Arquidiocese do Rio de Janeiro

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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 17/07/2019

17 de Julho de 2019

Irmãos e não escravos!

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30/12/2014 00:00

Irmãos e não escravos! 0

30/12/2014 00:00

O novo ano civil inicia-se com a comemoração do Dia Mundial da Paz! A leitura do Livro dos Números (6, 22-27) nos recorda esta realidade: “O Senhor te abençoe e te guarde, o Senhor faça brilhar sobre ti a Sua face, e se compadeça de ti, O Senhor volte para o ti o Seu rosto e te dê a Paz!” A Paz, como dom e conquista, faz parte de nossa luta diária. Na liturgia da Igreja celebramos a solenidade da Santa Mãe de Deus, Maria. Portanto, começamos o ano com esse mistério inefável, pedindo a intercessão dela por todos nós que iniciamos uma nova caminhada anual. É também a conclusão da Oitava do Natal, com a recordação da circuncisão de Jesus e o Seu Santíssimo nome. Com tão belos pensamentos e importantes realidades, abramos o novo ano sabendo que a sucessão do tempo é uma ótima oportunidade de preenchermos esse período com um coração voltado para o Senhor, que quer fazer o melhor amando o seu próximo por que experimenta em sua vida o Amor de Deus.

A cada ano somos brindados com um tema que norteia nossa caminhada de busca da Paz universal. Para nós no Brasil ainda com mais interesse, pois vivemos o “Ano da Paz” pedido pelos Bispos do Brasil na última Assembleia Geral. Para nossa reflexão e concretização, foi publicada a mensagem do Papa Francisco para este 48º Dia Mundial da Paz, que será celebrado em primeiro de janeiro de 2015. No texto, que tem como tema “Já não escravos, mas irmãos”, o Pontífice aborda as causas da escravidão bem como as formas para solucioná-la, o que envolve um esforço comum para globalizar a solidariedade.

Para nós que vivemos e aprofundamos no ano de 2014 o tema: “Fraternidade e o tráfico humano” na Campanha Quaresmal, com o lema “é para a liberdade que Cristo nos libertou”, o tema do Papa Francisco para este ano nos envolve e nos remete adiante em nossa responsabilidade de continuar descobrindo essas situações em nossas cidades e dando respostas concretas para possíveis soluções. Isso vem nos ajudar a viver a Campanha da Fraternidade do ano de 2015, que tem como tema: “Fraternidade: Igreja e Sociedade”, com o lema: “Eu vim para servir”. Que o tema do Dia Mundial da Paz nos remeta ainda mais a uma maior inserção em nossa realidade tão injusta e sofrida com o grande e belo anúncio do Evangelho.

Mas além de nossas realidades locais que já são gritantes, somos chamados a olhar mais longe e contemplar e nos responsabilizar pelas realidades das escravidões em outras regiões do planeta. A universalidade da Igreja nos faz solidários com as dores do mundo.

Segundo o Papa, o tema que ele escolheu é inspirado na Carta de São Paulo a Filemon: nela, o Apóstolo pede ao seu colaborador para acolher Onésimo, que antes era escravo do próprio Filemon, mas agora se tornou cristão, merecendo por isso mesmo, segundo Paulo, ser considerado um irmão. Escreve o Apóstolo dos gentios: “Ele foi afastado por breve tempo, a fim de que o recebas para sempre, não já como escravo, mas muito mais do que um escravo, como irmão querido” (Flm 15-16). Tornando-se cristão, Onésimo passou a ser irmão de Filemon. Deste modo, a conversão a Cristo, o início de uma vida de discipulado em Cristo, constitui um novo nascimento (2 Cor 5, 17; 1 Ped. 1, 3), que regenera a fraternidade como vínculo fundante da vida familiar e alicerce da vida social. O Papa diz que a sociedade conhece a escravidão há muito tempo, tendo passado por períodos em que o fenômeno foi admitido e até regulamentado. E, embora hoje a liberdade de cada pessoa tenha sido reconhecida no direito internacional, milhões de pessoas continuam privadas desse direito e vivem em condições semelhantes à da escravidão.

Como exemplo, o Pontífice cita trabalhadores escravizados em diversos setores, migrantes que sofrem com condições desumanas, pessoas submetidas à prostituição, mulheres forçadas a se casar, menores e adultos que são objeto de tráfico de pessoas e de órgãos, bem como os que são sequestrados e mantidos em cativeiro por grupos terroristas.

As causas da escravidão também são citadas pelo Papa na mensagem: pobreza, subdesenvolvimento, exclusão, falta de acesso à educação, escassez ou inexistência de emprego, conflitos armados, criminalidade e o terrorismo. O Pontífice não deixa de mencionar como causa pessoas corruptas que estão dispostas a tudo para enriquecer.

“Na realidade, a servidão e o tráfico das pessoas humanas requerem uma cumplicidade que muitas vezes passa através da corrupção dos intermediários, de alguns membros das forças da polícia, de outros atores do Estado ou de variadas instituições, civis e militares”.

