detalhes da minha vida e que a mim cabe somente render graças por todos os seus benefícios. Sejamos gratos a Deus pelas nossas famílias – pela Igreja, nossa família mais ampla – e deixemos que Deus cuide de todas as necessidades das nossas famílias.

FESTA DA SAGRADA FAMÍLIA

JESUS, MARIA E JOSÉ

Dia 28 de dezembro

1ª Leitura - Eclo 3,3-7.14-17aSalmo - 1272ª Leitura - Cl 3,12-21 Evangelho - Lc 2,22-40

Padre Fábio Siqueira
Autor

Padre Fábio Siqueira

Vice-diretor das Escolas de Fé e Catequese Mater Ecclesiae e Luz e Vida