Apesar da indiferença que perpassa esse fenômeno, o Pontífice lembra o trabalho silencioso de muitas congregações religiosas em prol das vítimas. Ele defende que, assim como as organizações criminosas usam redes globais para alcançar os seus objetivos, é preciso um esforço comum de toda a sociedade para vencer a escravidão.

“Os Estados deveriam vigiar por que as respectivas legislações nacionais sobre as migrações, o trabalho, as adoções, a transferência das empresas e a comercialização de produtos feitos por meio da exploração do trabalho sejam efetivamente respeitadoras da dignidade da pessoa”.

Francisco pede ações de fraternidade em prol dos que são mantidos em estado de servidão, mesmo que seja com pequenos gestos no cotidiano, como oferecer um sorriso a uma pessoa que pode estar vivendo essa realidade. “Lanço um veemente apelo a todos os homens e mulheres de boa vontade e a quantos, mesmo nos mais altos níveis das instituições, são testemunhas, de perto ou de longe, do flagelo da escravidão contemporânea, para que não se tornem cúmplices deste mal, não afastem o olhar à vista dos sofrimentos de seus irmãos e irmãs em humanidade, privados de liberdade e dignidade, mas tenham a coragem de tocar a carne sofredora de Cristo”.

O Papa Francisco reza para que as pessoas saibam resistir à tentação de se comportar de forma não digna de sua humanidade. Na sua primeira mensagem para o Dia Mundial da Paz, o Papa já havia mencionado o respeito à dignidade, liberdade e autonomia do homem como aspecto fundamental para o seu desenvolvimento.

Ele conclui sua mensagem depois de lembrar que estamos “perante um fenômeno mundial que excede as competências de uma única comunidade ou nação”, afirmando: “Sabemos que Deus perguntará a cada um de nós: que fizeste do teu irmão? (cf. Gen 4, 9-10). A globalização da indiferença, que hoje pesa sobre a vida de tantas irmãs e tantos irmãos, requer de todos nós que nos façamos artífices duma globalização da solidariedade e da fraternidade que possa devolver-lhes a esperança e levá-los a retomar, com coragem, o caminho através dos problemas do nosso tempo e as novas perspectivas que este traz consigo e que Deus coloca nas nossas mãos”.

Como irmãos corresponsáveis globalmente uns pelos outros, iniciemos com confiança este ano de 2015, que queremos que seja melhor por que partilhamos juntos os mesmo ideais de tempos novos e esperanças renovadas, para que haja “paz em nossas fronteiras” que são universais.

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O novo ano civil inicia-se com a comemoração do Dia Mundial da Paz! A leitura do Livro dos Números (6, 22-27) nos recorda esta realidade: “O Senhor te abençoe e te guarde, o Senhor faça brilhar sobre ti a Sua face, e se compadeça de ti, O Senhor volte para o ti o Seu rosto e te dê a Paz!” A Paz, como dom e conquista, faz parte de nossa luta diária. Na liturgia da Igreja celebramos a solenidade da Santa Mãe de Deus, Maria. Portanto, começamos o ano com esse mistério inefável, pedindo a intercessão dela por todos nós que iniciamos uma nova caminhada anual. É também a conclusão da Oitava do Natal, com a recordação da circuncisão de Jesus e o Seu Santíssimo nome. Com tão belos pensamentos e importantes realidades, abramos o novo ano sabendo que a sucessão do tempo é uma ótima oportunidade de preenchermos esse período com um coração voltado para o Senhor, que quer fazer o melhor amando o seu próximo por que experimenta em sua vida o Amor de Deus.

A cada ano somos brindados com um tema que norteia nossa caminhada de busca da Paz universal. Para nós no Brasil ainda com mais interesse, pois vivemos o “Ano da Paz” pedido pelos Bispos do Brasil na última Assembleia Geral. Para nossa reflexão e concretização, foi publicada a mensagem do Papa Francisco para este 48º Dia Mundial da Paz, que será celebrado em primeiro de janeiro de 2015. No texto, que tem como tema “Já não escravos, mas irmãos”, o Pontífice aborda as causas da escravidão bem como as formas para solucioná-la, o que envolve um esforço comum para globalizar a solidariedade.

Para nós que vivemos e aprofundamos no ano de 2014 o tema: “Fraternidade e o tráfico humano” na Campanha Quaresmal, com o lema “é para a liberdade que Cristo nos libertou”, o tema do Papa Francisco para este ano nos envolve e nos remete adiante em nossa responsabilidade de continuar descobrindo essas situações em nossas cidades e dando respostas concretas para possíveis soluções. Isso vem nos ajudar a viver a Campanha da Fraternidade do ano de 2015, que tem como tema: “Fraternidade: Igreja e Sociedade”, com o lema: “Eu vim para servir”. Que o tema do Dia Mundial da Paz nos remeta ainda mais a uma maior inserção em nossa realidade tão injusta e sofrida com o grande e belo anúncio do Evangelho.

Mas além de nossas realidades locais que já são gritantes, somos chamados a olhar mais longe e contemplar e nos responsabilizar pelas realidades das escravidões em outras regiões do planeta. A universalidade da Igreja nos faz solidários com as dores do mundo.

Segundo o Papa, o tema que ele escolheu é inspirado na Carta de São Paulo a Filemon: nela, o Apóstolo pede ao seu colaborador para acolher Onésimo, que antes era escravo do próprio Filemon, mas agora se tornou cristão, merecendo por isso mesmo, segundo Paulo, ser considerado um irmão. Escreve o Apóstolo dos gentios: “Ele foi afastado por breve tempo, a fim de que o recebas para sempre, não já como escravo, mas muito mais do que um escravo, como irmão querido” (Flm 15-16). Tornando-se cristão, Onésimo passou a ser irmão de Filemon. Deste modo, a conversão a Cristo, o início de uma vida de discipulado em Cristo, constitui um novo nascimento (2 Cor 5, 17; 1 Ped. 1, 3), que regenera a fraternidade como vínculo fundante da vida familiar e alicerce da vida social. O Papa diz que a sociedade conhece a escravidão há muito tempo, tendo passado por períodos em que o fenômeno foi admitido e até regulamentado. E, embora hoje a liberdade de cada pessoa tenha sido reconhecida no direito internacional, milhões de pessoas continuam privadas desse direito e vivem em condições semelhantes à da escravidão.

Como exemplo, o Pontífice cita trabalhadores escravizados em diversos setores, migrantes que sofrem com condições desumanas, pessoas submetidas à prostituição, mulheres forçadas a se casar, menores e adultos que são objeto de tráfico de pessoas e de órgãos, bem como os que são sequestrados e mantidos em cativeiro por grupos terroristas.

As causas da escravidão também são citadas pelo Papa na mensagem: pobreza, subdesenvolvimento, exclusão, falta de acesso à educação, escassez ou inexistência de emprego, conflitos armados, criminalidade e o terrorismo. O Pontífice não deixa de mencionar como causa pessoas corruptas que estão dispostas a tudo para enriquecer.

“Na realidade, a servidão e o tráfico das pessoas humanas requerem uma cumplicidade que muitas vezes passa através da corrupção dos intermediários, de alguns membros das forças da polícia, de outros atores do Estado ou de variadas instituições, civis e militares”.

Apesar da indiferença que perpassa esse fenômeno, o Pontífice lembra o trabalho silencioso de muitas congregações religiosas em prol das vítimas. Ele defende que, assim como as organizações criminosas usam redes globais para alcançar os seus objetivos, é preciso um esforço comum de toda a sociedade para vencer a escravidão.

“Os Estados deveriam vigiar por que as respectivas legislações nacionais sobre as migrações, o trabalho, as adoções, a transferência das empresas e a comercialização de produtos feitos por meio da exploração do trabalho sejam efetivamente respeitadoras da dignidade da pessoa”.

Francisco pede ações de fraternidade em prol dos que são mantidos em estado de servidão, mesmo que seja com pequenos gestos no cotidiano, como oferecer um sorriso a uma pessoa que pode estar vivendo essa realidade. “Lanço um veemente apelo a todos os homens e mulheres de boa vontade e a quantos, mesmo nos mais altos níveis das instituições, são testemunhas, de perto ou de longe, do flagelo da escravidão contemporânea, para que não se tornem cúmplices deste mal, não afastem o olhar à vista dos sofrimentos de seus irmãos e irmãs em humanidade, privados de liberdade e dignidade, mas tenham a coragem de tocar a carne sofredora de Cristo”.

O Papa Francisco reza para que as pessoas saibam resistir à tentação de se comportar de forma não digna de sua humanidade. Na sua primeira mensagem para o Dia Mundial da Paz, o Papa já havia mencionado o respeito à dignidade, liberdade e autonomia do homem como aspecto fundamental para o seu desenvolvimento.

Ele conclui sua mensagem depois de lembrar que estamos “perante um fenômeno mundial que excede as competências de uma única comunidade ou nação”, afirmando: “Sabemos que Deus perguntará a cada um de nós: que fizeste do teu irmão? (cf. Gen 4, 9-10). A globalização da indiferença, que hoje pesa sobre a vida de tantas irmãs e tantos irmãos, requer de todos nós que nos façamos artífices duma globalização da solidariedade e da fraternidade que possa devolver-lhes a esperança e levá-los a retomar, com coragem, o caminho através dos problemas do nosso tempo e as novas perspectivas que este traz consigo e que Deus coloca nas nossas mãos”.

Como irmãos corresponsáveis globalmente uns pelos outros, iniciemos com confiança este ano de 2015, que queremos que seja melhor por que partilhamos juntos os mesmo ideais de tempos novos e esperanças renovadas, para que haja “paz em nossas fronteiras” que são universais.